Liberdade de movimento como você nunca viu antes... No espaço sideral

Não é em uma galáxia distanteQuando se trata de propostas inovadoras, é preciso tomar cuidado com a forma como são inseridas para não sobrecarregar os jogadores com muitas novidades. Felizmente, a Futuremark — famosa por suas ferramentas de benchmark para PCs e que agora se aventura no ramo do desenvolvimento de games — parece ter entendido isso ao construir Shattered Horizon.
 
A inovação consiste de um conceito bastante claro: um FPS (jogo de tiro em primeira pessoa) em gravidade zero, permitindo aos jogadores movimentar-se em qualquer direção, utilizando o conceito físico de seis graus de liberdade. Parece simples, mas acho que vale a pena explicar um pouco mais para aqueles que ainda não conseguiram captar exatamente o espírito da coisa.

Todos sabemos o que significam as três dimensões, certo? Pode-se ir para cima e para baixo, para um lado e para o outro, para frente e para trás. A grosso modo, estes três eixos de movimento compõem as três dimensões nos jogos eletrônicos. Agora, o objetivo da Futuremark consistiu em adicionar um elemento de rotação em cada um destes eixos — ou seja, o jogador pode girar sobre si mesmo enquanto se movimenta.

Tanta liberdade pode acabar sendo um tanto quanto opressiva, já que estamos bastante acostumados a jogar games do gênero com a forma de movimentação tradicional. Não é nada difícil ficar desnorteado — mesmo porque, não existe norte no espaço sideral. A grande vantagem é que não há sequer necessidade de ter referências como “chão” e “teto”, pois você pode movimentar-se da maneira que desejar, através de propulsores em uma mochila.

Por contar com um conceito tão complexo, Shattered Horizon não tenta complicar ainda mais a vida do jogador. A temática é simples e direta: a época é o meio do século XXI e o homem está minerando a Lua. No entanto, um acidente explosivo de proporções catastróficas faz com que incontáveis toneladas de rochas sejam arremessadas no espaço, em torno da Terra. Isto faz com que seja quase impossível atravessar este cinturão e quem está no espaço deverá ficar por lá.

Consequentemente, um atrito surge entre a Moon Mining Corporation (MMC) e a International Space Agency (ISA). A primeira foi a responsável pelo acidente, e a segunda deve lidar com os responsáveis. A confusão descamba para um conflito armado enquanto ambos os lados tentam sobreviver no espaço e estabelecer-se como a força dominante. É neste contexto que se encaixam os combates por pontos estratégicos — que são os mapas existentes.

Para os fãs de FPS, vale. É bem diferente e inovador, e consequentemente deve conquistar sua parcela de fãs. Não é um jogo com apelo de massa, mas certamente é uma boa tentativa inicial de inserção no mercado de games por parte da Futuremark. A liberdade e a simplicidade são marcas deste título, que oferece uma ótima diversão, com uma boa relação custo-benefício.

Algo que vale a pena ressaltar é a exclusividade deste jogo para PC. Não conseguimos ver como ele poderia ser adaptado a nenhuma outra plataforma atual, já que o mouse é absolutamente necessário para conseguir controlar com precisão a mira ao mesmo tempo em que o jogador gira em todas as direções.

Mais uma vez, o jogo afirma a superioridade das possibilidades para FPS em computadores e expande os padrões estabelecidos. Esperamos que a Futuremark siga em frente e traga ainda mais novidades no futuro.
Descomplicado


Como já foi mencionado anteriormente, Shattered Horizon possui um conceito ousado e inovador. Consequentemente, é necessário um pouco de tempo para se acostumar ao título. O que faz com que os outros elementos de jogo, que podem parecer limitados à primeira vista, sejam na verdade muito bem-vindos.

 

Mire e atire. 
SimplesO que queremos dizer com isso? Explicamos. O jogo possui apenas uma arma, uma espécie de metralhadora. Para complementá-la, em termos de poder de fogo, existem apenas três espécies de granadas: uma de gelo, que produz uma cortina de fumaça, uma que emite um pulso eletromagnético que desativa as armaduras dos adversários e uma explosiva que arremessa os oponentes para longe.

Consequentemente, não é difícil acostumar-se aos controles — que são extremamente intuitivos e diretos — e às trocas de tiros em si. Algo necessário, já que combater inimigos enquanto está girando para todos os lados em gravidade zero é desafiador o suficiente. Imagine se a variedade de armas e efeitos de Quake fosse inserida aqui... Levaria anos para alguém dominar todos os elementos.

Tecnicamente impecável

De certa forma, ele também está testando a 
performance do seu PCIsto já era de se esperar, considerando que a equipe de desenvolvimento é responsável por ferramentas de avaliação do desempenho de computadores. Os aspectos técnicos de Shattered Horizon são simplesmente excelentes, desde os gráficos até os efeitos de física que compõem a movimentação dos personagens em ambientes de gravidade zero.

Efeitos de luz nos lugares certos, sistema de som que leva em consideração o ambiente — sabemos que o som não se propaga no espaço, explicaremos isso abaixo — tudo foi construído e polido muito bem, o que é extremamente agradável para o primeiro título de uma empresa. Agora, quem sabe, eles podem ser mais ambiciosos já que têm a qualidade técnica garantida.

Diferente

É óbvio que não podíamos deixar de mencionar a inovação. A jogabilidade é completamente diferente de tudo o que já vimos, e isto é extremamente interessante em uma indústria que, cada vez mais, aposta em conceitos bem-estabelecidos para não correr riscos. Um pequeno passo para o jogador, um grande passo para a indústria.

Poucos modos e mapas. Será?

Existem três modos de jogo: um de captura de pontos estratégicos, um “deathmatch” e um de ataque e defesa de bases. Com eles, quatro mapas: ISS (Estação Espacial Internacional), Moondust, The Arc (o anel de rochas em torno da Terra) e Flipside. Além deles, existem algumas regras opcionais que podem ser ativadas ou desabilitadas de acordo com o servidor.

Pode parecer pouco, mas o level design foi impressionante em cada um deles. Como não existe uma posição “de pé”, você acaba descobrindo os diferentes cenários dos ângulos mais diversos. Enquanto em um FPS padrão existe uma forma de conhecer os mapas, aqui existem inúmeras, e um ponto que você considera seguro para esconder-se pode não sê-lo de outra perspectiva. Assim, pode-se dizer que existem vários mapas em um só!

Furtivo, mas nem tanto

O ambiente é bastante inóspito, e o cuidado deve ser redobrado quando alguém está atirando em você! Não adianta querer jogar Shattered Horizon como um game “à la” Rambo, com a faca nos dentes e o coração na mão. É preciso cuidado pois nunca se sabe de onde um inimigo pode surgir. Assim, a discrição é um elemento essencial.
Propulsores desligados, hora de matar!
Para tal, é possível desativar sua armadura. Sem ela, você perde a simulação de som (a explicação do jogo para que exista áudio), mobilidade e velocidade. No entanto, não emite a luz dos propulsores, o que o torna muito mais difícil de detectar. Em nossos testes, isto se revelou uma tática extremamente eficiente para eliminar os adversários.

Outro ponto importante é a existência da tecla F. Ela faz com que seu personagem use uma capacidade de aderência na superfície que está mirando, de forma a ficar de pé sobre ela. Isto serve para ganhar um pouco de direcionamento e também para utilizar o cenário como cobertura. Vaguear pelo espaço com luzes azuis ou amarelas — as cores das duas facções — é uma maneira certa de acabar com uma bala no meio da testa.

Som

O som, embora seja uma simulação por parte de sua armadura, é excelente. Ele reproduz de forma bastante convincente os acontecimentos ao redor, e mesmo quando ausente ele se faz sentir. Ao desativar a armadura por exemplo, você escuta apenas sua própria respiração e batimentos cardíacos, tornando-se completamente surdo a tudo o mais que ocorre em volta — mesmo que uma granada exploda ao seu lado. Realismo na ficção científica, mas muito bem feito!

Pequenos detalhes compõem o conjunto de forma espetacular: ao levar um tiro na cabeça, por exemplo, você ouve um zunido rápido antes de morrer; quando um aliado está comunicando alguma coisa, como por exemplo uma base sendo capturada, e morre no meio da frase, ela é interrompida e ouve-se estática. Excelente.

Intuitivo, mas profundo

Não é necessário muito tempo de jogo para adaptar-se ao estilo do game. Os controles são tão fáceis de se acostumar que logo na primeira hora você já está se divertindo ao explodir os tanques dos propulsores inimigos. No entanto, é necessário empenho e muitas horas de jogo para conseguir conhecer as nuances de todos os mapas, dos desempenhos das diferentes granadas, das estratégias mais eficazes para cada modo de jogo...
Falta de servidores locais


Quando tentamos nos conectar, havia apenas um servidor brasileiro — e ele estava completamente vazio durante todo o dia. Algo que não é tão surpreendente, já que o game é relativamente desconhecido e pequeno, mas jogar FPS com ping de 150, para mais, não é tão agradável quanto jogar com 50. Mesmo que o jogo lide bem com tais valores de ping, seria muito bom se pudéssemos jogar em um servidor brasileiro.

Requisitos altos

Os requisitos do jogo o tornam razoavelmente proibitivo para muitos dos usuários brasileiros. Em primeiro lugar, ele não roda no Windows XP, pois utiliza o DirectX 10. Assim, é preciso ter o Vista ou o Seven para conseguir jogar. Isto sem falar nas configurações necessárias para rodá-lo em altas resoluções. Embora não chegue a ser um Crysis 2 da vida, elas são bem altas.
Não há necessidade de um PC da NASA, mas um 
mediano também não serve
Uma GeForce 8800 GT e 2Gb de RAM não são lá estas coisas para PCs de gamers, mas é algo que muitos dos brasileiros não possuem. Sem falar na necessidade de um processador Dual Core. O que limita ainda mais a quantidade de jogadores que o título pode atrair, sendo que seu apelo já é razoavelmente limitado.

Falta de indicativos de acerto de tiro

Não somos especialistas nas consequências de tiros em armaduras no espaço sideral, mas acreditamos que aconteceria algo — visualmente falando. Ao atirar em alguém, a única forma de saber se um tiro acertou a pessoa é através do “crosshair”, que se altera ligeiramente. Fora isso, não há indicativo de acerto e você pode encontrar-se atirando repetidamente em alguém a esmo.
81 pc
Ótimo