Resident Evil 0 HD é, possivelmente, um dos melhores remasters do mercado

Pode não parecer, mas Resident Evil 0 já está no coração dos fãs há mais de 13 anos. Sem sombra de dúvidas, ele sempre foi e sempre será um clássico da série de survival horror, mas a idade não faz bem para nenhum jogo. Além disso, há o fato de que não era muita gente que tinha um GameCube na época. Aliás, parando para pensar, até que a versão remasterizada demorou bastante para sair, não é?

Resident Evil 0 HD segue a linha do seu predecessor, Resident Evil HD Remaster, lançado no ano passado, para modernizar, atualizar e democratizar um excelente título da franquia de terror mais amada do mundo em outras plataformas, trazendo a dificuldade e o glamour de um ícone dos video games para uma nova geração, que não está acostumada com as dificuldades de um verdadeiro jogo de terror das antigas.

Todo clássico sempre é bem-vindo, independentemente de sua época. Este game da Capcom envelheceu bem e não havia uma necessidade de remake, mas uma boa revisada era necessária para reinseri-lo nos padrões modernos de beleza, qualidade e jogabilidade. Será que o jogo é uma boa homenagem para os fãs que aguardaram mais de uma década para vê-lo em outros consoles poderem largar os emuladores? Confira a nossa análise completa.

A história que (quase) todo mundo sabe

Resident Evil 0 é o único prólogo aos eventos que se sucederam na mansão de Raccoon City, antes de a equipe Alpha entrar em cena e apresentar ao mundo a dupla Jill Valentine e Chris Redfield. A trama retrata a novata da S.T.A.R.S. Rebecca Chambers (que deu as caras como parceira de Chris no primeiro jogo) e o fugitivo Billy Coen em uma trama envolvendo a vingança de James Marcus contra a Umbrella.

Este jogo é muito querido pelos fãs por suas mecânicas que flertam com conceitos fora da fórmula da série, mas que não deixam de se enquadrar na receita de bolo que tornou Resident Evil icônico. Diferente dos outros games, nos quais assumíamos o papel de protagonistas distintos em momentos diferentes (como Claire e Leon), aqui controlamos dois personagens ao mesmo tempo.

Apesar de ter uma história levemente pastelona, o título conta com puzzles inteligentes e cenários mais subdivididos, diferente das icônicas e enormes mansões da franquia, que nos obrigavam a fazer um enorme backtracking. Em vez disso, temos cenários marcantes, como o trem inicial, a mansão de treinamento da Umbrella e muito mais.

Agradando a gregos e troianos

Assim como ocorreu no Remaster do ano passado, a Capcom deu um bom trato nos controles do game. Resident Evil 0 HD também traz comandos modernizados para uma nova leva de jogadores. Chega de betoneira, tanques e movimentação travada para quem não se dá bem com sistemas mais “duros”. A movimentação é livre como um sabão e a corrida é sempre automática, seguindo os padrões dos shooters da nova geração.

Porém, assim como eu (ou seja, um bom saudosista e amante da série de survival horror), você pode questionar essa alteração. Afinal, as mecânicas travadas são um dos charmes da franquia. Fique tranquilo, pois há a opção de alterar rapidamente para este esquema de controles, agradando a todos os gamers nostálgicos. Caso deseje, você também pode usufruir de um sistema híbrido. É possível controlar no direcional analógico com o sistema moderno e com as setas direcionais na forma clássica.

Na versão remasterizada, há outra "novidade" bem-vinda: podemos controlar a mocinha e o bandido ao mesmo tempo, cada um deles por um analógico, algo que foi retirado na versão de Wii. O sistema de inteligência artificial ainda está presente e cumpre bem o seu papel, mas agora podemos dar aquela... "Ajudinha" humana para máquina, sem precisar trocar de personagem.

Resident Evil 0 voltou à Era de Ouro

Chega de papo furado e vamos ao que você realmente quer saber: a qualidade gráfica realmente melhorou? Sim, e muito mais do que você imagina. Um dos nossos pontos negativos para o Remaster de Resident Evil Remake foram algumas texturas estendidas e em baixa resolução. A desenvolvedora parece ter ouvido o feedback dos fãs, pois dessa vez o resultado é outro.

Em 2002, joguei e zerei Resident Evil 0 muitas vezes na casa de amigos que tinham GameCube ou em locadoras de bairro; em 2009, tive a chance de revisitá-lo no Wii; por último, brinquei algumas vezes com uma versão emulada em alta qualidade no PC. Quando eu soube que faria esta análise, já preparei o terreno para saber onde eu estava entrando e experimentei por diversas horas a versão original. Acreditem: a diferença é brutal.

Nesta imagem, podemos reparar que na versão original não havia efeitos de luz dinâmico (como a toalha da mesa que reflete a luz do fogo), poucos efeitos visuais, texturas de baixa qualidade (não é possível ler o que está na parede de trás) e o lustre do ambiente não era um objeto 3D

Em nenhum momento me deparei com algum cenário mal-feito ou com cara de mal-acabado. Muito pelo contrário: o salto gráfico do GameCube e Wii para geração atual foi muito maior do que eu esperava. Diferente do seu predecessor, Resident Evil 0 HD recebeu elementos 3D em diversos pontos do jogo. Para quem não se lembra, apenas um cenário foi totalmente refeito no remaster do ano passado (a catacumba com as máscaras). Esses modelos substituíram alguns vídeos e imagens pré-renderizados.

Por falar neles, a qualidade é altíssima e realmente nos passa uma impressão de jogar algo em HD. Alguns renders que eram dificilmente visíveis nas versões de TVs de tubo agora ganharam um bom tapa de maquiagem e passaram a contar com detalhes riquíssimos nas telas de alta resolução.

Lavou, tá novo

A grande sacada da Capcom no quesito visual é nos dar o benefício da dúvida: o que eu estou enxergando é ou não é um modelo 3D? O que é pré-renderizado e o que não é? Na versão original, essas perguntas eram fáceis de responder. Na versão HD, não, e é isso o que torna essa revitalizada (de um jogo de 13 anos de idade) tão boa para a nova geração.

Os modelos 3D dos personagens também receberam uma atenção carinhosa da desenvolvedora, pois agora contam com mais detalhes e... Bom, cabelos que não se pareçam com blocos de madeira. Outra grande novidade foi a excelente adaptação do aspect ratio de 4:3 para 16:9 (ainda há a opção de manter o formato original). Aqui, a câmera dá uma leve deslizada para mostrar todos os elementos na tela, conforme o personagem caminha pelo cenário.

O trabalho para adaptar os personagens de alta qualidade em um ambiente pré-renderizado foi perfeito, o que o original conseguiu também na época. Este era um grande receio, pois, se a dosagem estivesse errada, veríamos os protagonistas de destacando do ambiente em que estão inseridos, igual a um desenho animado dos anos 70.

As expressões ainda são um ponto fraco, mas não dá para fazer milagre também, né? Isso envolve uma engenharia de animação que só um game desenvolvido do zero, para as novas plataformas, conseguiria trazer.

A iluminação dinâmica também é uma surpresa agradável, nos mostrando sombras em tempo real para vários elementos da tela, sejam eles os personagens ou alguns objetos do mapa. O game roda em 30 frames por segundo em todos os consoles, mas há a opção a 60 fps no PC, caso ele seja bom o suficiente.

Reparem na sombra de Billy ao fundo. Em diversos momentos, a proximidade ao foco de luz alterava o tamanho da sombra

Para completar esse magnífico retoque audiovisual, a empresa também deu uma boa atenção à sonoplastia. Os sons abafados e estéreos da versão original ganharam um verdadeiro tratamento surround, com muito mais detalhes e balanço na composição sonora.

Cometendo os erros do passado: CGs de baixa qualidade

Infelizmente, nem todas as preces foram ouvidas. Um dos pontos negativos da remasterização do ano passado não foi lapidado e continuou a incomodar os olhos: as cutscenes renderizadas, que se parecem com vídeos do YouTube em baixa resolução.

Reparem na diferença de objetos, texturas e iluminação entre as versões de Wii e PS4

Caro leitor, caso você seja mais novo, saiba o seguinte: as animações de computador nos jogos é o que tínhamos mais próximo de gráficos fotorrealistas. Em 2002, os “filminhos” de Resident Evil 0 eram o que tínhamos de melhor, mas hoje não é assim. Quando a ação muda entre tempo real e vídeos renderizados, há muita discrepância entre a qualidade de um e outro.

Mesmo que pouco, conteúdo novo sempre é bom

Se você acha que só de velharia vive a Capcom, está enganado. Bom, pelo menos em partes. Além da campanha convencional, há o Wesker Mode, no qual controlamos o icônico vilão da série, com superpoderes e tudo mais. Não é nada magnífico, mas certamente dá uma leve pitada de coisa nova.

Além disso, há diversas roupas especiais que podem ser trocadas em qualquer momento da jogatina, garantindo uma certa variedade de conteúdo para quem não quer ter a mesma experiência de 13 anos atrás.

Vale a pena?

Obviamente, Resident Evil 0 HD ainda é uma obra, mesmo que revitalizada, de 2002, e há muitas coisas que não se encaixam bem hoje, como a dublagem pastelona, as CGs datadas e a falta de expressão nos personagens. Contudo, certamente esse é o melhor trabalho da Capcom até hoje com jogos antigos.

O título demonstra que a fórmula antiga da série tem força suficiente para sobreviver na selva de shooters modernos e jogos de terror atuais, com seus puzzles inteligentes, mecânicas cooperativas e cenários extremamente bem-feitos. Isso só nos prova que tudo o que a obra de survival horror precisava era de uma pequena atenção aos gráficos e controles.

Diferente da remasterização do ano passado, a desenvolvedora acertou muito bem na mão, mostrando que não se trata de um simples port para HD, um novo caça-níquel ou um relançamento para atingir públicos de outras plataformas. Parabéns, Capcom! É assim que se faz um Remaster.

Todos esses elementos positivos combinados com um preço de banana (R$ 39 no PC e R$ 60 nos consoles) tornam este título obrigatório para qualquer fã. Se você quiser, pode optar pela edição em mídia física, chamada de Origins Collection, que chegará ao Brasil com o Resident Evil 0 HD e Resident Evil Remaster HD por R$ 129,90.

90 pc
Excelente
"Apesar das CGs datadas, Resident Evil 0 HD dá um show, mostra como é que se atualiza um clássico para tempos modernos e ainda cobra pouco por isso"

Pontos Positivos

  • Texturas, objetos 3D e cenas pré-renderizadas foram revitalizados com maestria
  • Novo sistema de controles dá um ar moderno ao título
  • Conteúdo adicional pequeno, mas bem-vindo
  • Excelente sistema de iluminação dinâmica
  • A sonoplastia foi restaurada com perfeição

Pontos Negativos

  • As CGs continuam com uma qualidade abaixo do esperado

Outras Plataformas

90 ps3
90 xbox-360
90 ps4
90 xbox-one