Um extra que deveria ter permanecido assim

Resident Evil: The Mercenaries 3D, lançado em junho pela Capcom, marca a primeira vez que um game da franquia de terror aparece com efeitos tridimensionais. A ideia, aqui, é preparar os jogadores para a chegada de RE: Revelations e mostrar como a série irá funcionar no novo portátil da Nintendo.

Para fazer isso, a Capcom decidiu seguir por uma via confortável: transformar o famoso extra Mercenaries, presente em capítulos anteriores da franquia, em um game independente. No modo, vence aquele que obter mais pontos durante um curto período de tempo, enquanto ataca e se defende de inimigos vindos de todos os lados. Na opinião da desenvolvedora, essa é a fórmula perfeita para um console portátil. Na prática, não é assim tão brilhante.

Img_normal

Resident Evil: The Mercenaries 3D não é um game ruim, mas não chega nem perto da qualidade exibida pelas versões do modo para consoles. Com muitos problemas gráficos e pouca inovação, é um jogo que, após ser completado pela primeira vez, gera pouco estímulo para ser jogado novamente.

As novidades encontradas nesta edição não são suficientes para retirar o sabor de produto requentado do game e, após terminar todas as fases, resta muito pouco para incentivar o jogador a ligar o console novamente.

Sem cansar os olhos

Img_normal

Uma das maiores críticas com relação aos jogos tridimensionais se relaciona ao cansaço visual dos jogadores. Em Resident Evil: The Mercenaries 3D, tal problema não existe. O título apresenta um dos melhores usos da tecnologia que já surgiram no console da Nintendo.

O lançamento de uma granada pode ser mirado perfeitamente, já que é possível ter uma noção exata da distância entre o personagem e os inimigos. Quando se utiliza o sistema de mira em primeira pessoa, o visual fica ainda mais bonito. Ponto para a Capcom, que soube utilizar muito bem as perspectivas sem forçar os olhos dos usuários.

Os gráficos também são muito bonitos e estão entre os melhores disponíveis no console da Nintendo. Apesar de não chegar aos pés de seus “irmãos maiores”, o visual de Resident Evil: The Mercenaries 3D é bastante fiel ao que é visto nos consoles e leva o potencial do 3DS ao seu limite extremo.

Ação sem limites

Basicamente, Resident Evil: The Mercenaries 3D é tudo aquilo a que os veteranos das versões console já estão acostumados. O game apresenta uma jogabilidade rápida, na qual cada segundo é importante, e uma ação desenfreada, onde a habilidade do usuário é importantíssima. O resultado é um game extremamente dinâmico e que, nos níveis mais avançados, simplesmente não admite erros.

Com a opção de jogar sozinho ou acompanhado de um amigo — por meio da internet ou de uma conexão Wi-Fi local —, o game apresenta personagens e armas vistas em Resident Evil 5, além de combinações de equipamentos e habilidades que se encaixam a diversos perfis de jogador. Cabe a cada um testar todas as opções e encontrar a que melhor se adéqua ao próprio estilo de jogo.

O título também reserva surpresas para aqueles que se acham experts no modo extra da franquia. Nos cenários, bônus e itens espalhados estão em posições bem diferentes das originais. Os personagens também sofreram alterações de balanceamento. Assim, um protagonista todo poderoso da versão anterior pode não ser o personagem destruidor do game para 3DS.

Uma prévia do que está por vir

Img_normalThe Mercenaries 3D conta ainda com uma versão demo de Resident Evil: Revelations. Apesar de curta, a pequena amostra serve para exibir aos jogadores o que a Capcom está preparando para o futuro, em seu primeiro game desenvolvido totalmente para o portátil.

A demo apresenta gráficos melhores que os de Mercenaries e um uso mais apurado dos efeitos 3D. No pequeno trecho disponível, Jill caminha pelos escuros corredores de um navio, sendo atacada por criaturas inéditas na franquia. O resultado é de encher os olhos e deixar qualquer fã babando para o que está por vir.

Cheiro de antiguidade

Img_normalAs novidades adicionadas a Resident Evil: The Mercenaries 3D fazem pouco para retirar a sensação de que o game é um mero produto requentado. A Capcom não se preocupou em criar novos cenários e situações, limitando-se apenas a repetir exaustivamente a fórmula já consagrada nos jogos para console. Sem algo de realmente novo, é difícil justificar não apenas a compra do game, como também sua própria existência.

Quase uma propaganda enganosa

Resident Evil: The Mercenaries 3D sofre com problemas constantes de queda na taxa de quadros por segundo, mesmo com os efeitos tridimensionais desligados. Tal problema é perceptível principalmente durante a utilização do rifle de franco-atirador para atingir inimigos à distância. Nesses momentos, quase sempre é possível observar monstros que somem de um local e se materializam em outro.

Tal problema também é evidente quando a tela se enche de inimigos, e mostra que a Capcom pode até mesmo ter ultrapassado o potencial de processamento do Nintendo 3DS. Isso, provavelmente, é um fruto da conversão visual diretamente do PlayStation 3, feita de forma não otimizada para o portátil.

Problemas de câmera

Em um jogo que privilegia a precisão e os disparos rápidos, problemas de câmera não podem ocorrer de forma alguma. Em Resident Evil: The Mercenaries 3D, o personagem é observado de cima sempre que está encostado em uma parede. Sendo assim, não é possível enxergar a mira a laser e ver para onde se está atirando. O efeito direto disso é a perda de combos e muita energia perdida enquanto se dispara contra o nada.

Novidade inútil

Img_normal

Uma das grandes críticas relacionadas ao sistema de controles da série Resident Evil é a impossibilidade de andar e atirar ao mesmo tempo. De forma a trazer ainda mais agilidade ao game, a Capcom decidiu permitir, pela primeira vez, que os personagens de Resident Evil: The Mercenaries 3D executem as duas ações simultaneamente. O resultado, porém, fica longe do esperado.

Devido às restrições do controle do 3DS, que não conta com duas alavancas analógicas, andar enquanto atira é tão restritivo quanto estar preso ao chão durante os disparos. Como o mesmo direcional é utilizado para mirar e caminhar, não é possível controlar a direção dos tiros enquanto o personagem está em movimento. A novidade, então, acaba inútil em grande parte das partidas.

55 3ds
Fraco