Mais grandioso, acessível e bonito do que nunca

Img_normalCivilization é uma das franquias que definem os jogos de estratégia. O nome é muito bem reconhecido, tanto pelos fãs quanto pela própria indústria de games. Não é para menos, já que a série sempre produziu jogos de altíssima qualidade, que fizeram inúmeros jogadores passarem horas em frente à tela tentando levar suas respectivas civilizações ao topo.

Ao iniciar pela primeira vez o game, como acontece em vários outros jogos de estratégia, a primeira sensação é a de estar sobrecarregado com a quantidade de informações na tela. O jogador deve lidar com uma grande variedade de estatísticas, recursos e elementos variados para ser bem sucedido em Civilization V, o que torna os primeiros momentos bastante esquisitos para quem não é veterano da série.

Isso se torna ainda mais evidente quando o jogador, buscando se inteirar da dinâmica de jogo, entra no tutorial. O qual, na verdade, não é bem um tutorial, a não ser pela dificuldade. Isso porque ele não explica em detalhes o que fazer para começar do zero, se limitando a dar dicas por meio dos conselheiros que estão presentes em qualquer partida.

O tutorial se revela, portanto, uma simples partida introdutória que não pune tanto o jogador por seus erros. Logo, é preciso estar com vontade de aprender e ir atrás das melhores formas de evoluir sua civilização, sem ser levado pela mão — o que não é de todo ruim. Se tornar independente dos auxílios do game é algo essencial para se dar bem rápido.

Logo nessa primeira partida, porém, é possível perceber de que se trata o game. É uma experiência de jogo complexa, que engloba muitas facetas de jogos de estratégia e explora vários elementos do gênero — e demora para fazê-lo. Demora bastante. Nossa partida tutorial levou quatro horas. Quatro horas para o que deveria nos mostrar o básico do game.

É claro que um jogador experiente saberia vencer tal cenário em muito menos tempo. Mas o tutorial não é para jogadores experientes... Nós vencemos a partida da forma como queríamos, mas ainda assim seria interessante que o jogo mostrasse qual era o caminho mais adequado para o nosso estilo de evolução. Enfim.

É bom ressaltar que um esforço considerável foi colocado na parte multiplayer do jogo, que é tão divertida quanto um game por turnos pode ser ao ser jogado com outras pessoas via internet, sem que as possamos ver. O single player é o forte, já que a inteligência artificial é bastante desenvolvida, mas aqueles que buscam um complemento à experiência nos modos multiplayer não ficam desapontados.

Civilization V possui muitas facetas, algumas das quais cobrimos apenas brevemente nesta análise. É profundo, envolvente, divertido, recompensador... Os adjetivos poderiam ser listados aqui por horas. Mas basta dizer que o jogo vale muito a pena, e definitivamente demonstra a evolução da série Civilization, que atinge novos patamares de qualidade.

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Fãs de estratégia vão gostar, fãs de gerenciamento vão gostar, fãs de Sid Meier vão gostar, enfim, fãs de games vão gostar! Existem pouquíssimas falhas no título e o trabalho realizado foi excelente. É claro que existem alguns pequenos probleminhas, com animações irregulares e o multiplayer que exibe bugs, mas eles realmente não tiram a diversão.

É o momento de reservar várias horas e acompanhar o crescimento de uma civilização até seu ápice, tornando-a a maior potência mundial e mostrando a todos a que você veio. Mais do que nunca, Civilization V permite ao jogador fazer isso, de forma acessível, prática e fácil — só não rápida.

Apresentação excelente

A primeira coisa que se nota, especialmente quem já jogou os games anteriores da franquia, é o novo estilo do game: agora as divisões na grade do mapa são feitas em hexágonos, e não quadrados como se dava anteriormente. Embora isso tenha mais implicações na jogabilidade do que na apresentação, é impossível não notar o impacto.

Junta-se a isso uma interface fantástica. Em um jogo com tantas coisas a serem consideradas, é imprescindível que o jogador possa realizar suas tarefas facilmente e de maneira adequada. A interface do game o permite impecavelmente, já que existem divisões extremamente bem pensadas para tudo o que aparece na tela — e com que o jogador deve interagir.

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Por exemplo, botões ao lado direito da tela mostram os acontecimentos daquele turno. Logo abaixo desses botões existe um botão principal, uma espécie de botão “faz-tudo”, que é responsável tanto por demonstrar o que deve ser feito (uma unidade precisa receber ordens) ou algo que está faltando (uma nova pesquisa pode ser iniciada).

Os recursos na parte superior mostram apenas o essencial, sendo possível passar o mouse por cima de cada elemento para ver mais detalhes sobre ele (e quanto detalhe). Soma-se a isso um demonstrativo do que está sendo feito no momento — e que pode ser alterado para mostrar o que o jogador quiser — e seu progresso.

Tudo é muito fácil de usar e de entender, o que torna a experiência de jogo muito mais acessível — especialmente para iniciantes. Quando o jogador quer fazer algo, descobre rapidamente aonde deve ir, sem precisar ficar vasculhando menus obscuros ou entrando em lugares que não têm nada a ver com a tarefa em questão.

Intuitivo

Img_normalEsse último ponto sobre a interface pode ser resumido na palavra “intuitiva”, mas pode também ser expandido para o resto do game. As tarefas todas são fáceis de entender — não só no que diz respeito a sua execução, na interface, mas também a seu planejamento no mundo de jogo. Por exemplo, se você quer ligar duas cidades com uma rua, o fará diretamente, sem o grande emaranhado de pavimentação que havia em títulos anteriores da série.

A expansão das cidades também é muito mais consciente e razoável, permitindo ao jogador entender o que está acontecendo e como sua civilização está se desenvolvendo — não é necessário entrar apenas no espírito do jogo, tudo obedece um ritmo que é bastante intuitivo. Por isso, é muito fácil se perder dentro da experiência por horas e horas.

Muito bonito

Os gráficos são fantásticos, em seu próprio estilo. Não veremos aqui efeitos em 3D espetaculares com sombras mesmerizantes e um sistema de texturas que parece mostrar o suor de cada unidade — já que esse não é o objetivo. Mas temos, com certeza, um jogo extremamente bonito e agradável visualmente, que complementa perfeitamente o estilo de jogo e se encaixa sem incongruências com ele.

A maestria está nos pequenos detalhes, como a evolução das construções ao longo das eras, o acabamento dos edifícios e dos terrenos, o estilo de arte próprio utilizado no mapa estratégico, a forma como as regiões são reproduzidas fielmente... Tudo isso contribui para visuais que realmente impressionam para um game de estratégia.

Estratégico e tático

Estratégia essa que já está no sangue da franquia. Mas existem outros elementos desse tipo de jogo que não eram tão bem explorados em títulos anteriores. Táticas de batalha, por exemplo. Ou táticas de negociação. Algo que foi remediado desta vez, já que a tática é algo imperativo para o sucesso, especialmente em algumas condições de vitória (como a militar).

Isso porque não é mais possível aglomerar todas as suas unidades juntas, já que apenas uma unidade militar pode ocupar um determinado hexágono de cada vez, junto com uma unidade de trabalho. Assim, a movimentação de tropas deve se dar de maneira mais espalhada, e cercar os alvos antes de derrotá-los não é apenas uma tática válida: é essencial.

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O que se reflete particularmente nos cercos a cidades. Desta vez, é preciso situar suas tropas mais frontais (como soldados de infantaria e cavalaria) em torno da fortaleza e inimiga enquanto suas unidades de artilharia (como arqueiros e canhões) ficam mais atrás, atacando à distância. Estar em hexágonos adjacentes a outros aliados confere bônus a cada uma das unidades, algo essencial para derrotar inimigos mais fortes.

Além disso, existe uma prévia dos combates que aparece em forma de estatísticas ao passar o mouse sobre uma unidade inimiga, quando se tem uma tropa selecionada. Essa estimativa leva em consideração a força bruta dos exércitos, mas ainda mostra efeitos de terreno e fortificação, que devem ser levados em consideração para calcular se vale a pena entrar em batalha.

Mais uma vez, a surpresa se encontra nos detalhes, já que prestar atenção nas pequenas coisas pode levar a resultados bastante surpreendentes — algo que deve ser levado em consideração, já que jogadores de Civilization estão frequentemente acostumados a se concentrar no aspecto macro das coisas, e não no micro.

Grandioso

Mesmo assim, por mais que exista um foco maior no microgerenciamento de aspectos do jogo, Civilization V continua a tradição da franquia de oferecer experiências de jogo grandiosas. Você ainda comanda uma civilização desde seus primórdios até o lançamento de foguetes ao espaço como forma de demonstrar sua superioridade às outras nações.

Assim, você decide que tipo de princípios fundamentará a evolução de seu império, qual será a forma de vitória (cultural, diplomática, militar ou científica), quem serão seus aliados, quem serão seus inimigos e qual parcela do mundo será ocupada por suas cidades. Grandioso como poucos conseguem ser, ao mesmo tempo em que mantém uma jogabilidade envolvente e recompensadora.

Cidades-Estado

Img_normalFalar em cidades sem mencionar a novidade mais interessante de Civilization V seria um pecado. Além dos competidores pelo título de civilização mais imponente do mundo, existem agora outros atores internacionais nas partidas. Elas são as cidades-estado, pequenas nações que não se expandem e não buscam a vitória — são como elementos neutros que se alinham com os vários poderes do mundo de acordo com seus interesses e necessidades.

Elas são bem diferenciadas dos outros atores por funcionarem de maneira diferente: é preciso ganhar favor com elas de maneira a se tornar um amigo ou aliado. Isso pode ser feito por meio de presentes em dinheiro ou unidades, ou pela realização de algumas tarefas que interessam àquela cidade-estado específica. Por exemplo, se Veneza pede que alguém se livre dos bárbaros que a cercam, a nação que o fizer cairá nas graças dos venezianos.

Assim sendo, existem vários outros fatores a serem considerados na hora de expandir seu império e realizar comércio — isso porque as cidades-estado ocupam território, possuem recursos próprios e podem oferecer benefícios a seus aliados. Logo, se tornar alguém benquisto pelas várias nações independentes do mundo pode ser algo extremamente benéfico.

Combate remodelado

Já mencionamos que o combate está muito mais tático, mas é preciso ressaltar que agora ele também está mais importante. Cada unidade tem muito mais valor, já que é bem mais demorado para treiná-las, e as veteranas ficam bem mais fortes graças ao sistema de melhoria que permite ao jogador decidir como elas evoluem.

Quando somamos isso ao novo esquema hexagonal, que permite muito mais liberdade na movimentação, temos um sistema de combate que é bem mais envolvente e realista, com tropas que possuem características próprias e diferentes das demais.

Muito longo

Cada partida demora muito. Muito mesmo. Mesmo as menores que tentamos jogar online, com mapas minúsculos e apenas quatro jogadores, levaram horas e horas. Tudo bem querer englobar muitos aspectos da evolução de uma civilização, mas seria excelente poder acelerar um pouco mais a experiência e poder criar partidas que duram umas duas horas — seria muito mais acessível.

Bugs e lag no multiplayer

O multiplayer do jogo não é ruim, mas apresenta vários problemas de jogabilidade. Botões que param de funcionar não são incomuns, assim como uma demora considerável na hora de realizar as ações — o chamado lag. Como o game é por turnos, e não em tempo real, isso não atrapalha o jogo em si tanto quanto poderia, mas ainda se revela extremamente frustrante.

Infelizmente não conseguimos explorar ainda todo o modo de multiplayer local, mas ele deve se revelar bem melhor já que você estará jogando com amigos e o fator lag é praticamente eliminado. Sem falar que é possível dar uns cascudos naquele safado que está demorando horas para passar o turno.

95 pc
Excelente