Análise de Prinny 2: Dawn of Operation Panties, Dood!

Dividindo os homens dos garotos

Se você não sabe do que Prinny 2: Dawn of Operation Panties, Dood! se trata, dê uma olhada nas imagens do jogo antes de voltar a ler esta análise. Apesar dos ares aparentemente infantis do título, este não é um jogo para crianças. E isso não se deve à busca por calcinhas evidenciada pelo nome do game.

Img_normalOs Prinnies são velhos conhecidos dos fãs do RPG tático Disgaea e, apesar do que o título indica, são uma raça e não um único personagem. Estes pinguins esquisitos são almas aprisionadas de ladrões, assassinos ou suicidas, por exemplo, condenados a servir como soldados ou escravos da rainha Etna.

Nesta sequência, os Prinnies devem aplacar a ira de sua mestra e resolver um crime terrível: o roubo da calcinha de Sua Majestade. Como no primeiro jogo da série, o jogador recebe um exército de mil pinguins e um tempo determinado para completar a missão. Parece simples, não é? Lego engano.
 

Se você reclama que os jogos da atualidade estão muito fáceis e quase não exigem habilidade do jogador, pense novamente. Prinny 2: Dawn of Operation Panties, Dood! vai te levar de volta à clássica era em que para finalizar um game era preciso muita habilidade e uma boa dose de paciência. Os fãs de games de plataforma também devem gostar do título.

Porém, a dificuldade demasiada deve afastar os jogadores que procuram diversão rápida e simples. Se você fica frustrado ao encontrar obstáculos aparentemente intransponíveis ou não gosta de ter trabalho, passe longe de Prinny 2.

Prepare-se para tremer

Gosta de desafios? Prefere batalhar por cada milímetro dos cenários até chegar ao final, utilizando uma boa dose de estratégia aliada à força bruta? Então Prinny 2: Dawn of Operation Panties, Dood! pode ser o jogo perfeito. A ação é praticamente ininterrupta, portanto, não espere respirar tranquilamente durante o game.

Os pinguins utilizados pelo jogador possuem uma boa variedade de ataques, e cada um servirá a um propósito durante a aventura. Enquanto alguns são capazes de atingir inimigos à distância, outros são perfeitos para combates corpo a corpo. A estratégia para utilização deles é um campo aberto para o usuário.

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Uma função interessante é a barra de combo que, quando completa, potencializa a força do personagem e permite que ele desfira golpes ainda mais potentes. O medidor é completado por meio de ataques bem sucedidos ou pela coleta de doces espalhados pelos cenários.

Outro fator que merece destaque diz respeito aos combates contra os chefes de fase, que variam muito em relação à batalha normal do jogo. Para enfrentar os bosses, a calma conta muito mais do que a força bruta, já que aqui a luta é apenas com um único oponente. Observe o padrão de ataque do inimigo e pense antes de agir. Caso contrário, algumas vidas serão perdidas de bobeira.

Rodando sem problemas

Img_normalApesar do traço infantil do título, Prinny 2 chama atenção pela grande quantidade de personagens e objetos interagindo ao mesmo tempo nos cenários. Em determinados momentos, é possível contar mais de uma dezena de elementos agindo ao mesmo tempo, sejam eles inimigos, projéteis ou explosões causadas pelo protagonista.

Outro aspecto interessante é a movimentação de câmera que, durante ataques aéreos, parte para uma perspectiva diagonal. Isso permite uma melhor visualização do destino dos projéteis lançados pelos Prinnies, além de proporcionar um melhor ângulo para observação dos perigos que vêm pela frente. O recurso independe do jogador, e é ativado sempre que o pinguim ataca pelo ar.

E o melhor de tudo isso: a taxa de quadros por segundo permanece inalterada durante todo o tempo. Apesar de parecer bobagem para alguns, isso é um feito e tanto, levando em conta a quantidade de objetos animados que interagem simultaneamente. É uma bela demonstração do potencial gráfico do PSP.

Quase um humorístico

Com um enredo como este, parece óbvio que Prinny 2: Dawn of Operation Panties, Dood! não é um jogo que se leva a sério. Com fortes doses de humor, o game promete arrancar pelo menos algumas risadas do jogador, principalmente durante os diálogos entre a rainha Etna e seus servos.

Mesmo durante as batalhas, há uma pitada de comicidade. O que dizer de golpes como o Prinnikaze, no qual o pinguim controlado pelo personagem salta sobre os inimigos desferindo golpes, ou de uma chuva de Prinnies explosivos que vara toda a tela? Estes são apenas alguns momentos que, se não fizerem o jogador esboçar um sorriso, pelo menos causarão um levantamento de sobrancelhas devido à estranheza.

Doce vingança

Você perdeu muitas vidas, mas chegou ao fim do game. Que tal se vingar dos inimigos que causaram o seu terror durante o título? É para isso que serve o modo “Asagi Wars”, habilitado após o final do game normal.

Asagi, assim como os Prinnies, é uma velha conhecida dos fanáticos por Disgaea. A personagem sempre foi impedida de ter seu próprio game e, apesar de não ter seus desejos satisfeitos neste título, pelo menos ganhou um modo especial com seu nome. A missão dela é simples: destruir tudo que encontrar pela frente.

No extra, a jogabilidade fica mais parecida com jogos clássicos de tiroteio, como Contra. Utilizando armas potentes, como rifles e metralhadoras giratórias, o objetivo é chegar ao fim dos cenários matando o maior número de inimigos possível. Isso não significa que o game se torna um passeio no parque, já que os chefes de fase se transformam em versões da própria Asagi, e estas sim são uma lembrança da dificuldade do jogo normal.

Dificuldade punitiva

Logo no começo desta análise, falamos que este não é um game feito para crianças. Apesar de falar sobre calcinhas desaparecidas e almas aprisionadas, Prinny 2 ainda carrega ares de um jogo bem infantil. Mas é a dificuldade extrema que manterá os pequenos longe do game, e muita gente grande também.

Apesar de possuir uma mecânica de jogo extremamente simples e controles básicos, Prinny 2 é extremamente punitivo com o jogador. De acordo com a dificuldade escolhida, no máximo três ataques são suficientes para matar o personagem. Apesar de parecer normal para a maioria dos games de plataforma, este limite de vida é ínfimo quando se tem bolas de fogo, espinhos, descargas elétricas e inimigos variados praticamente tomando conta de toda a tela. Esqueça itens de cura, eles simplesmente não existem aqui.

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O jogo também não dá muito tempo para pensar e, na maioria das vezes, o jogador se verá morrendo um bocado até conseguir formular uma estratégia eficaz para seguir pelos cenários sem ser atingido. Mesmo a grande variedade de ataques dos pinguins é de pouca ajuda, principalmente contra inimigos mais poderosos.

Mesmo ao escolher a dificuldade mais baixa, o jogador deve se preparar para um grande desafio, já que os níveis se referem apenas ao número de vidas disponíveis para os Prinnies. É praticamente impossível não se ver pensando se as mil vidas disponibilizadas pelo game serão suficientes para chegar até o fim.

Sempre eles, os controles

Durante os ataques e movimentação pelos cenários, Prinny 2 exibe controles simples e sem grandes segredos. Um botão para pular, outro para atacar. O problema acontece na precisão dos saltos, sobre os quais o jogador tem muito pouco controle de direção e potência.

Ao saltar para cima, por exemplo, não é possível direcionar o personagem para os lados após ele deixar o chão. Da mesma forma, ao pular para frente, modificar a direção seguida pelo pinguim é tarefa praticamente impossível, que normalmente resulta na perda de energia ou de vidas.

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Mas o principal problema é controlar a intensidade dos saltos em uma determinada direção. Apesar de não possuir muitos trechos em que pulos precisos são essenciais, o game faz pouco uso dos botões sensíveis à pressão do PSP. O resultado é um pinguim caindo bem no meio de um feixe de energia além de uma plataforma, simplesmente por ter saído do chão com força demais.

As aparências enganam

Não se deixe enganar: até mesmo a mais fofinha das criaturas presentes na tela é um inimigo potencial dos Prinnies. Alguns realmente estão lá para te ajudar mas, mesmo que não te ataquem, são capazes de causar dano aos personagens caso não sejam tocados da maneira correta.

Um grande exemplo disso é um cogumelo encontrado em quase todas as fases. A criatura é utilizada para fazer com que o Prinny salte mais alto, mas o efeito só é ativado caso o pinguim aterrisse de costas, e não simplesmente pulando sobre ele. Caso o jogador esteja no meio de um movimento aéreo ou simplesmente confie na boa aparência do aliado, o resultado é sempre o mesmo: um ponto de energia a menos.

70 psp
Bom