Rock Revolution desafina em um show cheio de problemas.

A música e os games sempre caminharam de mãos dadas. Desde os primórdios dos consoles, diversos jogos contavam com trilhas sonoras marcantes — mesmo que extremamente precárias —, que seriam relembradas por décadas. Um belo exemplo disto é o clássico Mario Bros., lançado para Nintendo 8-bits, game com músicas que ainda permanecem na cabeça de praticamente todos os jogadores.

Mas a música só se tornou o centro das atenções com a criação dos jogos do gênero “musical”. Surgidos na década de 90, estes games envolvem desafios em que o jogador interage com a música através de quebra-cabeças rítmicos. No Brasil, assim como em boa parte do mundo, a febre das “máquinas de dança” tomou os fliperamas e conquistou diversos jovens e adultos. Contudo, após alguns longos anos, o gênero foi esmaecendo-se e acabou sendo esquecido.

Músicos virutais já existem há algum tempo. Felizmente, tudo a música continuou firme e forte nos videogames, graças a um famoso jogo: Guitar Hero. Lançado em 2005, exclusivamente para PlayStation 2, o game da RedOctane — uma subsidiária da Activision — simplesmente apresentou uma nova maneira de se divertir. Utilizando um joystick que imitava uma guitarra, jogadores tinham de apertar os botões instruídos na tela no momento exato, algo semelhante ao que ocorria nas máquinas de dança.

O mundo é das guitarras de plástico

Com uma fórmula simples e totalmente cativante, Guitar Hero se tornou sinônimo de diversão. Juntar a galera, selecionar sua música favorita e encarnar, mesmo que apenas por alguns instantes, um rockstar louvado pelo público virtual. Além disso, o jogo também apresentava modos para multiplayer, permitindo que até dois jogadores competissem ou lutassem juntos para se destacarem nos holofotes dos palcos de Guitar Hero.

Luz, câmera e som na caixa.

As faixas variavam desde músicas dos anos 1960 até músicas lançadas no mesmo ano (2005), sendo algumas originais e outras em versões cover. A série renderia mais duas continuações, Guitar Hero II e Guitar Hero III: Legends of Rock, ambas mantendo a estrutura básica, com a exceção de pequenas alterações, que seriam lançadas para a maioria das plataformas atuantes.

O trono do gênero musical era, indiscutivelmente, de Guitar Hero. Mas a Electronic Arts também decidiu participar do show com seu ambicioso projeto. Intitulado Rock Band, o game da EA chegava às prateleiras com alguns elementos que o jogo da Activision não tinha — e que demoraria a ter. Um periférico que simulava uma bateria e um microfone era a grande sacada de Rock Band.

Ambos tinham uma fórmula similar, mas Rock Band tinha uma bateria e um microfone. Era essa a grande diferença que tornou o jogo da EA um concorrente de peso para Guitar Hero. Mas a Activision decidiu lutar para voltar a fazer shows como banda principal com o lançamento de Guitar Hero: World Tour, game com tudo, e mais um pouco, que Rock Band tinha a oferecer.

Sem dúvidas, estes dois jogos se tornaram sinônimo de qualidade no gênero musical. Elaborados cautelosamente e apresentando diversas novidades que mantêm suas franquias vivas, Rock Band e Guitar Hero aparentam serem as únicas bandas boas que os jogadores podem participar. Será no mínimo surpreendente encontrar uma franquia capaz de apresentar uma proposta melhor do que estes jogos.

A Konami começa seu show
Adiante seus ingressos.

Entretanto, não é assim que a Konami pensa. A famosa distribuidora conta com um arsenal de jogos de qualidade, apresentando obras-primas como a série Metal Gear Solid, Pro Evolution Soccer e muito mais. A empresa também possui alguns títulos marcantes no gênero musical, alguns deles extremamente famosos no Japão. Dance Dance Revolution e Karaoke Revolution são apenas alguns exemplos dos ritmos apresentados pela empresa.

Talvez seja por sua tradição que a Konami resolveu embarcar no mundo das guitarras de plástico. A aposta da empresa é Rock Revolution, um jogo que, conforme indica o nome, promete revolucionar o gênero. Bem, a promessa já parece ter ido por água abaixo com a apresentação (fiasco) do jogo na Electronic Entertainment Expo (E3) 2008, no qual a própria representante do título falhou na execução de uma das músicas do game.

O título, que é desenvolvido pela Zoe Mode, criadora de Disney Sing IT! e SingStar Rocks!, também está sob a marca BEMANI da Konami. A BEMANI representa quase todos os jogos musicais da empresa, e muitos deles são de extrema qualidade. À primeira vista, Rock Revolution parece ter tudo para ser um sucesso, inclusive um periférico que simula uma bateria. Mas será que o título dará um espetáculo na atual geração, ou ficará lembrado somente por seu fiasco na E3?

Primeiramente, deixaremos bem claro que, assim como praticamente todos os jogadores, comparamos Rock Revolution com o que as duas maiores franquias do gênero têm a oferecer. Afinal, por que você compraria RR (Rock Revolution) se os outros games contam com um pacote muito mais completo e divertido?

Poucas músicas e pouca diversão

Infelizmente não existem muitos motivos para se jogar o título da Konami. O game apresenta diversos bugs, tem uma apresentação pífia, não é nada inovador e deixa a desejar em diversos outros aspectos. Um dos fatos que merece ser destacado é o baixíssimo número de músicas.
Realmente falta músicas nesse jogo.
Ao contrário de seus rivais, que possuem, em média, 80 faixas para serem tocadas, Rock Revolution conta com apenas 30 músicas. Como se não bastasse, todas elas são versões covers das originais, o que torna a experiência ainda mais frustrante. Você encontrará algumas faixas excelentes e inéditas no gênero, como “Cum on Feel the Noize” por Quiet Riot, mas as versões covers estragam todo o clima do jogo. Muitas delas ainda são executadas de maneira pobre, por bandas aparentemente amadoras.

Além disso, você não poderá soltar a voz para substituir o terrível vocalista das faixas de Rock Revolution. Isso porque o game não conta com suporte para vocal, impedindo o jogador de desfrutar de uma opção presente em jogos como GH: World Tour e Rock Band.

Basicamente, você pode optar por duas versões caso deseje comprar o game. Em uma delas você encontra apenas o jogo, enquanto a outra vem com um kit de bateria e uma cópia do pseudo Rock Band. Sim, nada de microfones ou guitarras, o máximo que a Konami lhe oferece é um jogo ruim com uma bateria ruim, a guitarra fica por sua conta — e isso não é nada mal, pois não queremos imaginar como seria o periférico nas mãos da Konami.

Pegando emprestado do vizinho

Se você tem uma guitarra de plástico de qualquer um dos gigantes do gênero musical você poderá usá-la como instrumento em Rock Revolution. Caso deseje, também é possível — e recomendado — jogar utilizando as baterias de Rock Band ou GH: World Tour. Qualquer um dos periféricos dos concorrentes do game da Konami é de qualidade, algo que encoraja o jogador a pegar somente a versão avulsa do game.

Mas, se você insiste em querer gastar seu dinheiro com a bateria de Rock Revolution, tudo bem. Nós seremos seus amigos e vamos avisar que isto não é um bom negócio. Bem, a caixa plástica colorida da Konami conta com sete pads que simulam os elementos de uma bateria. Sim, são sete. Quatro deles conta com a convencional fórmula circular, enquanto outros dois, em formato de triângulos, representam os pratos. O pedal para o bumbo continua no lugar em que deveria. Esteticamente, a bateria é a pior de todas. Tecnicamente, a bateria é a pior de todas. E isso é só o começo.

Em jogo, ela também não facilita seu show. Quando você iniciar uma música na batera, uma linha representando os sete pads aparecerá na tela. Até aí tudo bem, pois sete pads podem representar um desafio maior do que os outros jogos do gênero. Ponto para a Konami? Não. O grande problema são as instruções na tela.

Confusão na tela

Apresentação um pouco confusa.

Em Rock Band você pode diferenciar facilmente o bumbo dos demais elementos devido à sua representação distinta. Em Rock Revolution, a instrução que indica quando você deve pisar no pedal fica junto com as demais, o que confunde o jogador. Em nossa análise, trocamos as bolas diversas vezes, acertando os tons ao invés do pedal.

Como se não bastasse, os triângulos também oferecem confusão. Não, eles não são representados em sua forma nata na tela. Misteriosamente, ao iniciar uma canção, você verá a representação de seus pratos como círculos na tela. A única coisa a se fazer é prestar a atenção nas cores, e isso não é nada fácil, pois conforme dito anteriormente são sete, e acertar seu alvo. É difícil lembrar que você está jogando para se divertir em momentos como este.

Você pode estar sempre atento aos mínimos detalhes, mas Rock Revolution ainda consegue estragar sua apresentação. Os pads não oferecem uma boa resposta e são posicionados de forma estranha na caixa plástica colorida, vulga bateria. O som emitido pelas batidas aplicadas no periférico é tão agradável quanto bater em baldes de plástico.

Mesmo sem levar em consideração os problemas do kit de bateria, Rock Revolution continua sendo uma experiência tediosa. A fórmula do jogo é similar aos demais, mas com um grande, e terrível, diferencial. Quando o jogador inicia uma música em Rock Band, as notas parecem surgir do fundo da tela, o que permite ao jogador visualizar as instruções posteriores.

Retrocesso no gênero

Pode até entediar as vezes.
Em Rock Revolution, a interface é bidimensional. Você verá as notas surgindo de cima para baixo, o que dificulta a vida dos pseudo-guitarristas. Fora isso, muitas das notas na tela não correspondem as presentes nas músicas, prejudicando a performance dos jogadores. Muitas vezes, a experiência vai por água abaixo e você nem sabe onde errou.

Fora isso, o game conta com gráficos que não contam com muitos detalhes. Os membros de sua equipe até apresentam-se de maneira convincente, graças a suas animações, mas o público é extremamente robótico e não há personalização. Todos na platéia são iguais e executam os mesmo movimentos. Bem, não é dessa vez que você quase fez um show para pessoas de verdade.

Sua carreira também não será ápice de Rock Revolution. O modo principal oferece alguns diferenciais em relação aos demais jogos, mas nada muito atraente. Ao embarcar em sua jornada rumo ao estrelato, você terá de completar alguns objetivos, como evitar as notas “envenenadas”, atingir um determinado número de pontos e outros. Nada de duelos com o diabo, aqui você enfrenta apenas objetivos bobos. Você não pode nem sequer compartilhar o modo carreira com seu amigo, pois não há modalidades cooperativas.

O fiasco da música

Entretanto, o jogo oferece modos para multiplayer, mas estes são simples e não se comparam aos apresentados em Rock Band e Guitar Hero. Só existem duas opções, Versus e Co-op Play, que permitem jogar com mais três instrumentos. Como não existem guitarras oficiais de Rock Revolution, sua única opção são os outros instrumentos para desfrutar do modo multiplayer.

Talvez um dos recursos menos frustrantes do game seja o estúdio de composições. Com ele, é possível gravar algumas de suas composições próprias. O sistema funciona bem, mas é meio difícil dominar completamente a maneira de como colocar as notas no jogo. Mesmo assim, caso esteja interessado, é algo que pode render alguns momentos divertidos. Infelizmente as músicas gravadas aqui não podem ser tocadas em jogo.

Sem muitas novidades.
Rock Revolution é um show desafinado. Assim como sua apresentação na E3 de 2008, o jogo deixa o público rindo de sua performance. Diversos defeitos, tanto nos periféricos quanto no próprio game, farão com que o jogador tenha certeza de que não deve trocar os bons (Guitar Hero e Rock Band) pelo duvidoso. O título não faz jus ao conteúdo: um retrocesso no gênero.
45 ps3
Ruim