Um produto genial. Um jogo mediano

Quem foi que disse que é preciso ser completamente original para juntar alguns tostões? Skylanders: Spyro’s Adventure é a prova definitiva de que uma fórmula consideravelmente datada pode perfeitamente ser vendida como algo novo... Basta fazer alguns ajustes, apelando para um dos instintos mais básicos e intensos do ser humano: a ânsia por colecionar praticamente qualquer coisa.

Mas isso não deve ficar imediatamente claro para quem simplesmente conferiu alguns trailers com a porção estritamente “jogo” de Skylanders. Há ali uma boa historinha — obviamente focada em audiências com poucos anos de jogatina nas costas —, esta colocada para funcionar com um clássico jogo de ação em terceira pessoa. São puzzles relativamente simples, inimigos descerebrados enviados às centenas e algumas fases extras.

A grande diferença aparece quando se dá atenção à porção física do game. No melhor estilo “temos que pegar” de Pokémon, cada Skylander aqui apenas é liberado dentro do jogo caso você possua a sua miniatura correspondente — algo que você já deve ter lido em outras prévias aqui do TecMundo Games. O pacote inicial traz apenas três: Spyro (para todos os efeitos, apenas “mais um” personagem), Happy Trigger e Gill Grunt.

Naturalmente, será possível atravessar toda a história principal do game com os três bonecos disponíveis... Mas, se há 32 no total, por que não experimentar outros? Sem dúvida, essa é a verdadeira sacada da Activision.

Em uma utilização praticamente sem precedentes da realidade aumentada, existem aqui motivos para que, por um lado, você continue envolvido com um jogo que, de outra forma, acabaria juntando poeira na prateleira após pouco tempo, e, por outro, a sua carteira (ou a dos seus pais) se mantenha presa a um esquema caça-níqueis dos mais geniais. Um tanto ultrajante... Não fosse também bastante divertido. Vamos aos detalhes.

Skylanders: Spyro’s Adventure com toda certeza representa um dos lançamentos engenhosos e comercialmente promissores da atual geração de games. Impossível não esboçar pelo menos um pouco de curiosidade diante da possibilidade de colecionar miniaturas bem feitas que podem, além de decorar a sua estante, ajudá-lo dentro do universo de jogo com uma cópia animada.

Embora, passado o deslumbramento inicial relativo ao produto como um todo, não exista na porção “jogo” aqui algo realmente inovador, é impossível não considerar que Skylanders representa um apelo incontestável, sobretudo para gamers em idades mais tenras — para desespero dos pais, que precisarão arcar com a parte econômica da coisa.

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Skylanders: Spyro's Adventure foi gentilmente cedido pela EDGAMES.

Jogos... E brinquedo

Um jogo baseado na clássica mitologia de Spyro, com criaturas maravilhosas e universos lúdicos não é algo propriamente original? É verdade. O mesmo se poderia dizer de miniaturas, as quais já foram inúmeras vezes vendidas à parte ou como parte integrante de um jogo de vídeo game. Entretanto, o resultado aqui é, obviamente, superior à simples soma das partes.

O funcionamento básico de Skylanders é simplesmente genial, e o apelo aqui, sobretudo para audiências mais novas, é bastante óbvio. Basicamente, cada criatura que é utilizada em um típico jogo de ação em terceira pessoa precisa conter aqui uma cópia física, na forma de um boneco.

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Juntamente com a sua cópia de Skylanders: Spyro’s Adventure, o set básico do games traz também três bonecos iniciais (conforme mencionado acima), mais uma plataforma “mágica” denominada “The Portal of Power”. Basta colocar qualquer uma das 32 figuras de ação disponíveis para o game (adquiridas separadamente, é claro) para que uma versão animada seja imediatamente liberada dentro do jogo, para ajudá-lo na batalha contra um vilão tão nefasto quanto hilário.

Um bom motivo para colecionar

A primeira coisa que chama a atenção assim que Skylanders é ligado e o primeiro boneco é colocado sobre o “Portal of Power” inegavelmente é: “nossa, há uma cópia animada dentro do jogo, exatamente igual ao boneco!”. Naturalmente, após trocar várias vezes entre os personagens disponíveis — três, supondo-se que você não tenha comprado nenhum extra —, talvez fique a impressão de que seria supérfluo adquirir as 29 miniaturas restantes. Ledo engano.

De fato, há várias fases exclusivas por personagens (denominados “Heroic Challenges”), e há também locais dentro da fase principal que apenas podem ser acessadas por “famílias” específicas de criaturas — aqui divididas em terra, fogo, ar, água, vida, mortos-vivos, mágicos e tecnologia. Além disso, possuir vários bonecos equivale, basicamente, a possuir várias “vidas”, já que, diferentemente de suas cópias físicas, as versões animadas possuem barras de energia, e certamente podem ser destruídas.

Salvando itens, níveis e personalizações

Img_normalEis um dos pontos mais interessantes dos bonequinhos de Skylanders. Basicamente, cada item, cada nível ganho e cada personalização conquistada dentro do game é salvada não no jogo, mas sim na própria figura de ação. As possibilidades aqui são várias. Por exemplo, você pode levar sua coleção particular de Skylanders até a casa de um amigo, para jogar em esquema cooperativo, ou competitivo — e todas as características das suas criaturas serão mantidas, de acordo com o último salvamento.

Além de um mecanismo social, é também possível utilizar o mecanismo para escapar, ao menos um pouco, do consumismo associado à “síndrome de Pokémon” associada a Skylanders. Quer dizer, embora algumas fases sejam liberadas exclusivamente para certas criaturas... Nada o impede de levar a sua coleção até a casa daquele seu camarada.

Um brinquedo criativo... Mas um jogo simples

É impossível deixar de notar que a parcela essencialmente “jogo” de Skylanders simplesmente não acompanha a genialidade do produto desenvolvido pela Toys for Bob como um todo. Embora seja possível extrair algumas boas horas de diversão aqui — sobretudo nos modos competitivos —, trata-se, em última análise, de um título de ação em terceira pessoa bastante simples, com centenas de inimigos, puzzles simplórios e gráficos simplesmente medianos. Enfim, ignorada a interação com os brinquedos, há aqui apenas mais um jogo da série Spyro.

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Prepare a sua carteira

É claro que a ideia de colecionar figuras de ação aqui é bastante atraente — sobretudo considerando-se que as suas novas aquisições têm reflexo direto no mundo de jogo. Entretanto, isso tem um preço. Além dos US$ 70 (cerca de R$ 130) do kit inicial (jogo + três bonecos), cada pacote com três miniaturas custa ainda US$ 20 (aproximadamente R$ 40). O total é uma soma razoável, não haja dúvida.

80 pc
Ótimo

Outras Plataformas

80 ps3
80 xbox-360