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Professor Layton and the Miracle Mask
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Mesmo em uma nova plataforma, Hershel Layton mantém seu charme e sua astúcia

Durval Ramos Junior

Afinal, qual o segredo por trás do sucesso dos portáteis da Nintendo? A empresa já se tornou referência no assunto e, por mais que a concorrência lance produtos tecnicamente mais potentes, a “Big N” continua à frente em termos de popularidade e números de venda. Qual a mágica por trás disso?

As possibilidades são variadas, indo desde o apelo ao público casual até a força das franquias exclusivas, como Pokémon e as investidas de Mario no mundo de bolso. No entanto, não podemos descartar a posibilidade de o sucesso desses consoles estar exatamente na coragem que a Nintendo e as demais produtoras têm em experimentar e em apostar em novos formatos.

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Mais do que simplesmente tentar recriar experiências que os consoles de mesa já oferecem, estúdios como a Level-5 investem em propostas fora do padrão que exploram exatamente as características únicas de cada aparelho e fazem com que o resultado seja totalmente diferente daquilo que você já viu. E a série Professor Layton é um dos maiores exemplos disso.

Se formos olhar friamente, o game é apenas um amontoado de puzzles e quebra-cabeças que vão testar a percepção e o raciocínio lógico dos jogadores. Mas a forma com que tudo isso é construído é tão única que a franquia logo se consolidou como um dos títulos mais encantadores do DS. E depois de muita espera, o icônico professor faz sua estreia no 3DS para mostrar que um bom jogo é aquele que faz com que você precise pensar — e não apertar um gatilho.

Por mais excelente que Professor Layton and the Miracle Mask seja, ele não é um jogo para todos os públicos. Como ele é focado inteiramente nos diversos puzzles, a ação é bem simples, se resumindo a perseguições a cavalo e outros eventos menores. Todo o restante do jogo é baseado em diálogos e quebra-cabeças.

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Para quem já acompanha a série, isso não é um problema, já que ele mantém a estrutura dos títulos anteriores, apenas com melhorias na apresentação por conta do potencial do 3DS. Porém, quem está tendo seu primeiro contato com a série e espera encontrar algo mais agitado, as chances de frustração são enormes.

No entanto, isso não significa que Miracle Mask é um jogo ruim. Muito pelo contrário: mesmo com alguns deslizes menores em termos de mecânica, ele continua com a excelente essência da série e consegue oferecer uma experiência ainda mais desafiadora e viciante. Dando continuidade à fórmula de sucesso da Level 5, a nova aventura de Hershel Layton é a prova de que tiros, explosão e sangue não são exigência para se fazer um bom jogo.

Uma história de desafios

Um dos grandes trunfos da série Professor Layton é a forma com que esses desafios são apresentados ao longo da trama, fazendo com que a resolução de centenas de quebra-cabeças esteja diretamente ligada ao enredo. Em Miracle Mask, isso não é diferente, uma vez que temos o professor e seu assistente Luke indo à cidade de Monte d’Or a pedido de uma velha amiga do protagonista para resolver uma série de mistérios que envolvem o local.

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Diante dessa premissa, nos deparamos com vários enigmas que vão exigir que o jogador realmente pense antes de agir. São centenas de charadas e outros desafios de lógica que aparecem tanto na forma de testes como de peças-chave dentro da história. Para ter acesso à mansão de uma das personagens, por exemplo, você precisa ser mais esperto que os guardiões do portão e descobrir o truque usado por eles.

E a variedade de puzzles não poderia ser mais satisfatória. Ao longo de toda sua investigação, diversos tipos de desafios vão aparecer em seu caminho para testar seu cérebro. Essa variedade é excelente, pois dificilmente você vai encontrar uma solução com base em um quebra-cabeça anterior, o que torna tudo ainda mais complicado. Em determinados momentos, você precisa estar atento às imagens ou textos para obter uma resposta, enquanto outros exigem um pouco mais de perspicácia.

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E é por conta disso que Professor Layton and the Miracle Mask é tão viciante. Por mais que o game não traga um ritmo intenso — o que pode assustar quem está tendo seu primeiro contato com a série —, a sequência de puzzles que você encontra, misturada a uma excelente história de mistério, faz com que você não queira parar de jogar. Seja para descobrir o que está acontecendo em Monte d’Or ou para ver o quão sagaz você é, a diversão é garantida e gratificante.

Diversão paralela

O enredo de Miracle Mask é um dos principais atrativos do game, mas não é o único. Enquanto os jogos anteriores da série Professor Layton sofriam com um sério problema quanto ao fator replay, o pessoal da Level-5 arranjou uma maneira de estender a vida útil do game sem que você tenha de reiniciar a campanha para reviver os desafios anteriores.

O título traz muito conteúdo extra para que você ainda tenha o que fazer após resolver o mistério por trás da Mask of Chaos. É o caso do chamado Daily Puzzle, que traz exatamente isso que o nome sugere: novas charadas a cada dia. Assim, além das centenas de quebra-cabeças que a própria história apresenta, você ainda conta com mais 365 desafios para ocupar sua cabeça pelo restante do ano.

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Aproveitando a facilidade do portátil de se conectar à internet, o jogo baixa diariamente um novo puzzle, expandindo consideravelmente o conteúdo existente. E não precisa se preocupar com a demora ou com o trabalho de recuperar o material passado: todos os níveis já liberados são disponibilizados de uma só vez, economizando tempo e esforço.

Além disso, Professor Layton and the Miracle Mask também conta com vários mini games dentro da própria campanha. Ao longo de toda a história, você desbloqueia esse conteúdo que também vai testar seu raciocínio, embora sem uma ligação direta com a trama. Uma ótima forma de incentivá-lo a encontrar tudo o que o jogo tem a oferecer.

Uma nova profundidade

É claro que a vinda de Professor Layton para o 3DS traria também algumas novas funcionalidades pensadas especificamente para o portátil da Nintendo. Por mais que a franquia tenha nascido no DS — que é essencialmente muito parecido com seu sucessor — a nova tecnologia conseguiu dar vida nova àquele universo.

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Primeiramente, temos uma evolução considerável na própria apresentação. A Level-5 conseguiu criar um excelente trabalho artístico tanto nas animações quanto no próprio conteúdo tridimensional. Em vez da velha apresentação de imagens estáticas, agora temos personagens que se movimentam e interagem durante os diálogos. Além disso, as cenas de corte são um espetáculo à parte e nos fazem perguntar por que diabos ninguém nunca pensou em fazer uma série inspirada no game.

Outro ponto é a própria utilização do 3D como recurso visual. Embora o jogo não seja marcado pela ação, a tela superior faz um ótimo trabalho para dar vida a Monte d’Or. Como local é apresentado como uma cidade festiva, a apresentação de uma nova dimensão faz com que tudo fique bem mais belo de ser visto. A sensação de profundidade entre os objetos no cenário nos dá a real impressão de que tudo ali está em movimento e interagindo.

Recursos desnecessários

No entanto, a ida da série para o 3DS não foi feita apenas de vitória. A tentativa de aproveitar a tela superior do portátil de diversas maneiras também fez com que a simplicidade vista nos títulos anteriores fosse substituída por algumas soluções não tão práticas assim.

O melhor exemplo disso é a forma com que você explora o cenário. Nos jogos anteriores, os dois displays do portátil exibiam a mesma imagem e a touchscreen servia para que você pudesse tocar no ponto de interesse para que a ação acontecesse na parte superior. No entanto, em Miracle Mask, as coisas são um pouco mais burocráticas.

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Em vez de simplesmente apontar onde você pretende investigar, o novo game exige que você use a tela inferior como uma espécie de touchpad para controlar um ponteiro na superior. Assim, você deve arrastar a stylus até o local indicado antes de realizar o comando desejado — uma funcionalidade nada intuitiva que serve apenas para te obrigar a olhar para a imagem em 3D.

A própria função tridimensional é um recurso que também causa alguns incômodos. Por mais que a profundidade oferecida seja incrível na parte artística, ela atrapalha em outros momentos, principalmente em puzzles em que você precisa estar atento à imagem. Perceber algum detalhe com o modo ativado é um convite à cegueira e ao erro.

90 3ds
Excelente