Acessibilidade e dinamismo marcam a volta do simulador da Maxis [vídeo]

Videoanálise

Com o sucesso da série The Sims, a desenvolvedora Maxis se viu em uma situação complicada. Embora tenha sido com SimCity e outros simuladores que a empresa fez seu nome, era inegável que a série em que você controla a vida de diversas pessoas virtuais possui um público muito amplo, disposto a pagar por itens e funções adicionais lançados de forma constante.

Depois de trabalhar em vários pacotes de expansão para a consagrada franquia da Electronic Arts, eis que em 2013 o estúdio finalmente decidiu olhar para o passado. Lançado no início de março para o PC, o novo SimCity vem acompanhado por diversas polêmicas: a falta de um modo single player e a exigência de uma conexão permanente são somente alguns dos pontos que geram muitas críticas desde que foram anunciados.

Passamos diversas horas no mundo do simulador e trazemos a você uma análise completa desse que é um dos lançamentos mais importantes de 2013. Confira nossas impressões e, depois da leitura, registre sua opinião sobre o jogo em nossa seção de comentários.

Caso a complexidade vista nas versões anteriores de SimCity tenham feito você cultivar certo receio da série, esse é o momento de mudar de opinião e dar uma chance ao jogo da Maxis. Incorporando elementos de design simplificados, o game se mostra bastante acessível para um público extremamente amplo sem deixar de lado os elementos que tornaram a franquia famosa.

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Infelizmente, a experiência pode ser totalmente arruinada devido à opção da Electronic Arts de torná-la exclusivamente online. Mesmo que você possua uma conexão banda larga potente, nunca é certo se os servidores da empresa vão estar online ou passando por alguma instabilidade — ambos fatores que impedem investir na construção de cidades virtuais.

Em resumo, o novo SimCity raramente vai decepcioná-lo como jogo, já que oferece uma experiência prazerosa em que cada estrutura ou edifício erguido serve como estímulo para continuar em frente ao computador. Contanto, claro, que você consiga driblar os desafios impostos por sua publicadora e consiga se conectar ao mundo do título.

O título mais acessível da série

Preocupada em atrair novos jogadores, a Maxis fez diversas modificações na fórmula-base de SimCity que tornam o novo jogo o mais acessível de toda a franquia. Exemplo disso é o tutorial que é ativado durante a primeira vez em que o game é executado, através do que é possível aprender rapidamente os elementos básicos necessários para construir uma metrópole gigantesca.

Fonte da imagem: Felipe Gugelmin/BJ
Outro exemplo dessa mudança é o fato de que não é preciso mais traçar manualmente redes elétricas ou instalar um sistema de canos subterrâneo em sua cidade. Basta construir uma usina de energia eólica ou estação de esgoto para que elas passem a operar automaticamente, contanto que respeitem a existência de pré-requisitos como correntes de vento e fontes subterrâneas de água.

O jogo também estabelece uma série de missões que, quando finalizadas, garantem o direito de construir estruturas mais complexas e caras. Apesar de limitar o ritmo de evolução do local escolhido, essa decisão faz com que se torne menos comum investir em iniciativas que vão condenar seu orçamento público — caso você seja um veterano na série, é possível remover completamente essa característica ao optar pelo modo “Sandbox”.

Atenção aos detalhes

Um dos quesitos que mais se destaca em SimCity é o grande nível de atenção dado aos pequenos detalhes de cada construção e estrutura. O motor gráfico Glassbox possibilita ajustar rapidamente o nível de zoom do terreno, o que permite alterar rapidamente entre uma visão geral de sua cidade e um ângulo de câmera mais próximo das ruas — que sempre estão repletas de pessoas indo ao trabalho, passeando em praças e até mesmo andando de skate.

Fonte da imagem: Felipe Gugelmin/BJ
Apesar de a interface-base do jogo ser bastante simples, quem é fanático por detalhes vai adorar a grande quantidade de estatísticas que são disponibilizadas pelo jogo. Com alguns cliques do mouse, é possível ver o sistema de esgoto em funcionamento, observar os indicadores socioeconômicos de cada vizinhança e até mesmo checar quais as chances de determinadas pessoas se mudarem para outro local.

SimCity usa toda a capacidade dos hardwares mais poderosos disponíveis no mercado para entregar a experiência mais bonita de seu gênero. Vale a pena perder tempo observando cada detalhe criado pela Maxis, que compreendem desde a forma como a iluminação publica varia durante o dia até o processo de construção de novas indústrias ou prédios.

Trabalho em equipe

A opção por tornar SimCity um game exclusivamente online trouxe algumas vantagens para os jogadores, as quais se tornam evidentes na maneira como as cidades construídas por eles podem interagir. Caso outra pessoa construa uma metrópole na mesma vizinhança que você, é possível realizar uma série de trocas que garantem benefícios para ambas.

Fonte da imagem: Felipe Gugelmin/BJ
Caso você tenha muitos problemas de criminalidade, por exemplo, é possível pedir que outro prefeito mande reforços policiais para lidar com a situação. Da mesma forma, você pode aproveitar a força de suas usinas nucleares para fazer dinheiro vendendo eletricidade para seus vizinhos.

Para aqueles cujo objetivo é se divertir sem interferências externas, há a opção de criar vizinhanças que só podem ser acessadas por convidados. Com isso, você pode usar sua inteligência e esforços para determinar sozinho o crescimento de uma região, por mais que esse não se mostre um processo tão dinâmico quando não é compartilhado com outras pessoas.

Cidades com tamanho reduzido

Em comparação com o que foi visto nos jogos anteriores da franquia, SimCity apresenta cidades bastante congestionadas — não demora muito para que você cubra todo o mapa de casas, parques e ruas. Com isso, logo será preciso começar a demolir construções antigas para conseguir fazer espaço para um prédio de apartamentos ou erguer um monumento capaz de atrair turistas.

Fonte da imagem: Felipe Gugelmin/BJ
Embora isso sirva como uma forma de incentivar a construção de edifícios especializados (o que aumenta a necessidade de interagir com outras regiões), a decisão de restringir o tamanho dos cenários não parece fazer muita lógica. O problema se torna ainda pior caso você opte por uma região repleta de rios ou montanhas, elementos que ajudam a diminuir a área em que é possível investir em estruturas.

Modo online obrigatório

O grande responsável por frustrar a experiência proporcionada por SimCity é a obrigatoriedade de estar sempre conectado aos servidores da Electronic Arts para jogá-lo. Além de isso exigir que você tenha um provedor confiável, é preciso contar com a sorte e torcer para que os servidores da companhia não estejam em manutenção.

Fonte da imagem: Felipe Gugelmin/BJ
Durante os testes realizados, não foram raros os momentos em que nem sequer era possível iniciar o game devido a congestionamentos no sistema de autenticação. Além disso, muitas vezes surgiu a mensagem de que a conexão tão aguardada foi perdida durante a partida — algo que impossibilita salvar seu progresso caso saia do jogo.

O principal problema, no entanto, é o fato de que seu avanço só é registrado nos momentos em que você decide abandonar o game. Ou seja, caso o arquivo executável do título apresente um erro ou a rede elétrica de sua casa sofra alguma falha, é provável que você perca diversas horas de investimento e veja seus avanços desaparecerem.

Complexidade reduzida

Embora as mudanças feitas pela Maxis para tornar o simulador mais acessível sejam bem-vindas, fica a sensação de que a empresa não deu a atenção devida aos jogadores veteranos. Exemplo disso é o fato de que não há mais qualquer ferramenta que permite alterar manualmente o terreno de cada cenário.

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Assim, para conseguir transpor uma elevação, é preciso torcer para encontrar o ângulo correto em que o jogo permite a construção de uma estrada. Da mesma forma, não é possível mais desviar manualmente rios para criar um lago artificial, tampouco corrigir depressões que impedem a ampliação de sua área industrial ou a construção de um parque.

Porém, o que mais faz falta é a completa ausência de um editor de mapas. Apesar de o simulador contar com uma variedade grande de mapas, a comunidade de fãs do jogo já provou em ocasiões anteriores que é capaz de bolar experiências muito mais surpreendentes do que aquelas imaginadas pela Maxis e pela Electronic Arts.

80 pc
Ótimo