Análise de SOCOM: U.S. Navy SEALs Tactical Strike

Tactical Strikes traz uma acentuada dimensão estratégica à série SOCOM.

SOCOM: U.S. Navy SEALs Tactical Strike não é exatamente mais um título da série SOCOM. Ao contrário da mecânica direta encontrada nos jogos anteriores da série, o jogo oferece uma ação bem mais comedida contendo uma pronunciada faceta tática.

Assumindo o controle de duas equipes com dois fuzileiros cada, cabe ao jogador avançar através construções decadentes e outros cenários propícios para completar missões clássicas como resgatar um embaixador. Missões que vão ganhando mais complexidade conforme o jogo vai avançando. Por fim, um background que, a bem da verdade, apenas serve como desculpa para que se avance através dos mais variados ambientes caçando uma verdadeira miríade de sujeitos mal intencionados armados até os dentes.

Ação Híbrida


A movimentação em Tactical Strike assume uma característica híbrida: é o jogador que deve dar as ordens, porém, caberá à IA (inteligência artificial) do jogo levar a cabo a ação. Isso significa que o jogador em nenhum momento controlará diretamente um dos membros de qualquer das duas equipes, mas poderá dar ordens a cada um individualmente, em equipe ou a todos os fuzileiros de uma só vez.

O que sobra em tática às vezes falta em interação.Enquanto que isso inegavelmente dá um certo clima estratégico para o jogo, algumas vezes acaba sendo meio decepcionante não poder interagir diretamente com o ambiente. Tudo, desde a movimentação até os ataques é feito de maneira indireta (até mesmo o bom e velho headshot aparece como mais uma ordem). Porém, é claro que acaba sendo interessante coordenar os movimentos das duas equipes para conseguir o melhor lugar para atirar, para passar despercebidamente por um local ou ainda escolhendo a melhor maneira de invadir um local.

Tanto a movimentação da equipe quanto as ordens para atacar envolvem a mesma mecânica básica: aperta-se um botão no controle (dependendo da ação que se pretende) e um cursor é exibido nos arredores do campo, indicando um local de destino ou um alvo. Embora escolher um alvo envolva uma ação relativamente tranqüila (com travamento de mira na maior parte das vezes), o deslocamento pode, algumas vezes, dar alguma dor de cabeça. Quando se pressiona o botão de movimento, muitas vezes o jogo seleciona automaticamente alguns locais (atrás de barreiras, por exemplo), porém, quando isso não acontece, o negócio é fazer manualmente. Algo que não seria nem um pouco problemático, não fosse o posicionamento um tanto desconfortável da câmera (sempre sobre um determinado fuzileiro). Isso fica ainda mais óbvio quando se deve movimentar toda a equipe através de lugares pequenos.

IA parcial


Mesmo sendo diretamente controlados pelo jogador, os fuzileiros mantém um nível razoável autonomia para poder reagir prontamente a certas ocasiões. Isso significa que eles vão responder prontamente a um ataque inimigo e, definitivamente, não vão ficar parados caso uma granada caia a poucos metros de distância.


Porém, o bom trabalho da IA do jogo parece ter mesmo ficado restrito aos heróis, já que os inimigos podem vez ou outra reagira de uma maneira francamente estúpida. É claro que, de maneira geral, eles respondem de forma decente, seja correndo, atirando ou procurando por cobertura. Entretanto, não deve causar espanto se, vez ou outra, algum sujeito meio desprovido de lógica simplesmente sair correndo para campo aberto ou não esboçar nenhuma reação enquanto um companheiro de equipe cai morto a poucos metros de distância (o que realmente acontece bastante).

Não fossem os lags...

Não, os modos multiplayer de Tactical Strike definitivamente não são ruim. Na realidade, seriam tão bons quanto qualquer outro jogo com possibilidades multiplayer do PSP... não fosse pelos lags. Seja no modo online (hospedando ou não uma partida) ou offline, o que se pode esperar são alguns congelamentos de tela nada amigáveis que podem durar até vários segundos. Algo que com o tempo vai mesmo cansando.


Porém, aqueles um pouco mais condescendentes podem mesmo tirar algumas boas horas de diversão através de um dos cinco modos multiplayer de Tactical Strike. Um máximo de quatro jogadores por partida podem encarar um deathmatch clássico em “free for all” ou “suppression” — desafios individuais e em times, respectivamente — ou algum dos modos próprios do jogo: “extract”, “demolition” ou “collateral damage”. Em “extract” uma equipe é designada para escoltar um “VIP” em segurança enquanto a outra tenta eliminá-lo. “demolition” é o clássico “atacar-e-defender”, em que uma equipe deve protejer um objeto e a outra deve tentar destruí-lo. “collateral damage” é uma espécie de “demolition” expandido; ao invés de proteger um único objeto, uma das equipes deverá evitar a destruição de vários carros.

Tactical Strike ainda oferece suporte a um chat por voz e várias modificações podem ser feitas em uma batalha, tais como impedir que combatentes caídos sejam revividos ou desabilitar certas armas. Enfim, um ótimo modo multiplayer... não fossem os lags.

Belos cenários com várias possibilidades

Cenários com belas texturas e várias possibilidades táticas. Tactical Strike traz alguns belos cenários com ambientes bem de acordo com o clima do jogo; desde um centro urbano decadente (com carros velhos e construções mal conservadas) até uma área rural. As vozes de cada fuzileiro falando na sua língua mãe tornam a coisa toda ainda mais envolvente.

Além de belos, os cenários ainda são bastante vastos. Isso sem dúvida acrescenta ao jogo uma dimensão importante, já que torna as missões bem mais dinâmicas. Pode-se tanto avançar desesperadamente através de um lugar descampado quanto procurar pelo melhor ponto para atirar ou mesmo tentar passar despercebido. Enfim, algo que sem dúvida aumenta ainda mais o clima estratégico de Tactical Strike.

É claro, algumas pessoas, sobretudo aquelas acostumadas à ação clássica encontrada em jogos da série SOCOM, podem acabar estranhando um pouco a ação indireta de Tactical Strike. Porém, para aqueles que apreciam algo mais pensado — tático mesmo — os ambientes propícios e a boa IA do jogo podem mesmo trazer uma boa opção. É claro que uma ou outra dificuldade de movimentação, o modo multiplayer com alguns atrasos ou mesmo alguma eventual ação estúpida por parte de algum inimigo podem desanimar um pouco. Porém, não deixa de ser um bom título para se ter em um portátil.


74 psp
Bom