A SimBin acelera no console da Microsoft mas não consegue subir ao topo do podium.

Fundada em 2003 a desenvolvedora sueca SimBin Studios construiu sua fama produzindo simuladores de corrida que traziam grande realismo para os videogames. Formada por um time que construiu uma versão modificada do jogo F1 2002, da Image Space Incorporated, que trouxe toda a emoção da temporada 2002 da FIA GT.

O tempo passou a e empresa solidificou sua carreira como grande desenvolvedora de títulos de corrida. Agora a Atari assume a distribuição do novo projeto da SimBin que estreia nos consoles caseiros com RacePro, uma nova versão especial (exclusiva da Microsoft) da  popular franquia RACE.

Recriando de forma empolgante a sensação de entrar no cockpit de uma das poderosas máquinas da WTCC (World Touring Car Championship — Campeonato Mundial de Formula Turismo) o jogo conta com a engine Lizard, de propriedade da SimBin, que cria efeitos de física incrivelmente realista capazes de reproduzir com grande fidelidade a dirigibilidade dos veículos presentes no título.


Ambivalência motorizada

RacePro desvia um pouco da simulação hardcore dos títulos para computador desenvolvidos pela SimBin, buscando por um equilíbrio maior entre a precisão dos simuladores e a acessibilidade dos arcades.

A estrutura de Race 07 e GTR Evolution permanence intactas, oferecendo uma variedade de veículos e campeonatos (incluindo o WTCC — que conta com um etapa brasileira), além de uma sólido modo carreira que parece se inspirar nas primeiras edições de Project Gotham Racing.

Além disso, o jogo também conta com modalidades de jogo tradicionais como os treinos livres, tomadas de tempo, ataque e o novo hot seat, bem como as sempre envolventes disputas online. Somadas, essas opções criam um título consistente com grande tempo de vida útil.
Segura peão!
Caldo grosso

Sem sombra de dúvida, das opções de jogo disponíveis em RacePro, o modo Carreira é o mais “suculento”, ao mesmo tempo que é o que mais se distância das origens da série. È bom ver que a SimBin resolveu trazer algo novo a franquia, entretanto é notável a falta do “refinamento” das edições para computador.

A carreira é separada em classes de acordo com o seu desempenho, enquanto isso o jogador deve conquistar créditos (através do seu sucesso nas pistas) para poder adquirir novos contratos com equipes possuidoras de veículos mais possantes.

Comprar novos contratos também “desbloqueia” os veículos para que possam ser utilizados em todos os outros modos de jogo. Portanto, se você pretendia entrar direto no Audi R8 e queimar pneus no circuito de rua de Macau, pode tirar o seu cavalinho da chuva.

Felizmente, a carreira pode ser resolvida em pouco tempo, especialmente para os pilotos mais experientes, que não encontraram grandes dificuldades durante a primeira metade da campanha. De qualquer forma, a carreira pode garantir alguns momentos interessantes de jogo, mesmo que totalmente desnecessário neste título.

WTCC (World Touring Car Championship)
 
RacePro conta com um diferencial, as licenças oficiais da FIA (Fédération Internationale de l'Automobile — Federação Internacional do Automóvel) oferecendo assim os campeonatos e pistas reais.

Isso significa que você pode soltar todos os cavalos de potencia dos carros disponíveis em treze pistas reais espalhadas por todos os continentes, incluindo alguns traçados clássicos como o de Macau, Porto e Pau, além outras exclusivas de RACE Pro, como Laguna Seca e Road América, sem se esquecer do brasileiríssimo Autódromo Internacional de Curitiba (sede de uma das etapas do WTCC).

Cuidado pra não derrapar Entre os possantes disponíveis o jogador poderá se deleitar com veículos que vão dos 200 aos 1000 cavalos de força, bem como os dos campeonatos WTCC (World Touring Car Championship), Formula 3000 e Formula BMW.

Além disso, você também pode contar com veículos da série GT, incluindo fabricantes Aston Martin, Alfa Romeo, BMW, Chevrolet, Seat e Saleen e outros veículos especiais como o Audi R8 e Dodge Viper SRT10.

Gregos e troianos

Seguindo os passos de seus precursores dos computadores, RacePro se utilize de duas escalas para trazer mais realismo as simulações de dirigibilidade e do comportamento da inteligência artificial. Mas o melhor de tudo é que ambos respondem de acordo as inúmeras personalizações do veículo permitidas dentro do jogo.

Mas não se preocupe, se você prefere um estilo mais arcade, sem as minúcias dos simuladores como Forza, o jogo também consegue proporcionar uma boa experiência. Somente nos níveis de dificuldade mais elevados é que o jogador realmente deve se preocupar com estes ajustes mais precisos do veículo.

Como de costume, as dificuldades iniciais recebem vários pontos de assistência da máquina (freios ABS, controle de tração e estabilidade assistida), além de impedir que o motorista se utilize de técnicas mais avançadas de pilotagem como, o drift.

Na dificuldade intermediária, Semi-Pro, o realismo representado é o reflexo de uma mistura interessante entre dirigibilidade realista e auxílio da máquina, com toques da permissividade típica dos árcades com a precisão própria dos simuladores.

Entretanto os profissionais realmente devem provar o seu valor, já que a categoria mais difícil do jogo desabilita toda e qualquer forma de auxílio da inteligência artificial do jogo e é nesse momento em que a física realmente mostra todo o seu brilho.

Veículos com mais de quinhentos cavalos (como o Aston Martin DB9 e o Konigsegg CCX) testam a sanidade e os reflexos dos jogadores ao exigem movimentos delicados no manche (ou volante) e muitas horas de treino para que os tempos gravados realmente sejam competitivos.

Nem mais, nem menos, apenas suficiente


A estética geral do jogo é relativamente decepcionante. Se comparado a outros títulos do gênero, mais notadamente Project Gotham Racing 4 e Forza Motorsport 2, RacePro parece mal acabado, sem refinamento.


Uma voltinha pela cidade Apesar das modelagens dos veículos estarem excelentes e dos belos efeitos de luz e reflexo, esses atributos não conseguem desviar a atenção do fato de que as texturas caminham sobre uma margem muito tênue entre o adequado e o pobre.

Esse problema tento a aparecer de forma mais evidente quando utilizamos a câmera posicionada nos para-choques traseiro e dianteiro e na visão de dentro do cockpit. Isso é parcialmente causado pela natureza “plana” e pouco inspirado dos circuitos.

Mas o ponto baixo do jogo fica por conta da sua trilha sonora. Efeitos pobres e sons por vezes irritantes realmente mostram uma falha na produção do jogo, que poderia ter empreendido um cuidado muito maior na produção sonora do título.

Entretanto toda e qualquer crítica referente a apresentação audiovisual do jogo não consegue superar a excelente física de direção, modelagem das pistas e inteligência artificial dos oponentes.

Esquizofrenia

A primeira incursão da SimBin nos consoles caseiros é sólido. Mesmo que sofrendo de um caso grave de esquizofrenia, já que apresenta várias contradições dentro do mesmo título.

Ao mesmo tempo em que o jogo supera as expectativas em pontos extremamente desafiadores (como a jogabilidade, por exemplo) mostra-se limitado em outros aspectos (como algumas texturas e mais notadamente no quesito sonoro).

RacePro possui muitas das ferramentas para se tornar um dos grandes destaques do gênero, entretanto as pequenas falhas, acabam limitando um pouco a carreira do título. Mesmo assim o jogo oferece uma opção viável entre os jogos de corrida arcade e os simuladores mais hardcore (sendo que este aspecto é mais evidente do que o anterior).

Se você é um fã da série Forza Motorsport certamente irá apreciar a jogabilidade de RacePro, mesmo com as limitações já descritas do jogo, sendo que a mesma comparação serve para os título que tendem para o estilo arcade, como PGR.
77 xbox-360
Bom