O mundo é bem desafiador, mas não tão divertido

Img_normalSidescrollers de combate em 2D são típicos de gerações passadas, não da atual. Mas isso não impede os desenvolvedores de tentarem injetar um pouco de sangue novo no gênero, mesmo hoje em dia — basta dar uma olhada em Shank, por exemplo, analisado pelo TecMundo Games na semana passada. Scott Pilgrim vs. The World, por sua vez, tenta recapturar de forma literal o espírito dos games de outrora.

Para quem não conhece, Scott Pilgrim é um personagem que surgiu nas histórias em quadrinhos, criado pelo cartunista canadense Bryan Lee O'Malley. Após os seis volumes da narrativa serem publicados, de 2004 a 2010, um filme foi lançado em agosto deste ano (mas ainda não no Brasil) — e também este game, para complementar a aparição da franquia no meio do entretenimento digital.

Mas quem acha que o título é um daqueles cansativos — e já bem conhecidos do público — games que servem de propaganda para o cinema está enganado. O estilo é drasticamente diferente, e os gráficos remetem à era 16 bits em todo seu esplendor. Tanto que o visual deixou de lado o preto e branco dos quadrinhos para encher a tela de cores.

Scott Pilgrim é divertido? É. Mas, para boa parte dos gamers, por pouco tempo. Quem é fã da franquia certamente encontra inúmeros motivos para jogar durante várias horas, e até repetir a dose diversas vezes para extrair do título tudo o que for possível. Para os usuários em geral, no entanto, existem vários outros jogos muito mais atraentes no quesito ação.

O game é carismático, definitivamente nostálgico, bem feito e com identidade própria. Mas também é repetitivo, um tanto quanto truncado e relativamente curto — além de um pouco confuso em vários momentos. Assim, o ideal é pesquisar um pouco sobre a série e dar uma olhada nas imagens aqui no Baixaki Jogos para ter uma ideia do que espera o jogador. Se o estilo agradar, o custo-benefício é certamente muito bom.

Identidade própria

Por mais que a fonte original seja histórias em quadrinhos, o fato de uma franquia ganhar um filme de grande porte é bastante significativo. Isso frequentemente acarreta uma série de modificações que nem sempre são fiéis ao que o artista tinha em mente na hora da criação de sua narrativa. O lado bom é que este título não sofre do mal.

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O que quero dizer com isso é que o jogador não vê a aparência de Michael Cera (ator que interpreta o protagonista nas telonas) dentro do game. Isso é reforçado ainda mais pelos visuais particulares — que diferem tanto do filme quanto dos quadrinhos — impostos ao jogo pela Ubisoft, o que é certamente louvável.

Referências sutis

É claro que, por mais que o título busque uma identidade particular, ainda é o retrato de uma franquia — e, consequentemente, faz referências constantes a suas fontes. Assim, quem leu os quadrinhos ou assistiu ao filme pode tranquilamente encontrar personagens familiares e situações parecidas com aquelas encontradas nas outras formas de mídia.

O interessante é que o game consegue inserir essas referências de maneira extremamente sutil — como um personagem presente perto da ação, mas sem interagir com os protagonistas. Assim, quem não conhece a marca Scott Pilgrim pode passar pelas fases sem perceber nada de anormal, mas quem é fã vai ver muitas coisas familiares.

Mescla de gêneros

Img_normalMesmo focando pesadamente na jogabilidade, Scott Pilgrim vs. The World ainda consegue incorporar vários outros elementos para diversificar a experiência. O principal deles é um sistema de evolução de personagens reminiscente de RPGs mais antigos, com 16 níveis e estatísticas específicas que devem ser aprimoradas.

Isso significa que Scott (ou o personagem que o jogador estiver usando) começa por baixo, podendo apenas pular, dar golpes fracos e golpes fortes — sem combinações, sem floreios e sem muita eficiência. Conforme inimigos vão sendo derrotados, porém, as capacidades de luta do rapaz aumentam consideravelmente, e eventualmente os níveis chegam até mesmo a recompensá-lo com poderes.

Homenagem aos clássicos

Quem teve a oportunidade de presenciar a época áurea dos sidescrollers de combate em 2D vai perceber várias referências aos clássicos do período em Scott Pilgrim. Mega-Man, Streets of Rage, Tartarugas Ninja e até mesmo Mario recebem alguns cumprimentos, seja na forma de animações, do estilo das batalhas ou de itens a serem coletados.

Nada que destoe muito da experiência, já que nos próprios quadrinhos a narrativa incorpora elementos de video games nos acontecimentos da história. Ou seja, assim como as referências ao material original, as referências são sutis e não distraem ou incomodam quem não as percebe.

Vários elementos secretos

Seja uma passagem escondida, um item disfarçado ou setores bônus, o título possui uma grande variedade de elementos secretos que fazem com que o jogador precise passar mais de uma vez pelas fases para conseguir perceber tudo. Para um game que é razoavelmente curto, podendo ser terminado em algumas horas, isso é essencial para manter a longevidade.

Dificuldade single player

O primeiro ponto negativo é, sem dúvida, a dificuldade da experiência quando se joga sozinho. A impressão que se tem é que o título é equilibrado para partidas multiplayer, o que torna o modo single player muito mais desafiador — e algumas vezes é muito mais proveitoso voltar para uma fase mais fácil e refazê-la do que insistir em um pedaço mais complicado.

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Tudo bem que o jogo seja inspirado em games mais antigos, mas não há razão para não aproveitar elementos mais modernos como dificuldade dinâmica — afinal de contas, só queremos lembrar-nos de antigamente, não realmente jogar os mesmos games.

Ausência de explicações

O título é perfeitamente jogável por quem não leu os quadrinhos ou assistiu o filme. Ainda assim, seria interessante ter mais explicações a respeito da narrativa, pois do jeito que está não há como saber exatamente o que está acontecendo, quem são os personagens envolvidos, seus motivos e tudo o mais. Considerando que isso parece ser boa parte do que constitui o apelo de Scott Pilgrim, é uma pena.

Jogabilidade truncada

Não é possível andar e bater ao mesmo tempo. Essa é a maior birra com o estilo de jogo, indubitavelmente. Para um título que foca em combates 100% do tempo, é preciso que estes sejam bem fluidos e envolventes — mas muitas vezes você acaba não conseguindo fazer o que quer pelas limitações de movimento quando desferindo golpes.

Isso melhora consideravelmente quando o jogador passa de nível, e é tolerável quando chega ao máximo (16), mas ainda assim é um tanto quanto frustrante no início. O sistema de corrida também é um tanto quanto estranho em seu comportamento — ao menos existe a possibilidade de usar o analógico para correr automaticamente.

Falta de modo cooperativo online

Hoje em dia, isso é quase imperdoável para um game desse tipo. Tudo bem que jogar com os amigos em pessoa é sempre mais divertido, mas nem sempre temos colegas à disposição na hora em que queremos jogar. Poder se conectar à internet e encontrar outras pessoas para partidas rápidas é sempre muito útil, e atualmente é praticamente imprescindível.

Modo cooperativo local esquisito

Img_normalNão é possível entrar e sair de partidas a qualquer momento, é preciso voltar ao menu principal. É preciso entrar com uma conta para cada personagem que está sendo jogado (e o progresso será salvo naquela conta específica, qualquer outra conta que tentar jogar com o personagem terá seu próprio progresso). Existe apenas um golpe em conjunto que é extremamente difícil de ser executado.

Tudo isso torna o multiplayer do game — que é o principal modo — um tanto quanto esquisito. É preciso mencionar, ainda, a confusão que toma conta da tela quando se está jogando com outros três amigos. Dois ou três jogadores ainda conseguem coordenar suas ações razoavelmente, mas em quatro existe uma verdadeira zorra em que os participantes acabam apenas massacrando os botões.

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Bom

Outras Plataformas

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