O jogo que não vai deixar você dormir por um bom tempo!

Quando alguma lenda urbana nasce e se difunde entre algum grupo ativo de pessoas, logo a história começa a tomar proporções maiores. No caso de Slender, dizem que foi em uma espécie de concurso de fotografias realizado nos últimos anos da primeira década do ano 2000 que a criatura surgiu.

De acordo com as lendas, Slender Man (ou algo como “Homem Esguio” em português) é um ser capaz de alongar seus membros e hipnotizar os seres humanos. Curiosamente, diferente de lendas urbanas mais usuais, sua origem é moderna e a difusão do mito é quase totalmente ligada à internet.

Mas deixando as origens de lado, o que interessa é que, depois que o conto começou a tomar proporções um pouco maiores, o pessoal da pequena desenvolvedora Parsec Productions criou um joguinho baseado na criatura. A produção requeria aos jogadores apenas que encontrassem oito pedaços de papel espalhados por uma pequena floresta. Com o enorme sucesso do game, a propriedade intelectual foi negociada e uma equipe de desenvolvedores experientes se reuniu para fazer a sequência do título.


Eis que chegamos a Slender: The Arrival, a continuação oficial de Slender: The Eight Pages. O game é uma produção resultante da combinação dos esforços dos escritores por trás da série Marble Hornets e o time de desenvolvimento da Blue Isle Studios. The Arrival é, ao mesmo tempo, uma espécie de reboot e de evolução do jogo original, que pretende elevar a franquia aos mais altos patamares do terror.

Será que a Blue Island conseguiu transformar Slender: The Eight Pages em um jogo de verdade, que vai tirar seu sono e sua vontade de comer? Vamos conferir.

Slender: The Arrival é uma evolução incrível de seu antecessor, com gráficos mais bem trabalhados, jogabilidade mais fluida e muitos outros benefícios. Sem contar que agora o Slender não é único de seus problemas, bem como as oito páginas não configuram seu único objetivo.


Como já se podia imaginar, o título ainda sofre de alguns pequenos defeitos, que podem ficar mais graves de acordo com sua expectativa com o game. A duração total do jogo é bastante curta e a história por trás dos acontecimentos ainda não é muito convincente.

Mesmo assim, o game é essencial para os fãs do personagem central da lenda urbana que dá nome à série e para os apreciadores de uma boa jogatina de terror. É quase garantido que você levará bons sustos e terá que colocar muito esforço e concentração para conseguir terminar todos os objetivos que o jogo apresentar.

A nota de Slender: The Arrival só não foi maior devido à própria limitação técnica e mecânica do game, que ainda assim merece nosso respeito e aceitação. Vale a pena!

Trilha sonora absurda

Para começo de conversa, a atmosfera de terror é o que mais vale em um jogo do gênero. A construção desse clima, juntamente com a condução dos pontos de clímax, de segurança ou de sustos, é possível ao utilizar uma trilha sonora poderosa. Há inúmeras maneiras de provar essa teoria, sendo que uma delas é apenas “retirar os fones” durante a jogatina. Fazendo isso, os sustos diminuem consideravelmente.

Outra comprovação da utilidade dos efeitos sonoros na criação de um ambiente fantasmagórico e assustador é o imenso sucesso do primeiro game, Slender: The Eight Pages. Quem apostaria que um joguinho sem qualidade gráfica, de mecânica minimalista e com uma proposta tão simples poderia conquistar o coração dos jogadores e fazer com que muitas pessoas perdessem o sono?

Atestado isso, é possível afirmar que Slender: The Arrival é um mestre do terror sonoro. A trilha tenebrosa é agonizante e não deixa seus nervos relaxarem um segundo sequer. A cada oscilada nos efeitos sonoros da continuidade dos passos ou mesmo quando aparecem alguns sons diferentes, sua tensão se eleva mais ainda.

Esse trabalho sonoro ainda contribui imensamente na condução do enredo do game. A trilha ajuda a projetar a solidão em que seu personagem se encontra — mesmo que em nenhum momento da partida você seja avisado de tal fato. A impotência do protagonista do game fica muito evidente assim que a criatura de braços longos aparece. Como você não dispõe de armas, feitiços mágicos ou nenhuma outra proteção, a trilha faz com que você se sinta frágil e desprotegido o tempo inteiro.

Sou eu que estou lá?

Na sequência, o segundo ponto que merece um destaque na experiência de Slender: The Arrival é a capacidade que o jogo tem de manter os jogadores imersos desde que a aventura começa até o momento em que eles não aguentem mais. Assim que você assumir o controle do protagonista, sua atenção ficará totalmente voltada para descobrir quaisquer informações que venham esclarecer o que você está fazendo em uma floresta escura e habitada pelo mal.


Tal dedicação de atenção implica na tensão física de braços e ombros. Isso mesmo, durante a jogatina você tenciona os músculos da escápula e de toda a extensão de seu braço, contribuindo para que você leve sustos maiores (e muito mais engraçados para aqueles amigos que estão assistindo você jogar).

Dignidade gráfica

Agora que os dois pontos mais gritantes do game já foram postos, podemos finalmente exaltar a beleza que ficaram os gráficos. Essa, talvez, seja a principal diferença à primeira vista para quem já havia jogado Slender: The Eight Pages. O visual realmente está uma beleza, com árvores esvoaçantes e construções muito claras e bonitas.

O que chama a atenção mesmo, assim que a jogatina começa, é o trabalho que foi realizado com a iluminação das cenas. A luz da lanterna, que é uma das partes mais importantes do game, produz sombras incríveis, que oscilam de acordo com os objetos sólidos, transparentes e translúcidos de cada ambiente.


A iluminação também sofre variações enormes em relação ao tamanho de cada local. Dentro de casas e locações fechadas, por exemplo, a distância focal do que é iluminado pela lanterna entrega mais nitidez conforme você a afasta do objeto. Já nos ambientes externos, abertos, a amplitude da luz não é suficiente para iluminar quase nada, exceto pelo que já está ao seu redor.

Trocando a cueca

Pode parecer um pouco redundante com a primeira qualidade do game, mas a forte sensação de medo e o nível absurdo de terror proporcionado por Slender: The Arrival são incríveis. Atualmente, o mercado de games de terror tem recebido um ou outro título que chame atenção pela proposta de aterrorizar.

A ação do jogo é muito bem equilibrada entre momentos de calmaria e de ataques frenéticos de pânico, o que confere a ele uma jogabilidade relativamente mais agradável. Em termos de longevidade da jogatina, The Arrival conta com o recurso de aleatoriedade nos locais em que cada folha se encontra. Assim, você pode viver a experiência de fugir do “Homem Esguio” mais de uma vez, com sustos quase sempre inéditos.

Muitas novidades excelentes

Outra das características legais que foram acrescentadas ao novo game do Homem Esguio é a presença de novos inimigos — tão ou mais perigosos que o Slender. Trata-se de pequenos demônios, parecidos com a famosa Samara da série de filmes “O Chamado”. Essas criaturinhas não chegam a matar seu personagem logo de uma vez, mas podem derrubar e facilitar o trabalho do Slender.


Depois, os objetivos também mudam no decorrer da jogatina. Em vez das oito folhas, agora há tarefas como ligar seis geradores dentro de uma usina abandonada ou fechar as portas e janelas para proteger a casa em que você está. Logicamente, os desafios vão ficando cada vez maiores e a emoção da jogatina aumenta na mesma proporção.

Bonito sim, perfeito não

Mesmo sem querer desmerecer ou menosprezar o visual renovado de Slender: The Arrival, é preciso deixar claro que o jogo tem gráficos que ainda podem melhorar muito. As texturas dos objetos ainda apresentam imensos serrilhados e uma definição bem aquém das existentes atualmente.

A iluminação é incrível, mas há locais em que a luz parte simplesmente do nada. Uma situação engraçada recorrente durante a jogatina é quando sua sombra fica projetada nas paredes em frente a você, sendo que sua lanterna está iluminando ali. Em outras palavras, de onde vem a luz que projeta sua sombra?


História muito rasa

Quem esperava mais detalhes sobre o motivo de estar se aventurando em florestas, indústrias ou casarões abandonados ficará um pouco decepcionado. Slender: The Arrival entrega alguns pontos interessantes, que deixam sua jogatina menos vaga. Mas ainda estamos longe de ter uma história convincente e emocionante...

Game muito curto

Para jogar o primeiro Slender, bastava realizar o download gratuito da obra, instalar no seu computador e começar a jogatina. Seis, sete ou oito folhas depois, você não se preocupa se o joguinho demora cinco horas para acabar ou se a campanha principal dura mais de dez horas para conseguir concluir a simples missão.


No entanto, Slender: The Arrival é um jogo pago e custa US$ 10 — em torno de R$ 20 de acordo com a cotação de hoje. Portanto, se o game não oferecer uma boa variação de objetivos ou ao menos uma campanha satisfatória, é preciso pensar mais de uma vez antes de comprar a aventura.

Slender: The Arrival é muito bacana, mas proporciona muito pouco tempo de diversão. Talvez, se houvesse uma história mais bem construída, o game pudesse oferecer mais horas de jogatina. Sem contar o incômodo bug no final da história...

70 pc
Bom