O pesadelo é bem pior do que você imagina [vídeo]

Videoanálise

Resident Evil: Operation Raccoon City foi lançado sob imensa expectativa. Afinal, a Capcom delegou o desenvolvimento do jogo para a Slant Six Games, encarregando-se apenas da produção e da revisão de aspectos como enredo e coerência com o resto da série.

Como resultado, a pouco conhecida empresa entregou um jogo focado totalmente na ação, mas que revisita cenários de quando o título era o carro-chefe do survival horror. O que poderia ser um agregador de fãs (ao agradar aos veteranos e conquistar novatos) acabou, entretanto, em uma das maiores decepções da franquia.

Se você enxergar Resident Evil: Operation Raccoon City sem a visão nostálgica de um fã da franquia, tudo o que resta é um jogo de tiro bastante limitado, irregular e cheio de falhas que poderiam ser facilmente evitadas.

Mas nem tudo é um desastre: os efeitos sonoros e o modo online deixam tudo mais interessante, porém isso não apaga as falhas do jogo, que continuam ali mesmo que você consiga tirar um pouco de diversão do game.

Ainda assim, ficam os méritos para a Capcom, que teve coragem de entregar uma franquia tão adorada a uma empresa diferente e permitiu a troca de gênero e um ponto de vista. É uma pena que o resultado, entretanto, tenha saído tanto da linha dos últimos jogos da série. Talvez em uma próxima oportunidade, com outra fórmula e um pouco mais de tempo de produção, isso até possa funcionar.

A boa e velha Raccoon City

No jogo, você controla soldados da USS, o serviço de segurança da Umbrella, que precisa apagar os vestígios da empresa na cidade. Apesar de serem personagens inéditos, eles caminham por cenários bem conhecidos, como as ruas de Raccoon City, o hospital local, a delegacia e laboratórios escondidos. Personagens já consagrados, como Leon, Nicholai, Hunk, Ada e os zumbis também estão lá, para delírio dos fãs de longa data.

E não são apenas detalhes óbvios: os mais fanáticos por Resident Evil vão descobrir detalhes minuciosos, easter eggs divertidos colocados especialmente para quem jogou todos os títulos da série. Além disso, vale a pena conhecer grandes acontecimentos da cronologia oficial a partir de um ponto de vista diferente daquele que envolve os protagonistas convencionais.

Nunca sozinho

Desde o início da divulgação do game, o modo multiplayer era o grande foco das peças de publicidade. No fim das contas, era o certo: jogar ao lado de personagens controlados por humanos é uma experiência muito maior em Operation Raccoon City.

A melhor parte é que são vários modos disponíveis. Você pode jogar a campanha online ou optar por mini games, como o “Heroes Mode”, que traz personagens clássicos da série, ou várias formas de disputa entre a USS e a Spec Ops (o exército do governo norte-americano, os personagens “do bem”). Com fone de ouvido e microfone, conversando e interagindo com seus parceiros, tudo fica ainda mais divertido.

Sucesso nas paradas

A trilha sonora sempre faz parte da franquia, aumentando ainda mais o clima de mistério dos jogos. Aqui, como o foco está mais na ação, espere batidas pesadas e de ritmo acelerado, mas de igual qualidade.

Momentos de suspense e em cenários escuros recebem melodias mais tensas, contribuindo até para construir um leve clima de terror em meio ao caos de Raccoon City. Os efeitos sonoros também vão na mesma linha: granadas, tiros e até o gemido dos zumbis são de alta qualidade, reproduzindo com realismo como seria uma guerra urbana nas ruas de uma cidade infestada por mortos-vivos.

Alguém viu um bug perdido por aí?

São duas as hipóteses aqui: ou a Capcom pressionou a Slant Six para um lançamento rápido (afinal, o sexto título da franquia pode sair no final do ano), ou a desenvolvedora quis mostrar seviço e entregou o produto o mais depressa possível. Isso porque a impressão que fica é que o jogo foi feito às pressas – e só isso explica tantos erros cometidos.

O motor de jogo, que é o mesmo utilizado na série SOCOM, mostra-se uma escolha infeliz para abrigar um título grande como Resident Evil. A mira não é muito precisa e os movimentos do personagem são travados e lentos. Mesmo quem está acostumado com jogos do gênero de tiro em terceira pessoa vai estranhar a jogabilidade.

O botão de ação (“A” no 360 e “X” no PS3) é bastante usado pegar itens no chão ou reviver companheiros abatidos, mas foi mal-implementado. Várias vezes, você vai realizar a ação errada em uma situação, como pegar munição sem querer em vez de reanimar um colega, por exemplo.

Abrir portas nem sempre é possível quando você se aproxima de uma, sendo necessário recuar e encostar novamente no objeto – e esses segundos podem ser fatais contra uma horda de mortos-vivos.

Vários bugs também são percebidos, como paredes invisíveis nos cenários e um sistema de colisão bastante irregular (perceba como o movimento de se agachar em uma proteção nem sempre funciona). Mesmo que você não ligue tanto para esse tipo de defeito técnico, durante a jogatina você provavelmente será prejudicado por uma dessas falhas.

Que burro, dá zero para ele!

Parece irônico se referir ao movimento de inimigos e aliados como “inteligência artificial”. Se você se irritava facilmente com as besteiras feitas por personagens como Ashley e Sheva, de Resident Evil 4 e Resident Evil 5, prepare-se.

Aqui, outro desleixo da engine da Slant Six: seus colegas de equipe se limitam a andar ao seu lado, atirar para frente e curá-lo, sendo quase inofensivos em combate e até atrapalhando a movimentação ao entrar na sua frente de vez em quando. Na hora de atirar, você faz praticamente todo o trabalho.

Já os inimigos ganharam uma configuração melhor, mas também não escapam das críticas. Alguns soldados da Spec Ops passam correndo por você sem atirar, enquanto outros ficam encarando seu personagem até serem mortos ou só então começarem a atacar.

Apagaram a luz

Os cenários de Resident Evil: Operation Raccoon City ganham pela nostalgia, mas têm um pequeno problema: como é que alguém consegue enxergar alguma coisa naqueles locais? Tudo bem que a falta de iluminação é para dar um clima de mistério e esconder perigos, como os mortos-vivos, mas isso prejudica demais a contemplação dos detalhes e dos cenários, além da jogatina em si.

Em alguns corredores simples, você parece estar em um labirinto simplesmente por não conseguir enxergar onde está a porta de saída – e, muitas vezes, é preciso apelar ao minimapa, localizado no canto superior direito da tela, só para saber por onde caminhar.

O que aconteceu mesmo?

Outra ausência está no enredo do jogo: quem nunca experimentou qualquer outro da série vai se sentir perdido na história, já que algumas missões começam depois de apenas algumas linhas de contextualização. Desse modo, o veterano acaba aproveitando muito mais o game do que alguém que está começando a conhecer Resident Evil. Além disso, os personagens novos podem ter estilo, mas estão longe de agradar como os protagonistas mais clássicos da franquia.

55 ps3
Fraco

Outras Plataformas

55 xbox-360