Uma aventura através das memórias de Chris Redfield

Bem-vindo de volta à época das portas que se abriam lentamente, dos puzzles quase tão constantes quanto inimigos mortos-vivos e das dezenas de documentos tão inúteis — pelo menos de um ponto de vista mais prático — quanto pitorescos. Em suma, bem-vindo novamente à época de ouro de Resident Evil. Pela bagatela de 400 MS points, Resident Evil 5: Lost in Nightmare vai transportá-lo em plena era Majini para o tempo em que zumbis eram destroçados em imensos casarões lúgubres.

É claro que a ideia do DLC (do inglês, conteúdo para download) não é simplesmente enxertar em Resident Evil 5 pedaços dos primeiros títulos. Longe disso. Afora o clima, a ideia aqui é dar corpo àquela lembrança recorrente do ex-S.T.A.R. Chris Redfield, na qual o herói se recorda com pesa do dia em que, segundo acredita, sua parceira de longa data Jill Valentine passou desta para melhor — sem direito a passar pelo estágio de “morta-viva”.

Como foi mesmo que a Jill supostamente morreu?Quem jogou RE 5 deve se lembrar: Chris e Jill enfim conseguem encontrar a mansão do cérebro por trás da Umbrella Corporation, Ozweel E. Spencer. Uma vez no topo da mansão, ambos encontram e combatem o “Neo-wannabe” Wesker. A cena acaba com Jill despencando da janela da mansão agarrada ao vilão. Bem, Lost in Nightmares se propões a contar como exatamente o capítulo se desenrolou, detalhando as lembranças nubladas de Chris.

Embora a duração de Lost in Nightmares seja bastante questionável, não se pode negar que a ideia de detalhar o momento da morte hipotética de Jill é realmente interessante. Sim, é verdade. Isso possivelmente vale mais para os fãs da série. Mas, complementando a experiência, é igualmente interessante revisitar um estilo de gráficos e jogabilidade há muito abandonado pela série. Portanto, jogadores com mais de 25 anos, controlem as lágrimas!

"Feeling” autenticamente Resident Evil

De volta às mansões lúgubres e aos ruidos 
sinistros...Se você começou a jogar a icônica série de mortos-vivos da Capcom à partir da reinvenção da franquia — cujo divisor de águas foi o controverso quarto título —, então provavelmente não vai entender exatamente o que nós queremos dizer aqui com “feeling” de Resident Evil. Entretanto, caso a sua história com Jill, Chris, Barry e Cia. vem de antes, então prepare-se para uma viagem no tempo.

Todo o estilo gráfico e a jogabilidade de Lost in Nightmares lembra os anos dourados de RE. As portas se abrem lentamente, e em primeira pessoa. Os cenários são solitários e cheios de ruídos suspeitos. Também os tradicionais puzzles da série voltam a assumir o papel que tinham inicialmente — embora a simplicidade de alguns desafios funcione quase como uma paródia aqui.

Para tornar a experiência toda ainda mais nostálgica, Lost in Nightmares ainda traz como bônus escondido a possibilidade de se escolher o clássico sistema fixo de câmeras — aquele no qual o cenário de fundo é sempre o mesmo, acrescentando um quê cinematográfico que não se tem mais nos jogos atuais.

Não poderia faltar o palco sombrio

No centro de tudo, como não poderia ser diferente, uma imensa e desolada mansão no meio do nada. É exatamente aqui que Chris e Jill encontraram o último reduto do cérebro por trás da Umbrella Corporation, Ozwell E. Spencer. A construção lembra muito as mansões de Arklay e Antártica, que aparecem, respectivamente, em Redsident Evil e Code: Veronica — inclusive pelas armadilhas letais que aparecem aqui e ali.

Para tornar a história um tanto mais envolvente, o jogo distribui em momentos chave partes do diário do último de uma linhagem de servos da família Spencer, Patrick. Entre outras coisas, o servo descreve como a saúde de Ozwell avança rumo à completa decrepitude, além de citar experiências sinistras as quais, por lealdade à família Spencer, acabou ajudando.

Um novo algoz

Tornando as coisas um pouco mais tenebrosas, aparece um novo e encarniçado inimigo. Trata-se de um zumbi gigantesco, portando um gancho igualmente gigantescos, e lotado de pústulas e bolhas sobre um dos ombros — existe até um globo ocular no meio disso tudo. E o melhor: a munição aqui é tremendamente escassa. Dessa forma, o negócio é você ser inventivo para não abar com o torso separado do restante do corpo.

Que tal jogar mais uma vez?É 
realmente muito... muito fácil acabar entalado nessa coisa!

Embora seja relativamente curto — conforme se verá mais adiante —, Lost in Nightmares certamente traz alguns motivos para que você resolva se aventurar pela viagem no tempo de Chris Redfield algumas vezes mais.

Além de algumas armas novas, o desafio na mansão pode ainda sempre mudar de cara, já que tanto inimigos como itens são dispostos aleatoriamente. Isso sem falar nos diversos níveis de dificuldade, é claro.

Além disso, após terminar o DLC pela primeira vez, Jill torna-se uma segunda personagem jogável. No mais, LiN ainda traz novamente o modo cooperativo (online ou offline) e uma nova versão do clássico modo Mercenaries. Basicamente, aqui ele se chama Mercenaries Reunion e adiciona dois novos personagens: Excella Gionne e Barry Burton.

Como assim? Já acabou?!?

Lost
 in Nightmares: um pouco mais durador que Sonata ao LuarÉ exatamente essa a pergunta que você se fará após um período de aproximadamente uma hora ou uma hora e meia. Isso da primeira vez em que jogar. Em uma segunda tentativa, é absolutamente possível que um fã de longa data da série — do tipo que joga DLCs por uma segunda vez — consiga atravessar Lost in Nightmares em aproximadamente 30 minutos. Quer dizer, mesmo com as possibilidades de “replay” mencionadas acima, é realmente muito pouco.

Mais indicado para fãs

Lost in Nightmares é realmente um bom conteúdo extra. Entretanto, trata-se do tipo de empreitada que, possivelmente, vai chamar mais a atenção dos fãs de carteirinha da série. Quer dizer, você, jogador comum, pensaria em voltar uma vez mais para RE 5 unicamente para atravessar uma memória de Chris Redfield? É claro, há casos e casos.

90 ps3
Excelente

Outras Plataformas

90 xbox-360