Russos liberam um vírus que causa mutações e apenas um homem desafia um exército de anomalias.

Resistance Fall of Man (RFM) é o primeiro lançamento de grande porte para Playstation 3, obtendo uma repercussão imediata bastante positiva, seja na imprensa especializada, seja em número de vendas. Trata-se de um jogo de tiro em primeira pessoa que inova pela inclusão de jogabilidades e ambientações distintas de títulos similares, aproveitando o potencial da plataforma da Sony para introduzir um cenário bastante interativo, com bons gráficos e física excelente. Contando com a experiência da Insomniac Games, famosa por Ratchet & Clank, RFM é um jogo de tiro com armas inusitadas e um esquema de jogo bastante fluente.

Um futuro alternativo onde o holocausto inexistiu

Ao contrário do que a primeira impressão e o tratamento estético aplicado sugere, Fall of Man não é ambientado na Segunda Guerra Mundial, muito pelo contrário, esta guerra nunca existiu neste universo paralelo.

Tendo como premissa a inexistência da Grande Guerra, o século XX sofreu uma outra catástrofe. Um vírus surgido na Rússia infesta toda a população asiática e posteriormente a européia, causando sintomas que deformam e transformam as pessoas em monstrengos dotados de armamento pesado e alta tecnologia. Diante disso, a equipe tática altamente especializada Rangers é enviada, para, aliada aos britânicos, tentar destruir e resolver esta epidemia que ameaça a vida humana. As esperanças acabam se concentrando no enigmático Sargento Nathan Hale, um combatente imune ao vírus.

É possível perceber rapidamente que o enredo não foge nem um pouco do chavão “um homem contra uma legião de monstros deformados vindos do desconhecido”. Apesar disso ter sido interessante e até mesmo inovador na época de Doom e Quake, hoje em dia os desenvolvedores poderiam colocar um pouco mais a cabeça para funcionar em vez de se contentarem em perpetuar os clichês. Mesmo assim, o uso de inimigos com inteligência artificial e comportamento semelhante a Halo, a mistura um tanto inusitada e anacrônica do visual das construções, vestimentas e até de algumas armas da Segunda Guerra (lembrando Call of Duty), causam uma boa impressão do jogo como um todo, compensando parcialmente a falta de inovação.

A jogabilidade, como é de costume, não apresenta a mesma sensibilidade de um bom e velho mouse e teclado, entretanto não é necessário muito tempo para se acostumar com os movimentos do novo controle do PS3, o Sixaxis. Dentre as possibilidades oferecidas pelo novo sensor de movimento estão: livrar-se de monstros que lembram zumbis (que agarram e drenam rapidamente a energia), apagar o fogo causado por um lança-chamas e atirar freneticamente, tudo através do chacoalhar do controle.

Ver alguém chacoalhando desesperadamente um controle para se livrar de um agarrão não deixa de ser algo bastante inusitado, que acrescenta mais um elemento dinâmico. Com tudo isso, apesar de haver muitas funções e amplo proveito dos botões do joystick, não demorará muito tempo para o jogador assimilar os controles, principalmente para aqueles acostumados com jogos de tiro em primeira pessoa em consoles.

Inimigos programados feito robôs

Algo que logo chama a atenção é o comportamento previsível e estático dos inimigos. Apesar deles se esconderem, agruparem-se e atacarem de maneira ordenada, não há qualquer variabilidade de movimentos. Todos os movimentos são “escriptados”, ou melhor dizendo, estritamente programados . Depois de morrer e ter que enfrentar os mesmos caminhos já percorridos, o jogador pode esperar os inimigos no mesmo lugar, exatamente com a mesma conduta.

A despeito de serem poucos os jogos que consigam escapar disso, os aclamados 7 processadores multifuncionais do PS3 não deveriam estar atuando justamente neste aspecto? Apesar de haver um certo elemento tático no jogo, que exige do jogador a procura de paredes e obstáculos para evitar tiros e posteriormente caminhos para se flanquear, o resultado final muitas vezes acaba sempre desembocando na troca desenfreada de tiros.

Uma dica neste ponto é aproveitar ao máximo os vários tipos de granadas para ultrapassar os tiros incessantes do adversário. Dentre elas, encontram-se as já conhecidas granadas de fragmentação, além de minas inteligentes, ativadas com a aproximação dos inimigos. A importância deste armamento remete facilmente a Halo, mostrando mais uma característica em comum entre os títulos.

A arma de fogo com disparo mais lento já visto

O desenvolvimento das armas é uma das atrações de Resistance Fall of Man. A primeira delas, disponível no começo do jogo, é apenas uma carabina de disparos lentos com a capacidade de atirar potentes granadas como função secundária. A segunda arma encontrada já é um grande avanço, uma vez que faz parte do arsenal dos mutantes, chamada Bullseye. Seus tiros são ainda mais lentos do que a da carabina, porém são bastante eficazes e dispersivos, tornando-a útil contra grandes grupos.
É interessante notar que várias das armas possuem pouca precisão, pulverizando tiros que nem sempre acertam o alvo. Certamente isso foi proposital, já que o uso dos manches do joystick não permitem muita precisão. Uma das armas mais fortes espalha os tiros em fagulhas mortais que ricocheteiam nas paredes, lembrando bastante a Flak Cannon de Unreal Tournament.

A estrutura do modo campanha é rigorosamente linear e, sendo assim, o jogador sempre saberá o caminho a ser percorrido. Não existem puzzles complicados ou caminhos alternativos. Isso dá uma fluência maior ao jogo, porém acaba tornando a experiência repetitiva, às vezes até mesmo maçante. A presença de veículos, tanques e jipes com metralhadora embutidas não chega a causar muita emoção, já que os inimigos aumentam inexplicavelmente de número e sucumbem com a mesma rapidez que apareceram. O tempo de direção é pouco e limitado aos caminhos impostos.
A presença de infantarias de apoio também é freqüente, contudo a inteligência artificial parece não se aplicar com tanta eficiência neste caso, tornando os soldados quase dispensáveis em várias situações. Enfim, o jogador pode esperar cerca de 12 horas de tiros sem complicação, entre muitas cutscenes narrando o comportamento ambíguo e misterioso de seu personagem.

Quanto ao modo multiplayer, é importante ressaltar que, apesar do não lançamento do console no Brasil e da falta de títulos para ele, com Resistance Fall of Man, a Sony e a Insomniac Games fizeram um bom trabalho ao implementar um sistema deathmatch com rankings, vários mapas com abundância de armas, lembrando bastante shooters rápidos como Quake e Unreal Tournament. Existe um modo que analisa suas conquistas no jogo e procura salas com jogadores do mesmo nível, evitando assim confrontos com adversários mais ou menos habilidosos.

Não houve lag ou qualquer travamento durante a análise, faot admirável pelos servidores localizaram-se nos EUA. Segundo notícias, o jogo foi feito para rodar permanentemente em 30 fps, mesmo nos momentos com muitos elementos e inimigos na tela. Felizmente a promessa foi levada à risca, tanto no modo de um quanto de vários jogadores. Entretanto, houve a necessidade de se fazer um demorado processo de registro online, além de uma rápida atualização do jogo.

Expectativas e potencial gráfico

Resistance possui bons gráficos mas não correspondeu às expectativas geradas pelo potencial divulgado pela Sony. Texturas carentes de detalhes e exagero de efeitos de pós-processamento foram inseridos para disfarçar essa relativa pobreza, além de sombras inexistentes ou artificiais; tudo isso colabora para deixar o jogo muito inferior a Gears of War, por exemplo.

As críticas podem soar um tanto severas, entretanto é fato que o game está longe de alcançar um resultado satisfatório digno de um título de última geração. A impressão final, por outro lado, é agradável devido ao bom desenho dos mapas, das ruas e construções. A física do jogo é ótima. Os objetos destruídos pelos veículos voam em inúmeros pedaços de maneira bastante natural pelo cenário. Os poucos objetos — como garrafas, cadeiras e outras quinquilharias espalhadas — estão suscetíveis às leis da física convincentemente.

O ricochete de um tiro pode ser uma sinfonia magistral

Os efeitos sonoros estão bastante impactantes, ainda que às vezes tudo soe de maneira exagerada, por exemplo, nos momentos onde os passos dos inimigos em cima de um assoalho são escutados a metros de distância. Os tiros que atingem as proximidades do jogador realmente causam bastante desconforto, fazendo-o procurar um abrigo rapidamente. Os grunhidos e narrações dos personagens estão bastante satisfatórios. A distribuição espacial nas caixas também está bem feita, contribuindo bastante para o jogador localizar os inimigos, ainda que estes não estejam na tela. A trilha sonora é discreta e, para novamente dar um certo ar de Segunda Guerra, envolve ritmos militares e sons orquestrados épicos.

Por hora, é possível considerá-lo uma boa pedida

Apesar de não ser um jogo inovador e estar aquém dos títulos do mesmo gênero para outras plataformas, podemos considerar este jogo uma boa compra para os recém-compradores do Playstation 3.
Afinal, a experiência comprova que os primeiros lançamentos para novos consoles nunca exploram completamente o potencial do sistema. Ainda há muito o que ser desenvolvido, porém para os impacientes e incondicionais fãs de jogos de tiro em primeira pessoa, Resistance Fall of Man já rende boas horas de diversão, já não existem outras opções na área para o PS3.
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