Bancando o pirata com duelos e palavrões

Embora o game da Piranha Bytes seja a continuação do primeiro título, não é obrigatório tê-lo jogado para aproveitar Risen 2: Dark Waters. O personagem principal continua o mesmo “herói sem nome”, marca registrada dos jogos da desenvolvedora, e a história se passa anos depois da sua aventura para salvar Faranga do ataque dos titãs. Porém, agora ele faz parte da Inquisição e se tornou um “bebum” de primeira categoria para se esquecer do passado.

O jogo começa com você em Caldera, num forte à beira-mar, cercado por montanhas em chamas. Um navio aparece no horizonte, mas basta você usar uma luneta para vê-lo ser afundado por um Kraken. A única sobrevivente do naufrágio é a filha do infame capitão Steelbeard, Patty – sim, ela ainda não encontrou o pai desde o primeiro game.

Comandante Carlos, sabendo do passado do herói, conta um rumor sobre Steelbeard estar em posse da uma arma mágica capaz de derrotar a líder dos titãs, Mara – a qual controla o Kraken e dois bandos de piratas. Com isso, ele expulsa seu personagem da Inquisição com uma última missão: encontrar essa arma e usá-la para salvar a humanidade... De novo. Simples, não?

Analisar Risen 2: Dark Waters é uma tarefa inglória, pois o jogo apresenta pontos negativos e positivos que se anulam: considerando apenas os gráficos, bugs e o que deveria ser melhor, o game é ruim; vendo o que ele tem de bom, como história, jogabilidade e a exploração dos mapas, o jogo é simplesmente fascinante.

Certamente, se você espera encontrar algo parecido com Skyrim em todos os sentidos, talvez você não goste de Risen 2: Dark Waters. Contudo, o game tem um charme próprio e promete agradar principalmente aos fãs dos trabalhos da Piranha Bytes, bem como aqueles que gostam de desafios de verdade – afinal, uma marca da desenvolvedora é que seus jogos são realmente bons apenas no modo mais difícil.

Se você deseja jogar Risen 2: Dark Waters no console, no entanto, será preciso esperar mais alguns meses: as versões para Xbox 360 e PS3 têm lançamento previsto para o dia 3 de agosto.

Uma lição de humildade

Se você acha que vai pegar seu sabre e sair duelando com todo mundo, você até pode fazer isso, mas não espere vencer facilmente – pelo menos não durante os primeiros níveis. Em Risen 2: Dark Waters, você leva um tapa na cara quando coloca o jogo na maior dificuldade, simplesmente porque o sistema de combate requer bastante habilidade do gamer. Contudo, é exatamente isso que dá emoção aos combates: errar significa sua vida.

A jogabilidade geral do game é ótima, principalmente pelo fato de os comandos serem fluídos e responderem bem às necessidades do jogador. Durante um duelo, manter o botão de defesa pressionado é essencial, todavia, deixar para apertá-lo no último instante é uma tática possível. Ou seja, a precisão dos comandos é de milissegundos – embora também dependa dos seus reflexos.

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Beba até cair, seu sacripanta!

Risen 2: Dark Waters conta com mini games desafiadores e muito peculiares, que prometem agradar ao jogador. Quer um exemplo? Basta chegar à primeira taverna de piratas que você é desafiado a uma competição para ver quem bebe mais rum. Seu maior desafio não chega nem a ser beber em si, mas sim manter a mão firme: a tela fica embaçada e mover o mouse rápido demais faz você derrubar as garrafas.

Os diálogos no game prometem agradar aos fãs de piratas, pois não apenas a dublagem apresenta atores muito bons, como também o linguajar usado pelos personagens é recheado de palavrões dos mais variados. Além disso, às vezes você tem algumas opções diferenciadas de interação, permitindo que você use sua lábia para convencer um NPC a fornecer informações – porém, você sempre pode usar a força ou o poder do dinheiro.

Um pirata também pode se vestir bem

Os equipamentos de Risen 2: Dark Waters influenciam diretamente nas habilidades e nos atributos do jogador – dependendo do estilo de roupas escolhido, você pode se tornar mais persuasivo (seja pela lábia ou pela intimidação). Para ficar mais forte, no entanto, você precisa acumular Pontos de Glória (adquiridos ao derrotar monstros e ao completar missões) e encontrar um treinador disposto a ensinar alguns truques novos – em troca de dinheiro.

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É bonito, mas falta algo

Quando você olha os cenários de longe, até pode achar o visual de Risen 2: Dark Waters muito bacana. Porém, ao vê-los de perto você se decepciona: as texturas não são realistas, os NPCs parecem não fazer parte dos cenários e as sombras às vezes não existem ou não ficam paradas como deveriam. O movimento de boca dos personagens, embora esteja de acordo com as frases, é apresentado de maneira muita feia, pois não parece natural.

Mas não se engane, quando comparado com os títulos da série Gothic (até o terceiro, pois o último não foi feito pela Piranha Bytes), Risen 2: Dark Waters é o melhor jogo em termos gráficos. Contudo, se você for compará-lo com Skyrim, por exemplo, logo você percebe que o game poderia ter passado mais tempo em desenvolvimento. Além da questão visual, ele poderia ter mais detalhes de realismo, como NPCs perdendo o equilíbrio quando você tromba neles.

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Vudu é pra jacu

A frase dos trolls de World of Warcraft não poderia ser mais real em Risen 2: Dark Waters: o sistema de mágicas do game trocou a magia elemental pelo vudu, o qual não causa nenhum dano, mas é capaz de controlar a mente dos oponentes e fazê-los atacarem uns aos outros. É prático, mas está longe do que os jogadores preferem e estão acostumados. Considerando sua ineficiência nas lutas, essa substituição dos tipos de magia foi uma grande regressão.

Mundo pequeno

A Piranha Bytes já mostrou sua maestria no que diz respeito à criação de mundo enormes e ricamente detalhados na série Gothic. Porém, com a ideia de tornar seus jogos menos hardcore, a desenvolvedora tornou os mapas de Risen 2: Dark Waters extremamente pequenos e fáceis de explorar, o que se faz sentir ainda mais devido sistema Fast Travel, que permite viajar instantaneamente para locais já visitados.

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