O Império Romano em toda sua glória e poder.

Rome é o terceiro jogo da série Total War (precedido por Shogun e Medieval), e pela primeira vez coloca o jogador no controle de batalhas épicas, que lembram filmes como O Patriota ou Gladiador.

“Os que fogem da batalha, nunca terão poder ou glória” - Homero

A série Total War sempre teve grandes ambições, mas a tecnologia disponível no seu início não permitia grandes implementações. Shogun: Total War, foi o primeiro jogo da série, lançado ainda em 2000. O tema de jogo abordava o Japão Feudal e permitia que o jogador controlasse hordas de samurais e arqueiros, envolvidos em batalhas massivas. Infelizmente o jogo era bastante limitado na capacidade de desenho do cenário e movimentação das tropas.

As batalhas eram grandes, mas não épicas; estavam mais pra “briga entre hordas de insetos no jardim de casa”. Felizmente a Creative Assembly, desenvolvedora da série, não desistiu da batalha, melhorando a fórmula com as expansões subsequentes e incorporando constantemente os avanços técnicos nos seus jogos.

A chegada de Rome (terceiro jogo da série, desconsiderando as expansões), finalmente faz aquilo que os jogadores esperavam desde o primeiro: um cenário verossímil de batalha onde cada soldado pode ser visto individualmente na tela, lembrando filmes como Coração Valente.

Cenas de um império

A campanha principal oferece ao jogador a oportunidade de fazer parte do império romano, dividido em três facções (Brutii, Julii e Scipii). O jogador pode escolher qualquer uma das três e, embora isso não afete as suas unidades militares ou recursos, afetará as missões que receberá do Senado. Não há uma diferença de dificuldade notável entre as facções.

Ao fim da campanha, são liberados outros impérios para seleção, desde que estes tenham sido completamente derrotados na campanha principal. Mas nem todos podem ser utilizados, mesmo depois de derrotados (e o jogo não informa previamente qual é qual), o que pode gerar frustração em alguns jogadores. O esforço necessário para aniquilar outras tribos e grupos é grande mas vale a pena, pois cada uma delas é jogada de maneira diferente, possuindo unidades militares únicas, baseadas em fatos históricos.

Fora da campanha principal, destaca-se o modo Historical Battles, onde o jogador pode lutar em grandes batalhas históricas, como “O Cerco de Esparta”, onde os gregos precisaram defender uma de suas principais cidades contra o inimigo. Todas as batalhas históricas são bem introduzidas através de narração e passeio pelo cenário, com apresentação da região, situação de guerra e exércitos. Também acontece o detalhamento de em que ponto o combate está e o que deve ser feito para concluir a batalha com sucesso. As batalhas em si não são diferentes daquelas da campanha principal, mas de alguma forma a explicação de cada batalha, entendendo o que levou àquele ponto do conflito, torna tudo mais interessante. Com o tempo, você começa a desenvolver simpatia por certos exércitos e unidades, o que certifica ainda mais a qualidade de Rome.

O jogo apresenta também o modo Custom Battle, para o jogador criar sua própria batalha. Com 34 cenários diferentes apresenta ainda várias opções de configuração, como escolher cada unidade que estará no seu exército. Este modo de jogo é útil para que o jogador teste os diferentes exércitos e descubra com qual tem mais afinidade. Também é ótimo para entender como unidades militares específicas funcionam em jogo; é difícil entender a utilização da unidade “porcos flamejantes” por exemplo, até que você vê os soldados inimigos correndo em desespero, com as vestes em chamas, quebrando a formação e abrindo espaço para o seu ataque.


Dois jogos em um

Rome divide-se em praticamente dois jogos diferentes: uma parte de estratégia em turnos, à moda de Civilization, e a parte das batalhas em tempo real, pelas quais a franquia é conhecida.

A parte estratégica tem comandos simples, mas apresenta uma série de menus a serem explorados. Os desenvolvedores aparentemente não quiseram que essa parte do jogo fosse apenas ilustrativa ou representasse só um intervalo entre as batalhas, investindo em um grande detalhamento e profundidade nas ações que podem ser tomadas. Alguns jogadores certamente optarão por ligar o gerenciamento automático, devido ao nível de complexidade que o gerenciamento das cidades atinge do meio até o fim do jogo. Ou por simplesmente estarem mais interessados na batalhas.

As batalhas em tempo real são muito fáceis de comandar, mesmo com um número grande de unidades no terreno. A fim de facilitar o gerenciamento, foram adicionados ícones permanentes representando cada unidade. Os ícones estão sempre presentes na tela e, quando você clica no ícone de uma unidade de arqueiros, por exemplo, a câmera imediatamente percorre o cenário e vai até onde os arqueiros estão.

Você também pode dar ordens às unidades sem precisar ir até elas, o que é uma habilidade essencial no calor da batalha. É muito comum acontecer da cavalaria sair completamente do seu campo de visão (normalmente por estar perseguindo alguma unidade inimiga em fuga), mas com dois cliques no menu de batalha é possível chamar novamente a unidade e aguardar esperançoso sua chegada, antes que o inimigo dizime os seus lanceiros. Adicionalmente, o mini-mapa facilita o posicionamento das unidades, bastando clicar no mapa para enviar unidades aos locais desejados.

Rome possui vários detalhes que privilegiam a jogabilidade, mas um em especial merece atenção, por ser de importância para os jogadores que sempre desejaram ser estrategistas de grandes exércitos: em Rome é possível dar ordens com o jogo pausado.

Obviamente não é algo inovador, mas essencial neste jogo, onde as batalhas se tornam intensas com rapidez. É extremamente satisfatório poder dar ordens prévias a cada uma das unidades e, depois de iniciada a batalha, ver como seus dotes estratégicos estão se saindo. Melhor ainda, poder corrigir tudo no meio da ação, aprendendo com os próprios erros.


Épico em movimento

A engine de Rome realmente impressiona, ao permitir literalmente milhares de guerreiros (e elefantes!) na tela, sem lag aparente. Sem esse avanço técnico, as batalhas em Rome não poderiam ser épicas como são. Mas é necessário notar que os soldados em campo não são graficamente muito impressionantes: como é de se esperar, são quase idênticos entre si e não apresentam grande refinamento. As construções e outros componentes do cenário só ficam razoavelmente satisfatórios com todas as opções de vídeo no máximo.

Mas de uma maneira geral, o nível de detalhamento é suficiente para passar a sensação de que é um exército real lutando, e não um monte de pixels. Embora não sejam extremamente detalhadas, todas as unidades são bem animadas, fazendo exatamente o que se espera de soldados em campo.

Já o mapa da parte estratégica do jogo é muito bonito e vivo, apresentando similaridades notáveis com Civilization. Tudo se desenvolve de maneira suave e contribui para que se torne um jogo à parte, estimulando o gerenciamento do seu império.


Som

Em Rome é fácil de notar o grande investimento na parte sonora. Todas as trilhas são espetaculares, com notas orquestradas e ocasionalmente cantadas. Prestando atenção, conseguimos inclusive perceber que uma das trilhas é cantada em latim (quando jogando a campanha imperial romana), o que indica a preocupação dos desenvolvedores em criar o clima adequado de jogo.

Os efeitos sonoros também não poderiam ser mais adequados. Tudo, desde o choque entre espadas até o som do impacto distante do projétil das catapultas, foi cuidadosamente implementado. Os efeitos sonoros em alguns momentos contribuem mais para a sensação urgente da batalha do que a própria ação mostrada na tela, indicando o quanto o departamento sonoro é eficiente em Rome.


Com Rome: Total War, parece que a franquia finalmente chegou onde queria chegar, simulando com perfeição as batalhas em larga escala. Mesmo dois anos depois de seu lançamento, continua sendo a série dominante na simulação de batalhas épicas, trazendo uma jogabilidade que seduz tanto estrategistas quanto jogadores que apreciam batalhas em tempo real.

92 pc
Excelente