Tony Montana ainda mais sanguinário que no filme.

O estilo de jogo inspirado na Miami anos 80, com traficantes competindo mortalmente pelo domínio na venda de drogas, tiroteios em plena luz do dia, sol e praia, parece não ter se esgotado. Com o lançamento de Scarface para diversas plataformas, este tema sobrevive agora com um jogo que deriva do filme homônimo e cultuado de Brian de Palma. Mesmo já existindo no mercado títulos como Gta Vice City e Miami Vice ambos inspirados no gênero, Scarface teve uma boa recepção do público e da mídia especializada.

Tony Montana e seu "vasto" vocabulário


Scarface: The World is Yours, tem como personagem principal o implacável Tony Montana. Já de início cabe uma ressalva: apesar de Tony ser realmente um casca grossa, soltando palavrões o tempo inteiro e matando mais do que conversando, ao menos era possível apreciar a atuação ímpar de Al Pacino em sua interpretação no filme. No jogo, ao contrário, vemos claramente o mal proveito do enredo e serventia da fama do filme. Cutscenes vagas mostrando apenas flashes da ascenção e queda de Tony Montana, sanguinolência e muitos “Don´t fuck with me” reduzem um personagem aterrorizante a apenas um lunático assassino. Logo no início, apresenta-se o trailer do filme com áudio remasterizado, ficando aqui, além da propaganda, uma possível sugestão dos desenvolvedores de que o jogo não será completamente usufruído caso não se conheça o filme.

 

A história de um assassino


A história começa com a derrocada de Tony. Após ter construído um império dos narcóticos à base de muitas mortes e venda de cocaína, Montana fica embriagado pelo dinheiro e paranóico contra traidores (traidores aliás feitos pelo seu gênio pouco amigável). Tal paranóia no final se mostra condizente com a realidade. Em uma emboscada, seu inimigo, Sousa, contrata praticamente um exército para invadir sua mansão. Tudo isso demonstrado por uma cutscene. Vigilante e possesso, observa tudo pelos monitores das câmeras de segurança enquanto se arma furiosamente com um rifle pesado.

No final da cutscene o jogador toma posse dessa fúria. Inimigos às pencas desovam infinitamente por todo lado. Não há aqui espaço para muito realismo; a barra de vida esgota-se relativamente devagar, permitindo um banho de sangue cinematográfico. No decorrer do jogo não haverão partes realmente difíceis, apesar haverem algumas desbalanceadas, difíceis sem justificativa aparente. A trava da mira ajuda (ativada com o botão direito do mouse, no PC) e, mesmo que se erre, os inimigos não são tão bons atiradores assim.

GTC - Grand Theft Cocaine

A partir daí, as missões para a reconstrução do império serão várias. Com uma cidade aberta e com uma sistemática idêntica ao GTA, a meta será distribuir pacotes de cocaína, proteger ou matar certas pessoas além de bancar o herói salvando uma garota. Nada fora do cotidiano de qualquer bandido, a não ser somente uma tarefa descabida, “Pimp my Mansion”, onde objetos deve ser comprados para a mansão. Descabida pois Montana é uma arma letal destruidora, não um decorador de interiores. Quanto ao mapa, este é extenso e possui algumas ilhas acessadas através de pontes ou barcos.

Uma opção que facilmente terá sua utilidade absorvida pelo jogador são os “Balls”. Tal, digamos, potencialidade de Tony é coordenada pelo número de ofensas, acrobacias em veículos e mutilações de pessoas. O indicador Balls aumenta mais rápido sem o uso da mira automática, e quando cheia, permite entrar no modo rage. Aqui, a perspectiva passa a ser primeira pessoa e Montana permanece invulnerável a ataques, ganhando life a cada inimigo morto. Entre outras características, existe a possibilidade de solicitar determinados carros através do telefone e evitar prisões através de “um papinho” com o policial.

Bugs, bugs e mais bugs


Existem várias situações em que a perícia e sucesso serão mediados pela acuidade do jogador em manter pressionada uma tecla e soltá-la quando uma barra, que enche e esvazia, estiver cheia. Não é exatamente uma prova rigorosa, pois exige somente um pouco de rapidez e sorte. Poderia ser melhor mas, por outro lado, como testar a habilidade de Tony em vender ou comprar cocaína? Isso tudo vale para enganar-se o policial (já comentado), falar com garotas, além de sair-se bem várias conversas.

Os gráficos do jogo, na versão PC em especial, deixam um tanto a desejar. Seja pela quebra de polígonos, seja pelo peso do jogo que aliás contém alguns bugs. É sabido que o título originalmente seria lançado unicamente para PS2. No caso do computador o jogo foi grosseiramente adaptado, causando baixos número de quadros em diversas horas mesmo nos melhores computadores, além de ter uma jogabilidade péssima no teclado e mouse. As cutscenes possuem diálogos ligeiros que não vão muito além do fuck the fucking fuckers, palavrões gratuitos.

A trilha sonora inclui diversos nomes famosos, além da trilha sonora original do filme, tais como: Rob Zombie, Motorhead, Judas Priest e Johnny Cash. Os efeitos são bons mas o principal destaque é a capacidade do dublador, André Sogliuzz, em representar de maneira convincente a raiva de Tony Montana.

Não foi desta vez que Scarface foi bem aproveitado


Enfim, o jogo poderia ter sido muito mais trabalhado e desenvolvido na versão PC. A história deixa a desejar, além da jogabilidade ser ruim. Entretanto, para todos aqueles que conjecturavam um final alternativo ao filme, este jogo pode ser uma boa oportunidade de vivenciá-la. Diante de tudo isso chega-se à conclusão de que, se não fosse pelo fato de estar baseado em um dos melhores filmes de Brian de Palma, ele não passaria de uma cópia barata de GTA.

69 pc
Regular