Análise de Resident Evil: The Umbrella Chronicles

Descubra os segredos da Umbrella Corporation.

Em 1996 Resident Evil, fez sua estréia no saudoso PlayStation 1. O sucesso do título assegurou a produção de duas seqüências, Resident Evil 2 em 1998 e Resident Evil 3: Nemesis em 1999, ambas para o PlayStation 1 e Dreamcast.

Mais tarde uma adaptação (port) de Resident Evil 2 foi lançada para o Nintendo 64. Além disso, uma série de outros ports foi desenvolvido para o Windows, permitindo assim que o usuários de PC também pudessem experimentar os horrores da série produzida pela Capcom.

O quarto título da série, Resident Evil Code: Veronica foi desenvolvido exclusivamente para Dreamcast, lançado em 2000. Mais tarde o jogo foi re-lançado com o nome de Code: Veronica Complete, trazendo pequenas modificações, sendo na sua maior parte alterações na história e nas animações.

Além da série principal e dos ports desenvolvidos para diferentes consoles, a franquia também experimentou algumas variações na sua jogabilidade, sendo as mais notáveis as da série Gun Survival. Na trilogia de jogos compatíveis com o periférico GunCon (um controle em forma de pistola) o jogo apresentava perspectiva em primeira pessoa e um estilo de jogo similar ao de House of the Dead.

Agora a franquia Resident Evil, volta a flertar como gênero a muito estagnado no mundo dos games. Resident Evil: The Umbrella Chronicles reconta os principais eventos da franquia través de diferentes perspectivas, oferecendo ao jogador a oportunidade de conhecer a fundo a verdadeira história por trás da Umbrella Corporation.


Resumo da ópera

Primeiramente deve-se destaque este jogo é voltado quase que exclusivamente aos fãs mais ardorosos da série. Fato comprovado pela escolha do narrador do jogo, Albert Wesker — o vilão favorito de todos. The Umbrella Chronicles começa do começo; mostrando eventos do primeiro jogo da cronologia relacionada à mega-corporação Umbrella, Resident Evil Zero.
Wesker, vulgo
Nesta missão você acompanha Rebecca Chambers, membro do grupo S.T.A.R.S, e o ex-fuzileiro naval Billy Coen conforme a dupla confronta-se com co-fundador da empresa e ex-cientista renascido através de experimentos com lesmas, James Marcus. Como uma missão bônus você também poderá ver as ações de Albert Wesker enquanto ele liderava o time Alpha do grupo S.T.A.R.S para tentar fugir da mesma instalação na qual Rebeca e Billy enfrentam James Marcus.

A segunda missão acompanha os eventos de Resident Evil, mostrando Chris Redfield e Jill Valentine (juntos e não separados como no título original) e seu confronto na mansão da Umbrella contra o Tyrant. Esta fase oferece dois sub-capítulos, o primeiro acompanha Rebeca Chambers e suas ações entre os eventos de Resident Evil Zero e Resident Evil. Já o segundo mostra a ressurreição de Wesker.

O próximo cenário mostra Raccoon City durante os eventos de Resident Evil 3: Nemesis. Valentine retorna e é emparceirada com o mercenário Carlos Oliveira, conforme os dois tentam sobreviver à infestação do T-Virus. Os capítulos extras deste cenário detalham os papéis de Ada Wong e HUNK durante os eventos principais do jogo.

Para finalizar o jogador acompanha uma trama inédita na série, que retrata como Redfield e Valentine infiltraram-se no ultimo reduto da Umbrella Corporation, na Rússia, e finalmente expuseram a empresa para as agências governamentais. No mesmo cenário você confere o embate final de Wesker com seu arqui-rival, Sergei Vladimir.

Resident Evil Dead

Resident Evil: The Umbrella Chronicles acompanha de forma extremamente acelerada as narrativas de Resident Evil 0, 1 e 3 (algo como uma versão “suecada” dos jogos), em um esquema tradicionalmente explorado por rails shooter (como House of the Dead), nos quais a movimentação é controlada pela máquina enquanto o jogador deve se concentrar apenas em dizimar as hordas de inimigos presentes na tela.


De certa forma o jogo funciona como um compêndio do universo Resident Evil, proporcionando ao jogador a chance de mergulhar de cabeça na mitologia da série, além de poder conhecer alguns pontos mais obscuros da trama.

Além de poder trocar de armas, utilizar facas, coletar ervas e itens, colecionar arquivos (cm informações dos personagens e da mitologia Resident Evil) e até mesmo destruir o cenário, você poderá acumular pontos conforme o seu desempenho nas missões.
Os pontos acumulados podem ser convertidos em prêmios, como por exemplo: melhorias para suas armas favoritas. Estas todas são boas adições a um gênero estagnado há muito tempo. Infelizmente, mesmo com todas estas funcionalidades o jogo ainda não consegue entregar uma experiência realmente envolvente e inovadora.

Pressionar constantemente o gatilho (botão B) pode se tornar enfadonho após alguns segundos de tiroteio, mesmo com utilizando-se do Wii Zapper. Os inimigos não reagem de forma coerente aos tiros, principalmente quando alvejados nas pernas ou no peito.

Existem sim alguns momentos de entretenimento, demolir o cenário é um dos pontos altos do jogo, bem como as batalhas contra os chefes de cada estágio (sendo alguns bem desafiadores) e metralhar exércitos de zumbis pode ser incrivelmente divertido. Mas estes momentos são breves e muito espaçados, sendo que na maior parte do tempo o jogo se resume a um
a pressionar frenético e descerebrado do gatilho.Calma totó!

Pode-se argumentar que o Umbrella Chronicles é um título voltado para os fãs mais ardorosos da aclamada franquia da Capcom. Mas isto não justifica a presença de tantos problemas e de fato piora a imagem geral do título, já que os momentos de glória do passado da série revisitados no jogo não são tão envolventes assim.

E se já não bastasse tudo isso, a maioria das informações presentes nos arquivos, a ausência de Resident Evil 2 e Code Veronica deixam de foram uma parte integral da linha de história envolvendo a Umbrella.

Tropa de elite


O modo cooperativo coloca dois jogadores dividindo a mesma tela em uma das melhores funções do jogo. Apesar de repetitivo as opções competitivas e/ou cooperativas do multiplayer adicionam um tão necessário tempero a jogabilidade.

Detonar zumbis e outros monstros ao longo dos vários níveis presentes em Resident Evil: Umbrella Chronicles com um amigo (e comparando as estatísticas individuais dos usuários) confere um valor maior ao jogo.

Entretanto, nem tudo é tão belo assim. Todas as missões extras (que compõem grande parte do jogo) são exclusivamente singleplayer. Outro problema é a confusão gerada por dois cursores presentes na tela, bem como a frustração de ver um dos jogadores coletando todos os itens e armas presentes na tela enquanto o outro fica sem nada.

Passou longe

A primeira vista The Umbrella Chronicles é, na falta de palavras melhores, simples. Os gráficos não impressionam apesar da presença de alguns belos vídeos e alguns cenários (pré-renderizados), entretanto em nenhum momento chegam perto do brilhantismo de Resident Evil 4, também para o Nintendo Wii.


Resident Evil 4 trouxe para o console da Nintendo um mundo de horror, enquanto Umbrella Chronicles não apresenta nenhuma coesão. Cada nível apresenta visuais diferentes: ruas, trens, uma mansão e laboratórios subterrâneos e esta não é uma variação agradável, mas uma justaposição atrapalhada de estilos.


Os modelos dos inimigos são pouco inspirados. Jogadores de Resident Evil 0 certamente vão recordar do monstro de lesmas. Apesar do retorno da criatura em Umbrella Chronicles, em nenhum momento consegue imprimir o mesmo efeito grotesco de sua aparição original.

Gráficos são o calcanhar de Aquiles do Nintendo Wii, entretanto a própria franquia Resident Evil já mostrou que o console é capas de entregar efeitos visuais de qualidade, algo que Umbrella Chronicles não consegue fazer em nenhum momento.
Arhhhhh!

Em compensação o áudio não é tão ruim. As tradicionais músicas sinistras misturadas com momentos de silêncio e grunhidos de zumbis — que desde a origem da franquia ajudam a criar o clima de suspense e terror que permeiam todos os jogos da série — tem presença garantida.

O ponto negativo fica por conta dos efeitos sonoros, em especial os relacionados aos tiros das armas — particularmente o da escopeta, algo que beira o ridículo. Entretanto, o uso inteligente da caixa de som do Wii Remote, compensa muito dos problemas.

Apesar dos pesares

Com todas as ressalvas possíveis, Resident Evil: Umbrella Chronicles não é um jogo ruim e mesmo com todos seus defeitos ainda pode render boas horas de diversão, mas o gênero atingiu seu ápice no século passado, parecendo ultrapassado e sem a profundidade inerente aos jogos da série Resident Evil.

O esforço da equipe de desenvolvimento é evidente, a quantidade de informações sobre os outros títulos da série e a própria duração do jogo (relativamente longo para o gênero), além da oportunidade de jogar com o emblemático Wesker, certamente é um atrativo e tanto para os fãs da franquia.

E se Resident Evil 4: Wii Edition mostrou que a jogabilidade tradicional de Resident Evil pode trabalhar em conjunto com as singularidades do console da Nintendo é uma pena que The Umbrella Chronicles não se aproveite desta dinâmica de jogo envolvente que conquistou tantos fãs.
59 wii
Fraco