Um SOCOM cheio de lags e não muito indicado para iniciantes.

Antes de mais nada, um fato deve ser reconhecido: SOCOM realmente nunca chegou a ser um sucesso absoluto de crítica. Embora U.S. Navy SEALs tenha feito um sucesso considerável no PS2, sendo um dos primeiros jogos a oferecer possibilidades online no console, tanto este quanto os títulos subseqüentes acabaram meio que ficando restritos a uma legião fiel de fãs, não chegando a ganhar tanto terreno quanto outros jogos do gênero.

Bem, Confrontation se encarrega de aumentar ainda mais esse estigma. Em primeiro lugar, porque o jogo simplesmente não traz nenhuma missão nem modo carreira nem nada que se possa jogar em modo single. Isso, além de não ser atrativo para quem, mesmo gostando de se digladiar com inimigos online sem motivo aparente, gosta de experimentar as mecânicas de jogo em missões offline, ainda deve servir como um sério desincentivo para jogadores novatos.
Nada de aprendizado. Se vira!
 

Quer dizer, você vai comprar o título, gastar algum tempo dando os retoques no seu personagem para, em seguida, ser jogado diretamente no meio da ação a fim de se confrontar com jogadores veteranos que podem trucidá-lo poucos segundos após a sua entrada no cenário. E, bem, considerando-se que muitos jogos não vão ter a possibilidade de “respawn” (retornar à fase após ser morto), a coisa toda vai constantemente se resumir a uma longa e tediosa espera pela próxima seção de jogo.

Assim sendo, provavelmente a idéia seria recomendar Confrontation para os fãs da série... não fossem alguns detalhes técnicos. Resumidamente, o problema é que, de fato, podem acontecer muitos e variados problemas durante as partidas. Um deles vem na forma dos aleatórios “Lags” (atrasos na imagem), que realmente acabam sendo uma faca de dois gumes — pois é, ironicamente, às vezes eles podem acabar salvando a sua pele.Tá na mira! - lag - Já não tá mais...

Mas não para por aí. Eventualmente (para não dizer constantemente) você pode acabar sendo desconectado de um jogo, ou tendo que encarar alguns travamentos vez ou outra. É claro que esses problemas não vão acontecer sempre, e não será incomum uma seção com apenas um ou outro Lag aqui e ali. Entretanto, quando eles acontecem, realmente acabam tirando boa parte da diversão.

Quer dizer, imagine-se mirando diretamente na direção de um inimigo. Aí então vem um considerável atraso, fazendo com que ele seja “tele transportado” para alguns metros adiante, escapando totalmente de um tiro certo — e, eventualmente, tirando o seu personagem do jogo da forma mais desconcertante possível. E isso pode acontecer; várias vezes.

Pura perfumaria

A única coisa que você poderá fazer com Confrontation offline será utilizar uma das perfumarias mais associadas à série: a personalização. Após entrar no jogo, você verá um menu onde será possível alterar a imagem default tanto do seu commando quanto do seu mercenário, que são os dois lados disponíveis em uma batalha.
É claro, você pode gastar algum tempo tentando fazer um Barack Obama...
 

De fato, existem várias possibilidades para se criar tanto um soldado respeitável como uma autêntica alegoria carnavalesca, embora não fique realmente claro o porque de se ter uma cicatriz aqui ou acolá em um jogo dinâmico como SOCOM. Todavia, caso você tenha uma certa inclinação à manifestações artísticas em videogames, vai o aviso: boa parte das texturas e detalhes que se pode aplicar na personalização é, na melhor das hipóteses, medíocre.

Você poderá escolher entre vários tipos de barba, uma ou mesmo uma porção de cicatrizes e também alguns adereços. Também será possível, é claro, escolher entre vários tipos de camuflagem, tanto para áreas urbanas quanto para áreas de mata.A escolha da camuflagem pode ser, literalmente, vital.

Tudo bem, a escolha da camuflagem faz sentido. Quer dizer, bem ou mal, pode ser o diferencial que vai determinar se você vai ou não ser encontrado escondido em um arbusto ou se esgueirando por uma construção em ruínas. E, bem, considerando-se que ter ou não um par de óculos escuros ou um relógio de ouro não adiciona muito ao jogo, resta a disposição dos pelos faciais.

Tudo bem, para os mais detalhistas, pode mesmo ser interessante criar algum grau de identidade no personagem colocando mais barba aqui, menos ali. O problema é que os pelos faciais parecem, sem tirar nem por, verdadeiras manchas de tinta. E isso inclui o cabelo do personagem. Adicione a isso o fato de as cicatrizes parecerem qualquer outra coisa, e se tem um belo motivo para simplesmente aceitar os personagens default do jogo.

Armamentos (ou, a parte útil da personalização)

O realismo das armas sem dúvida continua sendo um dos (poucos) pontos altos da série SOCOM. Elas são realistas, tanto na imagem quanto no som, e você ainda poderá carregar duas, uma primária e outra secundária — respectivamente, de maior e menor porte. As armas primárias ainda oferecem a possibilidade de se acoplar algum aparato, como miras normais e telescópicas.
O realismo das armas é, sem dúvida, um dos pontos altos.
 

A lista de armas disponíveis vai desde velhas conhecidas como a Desert Eagle (pistola) ou o M4A1 (rifle) até granadas e mesmo um lançador de foguetes, todas com imagem e som bastante convincentes. E, para se proteger de todo esse arsenal, você poderá escolher entre três níveis de armadura (quanto mais pesada, maior a proteção e menor a mobilidade). É possível trocar de armas em dois momentos. Ou no menu inicial, ou após você ser eliminado. De forma geral, trocar armas e aparatos é bastante rápido e prático.

Tentando a sorte nos servidores

Bem, terminada a sua obra de arte e também a distribuição das armas, chega a hora de tentar a sorte em um dos vários servidores disponíveis para SOCOM: Confrontation. Ao contrário do que se poderia pensar, a popularidade um tanto restrita da série não impede que exista constantemente um número bastante grande de partidas acontecendo. A bem da verdade, você provavelmente não terá dificuldades para encontrar um jogo.

Entretanto, pode acontecer de você simplesmente ser desconectado de um jogo sem aviso prévio ou motivo aparente. Mas, caso você entre sem maiores problemas, após um longo download, chega a hora de testar as armas. Confrontation oferece uma boa variedade de mapas, boa parte deles legados por jogos anteriores, oferecendo suporte a 8, 16 e 32 jogadores simultaneamente.

 

E, bem, para aqueles que talvez não tenham tanta prática em jogos de tiro, nunca é demais avisar: boa parte dos jogadores encontrados já tem uma boa familiaridade com o gênero. Para o seu caso, o melhor mesmo é tentar encontrar uma sala para novatos... ou morrer milhares de vezes até começar a pegar o jeito. De fato, uma lacuna considerável legada pelo fato de o jogo não possuir um modo carreira.

Após entrar em uma partida com a quantidade de jogadores e o modo escolhidos, será fácil identificar os seus companheiros de equipe, posto que estes exibem o nome sobre as cabeças. Embora o objetivo dependa diretamente do modo de jogo escolhido, é sempre uma boa idéia tentar trabalhar em equipe para não tombar rapidamente. Bem, como já era de se esperar, os seus companheiros online são, em sua maior parte, lobos solitários atrás de um bom ranking.
Tome cuidado para não virar rapidamente um espectador.
 

Conforme já mencionado, a possibilidade de voltar para o cenário após o personagem ser morto vai depender do jogo escolhido. Entretanto, boa parte dos jogos não permitirá isso. Caso você seja atingido e venha a tombar, o negócio é esperar mesmo pelo próximo round, aproveitando para trocar armas e apetrechos nesse meio tempo.

Além do “respawn” facultativo, outro elemento trata de acrescentar um bom nível de tensão a Confrontation: morrer é realmente muito fácil. Nada de barras de energia, de se esconder para recuperar a força do seu traje (como em Fracture). Basta um tiro bem dado, e pronto, você ganha um passaporte para a próxima rodada. Embora não se trate de uma característica essencialmente ruim, é sem dúvida algo que pode desagradar muitos jogadores (sobretudo os iniciantes).

“Lags”, “tele transportes” e afins

Confrontation traz um elemento aleatório que pode equilibrar, desequilibrar ou mesmo decidir uma batalha. Trata-se dos famosos “lags”, que vão acompanhá-lo em praticamente qualquer partida. Em um momento, você estará prestes a pegar um inimigo de suresa... para em seguida admirar uma bela paisagem congelada, que durará o tempo suficiente para que o malfadado inimigo perceba a sua presença e, eventualmente, o transforme rapidamente em um espectador.Ei, esse cara não estava ali há dois segundos!

Já em um momento seguinte, outro inimigo pode estar prestes a receber um tiro seu quando, subitamente, é “tele transportado” para longe da sua mira por conta de mais um maravilhoso lag. Nem é preciso dizer: a próxima cena que você verá provavelmente vai trazer o seu personagem estirado no chão — de uma forma não muito natural, diga-se de passagem.

Entretanto, realmente não é em todo o momento que esses erros grosseiros acontecem. Pode muito bem ser possível jogar durante um bom tempo sem maiores problemas, dar uma parada para um lanche, e voltar para encontrar um verdadeiro inferno de lags. Em jogos de 4 x 4 isso realmente não é muito comum, mas em partidas com 32 jogadores simultâneos...

Para ajudar ainda mais, os controles nem sempre responderão da forma como você espera. Um pulo fácil e óbvio pode acabar não saindo. Um espaço com nada além de ar pode segurar a sua bala. O seu personagem não vai se abaixar mesmo após uma comando direto e inequívoco advindo do botão triângulo. Até mesmo a novidade de utilizar o sixaxis para inclinar o personagem se mostrou totalmente descartável.

Os cenários não fazem feio

SOCOM sempre foi conhecido pelo seu realismo. Bem, Confrontation não é exatamente realistam, mas também não faz feio na questão dos cenários. Os ambientes são bastante diversificados, envolvendo tanto áreas abertas quanto topos de construções, becos, e até mesmo água. De fato, a estrutura das fases favorece bastante a organização tática, e isso é realmente interessante.
Os cenários trazem várias possibilidades táticas.
 

Além disso, o jogo apresenta um alcance de visão verdadeiramente diferenciado. Quer dizer, nada de prédios aparecendo do nada na sua frente ou daquela névoa disforme que acaba por revelar — apenas quando se esta a poucos passos do local — uma construção qualquer ou mesmo um inimigo. Pode-se, de fato e literalmente, enxergar ao longe, o que acrescenta ainda mais um elemento estratégico interessante (além de uma boa oportunidade para os famosos e odiados “campers”).

Verdade seja dita, Confrontation ainda é capaz de trazer vários dos elementos positivos que são comumente associados à série SOCOM. Os ambientes ainda são um tanto realistas (favorecendo bastante a movimentação tática), o som e o visual das armas são realmente bem decentes e, de forma geral, não se trata propriamente de um jogo ruim. A questão é: será que não existe nada melhor do gênero para se jogar? Certamente que existe.


65 ps3
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