Simplesmente atire para todo o lado e tente se manter vivo

Em uma época em que tudo deve ter uma história, um “background” criativo e convincente, chega a ser quase surpreendente que uma fórmula batida, baseada em uma história absolutamente clichê e descartável — cujo único motivo de existência é dar algum lastro para a matança sem sentido do seu protagonista igualmente clichê — ainda possa ser tão divertido.

Assim como em First Encounter HD, Serious Sam HD: Second Encounter é uma ode muito bem-vinda à época dourada dos FPS (tiro em primeira pessoa). Uma época de jogabilidade frenética, histórias apoteóticas e personagens que corriam, pulavam e disparavam desesperadamente — e sem motivo aparente, além da própria matança — em qualquer coisa que se mexesse no cenário.

Bem-vindo à época dourada dos FPS. Apenas tente se manter vivo!

Se isso era divertido? Com certeza que era! É só nomear a sua franquia: Doom? Duke Nukem? Painkiller? O padrão era quase sempre o mesmo. Bem, é hora de revisitar esses ambientes. Mas não se trata simplesmente de tirar a poeira do título antigo, é claro. Em Serious Sam HD: Second Encounter, a desenvolvedora Croteam (em parceria com a Devolver Digital) trouxe um ambiente nostálgico, é verdade. Mas não sem uma cuidadosa revisão dos gráficos, além de uma ou outra adição interessante.

Embora a trama aqui seja um tanto descartável — sem dúvida parte do charme da franquia —, eis uma breve ideia, para quem não jogou o título original, do que espera o incansável Sam em Second Encounter. Depois de derrotar incontáveis asseclas do terrível Mental no Egito, Sam finalmente conseguiu tomar o controle de uma nave alienígena, e parte para um confronto direto com o vilão.

Entretanto, a espaçonave acaba despencando no meio do estado mexicano de Chiapas, próximo ao sítio arqueológico de Palenque. Daí pra frente? Uma quantidade absurda de inimigos em ondas que transformam tudo em volta no mais puro caos. É aí que a diversão começa.

Aí depende. Se você estiver em um clima Modern Warfare 2, ou ainda se estiver esperando ansiosamente pelo lançamento de Halo: Reach, vale aqui algumas ressalvas. Serious Sam HD: Second Encounter, embora traga um novo vigor gráfico, é, essencialmente, um FPS antigo. Trata-se da velha escola, liderada por jogos como Doom e Quake.

Mas, se um voo retrô através do estilo dinâmico e nonsense dos jogos de tiro antigos — com dezenas de inimigos, centenas de balas e uma história sem pé nem cabeça — faz o seu estilo, é hora de explodir alguns alienígenas!

Próximo!

Se a sua história com o FPS (tiro em primeira pessoa) data da época em que jogos como Halo e Moder Warfare já haviam conquistado as audiências, prepare-se para uma mudança drástica de jogabilidade. Serious Sam prescinde dessas fórmulas mais novas em praticamente todos os sentidos.

A escola aqui é muito mais parecida com a época dourada dos FPS — como Doom e Quake —, com dezenas de inimigos locupletando cenários minúsculos. Mirar cuidadosamente em um inimigo para disparar com precisão? Esqueça isso! Nesse ínterim, algum monstro já estraçalhou a carcaça de Sam, e aí só resta começar novamente do último ponto salvo.

Em suma: embora assuma ares de coisa nova, com gráficos remodelados e adicionais, o que você terá aqui é exatamente a mesma insanidade tremendamente divertida que marcava a versão original de Second Encounter — e também tantos outros jogos da mesma época.

“Serious Humor” — piadas e balas

Hehe... Now you are all fired! (Serious Sam)Como tornar uma experiência com dezenas de inimigos e centenas de balas ainda mais insana? Basta jogar uma piada ou um trocadilho entre um “headshot” e outro. Quer dizer, parte do que sempre constituiu um dos maiores apelos da franquia sempre foi o humor ácido do exagerado Sam.

São coisas como “ei!, eu não chutei o seu traseiro duas salas atrás?”, quando um inimigo repetido aparece, ou ainda “duplique sua arma, duplique sua diversão”, quando Sam pega a escopeta de cano duplo. Enfim, é o bom e velho Sam em toda a sua glória “nonsense”! Afinal, quando a Terra está sendo invadida por milhares de alienígenas, nada melhor do que algumas piadas pra descontrair o ambiente, certo? Enfim.

“Double your gun, double your fun!” (duplique sua arma, duplique sua diversão)

O arsenal é outro ponto alto aqui. Afinal, para lidar com carcaças ambulantes, alienígenas monstruosos e camicases sem cabeça — que, inexplicavelmente, ainda conseguem gritar! —, só mesmo com um arsenal tão exagerado quanto o próprio Sam.

São escopetas (normal e de cano duplo), “colts”, lança-chamas, lança-granadas, metralhadoras, um rifle de precisão e, finalmente, uma motosserra. Parece muita coisa? Espere só até que os inimigos comecem a despencar do teto e brotar pelo ladrão!

Caos multiplayer

Sim, o modo campanha anti-alienígena é caótico. Mas nada, absolutamente nada, se compara com a insanidade dos modos multiplayer de Second Encounter. O negócio é entrar e já sair disparando, tanto cooperativamente — sem dúvida uma das maiores diversões do jogo — quanto no modo versus.

E o melhor: Second Encounter jamais deixa a bola cair. É fácil e prático entrar e sair de uma disputa, e os “respawns” são também igualmente rápidos. É só lembrar da sua época de Doom, que tudo dará certo — ou não.

Ambiente “old school”

Second Encounter ficou muito bem em sua reformulação HD, é claro. Afinal, agora é possível ver detalhes da mata, e a destruição de ambientes realmente convence — para um jogo do gênero, pelo menos. Entretanto, tudo aqui transcende aquele inconfundível clima “old school” que marcou a época em que a franquia surgiu.

Nada mais natural, é claro, já que se trata de um remake. De qualquer forma, é ótimo experimentar um pouco de nostalgia ao encarar alguns puzzles simples, a arquitetura artificial dos cenários — na época, era comum que o cenário de um FPS se parecesse, às vezes, com o labirinto do Pac-Man versão 3D — e, finalmente, as armas nitidamente exageradas.

Até onde a vista alcança...

Batalhas de proporções apocalípticas? Confere!Uma das coisas que tornou a “Serious Engine” tão memorável à época foi, sem dúvida, a denominada “draw distance” — a distância em que os objetos do cenário são construídos. A ideia era criar um motor gráfico capaz não apenas de acomodar dezenas de inimigos em uma única cena, mas também de construir cenários ao longe, conferindo às batalhas inconfundível caráter épico. E isso se mantém, é claro.

Faltou acrescentar alguns neurônios na I.A.

Tudo bem, Second Encounter é um jogo de 2002, e as tecnologias de inteligência artificial da época, se comparadas com o que se tem hoje, não eram propriamente apoteóticas. Mas, ei!, já que os gráficos passaram novamente pela linha de montagem, por que não fazer o mesmo com os neurônios dos inimigos?

Mas não, trata-se do mesmo exército de abóboras ambulantes — o problema é que são muitas! Alguns inimigos ficam presos em partes do cenário, outros, após serem alvejados por Sam, simplesmente esquecem que o brutamontes passou por ali, etc. Mas vá lá: talvez isso seja parte do apelo do jogo, não? Enfim...

Sim, os inimigos são idiotas. Isso é parte da diversão?

“Ops” gráficos

Secound Encounter está mais detalhado, quanto a isso não há dúvida. Entretanto, aquele clássico humor involuntário das paredes atravessáveis e das plataformas invisíveis se mantém. Além disso, em alguns momentos a consagrada “draw distance” (distância em que os objetos são construídos no cenário) falha terrivelmente, e você realmente “assiste à grama crescer” bem na sua frente.

Falta de precisão

Outro “problema” um tanto ambíguo. Quer dizer, os controles de Serious Sam não são os mesmos dos modernos FPS. E qualquer um que esteja familiarizado com os jogos mais recente com certeza vai perceber. Mas fica a pergunta: isso deve ou não ser revisto em um remake?

79 pc
Bom