O terror retorna em sua melhor forma

Tenho de admitir que tenho um sério problema com a moda das remasterizações. Por melhores que sejam os jogos, a sensação que tenho é de que se trata de um trabalho fácil feito exatamente para arrecadar dinheiro sem muito esforço. Basta aplicar um novo filtro, aparar algumas arestas que a tecnologia passada não suportava e adicionar conquistas e troféus para lançar um game como novo. Pode ser uma implicância exagerada, mas a grande quantidade de “HD Collections” chegando ao mercado já saturou.

Porém, o anúncio de que a Konami iria lançar uma coletânea com os dois primeiros títulos da série Silent Hill para PlayStation 2 em alta definição me fizeram rever minha resistência quanto ao formato. Afinal, como ficar indiferente à versão em HD de dois dos melhores jogos de uma franquia me fez sentir, pela primeira vez, medo de segurar um joystick?

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Embora eu tenha uma grande desconfiança com coletâneas de jogos antigos, devo dar o braço a torcer ao bom trabalho feito em Silent Hill HD Collection. O título resgata dois grandes clássicos do Survival Horror e consegue fazer com que o visual atualizado funcione bem, deixando os jogos muito mais apresentáveis a quem não teve a oportunidade de conferi-los no PlayStation 2.

É claro que há algumas falhas, mas levando em consideração que se trata de games lançados há dez anos, algumas derrapadas são compreensíveis e até mesmo esperadas.

É por isso que Silent Hill HD Collection é um título obrigatório na coleção de todo fã e de quem sente falta de jogos que realmente façam você tremer com o controle na mão. Em tempos em que nem mesmo os zumbis são capazes de assustar, revisitar a velha Silent Hill que aprendemos a amar — e a temer — é uma ótima experiência.

Revisitando os clássicos

É impossível falar de Silent Hill HD Collection sem comentar o que significa esse retorno à atual geração. Depois do sucesso do primeiro jogo da série no PlayStation — principalmente por se tratar de uma franquia inédita que conseguiu bater de frente com o fenômeno Resident Evil —, a Konami preparou duas sequências ainda melhores para o PS2, trazendo uma trama ainda mais intensa e assustadora, juntamente com gráficos impressionantes para a época. Não demorou muito para que ambos os títulos se tornassem clássicos.

Foi em Silent Hill 2 que as principais marcas da série foram consolidadas. Embora a cidade sombria e tomada pela névoa sejam criações do game para PSOne, foi somente no segundo capítulo que inimigos icônicos, como Pyramid Head, deram as caras e a trama abandonou o misticismo para ganhar uma pegada muito mais voltada ao lado psicológico dos personagens.

Já Silent Hill 3 se destacou por ser uma sequência direta do jogo original, além de trazer uma pegada um pouco mais brutal, levando o terror a um nível diferente de seus antecessores, além de melhorias muito mais significativas na parte técnica.

Poder revisitar todos esses clássicos uma década depois de seus lançamentos é algo muito prazeroso, principalmente após os recentes erros que a Konami cometeu com a série. Em tempos em que o Survival Horror está cada vez mais se voltado à ação, retornar à velha Silent Hill é algo fantástico. O terror retornou e em sua melhor forma.

Deixando o bom ainda melhor

Se os dois títulos eram impecáveis em seus enredos, a remasterização tratou de melhorar aquilo que o tempo deixou defasado. O melhor de tudo é que o trabalho realizado para o lançamento das versões em HD conseguiu renovar os títulos e deixá-los mais apresentáveis à atual geração, que se acostumou com gráficos super-realistas.

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Isso se torna nítido em Silent Hill 3, que já tinha um ótimo visual no PlayStation 2. Heather Mason e seu mundo sombrio ficaram muito bem com a roupagem em HD, podendo se passar facilmente como um game recente. Já o segundo título sofre um pouco mais com as marcas da idade, pois a grande quantidade de filtros usados para adaptar a modelagem de 2001 faz com que a imagem fique muito granulada, principalmente nas cenas externas.

No entanto, a grande maioria dos defeitos consegue ser muito bem maquiada pela escuridão que domina o jogo como um todo. Por mais que os gráficos não sejam modelados HD e ainda haja resquícios de polígonos extras que sobreviveram à remasterização, você quase não enxerga essas falhas em meios aos corredores sombrios.

Outro ponto são os controles. O padrão utilizado em Silent Hill Collection é o clássico, ou seja, aquela jogabilidade usada no final dos anos 90 e começo dos 2000 em que você ajusta a direção desejada e ordena que o personagem avance ou recue. Porém, se você considera esse tipo de comando muito travado, saiba que há como adaptá-lo para deixá-lo semelhante aos jogos atuais.

Para os fãs

A Konami também pensou nos velhos fãs na hora de trazer Silent Hill HD Collection ao Xbox 360 e PlayStation 3. Além de trazer tudo aquilo que eternizou os dois games, há alguns extras feitos ou resgatados exatamente para agradar àqueles que sempre foram apaixonados pela série.

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O primeiro é o extra Born From a Wish, uma espécie de capítulo paralelo de Silent Hill 2 que conta um pouco da história de Maria enquanto James tenta sobreviver na enevoada cidade. O jogo foi lançado juntamente com a versão especial de SH2 original e agora chega a todos os jogadores.

Ainda no segundo jogo, há a opção de selecionar entre a dublagem de 2001 ou uma versão feita especialmente para a remasterização. Embora as novas vozes sejam muito boas e façam com que o áudio acompanhe as melhorias visuais do game, poder ouvir os protagonistas clássicos é algo que certamente irá fazer muito fã mais feliz.

 Quando a idade pesa

Embora a remasterização tenha dado uma nova vida aos clássicos, isso não significa que algumas marcas da idade passaram despercebidas. Por mais que a escuridão costumeira da série consiga mascarar algumas dessas falhas, outras saltam aos olhos até mesmo na mais completa treva.

Isso é facilmente percebido em Silent Hill 2. Além da já comentada imagem granulada, outros problemas da década passada estão presentes, como a névoa “sólida” que incomoda em todas as cenas externas.

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Como todo fã já sabe, o recurso foi adicionado no game como uma saída à baixa quantidade de memória existente no PlayStation e se tornou uma marca da série. A Konami, porém, decidiu amenizar a intensidade da neblina que toma as ruas de Silent Hill para deixar o ambiente um pouco mais visível — o que criou um efeito muito bizarro.

Ao ampliar o campo de visão do jogador, boa parte da névoa foi literalmente cortada. Basta uma rápida olhada no cenário para perceber que há uma linha bastante clara que separa a área nítida daquilo que foi tomado pela neblina.  Ao andar, a sensação que temos é de que há um paredão de fumaça que se afasta de você e não de que o personagem está entrando nela.

Em Silent Hill 3, a falha é um pouco diferente. Como dito anteriormente, a roupagem em 720p dada ao clássico funciona muito bem, mas a um custo. Muitas cenas em HD têm seu desempenho comprometido, criando um efeito de slowdown devido à queda na quantidade de quadros por segundo na imagem.

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