Explorando a imaginação [vídeo]

Videoanálise

Mesmo não tendo alcançado o sucesso de Mario ou Zelda, a série Pikmin é uma das obras mais criativas de toda a carreira de Shigeru Miyamoto. Nascida de sua paixão por jardinagem, a franquia logo conquistou o público e colocou Olimar e as pequenas criaturas coloridas no panteão de grandes heróis da empresa.

E talvez tenha sido exatamente por conta desse histórico de inovação que a “Big N” tenha escolhido Pikmin 3 como o lançamento que pode ser o ponto de virada do Wii U. Com o volume de vendas do console bem abaixo do esperado e com pouquíssimos títulos chegando às lojas, a empresa apostou no retorno da série e de sua proposta única para tentar reverter esta situação.

No entanto, bastam apenas alguns minutos de jogo para você perceber que o game é muito mais do que um ótimo jogo em meio ao marasmo na qual a plataforma se encontra. Com Pikmin 3, a Nintendo prova que criatividade e diversão fazem parte de seu DNA e mostra para que seu sistema veio. Depois de tanto tempo, eis a razão que você queria para comprar um Wii U.

Embora muitos prefiram dizer que Pikmin 3 é um jogo que vem para acabar com o marasmo de lançamentos do Wii U, ele é muito mais que isso. Ele é um dos títulos que mostram para que o console veio. Trazendo tudo aquilo que a Nintendo sabe fazer de melhor, a aventura das pequenas criaturas é uma belíssima mensagem da empresa para mostrar que o verdadeiro potencial do aparelho não está na quantidade de jogos, mas na excelência de cada um deles.


Toda a criatividade e originalidade presente nos jogos originais retornam neste novo game, seja em um multiplayer único ou na criação de mecânicas diferenciadas para a campanha. Por mais que o visual colorido e fofinho dos heróis passe a imagem errônea de que Pikmin é jogo de criança, o nível de desafio e diversão proporcionado pelas criaturinhas vai além dos estereótipos e preconceitos, atingindo pessoas de todas as idades.

No final das contas, Pikmin 3 se mostra como um jogo tão grandioso quanto a nossa própria imaginação e capaz de levá-lo por horas e horas em uma recompensadora exploração em seu próprio jardim.

Exploração tripla

A principal novidade de Pikmin 3 é que, ao contrário dos jogos anteriores, não temos mais o icônico Capitão Olimar comandando sua tropa de criaturas coloridas. Na nova aventura, somos apresentados a três protagonistas vindos diretamente do planeta Koppai. Juntos, Alph, Brittany e Charlie devem explorar o estranho mundo de PNF-404 em busca de comida e encontrar uma forma de voltar para casa.

Só que essa estreia vai muito além de simplesmente trazer alguns rostos inéditos à série. A chegada do trio adiciona novas formas de interação com o mundo, tornando a aventura bem mais variada. A partir de agora, você pode dividir seu grupo e avançar por caminhos diferentes simultaneamente.

Por mais que a mecânica básica permaneça a mesma dos jogos anteriores, Pikmin 3 se destaca por triplicar a experiência. Como cada um dos novos heróis pode ser controlado individualmente, isso permite que você conheça os segredos de cada mapa com muito mais agilidade, além de otimizar a coleta de mantimentos a cada dia. E você nem precisa se virar em três para acompanhá-los, já a exibição do mapa na tela do GamePad ajuda a termos uma noção de como um personagem está se virando enquanto você comanda outro.

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Só que essa divisão traz algumas complicações interessantes na hora de traçar sua estratégia. É possível ter apenas 100 Pikmin disponíveis no cenário, o que faz com que você precise gerenciar muito bem a quantidade e os tipos enviados para as demais equipes. Como cada criatura tem seu próprio conjunto de vantagens e vulnerabilidades e você nunca sabe o que encontrar em seu caminho, trata-se de uma decisão bem complicada e que precisa ser muito bem pensada antes de realizada.

No entanto, a maior novidade do jogo não é a separação de exploradores, mas as diferentes formas com as quais eles atuam em conjunto. Além dos Pikmin, o jogador pode disparar também seus amigos, o que gera novas maneiras de interação com o mundo.

Para chegar ao outro lado de um rio, por exemplo, Alph pode arremessar Britanny juntamente com alguns Pikmin e reunir as peças que montam a ponte que liga as duas margens. Em outro momento, Charlie joga seus dois companheiros sobre uma espécie de balança, permitindo que eles alcancem uma fruta localizada em uma área mais alta.

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Isso obriga o jogador a procurar sempre novas formas de resolver um puzzle. Por mais que o visual colorido quase nos faça esquecer, Pikmin 3 ainda é um game de estratégia e isso significa que pensar é a chave para o sucesso.

Novos aliados

Só que essa linha estratégica não é feita apenas na forma como você divide seu grupo, mas também na maneira como suas forças são usadas. Assim como nos jogos anteriores, temos várias espécies de Pikmin cada uma delas possui habilidades e características únicas.

Os vermelhos, por exemplo, são resistentes ao fogo bons de briga, enquanto os amarelos conduzem eletricidade e os azuis sobrevivem embaixo d’água. Além deles, dois novos tipos de aliados dão as caras: os pretos, que são resistentes como pedras e conseguem quebrar diferentes tipos de materiais, e os rosas, cuja habilidade de voar ajuda a superar diversas obstáculos.


Essa grande variedade pode ser de grande ajuda na hora de enviar um batalhão contra um inimigo específico, mas pode se transformar em uma enorme dor de cabeça caso você queira tirar o melhor desempenho de seu grupo. Não há como saber quais espécies serão úteis em cada fase, o que vai obrigá-lo a revisitar a mesma área várias vezes a fim de conhecer seus quebra-cabeças e as demais criaturas que vivem ali — tudo para que você saiba quais Pikmin serão úteis em sua missão.

Visual convidativo

Pikmin 3 é o típico jogo que chama a atenção pelo seu belíssimo visual. Por mais que você nunca tenha colocado suas mãos em um dos títulos anteriores, certamente o show de cores e formas vai encher seus olhos. E isso é apenas uma pequena parcela de tudo o que o game tem a oferecer.

A parte artística sempre foi um destaque da série, mas as imagens em alta definição do Wii U dão um charme a mais a tudo isso. Adicione à equação o inspirado level design que dá forma às diferentes áreas do planeta-jardim de PNF-404 e você tem um enorme convite à exploração.

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É exatamente isso o que acontece tão logo você começa a ser aventurar por Pikmin 3. Tudo é tão bonito e interessante que você não se cansa de ir além na tentativa de encontrar caminhos secretos, rotas alternativas ou o esconderijo de grandes e deliciosas frutas. Com uma grande variedade de formas e cores, a Nintendo o convida para avançar mais e mais — algo que é impossível recusar.

Isso fica ainda mais evidente com a falta de objetivos de cada uma das fases. Por mais que existam alguns desafios básicos que servem para dar continuidade à narrativa, não há missões para passar o nível ou coisa parecida. Isso significa que você tem total liberdade para desbravar o local e conhecer suas características. A única restrição fica por conta do tempo, já que todas as ações precisam ser realizadas durante o dia, uma vez que terríveis predadores surgem à noite para devorar seus Pikmin — e essa corrida contra o tempo que deixa tudo bem desafiador.

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Além disso, o jogo também incentiva o jogador a explorar regiões já visitadas. Muitas barreiras só podem ser vencidas quando você tem um tipo específico de Pikmin ou quando seu grupo de herói está completo, o que torna o regresso uma decisão bastante recompensadora.

Ao lado de seus amigos

Já que a trama central é baseada na história de três amigos que se perdem no planeta das criaturas coloridas, é natural que o novo game da Nintendo tenha também um forte apelo ao modo multiplayer. E como não poderia deixar de ser, Pikmin 3 faz isso de maneira incrivelmente criativa e única.

É o caso do chamado Bingo Battle, um versus bem diferente daquele que estamos acostumados a ver. Aqui, seu objetivo não é derrotar os Pikmin de seu adversário, mas usar seu grupo para coletar itens que aparecem em uma cartela oferecida no início da partida. E assim como no passatempo da terceira idade, vence o primeiro que preencher uma linha.

Pode parece algo bobo e simplório, mas a novidade possui um ritmo frenético que torna tudo bem divertido. Já para quem prefere algo um pouco mais calmo, as missões trazem uma série de desafios cooperativos em que você deve correr contra o tempo para coletar frutas ou matar inimigos.

Questão de controle

Como o Wii U é um console que oferece diferentes alternativas de controles, Pikmin 3 acaba sofrendo com as consequências dessa variedade. Por mais que seja possível optar entre o GamePad e o Wii Remote, as vantagens de cada joystick vêm acompanhadas de seus próprios problemas, fazendo com que os comandos do jogo não sejam perfeitos em momento algum.

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O uso do controle-tablet, por exemplo, traz um universo de benefícios. A segunda tela permite que você tenha maior visibilidade do mapa e o segundo analógico oferece um controle mais livre sobre a câmera, o que ajuda muito na exploração do cenário. No entanto, isso faz com que os arremessos de seus Pikmin não sejam nada precisos, uma vez que seu indicador é ajustado na mesma alavanca que movimenta seu personagem.

Já para quem opta pela tradição e perfeccionismo, o Wii Remote pode ser uma boa pedida, já que o sensor de movimento permite que você tenha um domínio maior sobre a localização onde seus aliados serão jogados. No entanto, isso torna o domínio de perspectiva algo bastante problemático, principalmente no caos do multiplayer de tela dividida.

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No final das contas, independente de sua escolha, Pikmin 3 não consegue acertar em definitivo em nenhuma das opções ofertadas. Cada uma delas possui seus problemas e a decisão não fica por conta daquilo que é melhor, mas no “menos pior”.

Inteligência suicida

Não há nada pior no mundo do que uma inteligência artificial punitiva, ou seja, aquela cujos problemas vão levá-lo ao fracasso mesmo quando você não pode fazer nada para mudar isso. E em Pikmin 3, isso acontece com uma frequência irritante.

Como sua exploração só pode ser feita durante o dia, você deve correr contra o tempo para reunir todos os seus Pikmin antes de o sol se pôr. E o problema acontece exatamente quando você está tentando conduzir sua legião de pequenos para um lugar seguro e eles não reconhecem um obstáculo, ficando presos e perdidos no meio do caminho.

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Trata-se de uma limitação tão banal que é incrível como esse tipo de coisa com tanta frequência na aventura. Não são poucas em vezes em que você olha para seu mapa e vê que há uma dúzia de criaturas espalhadas em algum ponto do cenário, presa em uma extremidade qualquer e longe demais para serem salvas.

É uma falha boba, mas que causa muito incômodo ao longo de todo o jogo — principalmente quando sabemos que ela poderia ter sido facilmente corrigida.

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