O último ataque dos zumbis

Para comemorar em grande estilo o aniversário de 15 de franquia Resident Evil, a Capcom preparou dois grandes relançamentos em alta definição. Os jogadores em geral receberam Resident Evil 4, analisado pelo TecMundo Games no início da semana, um dos melhores games já lançados na história. Por outro lado, os fãs da série receberam um presente especial: uma remasterização HD de Resident Evil CODE: Veronica X.

O game, lançado pela primeira vez em fevereiro de 2000, representa a última vez que os zumbis deram as caras em um game principal de Resident Evil. Seguindo os passos dos irmãos Claire Redfield, de RE2, e Chris Redfield, do primeiro jogo, os usuários são levados de uma ilha na América do Sul até o gelado continente Antártico em uma luta pela sobrevivência contra inimigos implacáveis.

Para os saudosistas, Resident Evil CODE: Veronica X HD é um prato cheio. Se você sente falta do antigo estilo da franquia e tem saudade dos mortos-vivos que fizeram o sucesso da série, a compra do título é altamente recomendada, pois todos estes aspectos são aliados a uma trama espetacular e gráficos em alta definição, que deixaram o já ótimo resultado original ainda melhor.

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O antigo game da Capcom, porém, não tem cacife para competir pela atenção das novas safras de jogadores. Os controles antigos são extremamente datados e podem não agradar aos jogadores acostumados com a jogabilidade fluída de jogos de tiro em primeira pessoa, por exemplo. O mesmo vale para os gráficos, que sofrem com o efeito dos anos. Se você não é fã e deseja conhecer Resident Evil, comece pelo quarto capítulo da série e baixe CODE: Veronica apenas se quiser sentir gosto de passado.

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O ápice da jogabilidade clássica

Apesar de Resident Evil CODE: Veronica ser, oficialmente, o quarto episódio da franquia, em 2000 ela já era considerada um sucesso e continuava arrebanhando uma legião de fãs. Após três episódios estudando controles e formas de se jogar, a Capcom havia chegado à fórmula que melhor funcionava para a franquia. É justamente com esse sistema que RECV conta.

Os controles incluem a base sólida e fluída firmada em Resident Evil 2 unida a algumas inovações vistas no terceiro jogo da série, como o giro rápido em 180 graus. A isso foram somadas algumas novidades, como a possibilidade de atirar com duas armas, uma em cada mão do personagem, e o roteiro menos linear, que dá ao usuário a possibilidade de completar os enigmas na ordem que desejar e escolher realizar ou não certas ações.

Para os jogadores da nova geração, porém, fica um alerta: os controles não são tão fluídos quanto os vistos em jogos de tiro em primeira pessoa. A progressão lenta dos personagens e a necessidade de parar para atirar não são um problema, e sim fatores que ampliam ainda mais a tensão do título. Tais aspectos, porém, podem decepcionar aqueles que vierem em busca do mesmo ritmo frenético de Resident Evil 4.

Ainda mais assustador

Quando foi lançado, Resident Evil CODE: Veronica representou o primeiro salto de geração para a série. Os gráficos, que já eram muito bonitos, ficaram ainda melhores em alta definição. O destaque vai para os cenários, sempre lotados de detalhes, que aparecem ainda mais imponentes e interessantes. A repaginada também veio acompanhada de sutis efeitos sonoros que contribuíram muito para a imersão, como o som de insetos ou dos incêndios que varrem a Ilha Rockfort.

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A remasterização de Resident Evil CODE: Veronica, porém, não se limitou apenas a retrabalhar texturas de personagens e cenários. De forma a aproveitar melhor os diversos recursos da própria jogabilidade e ambientação, a Capcom aplicou um novo sistema de iluminação, que deu um visual muito mais realista e sombrio ao título.

A novidade se mostra impressionante nos diversos momentos em que Claire deve usar um isqueiro, na primeira metade do jogo, e em uma das salas iniciais do título, na qual um lustre está balançando. A luz incide de forma extremamente verossímil sobre os ambientes e a sombra é gerada perfeitamente. Com isso, Resident Evil CODE: Veronica ficou ainda mais escuro e com uma aura que lembra um filme de terror.

O inimigo agora é outro

O roteiro é um dos pontos fortes de todos os jogos clássicos da série Resident Evil. Em CODE: Veronica esse aspecto também chegou a seu auge, justamente com os controles. O primeiro título a se passar fora dos limites da cidade de Raccoon City conseguiu não apenas dar um sopro de ar fresco na cronologia como também possui o que pode ser considerada uma das melhores tramas de toda a saga.

Img_normalEm Resident Evil CODE: Veronica, pela primeira vez, o perigo não vem apenas dos monstros e abominações criadas pelos vírus da Umbrella. Chris e Claire enfrentam inimigos bem humanos, mais especificamente, os irmãos Alfred e Alexia Ashford. Corrompidos pela loucura, a dupla é tão letal quanto as criaturas e, devido à grande inspiração da cultura pop e filmes como “Psicose”, são ameaças assustadoramente reconhecíveis.

O título também marcou o retorno de Albert Wesker, personagem que, a partir daqui, se tornou o maior vilão de toda a série. Após fingir a própria morte ao final dos eventos do primeiro Resident Evil, o inimigo retorna para confrontar Chris mais uma vez e dar início a seus planos de dominação mundial, que culminariam nos eventos do quinto título da saga.

Sem enganar a idade

Ao contrário de Resident Evil 4, que em alta definição é concorrente sério para muitos jogos desta geração, CODE: Veronica não esconde a sua idade. Mesmo com os novos efeitos de iluminação e os visuais repaginados, é impossível não ter a sensação de que se está jogando um game antigo.

Os gráficos de dez anos atrás, unidos às texturas em alta definição de hoje, criaram um game lotado de arestas quadradas e personagens com “juntas” bem gritantes. Um pouco de tratamento não faria mal e deixaria o resultado mais harmonioso.

Cara, cadê o HD?

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O mesmo erro gritante da remasterização de Resident Evil 4 está presente em CODE: Veronica. Apesar dos menus e textos na tela também terem sido recriados para a alta definição, as cutscenes não foram. E por serem mais antigas que os do quarto título da franquia, aparecem serrilhadas e embaçads, em baixa resolução. A impressão é de estar assistindo a um vídeo baixado da internet e não à abertura de um jogo em HD.

As inexplicáveis quedas no frame rate

Img_normalResident Evil CODE: Veronica também apresenta um erro grave (e inexplicável) na contagem de quadros por segundo. Apesar de rodar normalmente durante a maior parte do tempo, basta o jogador explodir um barril explosivo ou chegar a uma sala na qual existem muitos elementos se movimentando ao mesmo tempo para observar uma queda brusca no frame rate.

Tal falha só pode ser explicada por problemas na programação do game para as novas plataformas, uma vez que Resident Evil CODE: Veronica não chega nem perto do potencial máximo do PlayStation 3 ou Xbox 360. Tais reduções no FPS também não existem no PS2 ou Dreamcast, primeiro console a receber o título.

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Ótimo

Outras Plataformas

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