Heroísmo em família!

Desenvolvido pela companhia canadense independente Cellar Door Games, Rogue Legacy foi lançado para PC no dia 27 de junho. Nele, os jogadores têm a oportunidade de controlar não apenas um herói, mas toda uma linhagem deles.

Tudo começou quando, na luta para restaurar a paz de um reino medieval, um cavaleiro acaba perecendo ao explorar um estranho castelo amaldiçoado. A partir daí, a tarefa de concluir esse trabalho fica a cargo dos descendentes deste primeiro herói.

Cada um destes descendentes é único, tendo sua própria classe de batalha (como mago, bárbaro ou paladino), assim como traços genéticos bastante distintos. Desse modo, é possível partir para a jornada no controle de um guerreiro míope, anão, flatulento ou até mesmo detentor de transtorno obsessivo-compulsivo (que concede bônus quando todos objetos de um cômodo são destruídos).

Uma vez dentro do castelo (cujos cômodos são gerados e agrupados aleatoriamente a cada nova aventura), os guerreiros precisam partir em busca dos senhores do local para derrotá-los e acabar com a maldição. Durante o processo, é possível encontrar equipamentos e tesouros para ajudá-lo nessa aventura, os quais são repassados para os seus descendentes caso o seu personagem atual morra – evitando assim que o seu progresso seja perdido.

Se você tem problemas em administrar o tempo para se divertir com seus jogos, Rogue Legacy é um título que pode trazer algumas dificuldades à sua vida. A sua mecânica simples, capaz de o fazer trocar de personagem várias vezes em um curto período de tempo, é extremamente viciante.

Todas as possibilidades de descendentes, por exemplo, acabam tornando algumas mortes muitos menos frustrantes do que poderiam ser, uma vez que, com um novo personagem, é possível testar uma nova característica.

O game não é perfeito, contando com alguns oponentes “repetidos” nos níveis mais difíceis juntamente com uma dificuldade inicial que pode frustrar alguns jogadores. Mesmo assim, basta investir um pouco do seu tempo no game e será difícil querer parar.

Genealogia do herói

A grande inovação de Rogue Legacy é o seu sistema de “árvore genealógica” de heróis. Com ele, é possível ter acesso a uma variação absurda de jogabilidade graças os inúmeros traços disponíveis para os seus descendentes.

Assim, toda vez que seu personagem morre, o jogador pode escolher entre três membros de sua prole, que apresentam classes geradas aleatoriamente (como o resistente bárbaro e o mago, que ganha pontos de magia a cada inimigo derrotado) e características próprias.

Entre estas últimas, há desde aquelas que alteram levemente a jogabilidade (como a nostalgia, que aplica um filtro sépia ao jogo, e a dislexia, que embaralha as letras dos textos encontrados) até outras que podem mudar completamente as partidas (como a vertigem, que deixa a tela de ponta cabeça).

Muitas características, no entanto, oferecem também vantagens. Apesar de terem o alcance de seus ataques reduzidos, heróis anões podem entrar em passagens secretas nas quais um humano normal não caberiam.

Outras, por sua vez, nem mesmo podem ser consideradas desvantagens. Personagens com transtorno obsessivo-compulsivo, por exemplo, ganham pontos de magia ao quebrarem os objetos de uma sala. Já heróis gays... São exatamente iguais a todos os outros, com a diferença de que gostam de pessoas do mesmo sexo (você esperava outra coisa?).

O seu legado nunca morre

Rogue Legacy é um game bastante difícil, especialmente em seus primeiros momentos, quando o jogador ainda não melhorou absolutamente nenhum de seus atributos, e nem adquiriu novos equipamentos e habilidades.

Se o game é desafiador sem a ajuda dos itens encontrados no castelo (ou comprado com o ouro obtido em suas aventuras), como fazer quando seu personagem morre? De fato, isso seria um problema que tornaria o jogo (ainda mais) exigente. Por sorte, Rogue Legacy resolve isso ao fazer com que todas as conquistas de um herói sejam automaticamente transferidas para a próxima geração.

Investindo o dinheiro da herança

Ao mesmo tempo, o game também é construído de uma maneira que força o jogador a constantemente progredir. Assim, enquanto o ouro conquistado por um herói é transferido para o seu descendente direto, este precisará gastar o máximo que puder antes de entrar no castelo, uma vez que um guardião chamado Charon vigia a entrada do local e cobra o módico preço de “tudo o que você tiver nos bolsos” para liberá-la.

Isso acaba evitando que jogadores insistem em não evoluir seus atributos para tentar comprar uma habilidade específica e mais cara, ao mesmo tempo em que torna a sensação de progressão mais clara para o jogador.

Entre as possibilidades oferecidas pelo sistema, é possível citar a melhoria direta de atributos (como força e pontos de vida) a compra de novas classes (como o assassino e o rei-bárbaro) e a abertura de “lojas especiais” na entrada do castelo.

Uma vez habilitadas, as vendas do ferreiro, da cigana e do arquiteto também são de grande ajuda, oferecendo novos equipamentos, runas mágicas (capazes de conceder novas habilidades, como o pulo duplo) e até mesmo permitindo que o jogador entre na última versão do castelo encontrada por ele.

Os inimigos também são de uma família

Apesar de ter seus ambientes agrupados de maneira aleatória a cada nova partida, o castelo amaldiçoado de Rogue Legacy apresenta uma lógica própria com quatro diferentes ambientes – cada um com a sua identidade visual, assim como inimigos e chefões próprios.

Enquanto todas elas são acessíveis desde o começo, há uma diferença clara de dificuldade entre cada uma delas (notada especialmente pelo nível dos oponentes), criando uma ordem natural mais prática para serem exploradas pelo jogador (não que seja proibido tentar explorar a floresta antes da seção principal do castelo, mas isso com certeza será mais difícil).

Se a configuração das seções – que sempre permanecem na mesma posição, apesar da montagem randômica dos ambientes – funciona muito bem, a repetição do visual de alguns monstros e inimigos, contudo, pode decepcionar alguns jogadores.

Apesar de todos eles serem animados de maneira muito bacana (sendo que até oponentes batidos – como esqueletos, por exemplo – parecem únicos), cada nova área oferece monstros muito parecidos com os anteriores, sendo apenas versões maiores e com ataques mais poderosos e numerosos. O mesmo acontece com os chefões do jogo, os quais, com exceção do último, também são apenas versões gigantescas de oponentes comuns.

85 pc
Ótimo