Um legítimo RPG japonês embelezado com estruturas bem elaboradas

A expressão "cenários pós-apocalípticos" não faz referência apenas a termos como "destruição" e "desolação". Muitas vezes, o assunto é justamente a reconstrução, a retomada do caminho perdido. E a torre de Basel é um dos melhores exemplos disso. É o fim das árvores e das flores e o despertar de estruturas maquinais e seres bizarros.

Originalmente conhecido no território nipônico como End of Eternity (quer um título mais pós-apocalíptico que esse?), Resonance of Fate foi desenvolvido pelo pessoal da Tri-Ace e é um RPG e tanto. Pois é, são os mesmos desenvolvedores de Star Ocean e Infinite Undiscovery. Aqui, Masaki Norimoto caprichou para criar uma atmosfera peculiar, cativante.

E este game é realmente um JRPG — RPG japonês — que tem o estilo artístico como pilar principal. Engrenagens diversas e hexágonos irrompem na tela enquanto o jogador incorpora o trio formado por Vashyron (o líder), Zephyr e Leanne (em japonês, Reanbell) durante várias missões na monumental torre de Basel. Não, Babel não: Basel. Toda a torre, de uma perspectiva mais ampla, conta com um estilo "desbotado", significando pobreza e a extinção da natureza.

A premissa do jogo é seguir a linha principal da trama e, paralelamente, cumprir objetivos para a entidade conhecida como Guild e para vários personagens durante a exploração do arranha-céu. Coletando peças denominadas Energy Hexes (cada uma contendo hexágonos dispostos de formas variadas) e aplicando-as nos diferentes patamares da torre, o jogador tem a possibilidade de revelar novas áreas, descobrir pequenos tesouros com itens e explorar "dungeons" — instâncias — com chefes.

Portanto, cabe ao gamer criar trajetos através da sábia utilização de Hexes para que os locais desejados sejam liberados. Vale lembrar que há peças diferenciadas e certos territórios coloridos só podem ser desbloqueados com o uso de Hexes da mesma cor. Como obter os hexágonos? Simples: através dos combates contra os inimigos encontrados pelo caminho.

Características diversificadas

Resonance of Fate é bem amplo. Conversar com a maior quantidade de pessoas possível e memorizar as informações sobre os diferentes aspectos do game são duas ações essenciais para o sucesso. Sem prestar atenção aos princípios básicos do jogo, os aventureiros podem facilmente se perder e encontrar problemas durante a resolução de desafios mais exigentes.

É interessante ressaltar que, a cada vez que o trio adquire 100 Hunter Points, o jogador recebe um presente especial da Guild, sendo que há nove no total. Outro aspecto curioso é que o ciclo de alternância entre dia e noite influencia na experiência, pois é capaz de modificar o comportamento dos protagonistas e as condições dos inimigos enfrentados.

Enquanto o jogador perambula por um local específico na torre de Basel, existe a possibilidade de mudar de personagem com apenas um clique de um botão. E cada um dos três combatentes pode ser fisicamente modificado através da personalização das vestes.

A personalização se estende também para as armas através de um "grid" exibido na tela, mostrando a arma e os locais nos quais o jogador consegue acoplar os acessórios adquiridos ou comprados com Rubies, a moeda principal de Basel. É claro que o vendedor precisa de materiais para criar armamentos e itens diversos. Os recursos também são coletados através da eliminação de inimigos.

Em locais especiais ou mesmo em territórios menos expressivos do mapa poligonal, o gamer se depara com conjuntos variados de oponentes. O combate consiste em um dos principais destaques do título distribuído pela SEGA e conta com uma mecânica admirável: ataques, armas, utilização de itens extras, combos... Tudo confeitado com animações que chamam a atenção dos fãs de RPG.

Definitivamente vale a pena. Por mais que os consoles não sejam tão bem explorados no que diz respeito à aplicação de recursos gráficos convincentes, Resonance of Fate é visualmente único. A arte e o sistema de combate são motivos fortes o suficiente para que o gamer assuma o risco de adquirir um RPG que herda características de vários outros RPGs de estilo nipônico, mas conta com aspectos únicos.

Na realidade, este título mostra que a fórmula tradicional de criação de jogos deste gênero por desenvolvedores nipônicos não pode ser criticada de maneira generalizada. Quando a aplicação dessa fórmula é misturada com um contexto chamativo e um sistema de combate complexo e, ainda assim, acessível, o resultado é algo muito interessante.

Arte sensacional

É muito difícil conquistar jogadores (ainda mais apreciadores de um gênero extremamente baseado em história e interação) apenas com um edifício como cenário principal. Mas a torre de Basel é muito atraente, bem como os seus habitantes e estruturas internas. Mais uma vez, as engrenagens mostram que a humanidade está tentando se salvar das desgraças da superfície.

O estilo dos desenhos, dos diferentes seres e dos ambientes realça a criatividade dos desenvolvedores na contextualização dos fatos. É uma pena que os recursos gráficos não estejam à altura do trabalho artístico, pois a base dos visuais é simplesmente fantástica.

Sonoramente agradável

"Cinematográfica" é um bom adjetivo para a trilha sonora do jogo. Na maior parte das ocasiões, as músicas de Resonance of Fate enaltecem a atmosfera contagiante dos cenários com acordes agradáveis, nem um pouco agressivos. Ainda assim, há momentos de tensão nos quais faixas mais pesadas são executadas, lembrando bastante o gênero rock. Em suma, é gostoso ouvir as trilhas deste game.

Os diálogos são sólidos e tanto as falas em japonês quanto em inglês são satisfatórias. Os personagens transpassam um clima descontraído, por mais que o contexto do jogo seja sério. Cada um dos integrantes do trio apresenta uma personalidade distinta, e isso não seria possível sem um bom trabalho de vozes.

Trucidando os oponentes

Vamos às batalhas. Trata-se de um sistema que mistura comandos por turnos com ações em tempo real. E esse sistema é ótimo, mesmo complexo. Dominar os controles demanda tempo? Com certeza, mas, uma vez que o jogador comece a criar estratégias eficientes de combate, os resultados são excelentes. Animações que lembram a série de filmes Matrix provam que o trio principal de personagens não está para brincadeiras.

Eis uma pequena lista de investidas especiais que diferem este título dos demais: Smackdown (fuzilar um oponente no ar, por cima), Bonus Shot (por baixo, erguer um inimigo a tiros e ter a possibilidade de ganhar disparos extras), Leader Assault (acabar com um grupo de adversários simplesmente pela eliminação do líder inimigo), Tri-Attack (os personagens controlados pelo jogador se junta em uma formação triangular para executar um ataque fenomenal).

Completo e bem estruturado

O game é desafiador, mas conta com um tutorial prático mais que satisfatório. É essencial que o gamer siga os passos e leia atentamente as instruções e as aplicações dos comandos para obter sucesso nos embates. De qualquer maneira, há um manual que pode ser acessado a qualquer momento. Este título também conta com suporte a "install" — transportar dados para o console para reduzir o tempo de carregamento — e alternância entre vozes em inglês ou em japonês.

Longo, este jogo tem muito a oferecer aos amantes de RPG. Missões variadas (quadro da Guild), inimigos variados (confira o Bestiary e fique embasbacado), estratégias de combate variadas... É necessária uma grande quantidade de horas para que o gamer consiga explorar a torre com profundidade. A curiosidade do jogador pode facilmente migrar para os sistemas de nivelamento e personalização de armas.

Dificuldades a quase todo o momento

O nível de desafio de Resonance of Fate é elevado até mesmo para experientes no gênero. Só que é um tanto frustrante encontrar dificuldades em momentos nos quais o nível de desafio não deveria ser elevado, supostamente. É enervante ter que consultar as instruções (quase) toda hora para saber o que fazer, inclusive na aplicação de Energy Hexes.

Quem gosta de se deixar levar pela intuição demora ainda mais para compreender o funcionamento dos combates. Contra grandes chefes, o jogador tem que saber como aplicar os diferentes ataques, combos e itens sem tomar quantidades assustadoras de dano. E isso não é possível se os comandos básicos não estão assimilados.

Um soco de realidade visual

Sim, os visuais têm defeitos, ainda mais se comparados com os clipes de abertura, por exemplo. Perante a apresentação polida de diferentes personagens e ambientes em vídeos diversos, o jogador fica maravilhado, mas logo se frustra com a exibição dos mesmos protagonistas e cenários dentro de jogo. Infelizmente, surgem defeitos em várias áreas gráficas.

Há diferenças entre as edições para PlayStation 3 e Xbox 360, mas ambas as versões apresentam falhas. A exibição de bordas serrilhadas gritantes nos cabelos dos protagonistas durante as cenas de corte ("cutscenes") são apenas o começo. Sombras e texturas pouco convincentes não combinam com o excelente design de cenários e objetos.

80 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

80 xbox-360