Especial para os “campers” de plantão

Em praticamente todos os jogos do gênero FPS — tiro em perspectiva de primeira pessoa — que possuem um componente multiplayer, há aqueles gamers que preferem agir com furtividade. Mínimos movimentos são realizados enquanto o famoso “camper” tenta se passar despercebido pelos inimigos. Na maior parte das ocasiões, apenas um local é escolhido para que o jogador consiga abater muitos oponentes antes de ser detectado.

Se você gosta de agir como um “camper”, Sniper: Ghost Warrior é o jogo ideal. O título distribuído pela City Interactive exige as seguintes qualidades: discrição, cautela e observação. Falhando em um desses atributos, o combatente pode facilmente colocar sua vida (ou a missão na qual está envolvido) em risco.

Mas há momentos nos quais o gamer precisa apurar seus reflexos, pois o rifle de franco-atirador, nesses casos, é trocado por uma arma de assalto. Assim, o modo principal — Story Mode — do game tenta diversificar a experiência por meio de cenas que apresentam tiroteios furiosos entre atiradores a curtas distâncias uns dos outros.

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Falando em Story Mode, um dos personagens principais do enredo é o sargento Tyler Wells. Também conhecido como Razor Six Four, o soldado participa de uma trama simples, pois deriva de várias histórias de snipers (franco-atiradores) do mundo do entretenimento. Tradicionalmente, boa parte dos objetivos consiste em perseguir e eliminar alvos específicos, como um general do crime.

Mas o modo single player também conta com duas outras áreas: Secrets e Personal Stats. Como o nome sugere, Secrets mostra os “segredos” que o jogador achou ao longo da campanha. E Personal Stats exibe dados gerais do combatente: tempo total de jogo, quantidade de Secrets encontrados, eficiência (porcentagem dos tiros acertados), número de tiros na cabeça e número de assassinatos.

Selecionando um dos níveis de dificuldade disponíveis — Easy, Normal ou Hard — e participando do tutorial (aprendizado que, felizmente, não é obrigatório), o jogador tem a chance de mergulhar na selva e tentar causar o pânico nos inimigos com tiros executados de forma discreta e precisa. É uma pena que os pontos negativos do game superem as qualidades da ação.

Tome cuidado ao gastar US$ 29,99 (valor do jogo no momento em que foi escrita esta análise, equivalente a R$ 53,34 na taxa de câmbio atual), pois este game não é para todos. Por mais que a proposta seja interessante, o estilo da jogabilidade foi claramente criado apenas para uma pequena faixa do público apreciador do gênero FPS.

Além disso, a quantidade de defeitos técnicos é grande. Para um jogo ousado como este, os gráficos não são satisfatórios. Na verdade, as falhas de produção aparecem tão frequentemente que fica difícil deixar de notá-las. Perseverança não é uma opção durante a experiência com Sniper: Ghost Warrior... É essencial.

O cenário, um aliado importante

Vastas folhagens sempre são sugestivas para a camuflagem. A ambientação do jogo é muito intensa e colabora bastante para a execução de assassinatos furtivamente. Logo de início, o cenário é quase inteiramente tomado pela cor verde devido à vegetação. E, como o personagem controlado está sempre com algumas folhas e ramos em sua roupa, a paisagem é um disfarce perfeito.

Outros objetos também auxiliam nesse aspecto, pois atrapalham a visão dos oponentes. A iluminação enaltece a atmosfera natural do cenário, embora apresente muitas falhas técnicas. De qualquer maneira, é importante saber que o jogador pode contar com os ambientes à volta para agir de forma discreta.

Encarnando um legítimo sniper

Razor Six Four não é um franco-atirador qualquer, mas também sofre dos mesmos problemas que os demais snipers. Um dos diferenciais de Ghost Warrior é que a jogabilidade realmente transmite o espírito desse tipo de atirador.

A tela exibe a taxa de batimentos cardíacos, a velocidade do vento e inclusive o local exato — indicado por um ponto vermelho oscilante — do projétil a ser disparado pela arma. O sucesso depende de todos esses fatores, mas é um alívio constatar que a jogabilidade não apresenta empecilhos.

Um aspecto interessante é a existência do focus, um breve modo de concentração que deixa tudo em câmera lenta e deturpa até mesmo a voz escutada naquele momento pelo rádio (deixando-a em um tom mais grave). Utilizando a corda e a esperteza para chegar ao melhor local de disparo, o jogador tem a chance de efetuar um tiro capaz de ativar a Bullet Cam. O resultado é uma animação gerada por uma câmera que acompanha a bala de perto até o encontro do projétil com o corpo do oponente.

Multiplayer desafiador

A jogabilidade prática entra em sintonia com o simples, mas satisfatório, modo multiplayer do game. Até 12 jogadores podem embarcar em combates do tipo V.I.P., Deathmatch ou Team Deatmatch nos seguintes mapas: Camp, Canyon, Country Town, King Hill (não, nada a ver com King of the Hill), River e Ruins.

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A fórmula do jogo já consistia em um bom potencial para o surgimento de um componente multiplayer, e os desenvolvedores aproveitaram isso para propiciar emocionantes tiroteios entre franco-atiradores de todo o globo. É muito mais divertido combater soldados comandados por outros gamers do que enfrentar oponentes controlados pela inteligência artificial.

Tecnicamente deplorável do início ao fim

É triste constatar que, logo no começo do jogo, vem o desapontamento. O vídeo de abertura já apresenta uma porção de problemas visuais que refletem em toda a experiência. Os gráficos não foram polidos devidamente pelos desenvolvedores e, por mais elevado que seja o nível de detalhamento, é quase impossível afirmar que o game é bem feito.

Por onde começar? Bem, as sombras aparecem em abundância, mas são defeituosas, provavelmente pela ausência de aplicação de filtros de correção. Falando em defeitos passíveis de correção, bordas serrilhadas aparecem aos montes.

Além disso, é possível enxergar os polígonos delineadores de encostas ao longe com o zoom da arma. Essas encostas apresentam texturas em baixa resolução que só ganham consistência se o gamer se aproximar delas.

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Uma produção fraca

Os gráficos são apenas um dos pontos nos quais a produção do jogo pecou. O que você acha de contemplar uma água que, além de não exibir animações convincentes, aparenta não estar integrada à estrutura do cenário, pois não tem efeito nos objetos com os quais tem contato? Não, os barcos não causam ondas na superfície da água.

Bugs e outros infortúnios preenchem boa parte das cenas. O Baixaki Jogos presenciou um momento curioso: durante o aprendizado, o tutor pediu que o soldado se escondesse na mata por um tempo. Até aí, tudo bem. O problema é que, enquanto o combatente permaneceu oculto na vegetação, o oficial repetiu exatamente uma frase que havia proferido segundos atrás, palavra por palavra e com a mesma entonação. Falta de testes após o desenvolvimento? Talvez.

Onde está o capricho na jogabilidade?

No que o jogo acerta no modo single player, erra no modo multiplayer. Acima, foi dito que a experiência com outros jogadores é prazerosa... Mesmo limitada. Pois é, na jogabilidade multiplayer não é possível cumprir missões online ao lado de amigos, nem mesmo deitar no chão (prone) para tentar se disfarçar ainda mais ou aprimorar a mira.

Mas, tanto na campanha quanto nos combates multiplayer, é impossível “cozinhar granadas”, ou seja: segurar a granada na mão por poucos segundos antes de atirá-la em direção a um inimigo. A própria ação de atirar um explosivo é bizarra, visto que o personagem controlado não é capaz de arremessar a granada para longe.

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