Puzzles lógicos e divertidos dão sobrevida ao portátil da Nintendo

A série Professor Layton pode não ser tão conhecida e nem tão antiga para o lado ocidental do mundo. Porém, o detetive catedrático já anda por em terras japonesas investigando os mistérios do último espectro há quase dois anos. O título Professor Layton and the Last Specter foi originalmente lançado no Japão em novembro de 2009, é produzido pela excelente Level-5 e, como de costume para os jogos de DS, publicado pela própria Nintendo.

Esse quarto jogo da franquia leva para frente o gênero point and click, unindo elementos de RPG e aventura, além de contar com os puzzles como sendo os principais desafios. The Last Specter funciona mais ou menos como o predecessor da trilogia anterior e, ao mesmo tempo, como a primeira parte de uma nova sequência de títulos.

Professor Layton and the Last Specter exige bastante criatividade e raciocínio dos jogadores pois para avençar na aventura, os gamers devem resolver pequenos enigmas de lógica. Apesar de que, algumas vezes, essas questões podem não ser tão “pequenas” assim.

A história principal do jogo gira em torno de Misthallery, uma pequena vila no interior da Inglaterra, na qual um Professor Layton muito mais jovem do que o de costume ajuda a resolver misteriosos ataques de espectros. Com a ajuda de sua recém-chegada assistente Emmy e seu companheiro mirim, Luke, o grupo vai trabalhar muito para descobrir o mistério por trás dessa maquiavélica criatura espectral.

Professor Layton and the Last Specter traz de volta tudo o que os games anteriores da série tinham de melhor, com melhoras. Claro que o Nintendo DS pode não estar mais vivendo os seus melhores dias, mas se você já é fã da série ou tem o portátil da “Big N”, esse jogo é compra certa.

Para quem não conhece a série ou tem dúvidas quanto à qualidade de jogos para video games portáteis, esse “novo” título do Professor Layton é uma ótima oportunidade para adentrar no mundo dos puzzles. Assim, essa obra só não é recomendada para pessoas que por ventura tenham ojeriza por resolver enigmas ou por questões de raciocínio lógico.

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Personagens cativantes

Uma franquia de um video game portátil não chega a quatro ou cinco jogos se não contar com elementos, no mínimo, consistentes. Nesse caso, já para começar, o próprio Professor Layton é um personagem muito cativante e descolado. Suas atitudes atrapalhadas e sua gentileza de cavalheiro inglês (como ele mesmo gosta de salientar) o tornam praticamente irresistível.

Praticamente todas as pessoas que aparecem no jogo permitem algum tipo de interação. Em praticamente nenhum caso as conversas são apenas superficiais ou “palavras ao vento”. Desde os guardas até os moradores da cidade têm assuntos interessantes ou algumas informações que podem ajudar a levantar novas pistas para resolver os mistérios.

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Cores portáteis e ambientação sonora

Um dos grandes pontos que se destacam em Professor Layton and the Last Specter é a direção de arte. Entenda-se por direção artística o que diz respeito às cores e ao áudio do que pode ser visto e ouvido no seu aparelho.

As cores das cidades são fundamentalmente em tons pastéis, sendo que em vários momentos do jogo, a parte gráfica contribui para a experiência de imersão na história. A acolhedora cidade de Misthallery transporta os jogadores para o interior da Inglaterra, onde pode-se sentir a tranquilidade no ar sendo dissipada pelos esparsos acontecimentos que norteiam o game.

Para completar a percepção audiovisual, os ouvidos dos gamers são agraciados com uma trilha sonora de primeira linha. Músicas clássicas, instrumentais, embalam o ritmo dos jogadores de acordo com o momento da história. É muito gratificante ver que uma desenvolvedora faz o quarto título da mesma série e ainda assim consegue se destacar com pontos considerados tão “básicos”, como as cores e o som.

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Torne-se o professor

Quem já jogou algum outro título de Professor Layton sabe exatamente o que vai encontrar em termos de jogabilidade. A tela superior servirá para indicações de localização no mapa e instruções nos puzzles. Na tela inferior é onde o jogo propriamente dito ocorre e as ações são indicadas com o auxílio das funções de toque na tela.

O game propõe aos jogadores mais de 150 puzzles diferentes, sendo que os níveis de dificuldade oscilam entre mais fáceis e muito difíceis. Em cada um dos desafios há a opção de receber “dicas” das resoluções. Porém, para utilizar esse auxílio é necessário gastar uma moeda (hit coin) que podem ser facilmente encontradas nos cenários. Esses recursos realmente ajudam muito para conseguir vencer os enigmas.

A história que norteia os acontecimentos do game é muito cativante. Cada um dos personagens é movido por algum motivo relevante, que aliados à boa qualidade audiovisual, fazem com que os jogadores “vistam a camisa” do Professor Layton e enfrentem os mistérios com muito mais vontade.

“London Life”

Externamente à campanha principal do título, o game ainda oferece uma série de mini games que podem proporcionar inúmeras horas de diversão no melhor estilo RPG. A jogabilidade paralela é diferente da original e permite aos jogadores personalizar os personagens, descobrir muitos itens e conhecer muitas coisas novas.

Especificidade engessada

Um dos poucos problemas relacionados a Professor Layton and the Last Specter é a rigidez com a qual o gênero é tratado. Resumidamente funciona mais ou menos assim: ou você é fã de puzzle ou desista desse jogo.

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O que nos leva a:

A série inteira faz muito sucesso no mundo, tanto no hemisfério ocidental quanto no oriental, então é praticamente indiscutível a concretude de qualidades da franquia. Porém, o gênero de resolver enigmas em todos os títulos acaba por se mostrar um pouco repetitiva.

Essa grande similaridade talvez não seja um problema tão grande agora. Mas em detrimento da falta de novidades e inovações, no decorrer dos próximos anos, os próximos lançamentos certamente serão obrigados a lidar mais profundamente com essa questão.

Leitura de diálogos

Já não é de hoje que os RPGs trazem poucas ou até mesmo nenhuma cena de interação entre personagens apenas com mensagens escritas. Os diálogos são dublados, geralmente, apenas em cenas de computação gráfica em cortes, na história principal ou em um ou outro evento que seja de grande relevância.

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Isso está dito para não diminuir o mérito especificamente de Professor Layton and the Last Specter, e sim justificar que essa característica é comum a muitos games do gênero. Qual o problema em ler os diálogos? Em inúmeros momentos apenas ficar lendo pode tornar a jogabilidade menos interessante ou mesmo fazer com que um momento que deveria ser de suma importância, e os gamers devessem prestar máxima atenção, torne-se diminuído.

Quiçá um dia os RPGs tragam aos jogadores todas as falas de seus personagens dubladas por atores.

86 ds
Ótimo