Um herdeiro falsificado para FIFA Street

Colocar de lado todas as formalidades das partidas oficiais de futebol, mudando-se temporariamente para um campo menor e chutando boa parte das regras para escanteio sempre foi uma proposta interessante. Prova disso foi o sucesso relativamente duradouro da franquia FIFA Street, que por vários anos encheu os bolsos da EA ao colocar jogadores de fama mundial para uma descontraída “pelada” em campos de periferia.

Bem, foi exatamente essa a ideia da Ubisoft para o seu Pure Futbol, embora aqui as canchas amadoras tenham sido postas de lado em favor de localidades pitorescas como o porto de Marselha ou os canais de Amsterdã. Afinal, conforme as duas principais franquias de futebol da atualidade — FIFA e Pro Evolution Soccer — diluem cada vez mais os termos “arcade” e “simulador”, é natural que alguém aproveite o espaço que sobrou.

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O problema é que Pure Futbol não foi exatamente feliz com a sua postura “FIFA-Street-wannabe”. Sim, os jogadores de fama mundial estão presentes, as regras foram parcialmente deixadas de lado — ao menos a figura do juiz foi — e mantém-se a formação de cinco contra cinco. Mas são muitas pontas soltas, glitches gráficos e uma série de deslizes em relação à jogabilidade.

Dessa forma, embora o modo campanha traga diversos objetivos e possibilidades de personalização, fato é que a proposta “arcade” de Pure Futbol acaba bastante limitada por uma série de mecânicas equivocadas e/ou repetitivas. Não que jogar em um campo amador com um belo crepúsculo não seja particularmente inspirador. Mas algo parece ter faltado.

A ideia de colocar jogadores com fama global para digladiarem em partidas ligeiras e sem firulas tem realmente o seu charme — não é nem de longe original, mas tem. O problema é que Pure Futbol aparenta ser mal acabado em tudo. São gráficos toscos, jogabilidade limitada e jogadores com Q.I. de alcachofra. Nem mesmo as belas paisagens de Milão e Amsterdã podem compensar os seus suados tostões aqui. Honestamente? Fique com o seu PES ou o seu FIFA.

Modo campanha variado

Img_originalEscorregadas à parte, não se pode negar que Pure Futbol apresenta um modo campanha criativo e que pode até mesmo conferir alguma longevidade ao título. Após um rápido tutorial (opcional), você cria o seu próprio time e o seu capitão para, em seguida, encarar vários desafios a fim de levar a sua equipe da várzea para os holofotes.

Mas os objetivos aqui também são próprios de partidas amadoras; coisas como “quem fizer dois gols primeiro ganha”. Entretanto, existem ainda outros objetivos mais específicos que você pode cumprir durante as partidas, como permanecer mais tempos com posse de bola, ganhar por uma diferença específica de gols ou dentro do tempo limite. Isso garante, além da vitória, a possibilidade de contratar jogadores específicos do time adversário.

Hardcore até a veia!

No que diz respeito ao ritmo de jogo, Pure Futbol traz algo bastante semelhante a FIFA Street: o negócio é apostar na velocidade, com um mínimo de regras, para que a bola permaneça rolando por muito mais tempo. Em outras palavras, nada aqui tenta flertar com um simulador de futebol; é “hardcore” puro, simples e declarado!

Dessa forma, a figura do juiz foi deliberadamente excluída, e as partidas de cinco contra cinco se parecem muito com aquele seu futebol de fim de semana — com poucos passes, faltas ignoradas e dezenas de gols. Até mesmo as cobranças de lateral e escanteio foram aceleradas: você tem cinco segundos para fazer o lançamento.

Craques caricatos

O estilo visual assumido por Pure Futbol é, não por acaso, semelhante àquele utilizado durante vários anos para FIFA Street. Complementando a jogabilidade rápida e irreal, aparecem jogadores caricatos, com feições e traços exagerados. Como um toque especial, as comemorações de gols e de vitória ficam em algum lugar entre o ridículo e o apoteótico. De fato, é “ame ou odeie”.

Direto para o gol!

A intenção de criar uma jogabilidade fluida não foi ruim. O problema é que Pure Futbol acaba naufragando entre barras, medidores e mini games o que, embora confiram velocidade, acabam limitando as possibilidades e tirando o controle das mãos do jogador.

Img_originalE o pior: o péssimo sistema de passes dá somente duas opções para se fazer gol: correr e chutar diretamente, ou cruzar e encarar dois mini games enfadonhos — você terá que acertar o ponto certo da barra tanto para cruzar quanto para cabecear, sob o risco de simplesmente ver a sua bola passando ao lado do gol se o seu timing não for perfeito.

Outro tiro no pé da Ubisoft é o sistema de corrida. Basta apertar “R2” para ver o seu jogador disparar sem precisão, em uma direção praticamente aleatória. Das duas uma: ou você atravessa com bola e tudo uma das linhas do campo, ou entrega de bandeja a pelota para um jogador adversário. Fato é que o estilo “chute a gol” de Pure lembra mais uma partida de basquete — em que praticamente nada ocorre no meio de campo — do que de futebol.

Ah, o sistema de faltas...

O sistema de faltas de Pure Futbal só não é tão ruim quanto é sem sentido. Funciona da seguinte forma: cada time tem uma barra de falta que é completada conforme se disparam manobras defensivas, digamos, pouco honestas.

Dessa forma, embora um carrinho direto nas pernas do adversário possa não parar o jogo imediatamente (?!), uma vez que a barra seja completada — isso em qualquer parte do campo —, ganha-se um pênalti. Aí fica a pergunta: por que não deixar sem faltas logo de uma vez? Pois é.

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Defenda se puder

Jogar defensivamente em Pure é uma tarefa verdadeiramente hercúlea. A marcação dos seus jogadores é horrível, roubar a bola sem carrinho é quase impossível e, para ajudar, a câmera às vezes resolve não focar no seu campo de defesa — basta um contra-ataque rápido do adversário para que o gol saia sem que você ao menos tenha visto como foi!

Enfim, novamente, duas opções: distribua carrinhos a torto e a direito, ou espere que o seu goleiro faça milagres — o que não é bem a especialidade dele. Para completar, os goleiros aqui ainda têm o péssimo hábito de espalmar mesmo os chutes mais fáceis... Isso quando não erram o canto em um chute de meio de campo.

Patacoada online

Jogar Pure Futbol online pode ser tão decepcionante quanto as partidas offline. Existem “lags” — muitos, na verdade —, a impossibilidade de se criar os próprios torneios e ligas e, para completar, você terá que assinar o serviço exclusivo da Ubisoft, o Uplay Service. Você ainda deve penar com aquele famoso inconveniente de jogadores que abandonam a partida no meio. Enfim, uma pena, até porque o sistema de comércio online de jogadores utilizando “pure points” é interessante.

O seu maior desafio: a música

Da primeira vez que se entra em campo, a música incomoda um pouco, mas aguenta-se. Só a mistura entre futebol e filme do Chuck Norris — com batidas fortes dignas de filmes de ação — cansa, e muito, com o tempo. Não apenas as músicas, mas também os sons. Ao chutar a bola você fica com a nítida impressão de que enfiou o pé em um pedaço de papelão. Lamentável.

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