Pro Evolution Soccer 2008 comete penalidade e ganha cartão amarelo em sua versão para Nintendo DS.

Pro Evolution Soccer, também conhecido por Winning Eleven, é sem sombra de dúvidas um dos mais respeitados simuladores futebolísticos dos últimos tempos. Por sua eficácia em transcrever a movimentação autêntica dos jogadores para os videogames, o jogo tornou-se indispensável aos fãs que prezam por um pouco de realismo sem deixar de lado a diversão do arcade nos games.

A Konami, desenvolvedora do jogo, aperfeiçoou a consagrada fórmula ao decorrer do lançamento dos títulos, adicionando consecutivamente uma nova leva de dribles e novidades na jogabilidade. Raramente PES (Pro Evolution Soccer) deixou a desejar, pois desde a primeira vez que deu as caras nos games só teve de conservar a base de sua estrutura para manter-se como um bom jogo. Mas, infelizmente, existem algumas exceções, e uma delas é Pro Evolution Soccer 2008, para Nintendo DS.

Em fevereiro de 2007, o primeiro game da série é lançado para o portátil de duas telas: Pro Evolution Soccer 2007. Com gráficos similares às versões anteriores disponíveis para Playstation, o game não agradou muito aos fãs veteranos; e a adaptação simplória dos controles — devido às limitações técnicas do portátil — não foi bem sucedida.

Mesmo com alguns pontos baixos o game agradou um pouco os jogadores casuais, e proporcionou algumas doses de diversão para portadores do console. Com o lançamento do novo título para várias plataformas como Playstation 3, Xbox 360, PC e PSP, a empresa japonesa resolve adaptar novamente o simulador, e disponibiliza para o Nintendo DS seu mais novo título: Pro Evolution Soccer 2008 .

Crie seu próprio time, e treine para fazer gols ao redor do mundo

O novo modo não convence. Estão presentes em PES2008 alguns modos de jogo que incluem partidas amistosas, torneios e treinos. Contudo, o game não possui o tradicional modo Master League, em que o jogador pode escolher e administrar seu time favorito como nas outras versões do game. No lugar da liga, está o modo World Tour em que o objetivo é ascender até o topo com seu próprio time — que pode ser criado através de um sistema vigoroso de personalização que inclui a edição de uniformes e do logotipo do seu time — enfrentando inicialmente times mais fracos até chegar às equipes bem preparadas. O modo é interessante, mas o fato de não poder escolher seu time favorito e jogar a Master League pode desanimar alguns amantes da série.

O método de treinamento é composto por dois modos diferentes, são eles: Free Training, em que o jogador pratica em um campo aberto sem a presença de oponentes; e Free Kicks, direcionado a prática de tiros livre. Algumas dicas também são exibidas durante o treino e são muito úteis para desvendar jogadas desconhecidas e facilitar a aprendizagem.

Muitas táticas, estratégias e quase nada de dribles.

Assim como seu antecessor, Pro Evolution Soccer 2008 possui controles limitados e mal adaptados. Os dribles — que abordam inicialmente apenas o movimento conhecido como “pedalada” — são aplicados com o botão “L”, e infelizmente são praticamente inúteis em jogo, sendo que algumas vezes até prejudicam o jogador devido a sua ineficiência.

Os jogadores são controlados pelo direcional, o que incomoda um pouco, e correm quando o botão “R” é pressionado. O restante dos botões da face do portátil é utilizado para passar a bola, chutar, tocar e fazer cruzamentos. Algumas combinações com o botão “L” resultam em algumas jogadas básicas, como o famoso passe de bola “um-dois” e lançamentos para o peito dos jogadores.

No game é possível usufruir de várias estratégias distintas, e o jogador pode escolher até quatro das nove táticas diferentes que podem ser usadas durante o jogo. As estratégias variam, dentre elas estão diferentes formas de ataque — central, pela direita, pela esquerda e pelos flancos e o famoso contra-ataque. Fora as táticas mais populares, jogadas arriscadas como ordenar que a defesa de seu time ataque ou controlar a defesa para ocasionar impedimentos no time adversário também podem ser empregadas.

Antes do início de cada partida o jogador pode selecionar qual formação deseja usar. É possível personalizar detalhadamente a concepção do time, ou se preferir, simplesmente escolher uma das três formações pré-concebidas que constituem em táticas focadas no ataque, na defesa ou em uma forma balanceada.

Formação? Em jogo tudo vira uma bagunça. A formação pode ser personalizada e tem opções bastante flexíveis, fazendo com que o jogador possa criar a formação desejar. Para isso, você tem de arrastar os pontos que representam os jogadores utilizando a caneta stylus, formando assim o plano que deseja. As formações já moldadas também podem ser escolhidas.

Além disso, a forma como os jogadores operam também pode ser alterada. É possível escolher a maneira que cada um dos jogadores irá agir, de modo que se concentrem mais no ataque, na defensiva ou até mesmo em uma opção balanceada. Por exemplo, você pode ordenar que os jogadores das laterais estejam mais dispostos a atacar, e fazer com que os jogadores do meio do campo tenham uma tendência a trabalharem mais recuados, defensivos.

Existe também em PES2008 um modo de marcação que pode ser configurado. Este possui duas variantes: Zone Press (ZN) e Covering (CV). Na primeira, o jogador denominado com essa função permanece em sua região, sem prestar uma marcação direta, protegendo assim a área designada. Já em Covering, o jogador aplica uma marcação direta, a famosa “homem a homem”. Dentro do jogo, lamentosamente, as mudanças na marcação passam batidas e não há quase nenhuma diferença entre os dois modos quando colocados em prática.

Fora isso, a escolha de quais jogadores irão cobrar determinados lances de jogo parado também pode ser configurada. No tiro livre, é possível escolher um jogador para a cobrança de longa distância (Long) e um para os tiros de curta distância (Short). Para os lances de escanteio são escolhidos jogadores para ambos os lados — direito e esquerdo — para efetuarem a cobrança. O cobrador dos pênaltis também pode ser escolhido, assim como o capitão da equipe.

Bola fora para o time dos controles e da física.

Como tradição, uma barra que mede a intensidade do lançamento aparece na tela quando o gamer arrisca chutar, mas dessa vez ela se apresenta muito sensível e dificulta os lances, exigindo prática e paciência para dominar o sistema. Muitas vezes, o passe longo usado para cruzamentos é mais potente que o chute a gol, e chutes aéreos ou rasteiros são difíceis de serem executados já que os controles não respondem corretamente.

Até a bola, que está disponível em quatro cores diferentes no game, não se deu bem em Pro Evolution Soccer 2008. Quando ocorrem chutes ou passes rasos, mesmo sendo curtos, ela percorre seu trajeto em uma velocidade desproporcional à realidade, rolando muitas vezes para fora do campo e ocasionando jogadas paradas exaustivamente.

O sistema de pênaltis é decepcionante e sem graça. Quando ocorre uma penalidade, um modelo oficial do gol, dividido em seis quadrados iguais sendo três na parte superior e três na inferior, é exibido na tela sensível ao toque. O esquema é simples, você seleciona um dos seis pontos do gol e aplica um chute ou tenta uma defesa. A dinâmica é mínima, e errar um chute a gol é impossível já que as opções são extremamente limitadas. Basicamente, funciona com ajuda da sorte, e não da habilidade.

Replays podem ser mais divertidos que as partidas. Além de auxiliar na infortuna cobrança de pênaltis, a tela inferior do portátil, conhecida também como Touch Screen, possui outras utilidades, mas não é usada para controlar os jogadores em game. Na tela são informados dados sobre o jogo em duas formas distintas que podem ser alteradas nas opções do jogo.

Uma delas exibe a formação do time, a condição física dos jogadores e os cartões recebidos por eles. Já na outra, um campo em miniatura, ou radar como também é conhecido, aparece em um tamanho maior que o convencional — que por ser minúsculo, é confuso e não serve de auxílio, como deveria — e mostra as posições dos jogadores, representados em pontos circulares, de ambos os times em tempo real.

A oportunidade de selecionar rapidamente se se deseja manter o seu time focado no ataque ou na defesa durante o jogo também pode ser alterada na tela sensível ao toque. Isso permite que jogadores possam arriscar todas as fichas no ataque ou na defesa através de um simples toque na tela.

Os replays também possuem um modo de edição em que a câmera é controlada via Touch Screen, mas infelizmente, ainda não podem ser salvos.
 
Torcida desorganizada assistindo a uma partida borrada.

Já os gráficos não estão muito diferentes de seu antecessor, e em certos pontos, até decaíram. O campo tem textura completamente borrada, até pior que a do predecessor, mas mesmo assim é possível distinguir quando se joga em campos diferentes — o que não era possível na versão anterior — através do corte da grama.

A torcida é decepcionante e consiste em uma aglomeração de quadrados coloridos e borrados, espalhados ao redor dos estádios. Nos pênaltis a torcida, infelizmente, fica bem exposta e faz com que o jogador torça para não notar a baixa qualidade dos ocupantes da arquibancada. O jogo não apresenta mudanças de clima e as partidas ocorrem sempre em dias ensolarados com céu limpo.

A variação na feição dos jogadores, um fator representado de forma fiel à realidade na série e determinante em seu sucesso, está pobre e quase não muda entre os personagens do game. É uma pena, já que a figura pessoal dos jogadores é uma característica que atrai a atenção de quem é ligado ao futebol.
 
Uma torcida repleta de quadrados.

Taxa de quadros por segundo baixa toma conta dos campos

Entretanto, a animação foi melhorada em relação ao título anterior. O jogo possui uma série de movimentos novos que realçam a essência do game como simulador, contando com chutes incomuns a gol e variações nas recepções aéreas. Entretanto, quando o jogador sofre uma queda ou está parado com a bola, a movimentação é nula e o personagem se torna estático.

Em alguns momentos do game, como na cobrança de escanteios e em certos cruzamentos nas áreas, é possível notar uma queda significativa na taxa de quadros por segundo. Além disso, nas substituições a tela fica preta e não apresenta animação alguma. Pelo tempo que permanece durante esse modo chega a causar uma impressão de que o jogo travou, e o player só percebe que houve uma alteração de jogadores quando o game volta para a tela do campo, indicando quem entrou e quem saiu. Os problemas não chegam a atrapalhar, mas incomodam e tornam o jogo ainda menos intrigante.

Itens com super poderes e um jovem mascote num Pro Evolution Soccer?

Um aspecto marcante e até estranho na versão para DS é a infantilidade. A visualização dos menus, a trilha sonora, a inclusão de um jovem mascote — que lembra bastante personagens de desenhos infantis japoneses — e o sistema de aquisição de personagens parece feito para o público juvenil, contrariando a estrutura conhecida do game.

Para comprar novos jogadores, existe um modo chamado Gacha-Get. Neste modo você tem de inserir moedas em uma máquina de brindes sortidos ou apostar em caça-níqueis para adquirir jogadores. Existem três tipos de moedas: as douradas, que são mais valiosas e normalmente resultam em jogadores de um nível mais alto; as prateadas, com tendência a aquisições medíocres; e as azuis com o menor poder de fogo.

Além de novos jogadores, itens especiais que trazem benefícios também podem ser comprados no PES Shop. Entre eles estão poderes como super chutes, aumento na velocidade, saltos maiores e até novos dribles. Com certeza, o sistema não agradará aos fãs de carteirinha da série, e talvez nem aos jogadores casuais.

Mesmo com muitos pontos baixos, o jogo proporciona alguns momentos de diversão e as novas animações dos personagens até esquentam a partida. Mas nem todas as jogadas remetem bons resultados. Pro Evolution Soccer 2008 até traz algumas novidades, mas não são suficientes para transcrever a fórmula de maneira concreta e eficaz, e o game novamente bate na trave no Nintendo DS.
81 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

49 ds
77 psp
84 wii