Quando um extra é melhor que o principal...

Seja para se livrar de um governo opressor ou para fazer valer seu direito, a humanidade está sempre em guerra por libertação. Isso não é diferente na série Red Faction, da THQ. A franquia, que mostra a batalha dos seres humanos para acabar com um governo opressor e transformar Marte em um bom lugar para se morar, chega agora em seu quarto episódio.

Em Red Faction: Armageddon, porém, o enredo é um pouco diferente. Passados 50 anos após os eventos de Guerrilla, o game segue os passos do mercenário Darius Mason, neto do protagonista do game anterior. Após uma missão malsucedida que obrigou os humanos a saírem da superfície de Marte e buscar refúgio no subterrâneo, ele se vê à frente de uma raça de alienígenas que têm como objetivo reaver o planeta.

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O game, desenvolvido pela Volition, foi lançado no dia 7 de junho de 2011 para PlayStation 3, PC e Xbox 360.

Se você já é fã da franquia, Red Faction: Armageddon tem como grande contribuição a variação da jogabilidade. Aqui, os inimigos não são mais seres humanos e sim alienígenas, que são bem mais cruéis e violentos. As famosas armas da série também estão de volta, assim como o impressionante sistema físico da Volition.

Para o restante, porém, o game não apresenta uma experiência tão impressionante assim e dificilmente criará novos aficionados. Os modos extras são a grande força do título, mas mesmo eles apresentam jogabilidade limitada e, uma vez que se chega ao fim de todos eles, resta muito pouco para ser aproveitado no game.

Lute com estilo

Imagine abrir um buraco negro bem no meio de uma horda de inimigos, sugando-os para a fria escuridão juntamente com o cenário que está em volta e explodir tudo logo a seguir. Em Red Faction: Armageddon, isso é possível com o Singularity Cannon, uma das principais integrantes do armamento do game.

Outro destaque do arsenal que pode ser utilizado por Mason é a Magnet Gun, arma que, como o nome já diz, utiliza imãs como munição. Aqui, o funcionamento é um pouco mais complexo: atire o magneto número um a uma estrutura ou inimigo e dispare o segundo em outro local do cenário. A seguir, observe o efeito causado pela atração entre os polos, que normalmente inclui insetos alienígenas esmagados entre escombros ou construções sendo implodidas.

Há também um canhão de raios corrosivos, que faz desaparecer qualquer objeto em seu caminho, ou um lançador de minas que, quando bem posicionadas, são capazes de trazer um edifício abaixo com apenas algumas explosões. Mason ainda possui uma série de poderes em seu bracelete, o Nano-Forge, como a possibilidade de reconstruir cenários ou ganhar espaço emitindo uma onda de energia que afasta os oponentes.

A Volition também não se esqueceu das armas mais “comuns”. Escopetas, metralhadoras e pistolas comuns também estão lá, já que o arsenal com maior poder de destruição conta com munição escassa e longos tempos de recarregamento.

Tudo isso sem falar de Mr. Toots, um unicórnio colorido que dispara devastadores raios pelo traseiro. O “brinde” foi incluído pela Volition para comemorar a marca de 1 milhão de downloads da demo de Red Faction: Armageddon e é obtido quando o jogador completa o modo campanha pela primeira vez.

Cuidado com a cabeça!

A utilização de armas que explodem tudo em seu caminho não seria nada sem uma física adequada, e Red Faction: Armageddon se sai muito bem nesse quesito. Os efeitos existem graças à engine Geo-Mod 2.5, criada pela Volition especialmente para a série Red Faction, e permite que as construções desabem com naturalidade e espalhem destroços enquanto vêm abaixo.

Img_normalA destruição de estruturas, por sinal, é parte integrante da jogabilidade. Em diversos momentos, é preciso destruir prédios que abrigam ninhos de alienígenas ou espalhar escombros que bloqueiam o caminho. Barris explosivos também estão estrategicamente localizados em áreas com grande concentração de inimigos e detoná-los auxilia a missão de Mason.

A realidade também pode ser danosa para o protagonista. Assim como na vida real, afaste-se na hora de demolir algum edifício, caso contrário, a última imagem que verá em vida será a de uma pilha de escombros caindo em sua direção.

Adicionais de grande porte

Durante o game normal, as características citadas acima se reúnem para acompanhar uma história enfadonha e repetitiva, que será abordada mais à frente na análise. Nos modos extras, porém, tais fatores atingem seu ápice e proporcionam algumas das experiências mais interessantes de Red Faction: Armageddon.

Disponíveis no menu inicial, o título conta com dois mini games adicionais. O primeiro deles é o Infestation, em que até quatro jogadores podem se reunir e enfrentar diversas hordas de inimigos em sequência, seja para assegurar a própria sobrevivência ou defender uma construção específica no mapa. Aqui, o combate é frenético e praticamente ininterrupto.

Praticamente todos os tipos de monstros presentes no game normal aparecem em Infestation, com exceção, claro, dos chefes de fase. E eles não atacam aleatoriamente, e sim armam estratégias para atacar os jogadores pelas costas ou enquanto eles estão recarregando as armas. Para felicidade dos usuários, todo o arsenal do game normal também está disponível aqui.

O segundo modo, Ruin, tem a destruição como único objetivo. Colocado em um cenário com diversas estruturas e prédios abandonados, o jogador deve selecionar a melhor arma para o tipo de terreno e atirar sem parar. Quanto mais escombros no chão, mais pontos são acumulados.

É possível jogar o modo de duas formas diferentes. Na primeira, o usuário tem tempo limitado para obter um determinado número de pontos e passar para a próxima fase. Já na segunda, a destruição é liberada e o usuário pode gastar quanto tempo quiser aumentando seu score e trazendo todas as estruturas abaixo da forma mais efetiva possível. Nesse caso, há um ranking online que reúne os resultados de todos os jogadores.

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Ao contrário do que pode se esperar de um jogo de ação, um modo “mata-mata” não está presente. A Volition optou por incentivar a cooperação e explorar ao máximo os recursos que tornam seu título único, em vez de se tornar mais um entre tantos títulos disponíveis hoje.

Há segredos em todos os cantos

Apesar de apresentar objetivos bastante lineares, Red Faction: Armageddon dispõe de cenários bem amplos, com diversos itens escondidos e caminhos alternativos para se chegar ao mesmo lugar. A exploração das áreas também exclui a preocupação com a quantidade de munição, já que caixas de armamentos estão espalhadas por todo lado.

Essa característica é um diferencial para os jogos de tiro, que normalmente apresentam cenários extremamente simples e com poucas possibilidades de exploração. É mais uma demonstração de que a Volition está realmente preocupada em trazer algo de novo ao mercado.

Animações interessantes

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A desenvolvedora também apresenta um cuidado especial com as animações. Apesar de sofrerem pequenas quedas na contagem de quadros por segundo, as cenas em CG do título são muito bonitas e apresentam personagens extremamente detalhados. Em telas de alta definição, é possível perceber com clareza as marcas de expressão e outros detalhes do rosto e corpo dos personagens, como pintas e sardas.

Quando um soldado se transforma em alvo móvel

O sistema de coberturas, elemento presente na maioria dos games de ação que se prezem, não dá as caras em Red Faction: Armageddon. Tal falha dificulta bastante a jogabilidade com o título e, mesmo com a maioria dos inimigos sendo insetos alienígenas que atacam com garras e mordidas, sua ausência é inexplicável.

Em uma das fases, Mason ativa uma escavadeira e deve protegê-la do ataque de hordas de inimigos. Como não podem alcançá-lo para atingir o personagem diretamente, os alienígenas atacam com raios e outros projéteis. Nesses momentos, o jogador fica completamente indefeso aos ataques e morrerá pelo menos algumas vezes até conseguir derrotar todos os alienígenas.

Apesar dos insetos serem os principais inimigos do título, batalhas entre esquadrões de soldados também existem, e é aqui que um sistema de coberturas faz a maior falta. O jogador é obrigado a se expor completamente para disparar, e é praticamente impossível matar todos os oponentes sem ser atingido. Nas dificuldades mais altas, o problema pode transformar Red Faction: Armageddon em uma experiência capaz de deixar até mesmo o jogador mais habilidoso com muita raiva.

Cabeças superpoderosas

Outro elemento que poderia deixar o game mais realista (e fácil) também não está presente em Red Faction: Armageddon. Neste game, as cabeças dos oponentes não são pontos fracos, e acertá-las gera tanto dano quanto atingir qualquer outro ponto do corpo. Essa característica promete deixar os jogadores que primam pela precisão extremamente irritados.

Img_normalSendo assim, o game da Volition prima pelo tiroteio desenfreado, e não por disparos bem executados. Quando se leva em conta que a munição não é tão abundante assim e exige que o cenário seja explorado com atenção, a ausência dos famosos headshots será sentida (e amaldiçoada) pela maioria dos fãs de jogos de tiro.

Quero chegar ao final. Para que acabe logo.

Red Faction: Armageddon começa com cenas de tiroteio entre Mason e soldados inimigos. Pouco depois, a ameaça passa a ser os insetos alienígenas que possuem diversas formas diferentes, tanto em aparência quanto em tipo de ataque. Ainda assim, o game distribuído pela THQ é bastante repetitivo e apresenta uma trama morna e com progressão extremamente lenta.

Os objetivos de Mason, normalmente, se resumem a salvar sobreviventes, escoltar comboios de veículos com suprimentos ou encontrar itens perdidos em território hostil. Toda a ação acontece em cenários pouco variados nos subterrâneos da Marte, e há poucos momentos inovadores ou realmente surpreendentes.

Img_normalTudo isso, unido à já citada falta de um sistema de cobertura, é capaz de tornar o game extremamente enfadonho e diminui seu fator replay. Após completar o modo história pela primeira vez, há muito pouco que incentive o usuário a jogar o game mais uma de novo. Talvez a presença de Mr. Toots seja o bastante, mas nem o poderoso e fofo unicórnio é capaz de tornar uma segunda rodada de Red Faction: Armageddon muito mais interessante.

Por que não acendem a luz?

De maneira geral, um dos principais motivos que torna os cenários de Red Faction: Armageddon desinteressantes é a escuridão extrema na qual estão mergulhados. As sombras, porém, escondem um defeito gritante no desenvolvimento do título: a falta de texturas.

Faça o teste, experimente aumentar o brilho de sua TV ou monitor para enxergar o que se esconde nas áreas em que a luz não alcança. Normalmente, não há nada lá, apenas um canto sem detalhe algum, de forma a reduzir a necessidade de processamento e concentrá-lo em outros aspectos da jogabilidade.

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Apesar de tal defeito ser percebido apenas pelos perfeccionistas, os locais extremamente escuros poderão ser considerados um problema por grande parte dos jogadores. Em vez de compor um cenário desolador e passar a sensação de solidão ao jogador, eles contribuem para a diminuição do potencial gráfico de Red Faction: Armageddon e são uma demonstração de que a Volition não é tão atenciosa assim.

Eu nem vi o que me matou!

Alguns monstros possuem a capacidade de lançar os jogadores longe, seja com explosões ou com golpes diretos. E é aí que as falhas na câmera do jogo aparecem, impedindo que o jogador enxergue qualquer coisa e deixando-o completamente vulnerável a mais ataques. Na maioria das vezes, o protagonista será atirado contra uma parede e dilacerado antes mesmo que o jogador possa fazer qualquer coisa para impedir isso.

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