Análise de Sam & Max Episode 104: Abe Lincoln Must Die!

Role de rir com dois detetives nada comuns numa investigação que desvendará o que anda acontecendo de errado na Casa Branca!

Em 1987, uma série de quadrinhos intitulada Sam & Max introduzia dois novos personagens bastante incomuns aos usuais: enquanto tinham a aparência carinhosa característica dos personagens voltados ao público infantil, o humor negro e as situações vividas pela dupla tinha como público-alvo os leitores adultos.

Sam, um cachorro que anda sobre duas patas e se veste como se fosse humano, é um detetive particular que trabalha ao lado de seu fiel parceiro, Max. Este é um coelho que, apesar de sua aparência carinhosa e fofinha, tem sede de destruição e sempre procura resolver os problemas da maneira mais sangrenta possível.

Após a produção dos quadrinhos, Steve Purcell, criador da dupla, entrou para a equipe da LucasArts e os personagens começaram a fazer sucesso dentro da empresa. Logo apareceriam em Indiana Jones and the fate of Atlantis, onde existe um totem com o rosto da dupla.

Em 1993, os detetives ganharam seu primeiro título, chamado Sam and Max: Hit the Road! O jogo ficou conhecido como um dos clássicos do gênero, numa época em que a LucasArts era conhecida como a grande produtora de jogos do estilo aventura.

Em 2002 foi anunciada a seqüência do jogo, que se chamaria Sam and Max: Freelance Police e seria lançada em 2004. Entretanto, em março do ano de lançamento a LucasArts anunciou que a seqüência havia sido cancelada.

Impulsionado pelos fãs, que pediam a retomada da produção do título, um dos escritórios da LucasArts que havia sido cortado da empresa fundou uma desenvolvedora independente especializada no gênero aventura, a TellTale Games.

A desenvolvedora decidiu então fazer de Sam and Max uma série de jogos, com lançamentos periódicos de episódios lineares porém autônomos. Dessa forma, essa nova série de jogos pode tanto ser jogada em seqüência quanto isoladamente.
 
Sam and Max Episode 4: Abe Lincoln Must Die, é o quarto episódio da primeira temporada dessa série de games, e acaba de ser lançado gratuitamente pela TellTale Games, como parte da campanha publicitária para o lançamento da segunda temporada do seriado.

Nele, Sam e Max investigam o presidente dos EUA após este aprovar leis revoltantes que acabam com a liberdade da população estadunidense. Dentre as novas leis, estão a obrigação da distribuição de abraços antes e depois de eventos esportivos e o controle do porte de armas.

Abraham Lincoln precisa morrer!

Abraham Lincoln é um dos presidentes mais queridos da história dos EUA. O primeiro republicano eleito à presidência do país, Lincoln foi o 16º presidente, governando os Estados Unidos da América de 1861 a 1865.

Durante seu mandato, houve a Guerra da Secessão, que visava dividir os EUA em dois países: um ao sul, outro ao norte. Apenas devido à firmeza de decisão de Lincoln foi possível manter o país sob uma só bandeira, sendo que Lincoln foi assassinado 13 dias após o fim da guerra, em 14 de Abril de 1865.

Entretanto, o Abraham Lincoln que encontramos neste jogo não é o mesmo que deixou a Casa Branca em 1865: após o presidente dos EUA precisar ser trocado às pressas, a estátua de Abraham Lincoln construída no memorial em sua homenagem, o Lincoln Memorial, levanta-se e tenta nova candidatura ao cargo de chefe de estado.

Cientes de que a estátua é um robô controlado por uma organização criminosa que deseja hipnotizar todos os seres humanos e dominar o mundo, Sam e Max decidem lutar contra a candidatura de Lincoln.

Max candidata-se então ao cargo de presidente dos EUA. Porém, como o povo adora Lincoln,  os detetives deverão mostrar a face cruel e maléfica do ex-presidente. É em torno dessa corrida eleitoral que gira o 4º episódio desta primeira temporada de Sam and Max, intitulado “Abe Lincoln Must Die!”

Como o jogo é o quarto episódio de uma série de 6 que conclui a primeira temporada, existem algumas piadas nele que fazem relação aos episódios anteriores, e até mesmo o principal vilão, Chuckles, já havia aparecido num dos primeiros títulos. Entretanto, isso não afeta a experiência de maneira crítica.

Como em qualquer game do gênero aventura, a história é o ponto mais forte de Sam and Max. Repleto de piadas sarcásticas ao melhor estilo do coelho, o enredo prende os jogadores em risadas intermináveis.

Vale a pena explorar cada fala dos personagens apenas para ver o resultado do diálogo. Os diálogos engraçados aumentam muito a vida útil do game. Entretanto, mesmo explorando cada ínfimo detalhe do jogo, a história continua extremamente curta.

A proposta da TellTale Games é que o jogador compre todas as temporadas da série, portanto o enredo é curtíssimo e só ganha complexidade quando todos os jogos são concluídos. Utilizando o detonado do BaixakiJogos, é possível concluir este episódio em aproximadamente uma hora.

Se você jogar sem um detonado, esse tempo pode subir para até 4 horas de jogo, mas levando em consideração que atualmente os jogos mais curtos duram pelo menos 8 horas, a TellTale poderia muito bem ter criado uma história um pouco mais longa.

O “point'n'click” está de volta!

Os gamers que viveram a época clássica dos videogames, no final da década de 80 e primeira metade da década de 90, há mais de 10 anos, com certeza se lembram dos incontáveis jogos no gênero aventura, também conhecido como “point'n'click” (aponte e clique).

Nessa época, o logotipo da LucasArts era freqüentemente encontrado na caixa dos grandes títulos lançados, como Full Throttle, The Dig, Grim Fandango, a série Monkey Island, Sam and Max: Hit the road, e muitos outros jogos que são lembrados até hoje como a época de ouro dos videogames.

Gráficos não eram tão importantes e a jogabilidade era extremamente simples: bastava correr o cursor do mouse pelo cenário, clicando em tudo que fosse selecionável e usando os itens coletados anteriormente. Entretanto, a diversão desses jogos residia não só na história como no quebra-cabeças desafiadores que ela apresentava.

Com o tempo, entretanto, o perfil dos jogadores mudou, e com isso o gênero aventura perdeu seus adeptos. Gêneros como tiro e estratégia passaram a oferecer experiências mais envolventes e diversificadas, abrindo um novo leque no mundo dos games.

Entretanto, nos últimos tempos, os desenvolvedores têm inserido novamente o gênero aventura no cenário de jogos para PC. O retorno dos investigadores Sam e Max no mesmo sistema aponte e clique é uma prova de que o gênero não está morto, e só precisa de bons títulos como os lançados pela LucasArts para retornar ao seu brilho de antigamente.

Seguindo o padrão dos jogos do gênero aventura de antigamente, a jogabilidade de Sam and Max: Abe Lincoln Must Die não mudou praticamente nada. O ponto negativo da jogabilidade fica para os cenários longos que demoram para serem atravessados.

A tecnologia celshade seria uma boa pedida

Sam and Max não aposta em gráficos de última geração: o jogo foi desenvolvido para computadores menos robustos que não tenham um potencial gráfico muito grande. Apesar disso, todo o cenário e os personagens são tridimensionais.

A modelagem dos objetos e dos personagens deixou muito a desejar e os efeitos de luz também não são dos melhores. Já que o objetivo do jogo não era gráficos realistas, os desenvolvedores poderiam ter optado pela tecnologia celshade, que consome muito menos potência do computador e oferece gráficos de muito mais qualidade.

O celshade utiliza efeitos de iluminação simplificados e texturas chapadas para dar a gráficos tridimensionais um aspecto 2D. Dessa forma, o cenário oferece muito mais possibilidades e os personagens não perdem o aspecto bidimensional.

No caso de personagens como Sam e Max, que vieram dos quadrinhos e já estrelaram até mesmo seu próprio desenho animado, esta talvez fosse a tecnologia ideal. Além disso, ela apresenta menos falhas que o 3D normal e consome muito menos processamento gráfico.

A trilha sonora desafinou

Para manter o tom cômico no jogo, os desenvolvedores usaram trilha sonora típica de desenhos animados, com mudanças bruscas de notas e que remete a uma atmosfera de palhaçadas. Entretanto, após as primeiras horas de jogo, esse recurso se mostra o maior ponto negativo de Sam and Max.

Quem já sabe o que deve fazer e conclui o jogo no menor tempo possível não se incomoda com a trilha sonora, que fica muito bem encaixada nesse caso. Entretanto, quem já está há mais de dez minutos preso no mesmo quebra-cabeça do jogo começa a ver na trilha sonora um terrível adversário.

Se o jogador começa a perder a paciência com o jogo devido a um quebra-cabeça um pouco mais complexo, as músicas em estilo satirizado só tornam as coisas piores, triplicando sua irritação e, em casos mais extremos, fazendo-o fechar o game.

Entretanto, não é aconselhável deixar a música do jogo no mudo, já que isso pode levá-lo a perder o momento mais engraçado do jogo: um musical apresentado pelos agentes secretos da Casa Branca defendendo guerras. Só esse musical já compensa todo o jogo!

Diversão é a palavra em Sam and Max

A jogabilidade, a trilha sonora e os gráficos são sempre pontos muito relevantes de um jogo, e somente em raríssimas exceções tais aspectos não definem a nota final do jogo. Um enredo muito bom não é tudo que um jogo precisa, porém, títulos como Unreal Tournament nos provam que jogabilidade e gráficos podem sim fazer um título explodir em sucesso.

Entretanto, a principal exceção a essa regra são os títulos de aventura. Nesse caso, quando o enredo do jogo é realmente bom, gráficos e trilha sonora perdem sua importância, e a jogabilidade pode se resumir a cliques com o botão esquerdo do mouse que o jogo continuará divertido.

Sam and Max é mais uma prova dessa verdade: os gráficos do jogo não são dos melhores, a trilha sonora é pobre e a jogabilidade se resume a apontar e clicar, e ainda com uma história curtíssima, o jogo oferece diversão acima da maioria e fica entre os melhores do gênero aventura de 2007.
70 pc
Bom