Uma proposta empolgante... E um resultado simplório

Espadas, motosserras, escopetas, lança-chamas... São vários os objetos desejados pelos jogadores durante uma experiência com um jogo de ação e violência. Para os desenvolvedores, é fácil criar alguns armamentos e apresentar cenas brutais de sanguinolência na tela, mas é difícil caprichar na forma com que é feita essa apresentação.

As imagens e vídeos de Shank reveladas antes do lançamento do game ilustram belas cenas de combos incríveis envolvendo disparos de tiros, explosões e furiosos golpes corpo a corpo. Bem, a versão final do título da Klei Entertainment retrata exatamente o que foi prometido. É uma pena que a experiência não vai além disso.

Este título pode ser facilmente confundido com um “joguinho em Flash” criado para as redes online dos consoles PlayStation 3 e Xbox 360 (ainda não há previsão de chegada do game para PC no momento em que foi escrita esta análise). É claro que há uma série de diferenciais e momentos polidos que só são possíveis em plataformas potentes, mas é inevitável notar a simplicidade explícita da ação.

Como de praxe, Shank é o nome do personagem central da trama. O enredo, aliás, é tão sucinto quanto a jogabilidade. Com isso, a contextualização se torna simples — e atraente — para quem gosta de devastar tudo e todos. E tudo é retratado com um visual muito chamativo, por mais diretas que sejam as animações e os efeitos gráficos.

Sendo assim, você deve passar por cenários em duas dimensões na pele de um protagonista extremamente violento que busca vingança. Trata-se de uma mistura entre Ninja Gaiden, Strider, Contra e outros games cujas propostas são... Destruidoras.

Existe a possibilidade de avançar na campanha single player ou convidar um amigo para jogar cooperativamente — incorporando o personagem Falcone — em alguns cenários. E é interessante constatar que o gamer pode repetir as batalhas contra chefes através do menu principal.

O arsenal de Shank, embora restrito, é perfeito para a aniquilação dos inimigos, até porque o combatente consegue executar investidas incríveis contra oponentes de tipos diferentes. A munição é infinita, mas a quantidade de granadas é limitada.

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O jogo praticamente se resume a percorrer lateralmente os ambientes, exterminar os adversários e enfrentar grandes chefes em combates intensos. Nem sempre há garrafas de bebida — que repõem energia vital — à vista, portanto é importante acertar os combos e evitar que Shank tome grandes quantidades de dano.

No que diz respeitos a extras e bônus, os desenvolvedores não se esforçaram muito para prender o jogador à experiência (conforme você verá abaixo). Existe a chance de desbloquear imagens (arte conceitual), roupas e armas durante a ação. Vale lembrar que os novos armamentos surgem naturalmente de acordo com o progresso do jogador na trama.

Por cerca de US$ 15 (ou R$ 26,20, valor estimado do jogo no momento em que foi escrita esta análise), é bem complicado dizer se Shank vale a pena ou não. A experiência é curta, repetitiva e possui problemas em diversos aspectos.

Em contrapartida, o estilo único da pancadaria é excelente. É raro observar a presença de combos bem elaborados em um jogo de ação em 2D. As animações violentas são o suficiente para atrair a curiosidade de fãs de pancadaria. Infelizmente, porém, o desenvolvimento do game não foi tão sólido quanto o esperado.

Violento e cativante

É sensacional poder emendar investidas aéreas com golpes corpo a corpo e também com disparos de uma arma de fogo. Os combos sempre são visualmente recompensadores, por mais repetitivas que sejam as cenas de violência. Shank é brutal, e é muito divertido encarnar um espírito frenético exageradamente sanguinolento.

Imagine a seguinte cena: você aperta um botão, e surge um ataque em câmera lenta. Shank voa pelos ares e crava as lâminas no peito de um oponente. Em seguida, o jogador tem a oportunidade de executar golpes consecutivos no inimigo deitado no chão. Há, inclusive, a chance de parar o combo momentaneamente para fuzilar bandidos à volta e depois voltar a espancar o adversário agarrado.

Na penumbra ou às claras

Pequenas diferenciações visuais tornam o jogo muito bonito. Efeitos simples e interessantes, afetando tanto a iluminação quanto o estilo geral dos ambientes retratados na tela. É curioso observar que, enquanto várias cenas mostram os combatentes com bastante expressão e claridade, certos momentos apresentam diversos personagens lutando na penumbra. Nesse caso, os tiros disparados iluminam brevemente certos objetos.

Isso também vale para os inimigos. Há diferenças entre os vilões que tentam atrapalhar o caminho de Shank. Enquanto os oponentes menores podem ser agarrados com um comando, os adversários maiores (e mais brutais, é claro) são mais resistentes e podem elevar o nível de desafio da pancadaria.

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Definitivamente charmoso

A simplicidade dos gráficos acaba se transformando em uma das características positivas mais expressivas do game. Por quê? Apenas porque, dessa forma, as animações de combate são realçadas e os tiroteios ficam ainda mais envolventes.

Falando em aspectos técnicos, a ambientação sonora também é boa. A música não combina muito com o contexto, mas as trilhas são agradáveis. No que diz respeito a sons e barulhos, não há o que reclamar. Por mais que gamers mais críticos achem defeitos na fidelidade sonora, é impossível deixar de se levar pela constante agitação das batalhas.

Sem problemas no aprendizado

É fácil “pegar o jeito” dos controles e começar a realizar combos arrepiantes. Para obter sucesso nos embates, é crucial saber lidar com o tempo de execução dos golpes e disparos. Uma defesa ou um golpe na hora certa pode ser fundamental para a sobrevivência do personagem controlado.

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Mesmo no modo cooperativo, não é difícil ficar familiarizado com o sistema de comandos. Com um amigo ao lado, a experiência fica ainda mais emocionante, uma vez que existe a oportunidade de contemplar toda a ação do jogo “em dose dupla”.

Linear e repetitivo

Pois é. Os cenários são lineares e não apresentam locais escondidos. Seria muito interessante conhecer os ambientes de forma mais aprofundada e encontrar itens secretos em lugares obscuros. É uma pena que o pessoal da Klei resolveu não investir tempo nesse aspecto.

Tanto os combates casuais quanto os confrontos com chefes das fases são repetitivos. Falando nisso, a inteligência artificial do jogo deixa a desejar em vários pontos. De acordo com a posição de Shank, os inimigos realizam ações inesperadas... E um tanto estúpidas. Durante os testes com o game, o Baixaki Jogos contemplou um bandido que resolveu se suicidar sem motivo algum, pulando para a morte de um trem em movimento.

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Falhas na jogabilidade

Os controles são um tanto precários (certas vezes, é difícil pular na hora certa). Além disso, o botão de ataque é prioridade no modo multiplayer. Isso faz com que, ao invés de salvar o companheiro em meio a vários adversários, o jogador fica apenas espancando inimigos e é capaz de colocar a fase em risco.

Não há uso para o pino analógico da direita. Levando em consideração que os combates são repetitivos, é um desperdício deixar inutilizado um componente físico dos controles, capaz de diversificar um pouco mais os embates com comandos adicionais.

Cadê o capricho?

Para começar, o game não possui uma opção de habilitar legendas durante as cenas de corte. Isso é terrível para quem compreende fracamente diálogos sonoros no idioma inglês. Visualmente, pode-se dizer que é triste contemplar a inconsistência das animações (interação com objetos) e os fundos inalterados pelos movimentos dos combatentes.

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O BJ também teve problemas com tempos de carregamento de dados (o infame loading), com travamentos em certos vídeos de transição e com quedas de fps — taxa de quadros por segundo — em cenas de ação intensa (explosões múltiplas e vários personagens na tela).

Por fim, deve-se reforçar que é fácil presenciar bugs durante os tiroteios. Exemplos? Metralhe um inimigo no ar — atirando reto — sem parar e veja que o corpo do oponente é infinitamente fuzilado, não importando os limites da tela ou do cenário. Mais? Que tal observar um bandido “travado” sob um trem em movimento, retratando uma animação “bugada” de queda?

Mau aproveitamento do potencial

O título distribuído pela Electronic Arts, além de ser superficial (é possível finalizar a trama em duas ou três horas e não há extras que valham a pena), não aproveita a proposta simples e cativante para proporcionar mais diversão aos gamers.

Isso pode ser ratificado através de todos os quesitos negativos citados acima. Parece que os desenvolvedores ficaram preocupados apenas com o estilo visual dos combates. Cenas como travamentos da tela em certas áreas do cenário lateral e oponentes rebatendo nas paredes “invisíveis” (delimitadas pela própria tela) comprovam isso.

70 ps3
Bom

Outras Plataformas

70 xbox-360