O politicamente incorreto voltou de minissaia

O que esperar de um jogo protagonizado por mulheres? Desde o lançamento de Dead or Alive, os jogos que seguiram essa linha se especializaram em exibir grandes decotes, muitas curvas e praticamente nenhuma roupa, enquanto história e jogabilidade se tornaram apenas detalhes para justificar a pancadaria feminina.

E com Skullgirls isso não é diferente, embora de maneira muito mais irônica. A sensualidade divide espaço com o bizarro, criando um confronto curioso. Os seios de uma das “heroínas”, por exemplo, chamam tanto a atenção quanto as cicatrizes em seu corpo. Outra deixa à mostra as coxas e as marcas de seu corpo desmembrado. No fim das contas, todo o estranho elenco é uma releitura grotesca de fetiches masculinos, como uma enorme piada de humor negro. É mostrar que aquilo que você gosta também pode ser grotesco — ou vice-versa.

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É claro, no entanto, que esse não é o grande diferencial do game. O apelo sexual existe, mas é ofuscado pelo foco que a produtora deu ao que realmente importa: a jogabilidade. Embora soe estranho falar isso de um jogo de luta, é realmente bom ver que a desenvolvedora não se esqueceu daquilo que é fundamental em um título do gênero e, mais do que isso, procurou encontrar uma identidade própria em meio a tantos jogos parecidos.

Em tempos em que as sequências reinam nos video games, é muito bom ver uma franquia inédita surgir de maneira tão positiva como acontece com Skullgirls. Mesmo com algumas falhas básicas, o game não desaponta e se mostra como uma ótima surpresa para quem estava ávido por novidades.

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Além do belo visual e da ótima trilha sonora, o título se destaca exatamente por unir elementos já consolidados no gênero com outros totalmente inéditos. Isso faz com que os jogadores sintam-se familiarizados com o sistema básico ao mesmo tempo em que são apresentados a outros pontos completamente novos.

Por fim, Skullgirls é uma ótima pedida para quem quer algo diferente a um preço relativamente baixo — pouco mais de R$ 27 na cotação atual. Ainda que o apelo sexual esteja presente, ele não é tão agressivo e serve mais como piada e para mostrar que ainda há espaço para o politicamente incorreto. Só falta a produtora lançar novos personagens para ampliar o pequeno elenco.

Um time do seu jeito

Um dos grandes pontos de Skullgirls é exatamente seu elenco. Mesmo com um número bem reduzido de personagens disponíveis — são apenas oito garotas em todo o jogo —, as diferenças entre elas compensam as poucas opções de seleção. Cada lutadora possui uma característica única, fazendo com que sempre haja alguém que se adapta ao estilo de combate de cada jogador.

Isso significa que há aquelas personagens mais centradas em ataques ágeis e de longo alcance e outras que causam mais dano a uma distância menor. Já para quem prefere ficar longe do oponente, as opções envolvem desde disparos instantâneos até a criação de um perímetro de segurança com minas explosivas.

No entanto, esse não é o único ponto que torna as lutas de Skullgirls interessantes. Algo que chama muito a atenção no título é a forma diferenciada com que você pode lidar com o sistema de equipes. Esqueça a formulação fixa de times, já que você tem a liberdade para inserir quantos personagens desejar em seu grupo — o que coloca duplas contra trios e até mesmo garotas sozinhas contra três oponentes.

É claro que isso obriga a criação de um novo esquema que equilibre as coisas. Para tornar as lutas mais justas, foi desenvolvido um sistema que compensa a desigualdade com um aumento na resistência. Assim, quanto mais inimigos você tiver de enfrentar, mais duro você será na queda.

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Outro ponto é o funcionamento das assistências. Além de chamá-las para realizar golpes já definidos, você pode personalizar sua entrada em cena com um ataque específico, o que dá mais liberdade na criação de combos diferenciados e de outras estratégias.

Um sistema didático

Skullgirls é um jogo muito semelhante a muitos outros jogos de luta e, ao mesmo tempo, completamente diferente. Embora isso soe como algo contraditório e até sem sentido, não demora muito para você perceber o quanto isso é verdadeiro.

A primeira impressão que temos é que a mecânica básica de combate mescla elementos de Super Street Fighter IV e Marvel vs. Capcom, fazendo com você não sofra tanto para descobrir as características básicas de cada personagem. No entanto, basta se aprofundar um pouco mais no título para perceber o quão único ele é.

Para começo de conversa, a própria dinâmica do jogo é completamente diferente. Por mais que toda a ação seja rápida, os comandos são um pouco mais lentos e focados muito mais na precisão do que no quão freneticamente você aperta os botões, lembrando muito a série Darkstalkers. O grande segredo de Skullgirls está no timing correto para realizar cada movimento.

Essa falsa semelhança obriga o jogador a reaprender a jogar, tendo de participar de todos os tutoriais para conhecer cada particularidade existente. No entanto, isso não chega a ser algo ruim, já que as explicações dadas são tão amplas que vão ajudá-lo a dominar alguns segredos não apenas de Skullgirls, mas também de outros títulos. Prova disso é que você passa a entender o funcionamento de contra-ataques e da criação de combos.

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Outra ferramenta que vai ajudá-lo a se tornar um expert em jogos de luta é o modo treino. Além de permitir que você coloque em prática algumas táticas, ele mostra as chamadas hit boxes, caixas que determinam a área de alcance de cada golpe do personagem. Embora elas passem despercebidas pelo jogador comum, esse tipo de conhecimento é extremamente útil para quem procura uma abordagem mais competitiva.

A era das revistas voltou

Lembra-se de quando você precisava jogar com uma revista no colo para conferir como se faz um Hadoken ou aquele Fatality? Esse tipo de coisa deveria ter sido enterrada no passado, mas ressurge em Skullgirls e faz com que você fique sem entender com qual propósito.

Por estarmos falando de uma série inédita cujas particularidades ninguém conhece, é praticamente essencial um pequeno guia para que você saiba como realizar os movimentos básicos de cada personagem. No entanto, isso não acontece e você tem de esfolar o controle às cegas na tentativa de obter algum resultado. Não há nem mesmo um modo que o ajude com isso.

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O pior é que o próprio game pede para que você entre em seu site oficial para conferir, o que torna o ato de verificar ainda mais trabalhoso.

Ué, você de novo?

Por mais que cada personagem tenha características bem distintas, isso não isenta o jogo de ter pouquíssimas opções de lutadoras disponíveis para seleção. São apenas oito garotas, o que acaba limitando o título em vários aspectos.

Prova disso é a bagunça do modo Arcade. Como o número não chega à casa das dezenas, é praticamente inevitável a repetição de um ou mais oponentes no time adversário. Isso faz com que tudo soe repetitivo em pouquíssimo tempo e mostra a falta que faz uma quantidade maior de opções.

85 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

85 xbox-360