Fim do mundo ou fundo do poço?

Com tantos comentários sobre o fim do mundo, que estaria marcado para o dia 21 de dezembro de 2012, é bem estranho que nenhum game tenha se aproveitado do tema. Para mudar essa situação, o estúdio independente Dark Artz Entertainment criou Revelations 2012, título exclusivo para PC que coloca o destino da Terra na mão de quatro escolhidos.

A batalha pelo futuro da Terra envolve divindades antigas e um artefato especial, que dispara raios e é capaz de absorver novos poderes. A missão dos personagens é derrotar quatro deuses maias para poder acertar as contas com o pai deles, libertado de uma dimensão paralela após o alinhamento dos planetas no dia 21 de dezembro.

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De forma extremamente pessoal, afirmo que este é o pior game que já joguei na vida, superando até mesmo grandes pérolas da ruindade como Superman 64, Daikatana ou Shaq Fu. Vendido por US$ 9,99 (cerca de R$ 20) no serviço digital Steam, Revelations 2012 não valeria a pena nem se fosse de graça. Aqui, não existem problemas a serem resolvidos ou um grande potencial desperdiçado. Só há uma grande desesperança de que este mundo não tem mesmo salvação.

Muitos lugares para passear

Apesar de contar com objetivos bem lineares, Revelations 2012 tem cenários vastos, cheios de construções como cabanas e monumentos. Sendo assim, há muito espaço para fugir durante os ataques inimigos e diversas formas diferentes de chegar aos mesmos lugares.

Na verdade, a vastidão dos cenários só está sendo elogiada porque o sistema do BJ não permite que uma análise seja inserida sem nenhum texto no campo de “Aprovado”. Os cenários bem espaçosos estão lá, mas apenas para fazer com que o jogador perca tempo andando sem rumo.

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Uma cópia descarada

Revelations 2012 pode ser considerado uma cópia muito piorada de Left 4 Dead. A mecânica é exatamente a mesma, contando com quatro personagens, jogabilidade cooperativa e grupos de inimigos que atacam de todas as direções. Até mesmo os monstros se comportam de maneira idêntica à vista no jogo da Valve.

Se não soubéssemos que este é um game independente, confundiríamos facilmente Revelations 2012 com um mod muito mal feito. O único elemento realmente inédito deste título é o artefato mágico que serve como arma. Ainda assim, os poderes acumulados por ele são muito semelhantes aos efeitos de escopetas, explosivos ou metralhadoras.

O sistema de direcionamento durante as fases também foi copiado de forma extremamente porca. Como em Left 4 Dead, silhuetas de itens indicam o caminho a seguir até os objetivos, bem como os objetos que podem ser coletados pelo cenário. A diferença é que não é possível vê-los à distância, obrigando o jogador a caminhar erraticamente pelos grandes cenários até que seja possível identificar o caminho a seguir.

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A ação frenética de Left 4 Dead também se perdeu pelo caminho e, em Revelations 2012, são raros os momentos em que a tela é completamente tomada de inimigos. Mesmo ao final das missões, quando grandes grupos deles atacam ao mesmo tempo, é muito difícil ficar encurralado ou se sentir realmente ameaçado.

As armadilhas espalhadas pelos cenários merecem destaque. Elas são, ao mesmo tempo, ameaças mortais e os elementos mais frustrantes de toda a experiência com o game. Um único acerto basta para levar seu personagem ao chão. O problema é que elas continuam ferindo mesmo quando estão paradas ou desabilitadas, muitas vezes impedindo que seus companheiros cheguem até você para recuperar sua energia. Nesse caso, resta apenas esperar a morte inevitável e o reinício da fase.

Bonito, mas só no ano 2000

Se fosse lançado há 12 anos , Revelations 2012 teria gráficos de primeira, em níveis parecidos com os de grandes FPSs como Quake III Arena e Unreal Tournament. A desenvolvedora poderia se aproveitar até mesmo do tema apocalíptico e basear o título no fim do mundo que estava marcado para o ano 2000.

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Texturas chapadas e repetitivas estão presentes por todas as fases e o game conta com poucos elementos visuais, que são repetidos à exaustão. Dá para contar nos dedos o número de vasos, construções e inimigos diferentes em cada uma das fases. Os cenários apresentam problemas constantes de popin e é possível vê-los sendo formados o tempo todo, perante os olhos do jogador.

Os personagens são um horror à parte e não apresentam nenhum tipo de cuidado visual. Aqui, efeitos de iluminação praticamente não existem, assim como movimentos realistas ou emoções. Repare na tatuagem localizada na região lombar de uma das personagens femininas e morra de vergonha.

Um massacre para os ouvidos

Assim que executa o game, o jogador é brindado com o que pode ser a narração mais monótona que já ouviu na vida. A falta de vontade de viver de quem conta a história inicial  se reflete na atuação de personagens e NPCs, que falam como se não estivessem realmente a fim de salvar o mundo, agindo apenas por obrigação.

A única fagulha de emoção é demonstrada quando os personagens coletam itens. Ainda assim, da maneira errada. Ao encontrarem objetos espalhados pelos cenários, os protagonistas de Revelations 2012 agem de forma bem esquisita, emitindo gemidos e entoando frases que tentam ser sensuais, mas acabam soando completamente deslocadas. Pois é, não faz sentido algum.

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O título também conta com uma série de efeitos fora de lugar. O som de coleta de alguns itens, por exemplo, se parece muito com o do ataque de um inimigo. Ainda, o áudio em geral é extremamente baixo e, mesmo com o volume no máximo, quem realmente está interessado no desenvolvimento da trama terá dificuldades em ouvir o que está sendo dito.

Para completar a receita desse bolo de gosto absurdamente ruim, o título não apresenta trilha sonora. A ideia da desenvolvedora, provavelmente, é evidenciar os momentos de ataques dos inimigos. No caso de Revelations 2012, são a péssima escolha de sons e a dublagem nada agradável que acabam ficando em destaque.

Forever alone

Para um jogo que tem grande parte de sua jogabilidade baseada em um modo cooperativo, os servidores de Revelations 2012 andam bem desertos. Testamos as partidas online em diferentes horários e, em todas as tentativas, apenas o BJ estava conectado. É como se o mundo tivesse acabado de verdade. Ou então, a humanidade ainda tem um pouco de bom senso ao não se submeter a essa atrocidade.

18 pc
Lixo