Uma peça encantadora para todas as idades

Quando Gavin Moore, o diretor de arte de Puppeteer, anunciou o game durante a Gamescom 2012, o visual do jogo da obra do Japan Studio chamou bastante a atenção do público. De acordo com Moore, a ideia para o game nasceu de uma tentativa de despertar a imaginação de seu filho que se cansava rapidamente de ver o mesmo ambiente estático. Para isso, qual solução melhor que um palco de teatro, capaz de apresentar diversos ambientes sem sair do lugar?

A peça escolhida para acontecer no palco de Puppeteer conta a história do reino da Lua, que era governado tranquilamente pela Deusa da Lua até a intervenção do Pequeno Urso (que de pequeno tem apenas o nome). Além de derrotar a governante de direito do local, o vilão rouba a Pedra da Lua e a tesoura mágica Cálibrus e passa a utilizar as almas de pobres crianças para transformá-las em marionetes de madeira responsáveis por servi-lo em seu novo governo.

A aventura começa quando Kutaro, uma das crianças transformadas pelo Urso, tem a sua cabeça roubada pelo vilão. A partir daí, uma bruxa descontente com o novo governante ajuda o garoto a encontrar a Cálibrus – que o escolhe como seu novo portador.

Em troca de seu auxílio, a bruxa quer apenas que Kutaro recupere os 12 cristais da Pedra da Lua que o Pequeno Urso distribuiu aos seus generais. A situação é complicada, mas será que o menino deve confiar em todos que o ajudam? Só acompanhando a peça é possível descobrir!

Faltando poucos meses para a chegada do seu novo console, a Sony mostra que o PlayStation 3 ainda tem bastante fôlego com Puppeteer. Desenvolvido pelo seu Japan Studio, o game conta uma história encantadora que consegue a proeza de ser bastante acessível para as crianças sem parecer piegas ou entediante para os mais velhos.

A apresentação do jogo também é incrível e é provável que em muitos momentos o jogador se distraia para ouvir a sua trilha sonora fantástica ou para prestar atenção aos detalhes do cenário de fundo, que se altera dinamicamente a todo mundo.

Apesar de todos os muitos outros lançamentos de peso que vão competir pela sua atenção neste final de ano, Puppeteer é definitivamente um jogo que a merece. Se você tem um PlayStation 3, tente pelo menos baixar a demonstração do game na PlayStation Store ou assistir o nosso gameplay no YouTube. Duvido que você não irá se encantar.

Original e criativo

É sempre interessante ver propostas diferentes chegarem ao video game, especialmente quando elas partem das grandes produtoras. Apesar de se encaixar no gênero dos jogos de plataforma, a proposta de Puppeteer é bastante diferente.

Enquanto os visuais são ricamente ilustrados com os mais variados elementos, Kutaro pode movimentar-se apenas em um plano de duas dimensões. Ao mesmo tempo, o garoto é acompanhado pela princesa Pikarina (controlada pelo analógico direito ou por um segundo jogador), que pode interagir com o cenário e descobrir itens escondidos para ajudá-lo em sua jornada.

Img_normalSe em um primeiro momento os jogadores podem achar Kutaro um pouco limitado, é durante a sua jornada que os seus verdadeiros poderes se relevam, começando pela conquista da Cálibrus. Se uma tesoura pode parecer uma escolha bastante bizarra de armamento em outros jogos, em um mundo dominado por cenários de papel e tecido, isso muda de figura. Tudo isso, aliado com a habilidade das bombas ninjas e outros poderes conquistados posteriormente, ajudará você a derrotar facilmente os oponentes.

Não perca a cabeça

Enquanto a cabeça original de Kutaro está nas mãos do Pequeno Urso, Kutaro deve utilizar modelos substitutos para seguir em frente. É preciso tomar cuidado, pois caso os inimigos o atinjam, Kutaro perde a cabeça literalmente e precisa recuperá-la para que sua aventura não chegue a um fim precoce. Para facilitar as coisas, é possível contar com mais dois modelos reserva que podem ser desperdiçados antes que o pior aconteça.

Cada modelo de cabeça diferente deve ser encontrado no cenário ao longo da aventura e, nos locais certos, eles podem ser utilizados para realizar ações especiais (como fazer um esqueleto dançar ou regar um casal de árvores), que podem resultar na abertura de fases bônus ou no recebimento de itens extras.

Img_normalÉ impossível recuperar todos os modelos no primeiro jogo, uma vez que muitos deles exigem a utilização de poderes obtidos apenas em fases mais avançadas para serem coletados. Isso estimula o retorno às cenas e atos anteriores do jogo (como são chamadas as fases e capítulos do jogo). Além disso, caminhos alternativos presentes em alguns cenários também estimularão os mais curiosos.

Dublagem excepcional

Ver jogos localizados para o português do Brasil já não é exatamente nenhuma novidade. Legendas e dublagens para o nosso idioma, felizmente, têm se tornado cada vez mais comuns graças ao apoio de companhias como a Sony, que tem localizado no Brasil todos os seus exclusivos.

A dublagem nacional de Puppeteer, no entanto, se sobressai tanto que até mesmo aqueles que preferem o idioma original (como é o meu caso) devem considerar ouvi-la. As vozes combinam com cada personagem e contribuem para a imersão dentro do mundo de teatro de bonecos do game.

Bem vindo ao teatro

Se Gavin Moore queria criar algo para estimular a imaginação de seu filho (e de todas as outras crianças e adultos do mundo), ele certamente conseguiu. O teatro de bonecos de Puppeteer é encantador e deixará todos os seus espectadores maravilhados.

Em vez de o cenário seguir em frente como nos jogos tradicionais, a escolha estética do palco utiliza-se de incríveis artifícios para mudar os locais por onde os personagens passeiam. São cortinas de papel e mecanismos surpreendentes que invadem e deixam o cenário a todo instante durante a transição das cenas e atos, tal qual em um verdadeiro teatro – uma escolha simples e que chama a atenção pela criatividade.

Img_normalAlém disso, diversos outros fatores também contribuem para o clima de teatro, como a presença de um bem-humorado narrador e as animadas reações da plateia durante a aventura. É possível, por exemplo, ouvir o espanto dos espectadores frente às reviravoltas da trama, assim como os seus risos durante diversos momentos cômicos da peça.

Faltou coordenação

Um dos maiores problemas de tentar criar uma proposta original é conceber controles tão confortáveis quanto o de modelos já consolidados. Com uma narrativa espetacular aliada a visuais fantásticos e uma trilha sonora encantadora, não obteve tanto sucesso em seus controles.

Img_normalNa maioria das vezer, não há muito segredo em controlar Kutaro. Contudo, em momentos de muita ação em que é necessário controlar também a sua ajudante Pikarina, quem está jogando sozinho pode enfrentar alguns problemas para coordenar todas as suas ações e fazer com que a plateia não perceba o deslize de seus atores.

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