Vou mostrar para esse goblin como é que se joga puzzle!

O primeiro Puzzle Quest fez bastante sucesso e em geral agradou aos jogadores com sua jogabilidade criativa que mistura puzzle ao estilo Bejeweled com RPG. Para a satisfação daqueles que já experimentaram e gostaram da franquia, podemos garantir que Puzzle Quest 2 não vai decepcioná-los.

Img_originalO game continua a apresentar exatamente a mesma jogabilidade de antes(vírgula) que envolve combinar três ou mais peças iguais para conseguir diversos benefícios até vencer (ou perder) o duelo. Porém, um visual revigorado e pequenas modificações que adicionam mais estratégia às partidas justificam o acréscimo do "2" ao título.

Entre as novidades, o lado RPG é reforçado de maneira agradável e as quatro classes desempenham presenças mais marcantes. A nova possibilidade de explorar os cenários também contribui com a diversão, dando ares de aventura enquanto você explora masmorras e passa por cidades em procura de pontos de interrogação nas cabeças dos NPCs.

Interrogações douradas são as missões principais que guiam do início ao fim da história, já as prateadas indicam oportunidades extras de faturar tesouros. No fim, esse sistema de exploração é muito mais interessante que o anterior – no qual o jogador apenas selecionava destinos pelo mapa e não caminhava por cenários –, não é "às mil maravilhas", mas funciona muito bem.

Puzzle Quest 2 também oferece três modos multiplayer distintos: todos são duelos online que podem ser arranjados com um desconhecido ou um amigo. Já a campanha single player é sem dúvidas uma experiência mais imersiva com três configurações de dificuldade – tanto na normal quanto na difícil, a inteligência artificial (IA) não perdoa e costuma fazer combinações absurdas de tempos em tempos.

Puzzle Quest 2 é uma sequência imperdível para quem adorou o primeiro – ou os outros títulos, Galactrix e Challenge of the Warlords. Para quem ainda não provou da série é uma chance de comprar um arcade que oferece muitas horas de diversão.

O game também pode agradar ao público casual, todavia isso não é garantido pela complexidade do título. De qualquer forma, Puzzle Quest 2 é um jogo com o qual você consegue passar um longo tempo sem se entediar – talvez algumas frustrações por causa da IA trapaceira.

Por 1.200 Microsoft Points você estará comprando uma aventura duradoura e um puzzle desafiador. A versão demo pode ajudar a decidir melhor se o game faz o seu gosto, e quem aprecia puzzle e RPG acaba de encontrar uma mistura interessante pela segunda vez.

Mais estratégia e fluidez na jogabilidade

Uma das alterações mais impactantes foi a substituição das runas que forneciam dinheiro e experiência por outros duas, "moral" e "ação", ambos relacionados diretamente com poderes. Desse jeito, o jogador não entra em dúvida durante uma batalha se vale mais a pena coletar bônus ou garantir uma vitória.

O simples fato de agora ser possível se concentrar mais em vencer o oponente já soa ótimo, mas as runas novas também trazem mais desafio. A questão principal durante os confrontos é coletar as runas mais importantes para você e atrapalhar ao máximo o adversário, sendo muito importante realizar movimentos pensando nas jogadas futuras, caso o contrário em vez de atacar você vai embrulhar um presente.

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Enquanto a moral serve para suportar uma nova "escola de habilidades" – especialmente uma do assassino, que passa a descontar os danos que recebe no estoque de runas – a ação, representada por luvas, serve para suportar itens. Com determinado número de pontos de ação, você pode ativar uma arma, um escudo ou uma poção no meio do jogo, o que novamente refina o nível de estratégia envolvido em Puzzle Quest 2.

Algumas das velhas exclamações 4-In-A-Row e Heroic Effort continuam a anunciar os cobiçados turnos extras que você recebe quando consegue uma combinação de quatro ou cinco peças. Isso é um elemento decisivo na jogabilidade, já que a prioridade sempre será conseguir essas combinações – as quais a IA nunca vai deixar de aproveitar também.

Classes com caráter forte

Cada uma das quatro classes – assassino, bárbaro, feiticeiro e templário – exercem papeispapéis específicos. Isso funciona de forma automática, já que cada classe possui um tipo de runa que favorece mais suas habilidades. Logo, quando o jogador aumenta de nível(vírgula) ele procura adicionar pontos nosaos atributos relacionados com seus poderes principais e assim o herói fortalece as características de sua classe.

O bárbaro aproveita a força para ser favorecido principalmente pelas runas vermelhas, o que também o classifica com um estilo agressivo, voltado a causar "danos diretos" ao combinar caveiras – que são as peças que infligem danos assim que combinadas. Ele também é o único que pode manejar algumas poderosas armas de duas mãos, constatando seu caráter ofensivo.

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Já o templário possui uma postura mais defensiva, sendo que seus atributos principais são moral e estamina – runas roxas e verdes, respectivamente. Ele é o único que tem acesso a um conjunto poderoso de armadura. Um bom feiticeiro deve possuir muitos pontos em inteligência e moral – runas azuis e roxas. Essa classe, diferente da classe dos templários, não possui muitos pontos de vida e aparentemente é fraca, mas basta acumular algumas runas para ela mostrar seu potencial com magias devastadoras.

Por fim, o assassino deve utilizar os benefícios da agilidade e moral – runas amarelas e roxas – para não dar chance de sobrevivência ao inimigo. Como se não bastasse estar destinado a dominar a partida, se sua quantidade de runas permitir, com imunidade aos danos e golpes baixos que não esgotam o turno, ele também pode usar venenos mais poderosos para acabar com as esperanças do oponente.

Está claro que a escolha da classe faz toda a diferença, o que garante maior valorização para o conteúdo de Puzzle Quest 2. O jogador tem a opção de começar uma nova aventura e passar por tudo de novo, adotando um estilo diferente de tática.

Mini games e sidequests

A parte mais emocionante do game são as batalhas, mas para quebrar a possibilidade de um clima repetitivo, Puzzle Quest 2 também conta com mini games e sidequests (missões "extracurriculares ") que prolongam o prazo de vida da diversão.

Os mini games não se diferenciam tanto na jogabilidade, somente fornecem objetivos mais específicos como combinar apenas runas azuis ou evitar caveiras. Mesmo assim eles se enquadram na função de diversificar a ação.

Img_originalAs sidequests são opcionais, mas se você quiser ganhar alguns níveis e itens raros, é melhor fazê-las. Além disso, elas levam o personagem a explorar lugares novos e enfrentar oponentes diferentes, sendo também uma oportunidade para coletar o material necessário para melhorar seus equipamentos – outra atividade que afasta a monotonia.

Isso sem falar dos modos multiplayer – duelos online – e o fator desenvolvimento de personagem. Afinal, você vai querer ver seu herói poderoso.

Visual elogiável

Em comparação com o primeiro Puzzle Quest, o novo está com uma aparência muito mais bonita. Como exemplos, podemos destacar: os seres presentes no jogo possuem um design cativante, o tabuleiro em que a ação ocorre está com visual aprimorado e cada mini game possui sua interface própria.

Img_originalAlém de os desenhos estarem aprimorados, agora há vários cenários detalhados prontos para serem explorados pelo jogador. Aliás, entenda que a "exploração" é apenas alguns cliques em flechas que transitam as telas. E, é claro, que a beleza de Puzzle Quest 2 não chega perto o suficiente de outras obras conhecidas por perfeição e criatividade gráfica como Braid.

No fim, a franquia da Infinite Interactive ainda não alcançou o ápice artístico que, talvez, um Puzzle Quest 3 tenha potencial de mostrar.

IA trapaceira

Desde o primeiro título, muitos jogadores reclamavam que a IA às vezes trapaceava. Desta vez temos a prova de que isso é verdade: uma conquista chamada "Cheating AI", que literalmente significa "IA trapaceira"

Isso pode ser bem irritante, mas a função é simples: assim como o jogador, os oponentes controlados pelo computador merecem a chance de realizar combinações devastadoras. Tecnicamente, não existem trapaças em Puzzle Quest 2 – até onde sabemos.

História dispensável

Apesar de a presença marcante da fantasia ser um ponto positivo, a trama de Puzzle Quest 2 simplesmente não é interessante. Às vezes é melhor simplesmente pular os diálogos para poupar ouvir um enredo tão genérico e pouco empolgante. Além disso, a própria apresentação dos eventos através de algumas gravuras e vários textos é desanimadora.

Img_originalEsse tipo de narrativa requer muito capricho, e pequenos detalhes como músicas e letras caindo aos poucos na tela são essenciais, o que infelizmente a Infinite Interactive deixou de fazer. Basta olhar para um bom jogo de RPG do SNES para perceber como isso faz a diferença.

Há bons momentos engraçados e memoráveis, mesmo assim a história poderia ser elaborada e contada de maneira mais atraente.

Trilha sonora

Enquanto os efeitos sonoros – quando você combina peças ou usa uma arma, por exemplo – são aceitáveis, a trilha sonora não é das mais memoráveis. Levando em consideração que é um jogo longo, uma maior variedade de músicas seria uma ótima ideia para manter o jogador empolgado para jogar até o fim.

Infelizmente, as músicas são outro aspecto genérico de Puzzle Quest 2. A impressão é a que de última hora os desenvolvedores lembraram-se de pôr um som no jogo, e o jogador deveria estar grato com o que está ouvindo.

Na verdade, a trilha sonora neste caso não é um aspecto que chega a atrapalhar. Mas, qualidade nunca é demais, e mesmo que a música esteja adequada, o ideal seria ouvir algo que mereça nota 10.

Alguns empecilhos na exploração de cenários

A interface de comandos da versão para Xbox 360 é um point and click (como em jogos de aventura antigos), ou seja, você não usa o botão direcional para mover diretamente o herói, apenas aponta com uma flecha aonde ir. Para o DS, o estilo soa uma maravilha com a stylus. Já com o botão direcional do controle do Xbox360, nem tanto.

O ponteiro – que na verdade é uma esfera de energia – tem o propósito de poupar tempo, pois ele seleciona automaticamente e de forma veloz os novos destinos. Porém, esse sistema pode ser um pouco confuso de início. O maior problema é ter que esperar as caixas de diálogo se encerrarem para poder progredir.

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Por outro lado, Puzzle Quest 2 não deixa de incentivar a exploração de masmorras com sidequests que guiam o jogador para novas localidades. Mesmo que essa jornada se resuma a clicar em flechas e monstros, isso está bom, já que aparentemente o objetivo é não perder tempo de caminhada.

Se um dia fizerem Puzzle Quest 3, seria legal ver o aspecto RPG ainda mais reforçado para motivar o emprego do botão analógico de uma maneira melhor. Já em Puzzle Quest 2, parece que realmente não tinha outro jeito.

80 xbox-360
Ótimo