A trupe de desajeitados está pronta para divertir a família

Todos os moradores das terras de Duloc estão em harmonia, celebrando e vivendo contentes. Shrek e seus amigos finalmente encontraram paz para criar as crianças e seguir em frente com suas vidas.

No dia da comemoração do aniversário dos pequenos ogros, os humanos — que até pouco tempo atrás tinham intenções de banir criaturas para os confins das florestas — chegam para a festa, pedindo para terem autografadas as suas forquilhas.

A essência de um ogro...

É aí que Shrek percebe que tudo está errado: ele não é mais um ogro do pântano, foi domesticado e vive como um ser pacífico. Até mesmo o Gato de Botas, antes um voraz espadachim, ganhou peso e tem dificuldades para se deslocar — algo muito bem retratado nas cenas de escalada ao longo do jogo.

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Por bem ou por mal, Shrek deixa a cena da festa, cabisbaixo, e tem um encontro com o feiticeiro Rumplestiltskin (um personagem que traria Fiona de volta no primeiro filme, não fossem as ações do herói feio e rabugento). Animado com as possibilidades, Shrek assina um contrato que valida a troca de um dia de sua infância por um dia como um verdadeiro ogro da floresta!

Uma tremenda dor de cabeça

Infelizmente, nem tudo é como parece ser e Shrek acaba em uma enrascada. Ele vai parar em uma dimensão paralela, na qual nunca existiu. Sua cabana é um local abandonado, Fiona e o Burro não o reconhecem e a caçada aos ogros, por parte dos humanos, continua acontecendo, com inúmeros avisos de “procurado” espalhados pelas árvores.

O jogo presume que você conhece a história dos filmes (ao menos até os eventos que antecedem “Forever After”) e parte direto para uma animação com o vilão, na qual ele narra seus planos maquiavélicos. Depois de alguns minutos de monólogo, você ganha controle da equipe, sem explicações adicionais.

Mas além da história, o que é que Shrek Forever After tem a oferecer aos jogadores?

Nem cogite comprar Shrek Forever After pensando nele como um jogo de ação e plataforma tradicional, pois ele não é. O jogo foi projetado do início ao fim para explorar os pontos mais altos dos filmes de animação (como as piadas e a própria trilha sonora), sem grandes preocupações com a questão da jogabilidade.

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Tudo neste universo é repetitivo para os jogadores mais experientes. Como já mencionado, o combate depende basicamente de um botão, enquanto os desafios exigem apenas o carregamento de objetos e a troca de personagens (sendo que ainda é possível comprar as soluções em cada estágio).

Como resultado o que se vê é um título voltado exclusivamente aos fãs assíduos e aos mais jovens — inclusive crianças, que estão dando seus primeiros passos no mundo da leitura e dos jogos. Se quiser viver esta aventura, esteja preparado para driblar a falta de variedade e certifique-se de que seus amigos e familiares estarão por perto para aumentar a dose de diversão.

Na pele dos amigos

Vai jogar sozinho? Sem problemas, já que desde o início do jogo você pode trocar livremente entre os quatro personagens principais da trupe, que são Shrek, Fiona, Burro e o Gato de Botas. Cada um deles parte para a aventura carregando habilidades diferenciadas (e cheias de estilo).

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Shrek é capaz de soltar seu rugido de ogro, fazendo com que a maioria dos inimigos saia correndo de medo. A princesa Fiona — que aqui aparece como a líder do movimento de resistência da floresta — solta um assovio agudo. O gato de Botas encanta, fazendo a cara de pidão que dobra qualquer maldade; e o Burro faz o que sabe de melhor: incomodar a todos com seus gritos, piadas sem graça e cantorias.

Cada um dos membros da equipe deve ser ativado ao longo das partidas, já que eles têm papéis específicos ao longo dos quebra-cabeças. Outra vantagem é que a energia deles é individual. De tal forma, se você estiver à beira da morte, basta pressionar um botão para passar a vez e continuar destruindo os soldados de Rumplestiltskin.

Diversão com a família

Mas é com mais gente na sala de estar que o jogo começa a divertir. Cada pessoa pode ligar um controle e escolher um personagem para brincar ao longo da campanha. Há suporte para até quatro jogadores simultaneamente. A baderna vai ser grande na tela, mas é bem isso que propicia a diversão.

Para descontrair mais ainda, o game deixa que os participantes batam uns nos outros de tempos em tempos. Nenhum dano é contabilizado, mas uma pequena moeda de prata se desprende do corpo daquele que foi atingido. Se quiser descontar a raiva por um erro, já sabe como fazê-lo.

Botando pra quebrar

A trilha sonora do jogo não é exatamente expressiva nem original (principalmente enquanto você circula pelo pântano da dimensão paralela ou pelas ruínas do castelo), mas as cenas de batalha contam com o apoio das músicas mais famosas que apareceram nos filmes ao longo dos anos.

Exemplos incluem “I’m a believer”, regravada pela banda Weezer. Os fãs se identificarão na hora e a criançada vai rir à toa enquanto tenta por um fim às ondas de criaturas mandadas pelo vilão.

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Conquistando cada troféu

A campanha principal pode ser completada em questão de seis a doze horas, de acordo com o desempenho do grupo de jogadores. Entretanto, existem inúmeros itens secretos e áreas ocultas que farão com que você e seus amigos voltem a explorar os cenários, principalmente depois de fechar o jogo — já que terão novos poderes para utilizar.

As maiores recompensas para aqueles que se dedicarem integralmente à caça ao tesouro são dinheiro, para a compra de novos itens no acampamento dos ogros, e conquistas ou troféus, de acordo com a plataforma escolhida (Xbox 360 ou PlayStation 3).

Sistema primário de combate

Apesar do foco na simplicidade, podemos dizer que a dose para o combate foi exagerada. Tudo é feito com praticamente um botão, bastando apertá-lo repetidas vezes sem qualquer cuidado. Jogadores mais vorazes se entediarão cedo, vendo inúmeras vezes ao longo do game a mesma sequência de golpes.

Você até pode recorrer ao uso das habilidades especiais de cada um dos guerreiros desastrados (ou ao uso de alguns power-ups coletados pelo caminho), mas os ataques são tão lentos e ineficazes que não vale a pena... O pior de tudo é que nem mesmo um comando de defesa existe.

Impacto zero

Os gráficos vistos aqui são os melhores dentre todos os jogos baseados em Shrek já lançados. Embora isso represente um avanço significativo para a franquia, não podemos deixar de notar que eles ainda estão muito aquém do padrão imposto por outros jogos que estão no mercado.

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Alguns dos fatores que mais pesam contra Forever After são a presença constante de serrilhados, cortes na imagem (fenômeno chamado de “screen tearing”, explicado em detalhes neste artigo), texturas borradas por todos os cantos e um trabalho sofrível com a animação dos personagens que habitam o universo virtual.

Praticamente tudo o que você observa na tela tem uma movimentação truncada. O que agrava ainda mais as falhas técnicas do jogo é o posicionamento da câmera, constantemente afastada, o que impede que o jogador observe os poucos detalhes sólidos, tais como o pelo do Burro.

Pensamento mecânico

O jogo até se esforça para apresentar uma mistura equilibrada entre quebra-cabeças e combate, mas a verdade é que as partes de raciocínio são rasas demais e forçam você a realizar um trabalho que é mais braçal do que mental. Durante boa parte do tempo, você estará carregando caixas, ativando potes mágicos e assustando soldados com fogos de artifício, sem ter que pensar de tão simplórios que são os desafios.

Isto é, mais uma vez, frustrante pela repetição extrema que se estende pelas fases. Shrek Forever After o obriga a fazer tudo pelo menos cinco vezes, até que seja liberada a passagem para o chefe ou para um novo reino.

65 ps3
Regular

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65 xbox-360