Análise de Professor Layton and the Diabolical Box

Professor Layton retorna para mais uma aventura recheada de puzzles, enigmas e muito humor inglês!

Existe uma caixa misteriosa cuja característica principal e a de roubar a vida de quem ousar abrir a sua tampa. Caixa do Elísio nos Estados Unidos ou — em uma escolha bem mais feliz — Caixa de Pandora na Europa, a ideia central da sua existência é apenas uma: trazer novamente à ativa a caricata dupla de detetives “wannabe” Hershel Layton e Luke para mais uma aventura recheada de puzzles, estilo e humor inglês.

Quer abrir a Caixa de Pandora? Então esteja preparado para o que for encontrarEm outras palavras, Professor Layton and the Diabolical Box mantém basicamente o mesmo estilo do seu antecessor, Professor Layton and the Curious Village, salvo por alguns acréscimos, como se verá adiante. No mais, mantém-se a estrutura básica: atravesse a história de humor leve e enigmática e resolva as dezenas (literalmente) de puzzles que aparecerem pelo caminho.

Se isso é divertido? Bem, quem jogou o primeiro jogo deve saber muito bem. Embora o gênero puzzle seja quase invariavelmente associado a um público predominantemente casual, Professor Layton tem a peculiar virtude de contextualizar alguns dos formatos mais clássicos de desafio intelectual em uma história envolvente, sempre capaz de deixar um gostinho de “quero mais”. Conforme a história se desenrola, os puzzles vão aparecendo de forma bastante natural e divertida.

A trama aqui tem o seu início quando o icônico arqueólogo recebe uma carta do seu antigo mentor que afirmava ter encontrado uma misteriosa caixa mágica capaz de roubar a vida a quem a abrisse. Após alguns puzzles, eis que o professor chega à casa do seu mestre, apenas para encontrá-lo morto.

É a ponta perfeita para que a dupla parta em uma jornada atrás do lendário artefato. Uma jornada que vai levá-lo a uma verdadeira miríade de cenários, cobrindo desde as fleumáticas e nebulosas vistas londrinas, até o interior do luxuoso trem Molentary Express. E o melhor: em qualquer momento do percurso, você pode ser interrompido por um divertido e bem contextualizado puzzle.

Professor Layton and the Diabolical Box tem uma vantagem que poucos títulos para DS compartilham: a de ser um jogo feito sob medida para o portátil. Em outras palavras, Diabolical Box é daqueles jogos que, em vez de flertar com conceitos de consoles maiores, abraça despudoradamente o que o DS tem de melhor — a tela sensível ao toque —, trazendo um jogo que dificilmente poderia ser encontrado em outra plataforma.

Dessa forma, se puzzles e enigmas são a sua área e se você compartilha do legado fascinante deixado pelas histórias de Sir. Arthur Conan Doyle, é hora de botar a cachola para funcionar. Antes que outros inocentes morram ante a terrível caixa mágica.

Histórias enigmáticas à parte, é bastante óbvio que o motor principal da franquia sempre foram os puzzles. Bem, nesse ponto realmente não há do que reclamar em Diabolical Box. O luxuoso Molentary Express: Diabolical Box traz puzzles 
entremeados por uma trama fascinante

O título traz um total de mais de 150 enigmas os mais variados, envolvendo desde paradoxos matemáticos até combinações de cores, conjuntos e mesmo uma variação com tortas da clássica Torre de Hanói.

A maioria dos puzzles aparece quando Layton encontra um novo personagem na história. Antes de colaborar com informações, esse personagem possivelmente vai convidá-lo a resolver um enigma, sendo que a dificuldade de cada desafio pode ser medida pela quantia de “picarats” que representa o prêmio por uma solução em primeira mão — os “picarats” podem então ser utilizados para desbloquear conteúdos extras na seção “bônus”.

Diabolical Box ainda traz uma impressiva quantidade de minigames para complementar as aproximadamente 20 horas de jogo. Entre os desafios, aparecem conduzir a dieta de um hammster, reconstruir uma câmera e misturar componentes para um chá. No mais, tal qual o jogo anterior, você ainda poderá baixar novos puzzles semanalmente através da conexão Wii-Fi do DS.

Enigmas criativos e variados

Como exatamente esses mais de 150 puzzles — entre desafios comuns, minigames e extra da seção “bônus” — não se tornam maçantes? Simples. Existe uma enorme variedade de tipos e estilos, o que sempre acompanha o trecho da trama que você estiver atravessando. Por exemplo: para encontrar o apartamento correto do seu mentor, Layton terá que reunir as informações espalhadas através da carta que recebeu.

Já para entrar no apartamento, você terá que usar a imaginação para saber qual chave servirá para abrir a fechadura — em uma solução das mais criativas. Em outro momento, ao apreciar a vista da parte traseira do luxuoso Molentary Expresso, Layton vai convidá-lo agrupar vários tipos de árvores dispostas em um tabuleiro, de forma que cada região contenha apenas um tipo de árvore.

Problemas matemáticos também não são menos típicos. Por exemplo: ao comprar um sapato de 30 dólares em uma loja, uma mulher utiliza uma nota de 50. Sem troco, o vendedor apela para a loja vizinha para trocar o dinheiro da freguesa. Entretanto, após a venda, o vendedor ao lado aparece para reclamar sobre a falsidade da nota de 50.

O vendedor de sapatos então dá a ele uma nota de 50 original. Ao final, quanto em dinheiro o vendedor de sapatos perdeu? A solução pode não ser tão óbvia quanto parece.

Não sabe? Peça uma dica

Não sabe? Basta comprar dicas. E a máxima permanece: um idiota e 
seu dinheiro logo se separamAlguns dos desafios mais avançados de Diabolical Box podem de fato tomar um bom tempo. Bem, caso você tenha tempo de sobra para estudar uma solução — vale lembrar que nem um dos desafios do jogo traz um timer —, tudo bem. Do contrário, sempre é possível apelar para as duas ou três dicas disponíveis no desafio.

É claro que isso não é de graça. Para comprar as pistas, você precisará gastar as moedas que encontrar pelo caminho — dentro de um vaso, uma caixa de correios entre outros locais propícios do cenário. Assim, o jogo dará dicas de forma gradual para ajudar a desvelar algum pepino intelectual.

O prático Memo Pad

Entre as novas mecânicas inauguradas por Diabolical Box, aparece uma que certamente deixaria qualquer ambientalista satisfeito. Trata-se do prático “memo pad”; um quadro de rabiscos que pode ser puxado a qualquer momento durante um enigma, dispensando assim o uso de folhas de papel. Além disso, qualquer desenho que você fizer ficará salvo ali — mesmo que a tela seja temporariamente colocada de lado — até o final do puzzle.

Belas animações com vozes

Então você pensou que Diabolical Box poderia ter apenas uma história medíocre utilizada para dar alguma ligação a uma imensidão de puzzles? Bem, realmente não é assim. Prova disso são as diversas animações com vozes — os atores são os mesmos de Curious Village — que aparecem em momentos chave do jogo, aumentando em muito a imersão da história.

Como um complemento, os desenhos feitos à mão constroem um estilo gráfico bastante singular ao jogo, enquanto as trilhas sonoras recriam o ambiente de mistério e tranquilidade herdado do título anterior. Isso sem contar o humor inglês, que faz brotar coisas como “quanto mais inteligente você é, mais desconfortável é a sua cadeira”, e por aí vai.

Uma história pobre apenas para contextualizar os puzzles? Não 
mesmo!

Quero minhas moedas de volta!

Calma. Nós não estamos falando aqui das moedas que você realmente gastou para adquirir Diabolical Box, mas sim dos vinténs que são gastos em dicas nem sempre tão funcionais quanto se poderia esperar. Isso acontece sobretudo nos desafios mais cabeludos, nos quais eventualmente você pagará por uma dica redundante ou mesmo completamente ineficaz. Em suma: você estará por sua própria conta — e também algumas moedas mais pobre.

Longevidade questionável

Já disse o sábio: um enigma nunca é resolvido duas vezes...Embora existam diversos puzzles tenebrosos na seção “bônus” e sempre seja possível baixar um novo puzzle semanal, a longevidade — ou o “replay value”, como queiram — de Diabolical Box é um tanto questionável. É claro, trata-se de uma consequência direta do próprio gênero do título. Quer dizer, uma vez resolvidos todos os puzzles, quem realmente vai se animar para jogar tudo outra vez?

Meu reino por mais algum espaço nesse cartucho!

Esse ponto negativo na realidade vai mais para as limitações do DS do que para o jogo em si. Trata-se da boa e velha falta de espaço no cartucho do DS, o que impossibilita que as ótimas cenas de corte animadas e com vozes se estendam por toda a trama — que acaba então assumindo o bom e velho estilo “RPGístico” das cabeças-congeladas-falantes.

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