Prepare o seu cérebro, pois ele vai girar sem parar

Img_originalJogos de quebra-cabeças são sempre intrigantes. Até mesmo os mais simples, como um mero Campo Minado, são capazes de nos fazer ficar horas a fio na frente do computador, repetindo continuamente as mesmas ações e tentando encontrar padrões para resolver os desafios. Mesmo assim, eles são constantemente relegados a segundo plano dentro dos video games.

Basta olhar para Tetris para ver que jogos desse tipo podem ser extremamente bem-sucedidos. Mesmo assim, a grande maioria dos títulos é criada em estúdios pequenos (ou mesmo por desenvolvedores independentes) e é de muito menor escala do que games de outros gêneros. Não é o objetivo desta análise explicar o porquê disso, mas o que quero dizer é o seguinte: existe espaço para um bom acabamento e capricho no desenvolvimento de puzzles.

Puzzle Dimension é um jogo de quebra-cabeças que prova isso muito bem. Seu conceito é bastante simples e direto (como a maioria dos puzzles o é): coletar todos os girassóis presentes em plataformas flutuantes. O que o torna diferenciado? Três elementos principais: acabamento, level design e a movimentação em três dimensões.

O game coloca o jogador no controle de uma esfera  que rola pelas fases em busca dos girassóis previamente mencionados. Os mapas são divididos em quadrados, e a movimentação da pequena bola é pautada por eles, já que ela sempre estará situada em um de cada vez. O grande desafio é conseguir se movimentar pelos cenários sem cair para o limbo, o que é muito mais difícil do que parece — e muito gratificante quando você finalmente soluciona o problema.

O título é bastante semelhante a um grande sucesso do PSOne, Roll Away. Não é para menos: um dos fundadores da desenvolvedora Doctor Entertainment, Jesper Rudberg, também trabalhou naquele game. E conseguiu montar uma experiência ainda melhor, desta vez.

Puzzle Dimension não é inovador, não foi feito por uma grande desenvolvedora e não está sendo aclamado pelos quatro cantos do mundo como um game excepcional. Mas poderíamos inverter esse ônus: ele recebeu atenção especial por parte de uma desenvolvedora independente, foi muito bem construído e, apesar de não receber muita atenção (como é comum para jogos de puzzles), é muito bom. Vale a pena.

Img_original

O level design é o principal responsável pelo sucesso (não nos cansamos de repetir isso), mas todos os aspectos do game são cativantes. Ele certamente não é um título que substituirá suas horas de extermínio de zumbis ou de aventuras épicas, mas é um puzzle muito acima da média e merece atenção por parte daqueles que realmente gostam desse estilo de jogo.

Quem não gosta muito de jogar nos PCs pode esperar até depois do inverno deste ano: Puzzle Dimension chegará aos Macs, iPads, consoles e celulares quando o frio acabar.

Level Design

Se existe um elemento que deve ser considerado o responsável pelo sucesso de Puzzle Dimension, é o level design. Poderíamos descrevê-lo facilmente como fantástico, já que é, ao mesmo tempo, muito bem elaborado e direto ao ponto, sem ser confuso e sem distrair o jogador com coisas inúteis. Alguns jogos se destacam pelos gráficos, outros pela jogabilidade... Este se destaca pela construção de suas fases.

Img_original

Quem começa o jogo pelo início e vai gradualmente vencendo cada um dos desafios propostos terá plenas condições de chegar ao fim do game, superando todas as cem fases. No entanto, colocar um novato — por mais que a pessoa tenha experiência com jogos de quebra-cabeças — para solucionar algumas das fases mais avançadas seria simplesmente cruel.

O jogo requer uma noção espacial em 3D bastante avançada, e o fato da gravidade ser relativa torna tudo ainda mais complexo — mas, vale a pena ressaltar mais uma vez, não torna confuso. No começo, o cérebro parece girar (assim como a cabeça do jogador, da mesma maneira como acontecia com os primeiros jogos em 3D), mas uma vez acostumado à dinâmica de Puzzle Dimension, as coisas fluem rapidamente.

O mais interessante a respeito dos níveis é a combinação de planejamento e execução. Por mais que o jogador analise o cenário calmamente e elabore um caminho a ser percorrido, muitas vezes isso não será o suficiente. É preciso tentar e errar várias vezes para chegar ao resultado positivo — especialmente quando os azulejos invisíveis entram na equação.

Acabamento

Até mesmo os jogos mais simples podem se beneficiar de uma boa apresentação (basta tentar imaginar um jogo como Geometry Wars ou Shatter com gráficos fracos), e Puzzle Dimension não é diferente. A atenção dada aos gráficos do jogo foi excepcional, o que se reflete diretamente na qualidade geral dos visuais do game como um todo.

Img_original

Em um primeiro momento, o jogador pode se surpreender: ao iniciar o título pela primeira vez, a resolução da tela provavelmente não baterá com a de seu monitor. Mas não há motivo para desespero, já que o jogo suporta resoluções altíssimas — nós jogamos em 1680x1050. Além disso, é possível utilizar anti-aliasing de até 4x, o que torna tudo ainda mais perfeito.

Todos os elementos visuais do game, desde o menu de opções até as animações dos objetos que são afetados, rodam de maneira extremamente fluida e integrada, sempre em consonância com o resto. O resultado é algo extremamente agradável para os olhos e um estilo que realmente não cansa — especialmente com as opções de temas disponíveis.

Os temas são em um total de quatro, e lembram ambientes ígneos, subaquáticos, naturais ou futuristas. Tudo para que o jogador possa se sentir bem ao resolver os desafios. O mais interessante é que quase todos os elementos do cenário são modificados de alguma forma pelos temas, mas a jogabilidade permanece a mesma e é fácil se adaptar aos diferentes estilos.

Música dinâmica

O jogo possui uma trilha sonora original muito boa, que pode ser encontrada neste endereço — o usuário escolhe o quanto (e se) irá pagar pelo download das faixas. Assim como na maioria dos jogos, elas dão o tom da ambientação. A diferença para outros games do gênero é que aqui isso é feito de forma dinâmica: a música se modifica de acordo com a performance do jogador nas fases.

Transição audiovisual

Img_originalEsse dinamismo não se limita à música em Puzzle Dimension, o que o torna ainda mais cativante. Existe uma transição dos gráficos e sons: eles passam de algo retrô, típico de jogos de 8-bits, a um estilo completamente contemporâneo, em alta definição e extremamente trabalhados. Tudo depende do que está acontecendo na tela.

O exemplo mais flagrante disso influi na própria jogabilidade: os azulejos todos estão, no início das fases, em um estado pixelizado, compostos por inúmeros quadradinhos pequenos. Quando a esfera se aproxima deles, acontece uma espécie de purificação e eles adquirem, então, suas verdadeiras formas: em alta definição, detalhados e reluzentes.

Custo/benefício

O jogo custa dez dólares — algo em torno de R$ 17,50, na cotação atual. E possui cem fases. O resultado é uma longevidade considerável para um puzzle: o jogador pode levar de 6 a 12 horas para completar todos os desafios, e depois disso ainda existe a possibilidade de competir pelas maiores pontuações.

Execução excelente

O conceito de Puzzle Dimension não é exatamente original. Além do previamente mencionado Roll Away, existem vários jogos para navegador, construídos em Flash, que exploram mecânicas de jogo semelhantes: a de um bloco, ou uma esfera, rolando sobre tabuleiros e com o objetivo de percorrer um determinado caminho.

O diferencial deste game é a execução. Por mais que a ideia não seja revolucionária, a forma como ele foi criado faz com que se insira na gama de jogos reconhecidos por sua qualidade — assim como Super Stardust HD e afins. Ou seja, quem gosta de quebra-cabeças vai, sem dúvida alguma, se divertir por horas.

Elementos familiares

Img_originalQuem já jogou algum game de quebra-cabeças conhece, indubitavelmente, vários dos obstáculos presentes em Puzzle Dimension. Fogo, gelo, areia e lâminas pontudas complicam a vida da pequena esfera que tenta chegar ao portal após coletar todos os girassóis. Esses elementos clássicos ajudam a facilitar a absorção das mecânicas de jogo por parte do usuário — já que se acostumar com a gravidade alternante é desafiador por si só.

Ainda mais interessante é o fato de que esses elementos são usados de maneira própria: o gelo não permite que a esfera pare em cima daquele quadrado, enquanto o fogo permite que ela passe por ali apenas uma vez. A areia não a deixa rolar para fora (é preciso pular, o que impede o movimento para quadrados adjacentes) e as lâminas tornam impossível usar aquele local.

Quando combinados, esses elementos formam o “rosto” das fases, e — junto ao excelente level design — são os responsáveis pela grande diversão proporcionada pelo título.

Repetitividade das músicas

Por mais que a trilha sonora seja boa e varie de mundos para mundos, ela se torna repetitiva quando o jogador está tentando passar da mesma fase pela centésima vez. Mesmo com o dinamismo que alterna as faixas de acordo com o progresso do jogador dentro de cada um dos cenários, é impossível não notar a repetição ao longo de períodos mais extensos de jogo.

O resultado é que, quanto mais dificuldade um usuário tiver com as fases, mais terá de escutar a mesma música novamente. O que não ajuda muito com a frustração na hora de níveis mais difíceis.

Img_originalLeaderboards? Cadê?

Não conseguimos encontrar os leaderboards para o título. Não existe uma opção no menu e, por mais que tenhamos buscado em tudo o que é lugar (até mesmo no próprio Steam!), não houve santo que nos fizesse enxergar os rankings para a pontuação. Uma pena, pois havia bastante potencial para competição com outros jogadores.

85 pc
Ótimo