Análise de Sid Meier's Civilization V: Brave New World

Um mundo vasto e impressionante pronto para ser explorado

Lançado em 2010, Sid Meier’s Civilization V marcou uma verdadeira revolução para a série de estratégia. Deixando de lado muito da complexidade das versões anteriores, o game ganhou interfaces e sistemas remodelados que não só faziam veteranos terem que reaprender como jogar a franquia, como traziam uma maior acessibilidade ao título.

Quase três anos após seu lançamento, já contando com vários DLCs e uma expansão, o jogo não precisava mais provar seu valor, figurando facilmente em listas de melhores games para PC da última década. Diante desse cenário, a desenvolvedora Firaxis poderia repousar tranquilamente sobre suas conquistas e se dedicar somente a lançar novas civilizações e mapas para o game.


Felizmente, não foi isso o que a produtora decidiu fazer. Em Brave New World, a empresa decidiu remodelar muitos dos aspectos que faziam falta no título, alterando muitas das mecânicas e estratégias presentes nos estágios intermediário e final das batalhas travadas pelos jogadores. Algo pelo qual os fãs da franquia deverão ser eternamente gratos ao estúdio.

Basta notar a disparidade entre a quantia de texto dedicada para descrever as qualidades do título e aquela utilizada para falar de seus problemas para perceber que Brave New World é uma expansão essencial. Sem medo de mexer em mecânicas consolidadas, a Firaxis consegue transformar Civilization V em um título ainda mais profundo e complexo — um verdadeiro deleite para os fãs de um bom game de estratégia.

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Caso você já tenha gastado milhares de horas no jogo-base, a expansão é uma ótima oportunidade de conhecer novas civilizações e aprender como vencer usando táticas diferentes. Felizmente, o título continua sendo bastante acessível para iniciantes (quando se leva em conta o padrão da franquia), que não devem demorar a se acostumar às novas mecânicas introduzidas com o DLC.

Em resumo, Brave New World é daquelas expansões essenciais que devem ser experimentadas por todos os fãs de Civilization V. Para efeitos de comparação, ela é tão essencial para o jogo quanto The Conquerors foi para Age of Empires II.

Sem medo de mudanças

As mudanças proporcionadas pelo pacote de expansão ficam claras a partir do momento em que você inicia uma nova partida do game. Além de contar com novas civilizações (incluindo a interessante Veneza, incapaz de criar “Settlers”), o jogo remodela muitos dos bônus concedidos a líderes já bem conhecidos pelos fãs — Napoleão, por exemplo, deixa de receber pontos de cultura extras e passa a ganhar alguns prédios especiais em um momento mais avançado da partida.

No entanto, a principal novidade trazida pelo DLC só vai ficar clara em um momento posterior, especialmente se você apostar em uma vitória cultural sobre seus adversários. Enquanto no passado bastava pesquisar completamente ao menos cinco políticas e investir na construção do “Utopia Project”, agora será preciso se dedicar muito mais para ganhar de seus adversários usando essa estratégia.

Ciente das desigualdades provocadas pelo sistema-básico do jogo, a Firaxis introduz com a expansão um elemento conhecido simplesmente como “Turismo”, que vai determinar a influência que sua civilização exerce sobre o resto do mundo. Em Brave New World, o jogador deve combinar construções especiais com as habilidades de Grandes Personalidades específicas como forma de incrementar esse atributo e garantir sua superioridade sobre os adversários.

Embora pareça complicado em um primeiro momento, esse sistema funciona de maneira bastante lógica. Quando um músico famoso surge em sua cidade, você tem a opção de usá-lo para incrementar momentaneamente seus pontos de cultura ou usar a habilidade especial da unidade que permite a ela investir na criação de uma grande obra — algo que só é possível se o jogador possui uma estrutura como um anfiteatro em sua cidade.

Optar por seguir esse caminho vai fazer com que você ganhe pontos de turismo, que servem como medida de sua influência frente a outras civilizações. O mesmo esquema pode ser repetido com artistas plásticos, escritores e outros profissionais, cada um exigindo a construção de uma estrutura específica para que você possa exibir as obras criadas por ele.

Como forma de contra-atacar jogadores que optam por essa estratégia, você pode incrementar a cultura de suas próprias cidades, impedindo que a influência exercida por seu adversário afete a sua população. Para complementar, mais tarde o jogo introduz arqueologistas como uma unidade controlável, capaz de descobrir artefatos que ampliam ainda mais seu turismo ou melhoram sua relação com outras nações caso você decida cedê-los a elas.

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Embora não seja exatamente realista, a luta entre os dois atributos contribui para tornar o final das partidas mais interessantes e evita que ocorra uma situação comum no jogo-padrão, na qual a única solução para impedir a vitória cultural de um adversário era destruí-lo com ações militares ou investir na construção do “Utopia Project” antes dele.

Também vale notar a inclusão do sistema de ideologias, representadas por três árvores de habilidade distintas que ajudam a definir o foco de sua nação. Além disso, civilizações que possuem filosofias semelhantes ganham bônus por interagir entre si, sofrendo punições ao lidar com aqueles que possuem pontos de vista dissonantes.

Ao definir a ideologia de sua nação, vale notar qual o caminho está sendo seguido pelos seus adversários, já que quem possui a visão de mundo dominante ganha vantagens substanciais em sua cultura e turismo. Dessa forma, muitas vezes vale investir em um atributo que não seja exatamente o melhor para o crescimento de sua nação somente para impedir a vitória fácil de seus competidores.

Rotas comerciais

Outra novidade introduzida pela expansão é a possibilidade de construir rotas comerciais com cidades-estado, com outras civilizações ou entre suas próprias metrópoles. Além de isso permitir que você obtenha mais rapidamente os recursos de que precisa (você pode vender seu excesso de comida em troca de uma maior produtividade), essa opção também permite desenvolver mais rapidamente cidades fundadas recentemente.


No entanto, é preciso ficar atento a dois fatores desse sistema que podem complicar sua vida. O primeiro deles é o fato de que as rotas comerciais são representadas no mapa por unidades que não são capazes de atacar ninguém, o que as torna um alvo perfeito para bárbaros ou para civilizações com as quais você não possui nenhum pacto de amizade.

Dessa forma, muitas vezes será preciso investir em unidades militares para fazer a escolta de sua caravana, processo que pode exigir tempo e dinheiro dos quais o jogador não dispõe nos momentos iniciais de uma partida. Apesar de representar uma preocupação a mais, esse sistema traz como vantagem um melhor aproveitamento dos oceanos do jogo, que não raro costumavam ficar vazios após você terminar a fase de exploração do mapa.

Img_normalO outro ponto ao qual o jogador deverá ficar atento é o fato de que as rotas de comércio não transportam somente bens físicos, também sendo responsáveis por distribuir elementos como religião e ciência. Ou seja, ao estabelecer trocas com outras civilizações, você sem querer pode estar contribuindo para que ela faça pesquisas mais rapidamente, o que pode transformá-la em uma ameaça em um momento posterior.

Congresso Mundial

Talvez a principal mudança de Brave New World seja a introdução do World Congress (Congresso Mundial), sistema que surge após um país encontrar todas as nações do mundo e descobrir o jornalismo impresso. Essa opção muda bastante o jogo, fazendo com que seja preciso investir em boas relações diplomáticas para conseguir sobreviver aos momentos mais avançados de uma partida.

Essa espécie de conselho global é capaz de determinar mudanças de rumo que podem assegurar sua vitória ou determinar severas punições para sua civilização. Através das votações realizadas, é possível escolher qual a religião oficial do mundo (o que prejudica países com crenças diferentes) ou aumentar o custo de manutenção de unidades militares — algo que pode levar à falência estados que seguem o caminho armamentista.

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Como cada uma das civilizações em jogo possui uma quantidade determinada de delegados capazes de votar a favor ou contra as propostas apresentadas, é essencial que você possua uma boa gama de aliados se quiser garantir uma vitória. Dessa forma, aquela pequena campanha militar que você empreendeu no começo da partida pode custar caro a longo prazo, já que seus competidores vão lembrar dessa atitude desagradável na hora de decidir se você deve ganhar aquele bônus cultural que tanto espera.

Esse sistema também garante uma importância maior às cidades-estado do título, que são capazes de barrar propostas. Além disso, elas são as únicas capazes de sugerir que haja uma mudança na liderança do congresso (que por padrão pertence à primeira civilização que cumpriu os requisitos necessários para criá-lo) ou apontar um líder mundial, o que impede que jogadores abusem de sua posição como forma de massacrar seus inimigos.

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Vale notar que os exemplos mostrados aqui são somente uma parcela do que o novo sistema é capaz de fazer. Caso você queira obter uma vitória cultural, prepare-se para gastar algumas horas estudando seu funcionamento e planejando quais as melhores táticas para garantir vantagens sobre outras civilizações.

Conflito com outras expansões

O grande problema de Brave New World não é exatamente um defeito do game em si, mas sim o fato de que ela torna o DLC Gods & Kings totalmente desnecessário. Embora o novo pacote de conteúdos não contenha algumas civilizações presentes na expansão anterior, ele acompanha todos os sistemas e adições que tornaram o título antigo interessante.

Isso deve frustrar quem já havia investido na compra do pacote anterior, cujo preço de venda é exatamente o mesmo da nova expansão. Assim, não é difícil ficar com a impressão de que a Firaxis pecou ao cobrar duas vezes por conteúdos bastante semelhantes, sendo que Brave New World traz mecânicas muito mais interessantes e dignas de serem adquiridas.

95 pc
Excelente