Jogo tem potencial, mas deixa a desejar em muitos aspectos

Você sente saudades de jogos como Vigilante 8, Twisted Metal ou até mesmo Rock n' Roll Racing? Se a resposta for sim, Scrap Metal — lançado exclusivamente através da Xbox Live Arcade — é um dos jogos que podem prender a sua atenção.

O game não segue uma característica definida dos jogos acima, mas o seu conjunto é como uma mistura entre os títulos. Trata-se de um game de carros com visão superior e muitas armas, sendo que ao jogador são dadas diversas missões a serem completadas em muitos circuitos.

A progressão pelo modo single player se dá de forma similar à vista em jogos como Motorstorm: novas pistas e missões são liberadas na medida em que você conclui os já existentes, o que lhe dá a oportunidade de conquistar os veículos necessários para as próximas etapas.

Muitas vezes também não é necessário conquistar a primeira colocação, pois a simples conclusão da corrida (em terceiro ou segundo lugar) já dá conta do recado. Depois de vencer todas as etapas em algum dos circuitos, você finalmente é convidado para um duelo final contra o líder do pedaço. Mas afinal de contas, a fórmula de Scrap Metal diverte?

Depois de passar algum tempo jogando Scrap Metal você pode sair moderadamente satisfeito ou frustrado. Tudo depende de como você encara o game. Se você pensa nele como um projeto simples, lançado pela XBLA e por um preço razoável, a proposta agrada. Mas agora, se você começar a traçar comparações com outros games similares e imaginar do que ele seria capaz com mais “recursos”, as coisas mudam de figura.

Em primeiro plano temos os gráficos, que poderiam ser um dos principais fatores nas partidas. Ao invés disso, o que se vê é um show de serrilhados e de texturas fracas. Quem se aventurar além dessa primeira fase será atacado também pela jogabilidade truncada. Ela seria muito melhor e divertida se permitisse movimentos e manobras mais rápidas.

A ideia dos chefes para cada pista é boa, mas o trabalho de criação é muito ruim. Os personagens não tem apelo algum, sem contar que as pistas ficam repetitivas com apenas algumas voltas. E já que o assunto são as pistas, temos que ressaltar os problemas com a detecção de colisões e com os pontos cegos, afinal de contas eles persistem ao longo das corridas e podem simplesmente arruinar a sua diversão.

No fim das contas, o apelo desse jogo é limitado aos que realmente curtem o estilo de destruição sobre rodas. Se você está na dúvida, dê preferência ao download da versão demonstrativa e descubra se ele atinge as suas expectativas.

Missões de todos os tipos

As opções de pistas são pouco variadas (sem contar que algumas delas chegam a ser entediantes, fazendo-o circular pelo mesmo ponto), mas ao menos há uma boa diversidade de objetivos a serem cumpridos em cada um dos eventos. Alguns deles são de pura velocidade, como as corridas por eliminação, tendo nas armas apenas um suporte para o jogador.

Outros requerem que você destrua certo número de oponentes dentro dos limites de tempo ou de voltas (o que é o caso na maior parte dos confrontos diretos contra os chefes dos estágios). Por fim, há a Demolition Derby, a arena em que todos os jogadores se enfrentam de uma só vez. O jeito é pensar rápido e ficar longe dos inimigos!

Incentivo para destruir

Se até mesmo as corridas são ganhas na base da “porrada”, porque não os veículos? Para expandir o seu ferro velho você deve literalmente explodir os oponentes, incluindo os chefões, que comandam as missões finais de cada um dos circuitos.

Cada carro que é destruído nas pistas vai direto para o seu banco de veículos, de modo que você possa inclusive acompanhar seus devidos reparos. São vinte no total, cada qual com atribuições únicas de direção, força, velocidade e até mesmo armas (tendo como exemplos metralhadoras simples ou duplas, lança-granadas, lança-chamas e serras elétricas).

Vale notar que você só possui quatro vagas para carros melhorados, personalizados, portanto pense bem antes de substituir cada um deles.

Tunando e personalizando a máquina

Carros personalizados? Sim, exatamente isso. Cada um que é depositado em uma das suas vagas na garagem pode ter sua aparência alterada. Em primeiro lugar vem a cor, dentre uma série de combinações pré-definidas e variáveis de acordo com o veículo. Depois vêm as pinturas personalizadas, como chamas, listras de corrida e outras artes loucas.

Por fim, cabe a você definir qual será o acessório que figurará na lataria do carro. Alguns podem rodar por aí com um kit de pneus na lateral (ao melhor estilo Máfia), outros podem acoplar bandeiras e escapamentos gigantescos na parte posterior do chassi. Além desses itens já citados existem cubos de pelúcia gigantes, colchões velhos e apodrecidos que vão para o bagageiro e muito mais!

Preparados os aspectos visuais, você pode partir para os incrementos de desempenho, mediante o gasto de pontos de aprimoramento ganhos ao longo das corridas. Exemplos de categorias são: tração, velocidade, nitro (turbo), blindagem (resistência) e poder de ataque, que não altera o formato da arma, mas sim o dano que ela causa.

Arsenal extra

Além das armas com munição ilimitada que acompanham cada veículo, Scrap Metal ainda traz as armas extras, coletadas ao longo das corridas. Um exemplo é o óleo, que obviamente faz com que todos saiam derrapando nas curvas.

Em termos de suporte, o melhor é o nitro, que apesar de não durar muito pode conferir a você máxima aceleração nas retas. Apenas cuide para não soltá-lo desalinhado ou nas entradas de curvas, pois todo o efeito será perdido (sem contar que seu carro pode capotar).

Partidas com a galera

O game traz suporte para modalidades em rede ou online com até quatro jogadores humanos disputando simultaneamente. São três ao todo, com direito a King of the Hill, Demolition Derby (modalidade já citada acima para o single player) e Survivor. Este último coloca você e seus companheiros em uma corrida quase normal.

O problema é que além dos adversários você ainda deve encarar tanques, carros de polícia e muitos outros perigos pela frente.

3D em alta

Tudo bem, não é tecnologia de ponta e nem chega perto de outras soluções como o 3D Vision da Nvidia, mas Scrap Metal traz sim suporte para 3D. Você ativa o recurso pelo menu de opções, tendo à sua disposição três configurações para cores das lentes. Aí basta arranjar os tradicionais óculos coloridos e desfrutar de um leve efeito tridimensional na tela.

Nada definido

O jogo pode ter sido programado com a Xbox Live Arcade em mente, mas isso não é justificativa para a falta de acabamento visual mostrado. Os carros e elementos da pista mostram contornos serrilhados, enquanto as texturas que cobrem o cenário deixam muito a desejar.

Fora das pistas surgem os retratos dos adversários, em geral de baixa qualidade e com um péssimo senso de design. Senhor “Awesome”, “O Podre”? A impressão passada é de que a direção de arte poderia ter tomado rumos melhores.

Duas opções, nenhuma salvação!

Ao iniciar Scrap Metal você se deparará com uma tela perguntando qual o método de controle a ser adotado. São dois. O primeiro — supostamente simplificado, indicado para iniciantes — elimina a necessidade do acelerador, fazendo com que o veículo se mova na direção indicada pelo analógico esquerdo.

Embora prática de início, ela carrega consigo dois problemas. O primeiro é a falta de precisão na aceleração e nas curvas. O segundo é a confusão da hora da ré, já que é necessário pressionar o analógico na direção oposta à que se quer dirigir. Considerando que fazer curvas é uma tarefa árdua (pois a maioria dos veículos é dura), errar a direção dos pneus é morte certa.

O segundo método traz controles mais completos, similares aos de clássicos como Rock n’ Roll Racing. A direção pressionada é absoluta para as rodas do carro, não importando a posição dele em relação à câmera. Ela permite um controle mais extensivo, principalmente de aceleração, exigindo alguns minutos para que o jogador se adapte.

Entretanto, mesmo com a noção exata de deslocamento, fica claro que virar o veículo é ridiculamente difícil. Em alta velocidade até é possível derrapar, mas quando alguém bate em você... Manobras rápidas não acontecerão. A melhor saída é pressionar Y para “resetar” a sua posição.

Paredes invisíveis e surreais

Essa demora na hora de virar o veículo em situações de emergência o frustrará em algumas das provas de destruição total contra os adversários ou nas de sobrevivência. Mas o problema se agrava ainda mais com a presença de uma detecção de colisões pobre.

Em alguns momentos você verá seu carro sair capotando ao passar ao lado de pneus, o que pode desviá-lo da rota principal e fazer com que toda a volta seja perdida. Em outros, ao achar que você bateu de frente com colunas que sustentam o cenário, você perceberá que a sua máquina da destruição saiu ilesa...

A última reclamação com relação às batidas vai para o layout das pistas: algumas (como a do circo) trazem pontos cegos nos quais você não tem como saber se há ou não uma barreira. Com sorte você atravessará esses trechos ilesos, mas na maior parte dos casos é provável que seu veículo trave nas paredes.

Inteligência de uma ervilha

Se você acha que a melhor fórmula para matar e sair ileso é a velocidade, é melhor repensar os seus conceitos. Em Scrap Metal você é praticamente punido por tentar se deslocar em conflitos diretos contra o computador, afinal de contas há uma grande chance dos inimigos saírem da sua rota de disparo.

O melhor é ficar parado dando leves toques no acelerador apenas ajustando a pontaria. Como a inteligência artificial não presta nem para coletar os “Power-Ups” espalhados pela pista, eles dificilmente pararão atacando-o de frente.

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