Talvez seja o meu perfil mais calmo ou o fato de gostar de jogos de tiro em primeira pessoa, mas seja como for aqui estou novamente nos campos de batalha como um atirador de elite. E, tal como aconteceu com Sniper Elite 4, essa é a minha primeira investida no universo de Sniper: Ghost Warrior.

Porém, não precisa ficar com medo, pois fiz a lição de casa e já sei que os jogos anteriores não tinham um mundo aberto, muito menos os movimentos de parkour. Além disso, há diversos outros elementos que ficaram ausentes de outros títulos e marcam presença aqui, e eu comento mais sobre eles e o que achei de cada um nas linhas a seguir.

O mundo é um grande campo

Em Sniper: Ghost Warrior 3, temos a oportunidade de acompanhar a saga de Jonathan “Jon” North, soldado dos Estados Unidos que é enviado em missão para a Rússia juntamente com seu irmão Robert. O intuito dos dois é destruir algumas armas biológicas em uma área que vai servir como uma espécie de tutorial para repassar os comandos mais importantes do game e, claro, contextualizar os eventos vistos aqui.

Apesar de estarmos diante de um prólogo, era de se esperar algumas reviravoltas. Ok, John e seu irmão até conseguem dar cabo das tais armas de destruição, mas acabam impedidos de deixar o local por conta da chegada de um grupo de soldados especiais. No processo, o protagonista acaba ficando para trás enquanto seu irmão é levado para um lugar desconhecido.

Vale comentar que, além do treinamento, essa região também serve para nos ambientarmos com o universo do jogo. Apesar de termos um cenário um pouco mais limitado nesse trecho da campanha, não pude deixar de notar que ele conta com diversos elementos que fazem desse um mundo bem mais vivo. Áreas que antes pareciam intransponíveis deixam essa característica de lado caso você derrube uma árvore para usá-la como ponte. O mesmo vale para animais encontrados no caminho, sendo que alguns poucos oferecem perigo à sua sobrevivência.

Entretanto, esse escopo muda totalmente quando passamos para os estágios propriamente ditos. As áreas são realmente grandes e variam tanto em tamanho quanto em elementos e até mesmo inimigos. A CI Games escolheu a Geórgia para ambientar os eventos do jogo, com pontos que foram dominados pelos grupos separatistas (onde a sua aparição fará com que diversas balas voem na sua direção) e outros neutros (ou seja, ninguém vai atacar, a menos que seja atacado) para exploração livre.

E quando falo exploração livre, ela realmente é moldada de acordo com aquilo que você deseja. Claro, inevitavelmente será preciso passar pelas missões principais para continuar avançando, mas há alguns outros pontos para explorar, como áreas que podem render recursos e até mesmo assentamentos tomados pelos inimigos.

Apesar de estarem aí para incentivar a exploração, devo confessar que em nenhum momento percebi alguma motivação real para continuar seguindo até esses pontos. Bem, riscar o nome de alguns criminosos procurados da sua lista sempre é algo bem-vindo, mas acredito que isso é algo que muitos vão acabar fazendo apenas se estiverem sem saber para onde ir ou como atividade complementar após terminar o jogo. Se ao menos a produtora oferecesse mais vantagens estratégicas ao concluir esses objetivos (como enfraquecer uma determinada região ou algo do gênero), certamente haveria uma motivação extra para realizar tais ações.

A beleza do explorar...

Por falar em exploração, é válido mencionar que a produtora conseguiu criar uma boa atmosfera para o game. Os ambientes são bem variados e podemos dizer que os personagens vistos aqui até apresentam semblantes bem parecidos com os habitantes da região onde o game se passa. Podemos falar também da dublagem, que não é a melhor já vista, mas também está longe de ser ruim.

A produtora conseguiu criar uma boa atmosfera para o game

Outro detalhe que vale ser mencionado é a trilha sonora, que consegue transmitir bem a sensação de estar em uma região qualquer da Geórgia. Algumas músicas contam inclusive com vozes e, apesar de não fazer a menor ideia do que estava sendo cantado, pude conhecer um pouco das tradições e até mesmo instrumentos típicos do local.

Também vale a pena mencionar a adição dos movimentos de parkour. Bem, não espere uma diversidade como em Dying Light, mas eles até ajudam a criar novas estratégias. Aliás, você é livre para avançar da forma que quiser aqui, mas tenha em mente que em alguns trechos o game vai forçá-lo a agir como um agente silencioso, com direito a momentos em que você deve recomeçar caso seja visto por um inimigo.

...Que não funciona sempre

Entretanto, há um ponto aqui que talvez incomode algumas pessoas (ao menos eu achei um pouco estranho): as distâncias percorridas para chegar até o local das missões são grandes, e os pontos de interesse não aparecem em grandes quantidades. Sendo assim, a menos que você seja realmente curioso, há grandes chances de ignorar boa parte do que aparece no mapa.

Quanto à inteligência artificial, ela até oferece um pouco de desafio na modalidade Normal, mas não espere uma marcação ferrada em todos os trechos. Tal como acontece em Metal Gear Solid, há um tempo limitado para que os inimigos procurem você, e depois disso a situação volta ao normal. Porém, alguns personagens contam com “burrice artificial” e raramente vão notar que o protagonista está se aproximando.

Realmente do seu jeito?

Após investir algumas boas horas na campanha do jogo (que é relativamente longa, diga-se de passagem), pude perceber que a grande sacada aqui é dar ao jogador a possibilidade de escolher como vai encarar cada um dos desafios que aparece no caminho, com direito à seleção do arsenal que vai ser usado.

A grande sacada aqui é dar ao jogador a possibilidade de escolher como vai encarar cada um dos desafios que aparece no caminho

Por falar nisso, é válido mencionar que você não vai encontrar munição farta no campo de batalha, tendo em vista que os inimigos oferecem apenas recursos para a construção de balas especiais e normais. Bem, se você curtir jogar com metralhadoras, isso não vai ser um problema tão grande, mas rifles de precisão e pistolas não são encontrados com facilidade nas mãos dos adversários e, consequentemente, as balas para esses equipamentos. Sim, é preciso pensar bem antes de cada tiro e se concentrar para não errar com a “sniper”; do contrário, você pode sofrer algumas consequências.

Conforme você avança pelas missões também é possível conquistar pontos de experiência para investir em habilidades divididas em três árvores diferentes: Sniper, Ghost e Warrior. Cada uma delas traz técnicas que se complementam, e, ainda que você decida adotar um estilo próprio, dificilmente vai chegar ao fim da aventura sem ter liberado boa parte daquilo que é oferecido em todas elas.

Faltou o multiplayer

Curiosamente, o ponto no qual o jogo mais podia brilhar ficou de fora do pacote inicial, tendo em vista que a produtora decidiu adiar o lançamento do multiplayer. Confesso que isso pode ser uma estratégia perigosa, tendo em vista que muitos podem perder o interesse nessa modalidade quando ela chegar (afinal, teremos vários outros títulos de peso no mercado), mas certamente há motivos importantes por trás dessa decisão.

Sendo assim, este texto ainda não vai apresentar o trecho “Vale a pena?”, pois estamos diante de um jogo incompleto. Outro detalhe importante é que a nota apresentada aqui reflete apenas o que foi visto na campanha, e ela pode aumentar ou diminuir após a liberação do modo para vários jogadores. Vou me esforçar para experimentar essa modalidade o mais rápido possível assim que ela estiver disponível, para complementar a análise.

Em todo caso, o pacote visto até aqui agrada aqueles que gostam de uma boa campanha. Alguns eventos são bem previsíveis e não chegam a ser surpresa, mas um deles em específico pode aparecer com uma boa sacada para os que acompanharam os games anteriores. E, apesar de não termos um elenco totalmente brilhante de personagens, há grandes chances de que você queira avançar apenas para ver qual será o desfecho da história.