Análise de Professor Layton and the Unwound Future

Não tem mistério: Unwound Future é um jogo excelente

O Nintendo DS é uma plataforma com dezenas de jogos simplesmente excelentes. Não há como negar que os melhores resultados surgem quando os títulos são exclusivos para o portátil de duas telas. Os games que também pintam em outras plataformas muitas vezes chegam ao DS através de uma adaptação não muito convincente, arriscando em tentar reproduzir, com menos recursos, o que é visto no Xbox 360 ou no PlayStation 3, por exemplo. O resultado são jogos 3D com gráficos nada agradáveis e uma jogabilidade falida.

Img_normalA Level-5 é uma das desenvolvedoras que sabe muito bem como criar algo fantástico para o video game de bolso da Nintendo. A companhia é a responsável pela franquia Professor Layton, que já trouxe muitos mistérios para o console em várias edições distintas. Estrelada pelo professor homônimo e seu aprendiz, Luke Triton, a série envolve enigmas e quebra-cabeças de toda tipo, contando sempre com um grande mistério por trás de todos os pequenos desafios.

O bacana é que Professor Layton usa decentemente os recursos do portátil, principalmente da tela sensível ao toque. Para resolver os puzzles, o jogador tem de desenhar, escrever ou simplesmente clicar na resposta com sua stylus. O resultado é uma experiência cativante e completamente intuitiva.

Depois de vários sucessos do investigador e seu aprendiz, o portátil agora recebe Professor Layton and the Unwound Future, o terceiro jogo da série a chegar ao Ocidente. Vale ressaltar que, no Japão, o título aterrissou no console em 2008, e o quarto jogo, intitulado Professor Layton and the Spectre Flute, já está disponível desde 2009 em território nipônico. Normalmente, os jogos da franquia chegam ao Ocidente após dois anos.

Para a felicidade dos fãs, a terceira edição mantém basicamente toda a essência que consolidou o professor e seu aprendiz no universo do entretenimento eletrônico. Com mais de 160 quebra-cabeças, novos modos de jogo e muito mistério, Unwound Future consegue tranquilamente estar na lista dos melhores games para DS neste ano.

Professor Layton and the Unwound Future novamente mostra que jogos inteligentes também são grandes blockbusters. Uma arte incrível, dublagens espetaculares e puzzles cativantes compõem a fórmula quase impecável do título, que mais uma vez nos conquistou. Não tem mistério: Unwound Future é um excelente game. 

Um show em sua tela

Um dos elementos mais impressionantes de Professor Layton and the Unwound Future é a arte. Assim como nos demais jogos da série, temos um visual realmente caprichado, com seu estilo peculiar e rico em detalhes. É possível perceber isso logo no menu inicial, quando visualizamos um ônibus em movimento. O estilo característico da franquia se mantém intacto, trazendo ambientes bem desenhados e personagens cheios de carisma e personalidade.

O bacana é que existem várias cenas de corte em Unwound Future. A história é contada através de animações em estilo cartum, com direito a dublagens de qualidade e detalhes por toda parte. Felizmente, o título também apresenta legendas em inglês, o que facilita bastante a compreensão para quem tem um pouco de dificuldade com o idioma.

Outro elemento que dá um show em Unwound Future é a própria trama. Dessa vez, a história envolve viagens no tempo, como o próprio título sugere. Certo dia, Layton e Luke decidem ir a uma demonstração de algo que, supostamente, seria uma máquina do tempo. Contudo, as coisas não vão ocorrem como o esperado e o Primeiro Ministro da Inglaterra, que estava dentro da bugiganga, acaba desaparecendo junto com o cientista responsável pela experiência.

Pouco depois desse evento, Layton recebe uma carta completamente inesperada. Trata-se de um texto escrito por um Luke mais velho, presumidamente do futuro. Depois disso, a situação vai se tornando cada vez mais estranha e cabe a resolver os mistérios espalhados pelos 12 capítulos (mais um epílogo) no game.

Um fato bacana é que em Unwound Future os jogadores acabam conhecendo um pouco mais do passado de Layton, evocando memórias de emoção, orgulho e lógica. Quem nunca desfrutou de qualquer jogo da série não precisa se preocupar, pois a história não exige um conhecimento prévio do universo de Professor Layton.

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Em suma, a produção do jogo é fenomenal. Mesmo não sendo completamente dublado — em alguns momentos temos apenas textos, provavelmente devido a problemas com espaço —, o título possui uma narrativa agradável, tanto em conteúdo como em apresentação.

Mantendo a classe

Sem dúvidas, o grande pilar estrutural que sustenta a série Professor Layton é sua jogabilidade. Aqui, ela continua como nos jogos anteriores. A fórmula não mudou: você precisa conversar com as pessoas encontradas em seu caminho para conhecer novos desafios. O engraçado é que todos parecem focados apenas na resolução desses quebra-cabeças, independentemente do que estiver acontecendo ao seu redor. Com isso, fica mais fácil entender porque as pessoas querem tanto testar as habilidades do famoso professor.

A campanha conta com mais de 100 puzzles e ainda existem dezenas de desafios adicionais espalhados pelo mundo, totalizando 165 quebra-cabeças. O bacana é que o jogador pode retornar aos minigames caso deseje tentar novamente, mesmo depois de completá-los, acessando os puzzles em uma área determinada de seu mapa. Os eventos secundários também podem ser simplesmente deixados de lado, caso o jogador não esteja com paciência para finalizá-los.

Se você estiver com problemas, basta acessar o sistema de dicas, disponível em boa parte dos quebra-cabeças. Normalmente, as dicas são desbloqueadas pelos Hit Coins, que são coletados durante os momentos de exploração ao tocar em determinados objetos.

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O bacana desta versão é que temos acesso a quatro dicas em vez de somente três, como nos games anteriores. A quarta opção é denominada Super Hint (Superdica) e, como o nome sugere, traz uma frase que quase sempre gera a resposta do enigma. Mas, não pense que basta selecionar a opção e seu puzzle estará resolvido. Em muitas ocasiões, ainda é necessário pensar um pouco para finalizar o desafio. E lembre-se que você deve economizar seus Hit Coins para que não falte grana nos quebra-cabeças mais tensos.

Além dos Hit Coins, Unwound Future também conta com outra moeda: as Picarats. Essas são adquiridas quando você completa um quebra-cabeças. Quanto mais alta a recompensa, mais difícil é o desafio. Além disso, a quantia vai diminuindo conforme o jogador utiliza o sistema de dicas. Ou seja, para ganhar a quantia máxima de Picarats, é necessário pensar bastante e finalizar o desafio sem qualquer auxílio — algo realmente difícil no final do game.

Mas, para que servem as Picarats?  Com elas, você tem acesso a mais quebra-cabeças na área Bonus. Sem dúvidas, algo extremamente recompensador para quem está no clima do jogo. Os desafios variam bastante e imediatamente após finaliza-los, você já vai estar a fim de resolver outra encrenca.

Novos modos

Além dos tradicionais quebra-cabeças e enigmas, Unwound Future também traz novas modalidades à franquia. Assim como o mini game do hamster em Diabolical Box, a nova interação conta com três modos separados da campanha: Toy Car, Parrot e Picture Book. Todos eles são grandes inclusões, misturando diversão, com temas simples que podem se tornar difíceis em um piscar de olhos. Vamos aos detalhes.

Talvez o modo mais interessante e instigante seja Picture Book. Aqui, o jogador deve desbloquear vários adesivos resolvendo puzzles no modo campanha. Esses quebra-cabeças estão diretamente associados com um dos livros, o que acaba criando uma história coesa tanto dentro quanto fora da campanha.

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Já Toy Car conta com uma miniatura de um carro que se move em uma espécie de grade. O objetivo do jogador é utilizar um número limitado de setas para guiar o veículo e coletar o máximo de benefícios possível até alcançar a saída. É algo direto, mas muito mais difícil do que parece. Em Parrot, o jogador possui algumas cordas para ajudar um pássaro a entregar um pacote a alguém do outro lado da tela.

Tudo isso deixa o título ainda mais divertido, ampliando a longevidade do game e estendendo a campanha a outros horizontes. Professor Layton and the Unwound Future possui aproximadamente 20 horas de jogo, considerando os puzzles secundários. Um prato cheio para quem procura um pouco de raciocínio e uma história bem narrada dentro do universo do entretenimento eletrônico.

Poucas reclamações

Img_normalAssim como na edição passada, não há muito do que reclamar. Mesmo assim, alguns pontos devem ser ressaltados. Primeiramente, a ausência do suporte para outros idiomas pode dificultar — e muito — durante a resolução dos enigmas. Não há opção para áudio ou legendas em português, o que pode ser um empecilho para quem não domina o idioma inglês.

Outra reclamação também já estava presente em Diabolical Box. Novamente, temos algumas dicas que não ajudam em absolutamente nada, fazendo com que gastemos nossos preciosos Hint Coins à toa.

Por fim, nem mesmo a variedade de modos e a elevada quantidade de puzzles são suficientes para salvar a vida de Unwound Future. Uma vez “zerado”, você dificilmente terá motivos para voltar a conferir o game.

89 ds
Ótimo