Diversão rolante

O mito grego de Sísifo conta a história do filho do rei Éolo, conhecido como o mestre dos truques e um dos mortais que mais desafiou a ira dos deuses. Após a morte, porém, ele não teve escapatória e foi condenado a empurar uma pedra ladeira acima para toda a eternidade.

Um pequeno demônio, querendo pregar suas próprias peças em Sísifo, cutucava-o no traseiro sempre que ele estava próximo de chegar ao fim de seu martírio. Sendo assim, a pedra que ele era obrigado a carregar voltava ao início do caminho e ele deveria percorrer todo o percurso novamente.

Como paciência tem limites, Sísifo decidiu que não só deixaria de empurrar a pedra como a usaria para acabar com a raça de todo e qualquer poderoso que passasse pela Terra. É assim que começa Rock of Ages, game que é definido pela desenvolvedora ACE Team como um “tower offensive”. Aqui, o objetivo não é apenas proteger seu próprio território como também destruir o do adversário.

Img_normalA partir de um conceito batido, a desenvolvedora ACE Team criou um dos jogos mais divertidos disponíveis na Xbox LIVE. As piadas com figuras históricas, aliadas à jogabilidade objetiva e às diversas opções de ação, transformam Rock of Ages em uma experiência única, capaz de prender o jogador por horas e horas à frente do console.

Acima de tudo, o título é a prova definitiva de que uma ideia simples é capaz de funcionar perfeitamente. Deixe seus preconceitos (e a preferência apenas pelas grandes franquias) de lado e experimente Rock of Ages. Com certeza, você não vai se arrepender.

Menos violento, mas igualmente efetivo

Sísifo é mais um exemplar de rebelado contra os deuses no mundo dos games. Só que, em vez de agir como Kratos e dilacerar todo mundo com lâminas, o protagonista de Rock of Ages prefere usar um pedregulho gigante que ultrapassa as defesas do inimigo e o esmaga, literalmente. O método é tão efetivo quanto o usado pelo Bom de Guerra, só que bem mais elegante.

Img_normalO game tem dois objetivos. O primeiro deles é percorrer todo o percurso até o castelo ocupado pelo inimigo, desviando das armadilhas das defesas colocadas pelo oponente ao longo do caminho. O segundo é proteger seu próprio território, utilizando armas como catapultas, ventiladores, explosivos ou vacas que atacam a pedra alheia. Vence aquele que conseguir esmagar o rival primeiro.

Essa temática, apesar de óbvia, traz algo de completamente nova à fórmula dos tower defenses e torna Rock of Ages um jogo extremamente desafiador. É preciso saber a hora certa de atacar e dosar com perfeição as armadilhas espalhadas pelas arenas, de forma a impedir o avanço do inimigo. Com a grande quantidade de fases e armas diferentes, Rock of Ages acaba se tornando um jogo bem viciante.

Um olhar diferente sobre os clássicos

A mesma liberdade tomada pelos criadores com o mito de Sísifo também está presente na representação de figuras históricas. Ao longo do game, o jogador enfrentará grandes personagens do passado como Maria Antonieta, Leônidas, Hades, Platão e Aristóteles (os dois últimos em forma zumbificada), cada um em sua própria época.

O jogo também brinca com a história e faz piadinhas com ícones do passado. Um dos principais exemplos aparece durante uma batalha contra a estátua de Davi, que pode ser vista ao lado e é um dos chefes de fase. Adivinhem qual é o ponto fraco do inimigo?

O game conta também com referências históricas ou da cultura pop. Na fase que se passa em Esparta, por exemplo, Leônidas reproduz o clássico bordão do filme “300”. Já Leonardo Da Vinci aparece como O Arquiteto no que pode ser considerado um remake das cenas finais de “Matrix Revolutions”.

Esmagando a repetição

Quem lê a premissa básica de Rock of Ages pode pensar que o jogo acaba se tornando repetitivo com o tempo, uma vez que tudo o que se faz é atacar e posicionar defesas para retardar o inimigo. A equipe do ACE Team também pensou nisso e fez questão de adicionar variedade aos cenários, de forma que uma rodada nunca seja igual à anterior.

Assim como os inimigos enfrentados variam de acordo com o período histórico em que Sísifo está, os desafios também são modificados de acordo com a era. O game exige que o jogador saiba usar as defesas certas no momento adequado, de forma a não gastar o dinheiro duramente obtido durante as partidas em itens inúteis. Para saber fazer isso, só jogando muito.

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No modo multiplayer, esses fatores são potencializados ainda mais. Ao contrário da inteligência artificial, seres humanos são erráticos e possuem vários estilos diferentes de jogabilidade. Além disso, são capazes de mudar de estratégia durante as partidas. Isso faz com que os combates online sejam ainda mais divertidos que as partidas desconectadas.

Nem tudo pode ser perfeito

A premissa interessante e a jogabilidade inovadora de Rock of Ages, porém, sofrem com problemas nos controles. O mapeamento de joystick escolhido pela ACE Team faz com que toda a movimentação seja feita com a alavanca analógica. Enquanto essa opção torna o controle da bola de pedra bastante intuitivo, pode dificultar significativamente a construção de defesas.

Posicionar o cursor no local correto em meio a um cenário vasto e lotado de quadrantes pode se tornar uma tarefa bem difícil. Além disso, causa uma perda de tempo que pode prejudicar o jogador e representar, muitas vezes, a criação de uma brecha que pode ser aproveitada pelo inimigo.

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Ótimo