Sonic está de volta e prova que ainda tem muito fôlego.

Nos dias de hoje, falar de um novo jogo da saga Sonic já não representa a mesma satisfação que representava ha uma década atrás. O porco espinho favorito do mundo dos videogames já não é mais o mesmo. Depois de solidificar a sua fama pela incrível velocidade a mascote da SEGA parecia não ter mais o fôlego de outrora.

Uma série de jogos medíocres feriu a imagem do velocista e ajudaram há apagar um pouco o brilho da estrela. É verdade que os console de última geração possuem um público que invariavelmente acaba preterindo os títulos mais “leves” em prol de jogos com gráficos cada vez melhores e jogabilidade intensa.

Mesmo assim não há como se discutir o apelo e o potencial do porco-espinho e sua trupe acelerada. Prova maior de que ainda existe um grande mercado e grandes possibilidades para a boa e velha dinâmica de jogo que elevou Sonic ao status de ícone dos videogames é a linha Sonic Rush.
Segura malandro.

Lançado originalmente em 2005, o jogo Sonic Rush do Nintendo DS — desenvolvido em parceria pela Dimps e pelo renomado Time Sonic — oferecia o melhor estilo plataforma 2D que popularizou o personagem nas saudosas plataformas de 8 e 16-bit da SEGA, bem como nas edição de Sonic para o Game Boy Advance (de certa forma podemos considerar a linha Sonic Rush como a sucessora direta de Sonic Advance, do GBA).

Agora, em Sonic Rush Adventure o jogador poderá experimentar a mesma jogabilidade patenteada com alguns ajustes que aproveitam o melhor do Nintendo DS, inclusive alguns gráficos em 3D (mesmo que o hardware do portátil da Nintendo ainda apresente grandes dificuldades com tais gráficos).

Ao sul do equador

Sonic e seu grande amigo a raposa engenheira Tails estão cruzando o mundo em busca de um misterioso sinal de energia que apareceu no radar de Tails. Conforme a dupla segue cada vez mais longe da costa e mar adentro, uma tempestade atinge a aeronave.


O avião é atingido por relâmpagos e logo acaba sucumbindo à tromba d’água. Eles acordam em uma praia quando uma pequena, e energética, guaxinim chamada Marine encontra a dupla.

Não vai esquecer das moedinhas, ou melhor, dos anéis. Segundo Marine, que testava uma nova embarcação de sua própria autoria, a dupla naufragou na Ilha do Sul (ou melhor Southern Island). Marine segue explicando para Sonic e Tails o seu grande sonho é o de construir uma embarcação capaz de explorar os oceanos de todo o mundo.

Tails (um renomado engenheiro) oferece seus serviços para auxiliar a garota no seu projeto, visto que tal veículo também serviria como saída para a ele e seu amigo azul. Entretanto um projeto tão audacioso necessita de muita matéria prima, e como nada vem fácil para o porco-espinho da SEGA, lá se vai o velocista digital em busca dos preciosos materiais necessários para a construção da nau.

Ao retornar da sua busca por materiais, Sonic descobre que Tails e Marine já construíram uma embarcação menor e veloz, mas com uma autonomia limitada. Marine, Sonic e Tails resolvem levar o protótipo para um test drive.

Entretanto, assim que o grupo resolve se embrenhar pela águas um grupo de piratas liderados pelo famigerado Capitão Whisker resolvem ameaçar a liberdade e todas as chances de Sonic e Tails saírem desta ilha, já que o bando de rufiões pretende surrupiar todas as preciosas esmeraldas.

Reviravolta

Mas se você acha que a confusão acaba ai, pode se acalmar porque ainda tem muito pano para manga. Em meio a corridas desesperadas atrás de esmeraldas e outros materiais necessários para a construção de uma embarcação maior, Sonic acaba se deparando com a gatinha inter-dimensional Blaze.

A princesa guardiã das esmeraldas sol, revela a Sonic que ele e seu amigo Tails foram acidentalmente transportados para a sua dimensão durante a tempestade e que ela também está a trás do tal Capitão Whisker.

E se você está sentindo falta do bom, velho e barrigudo Dr. Robotnik (vulgo Dr. Eggman), não precisa mais se lamentar já que o professor aloprado dá um jeito de aparecer e apimentar anda mais a trama com a ajuda de Eggman Nega.

Carta náutica.

Todas as missões começam na Windmill Village, dentro da Ilha do Sul (Southern Island). Você deverá utilizar os diferentes veículos marítimos desenvolvidos por Tails e Marine, para explorar o arquipélago em torno da Ilha do Sul.
Calma isso não é um cogumelo!

Cada uma das naus apresenta características singulares, seja equipamentos de defesa, maior autonomia, agilidade e assim por diante. Navegar entre uma ilha é divertido por si só, já que cada jornada desenrola-se ao longo de um mini-game diferente.

Uma vez alcançado o seu destino o jogador entra no tradicional modo plataforma 2D que conquistou tantos fãs ao longo da história da franquia Sonic.

Lobo do mar

Os veículos dividem-se em quarto (sendo que cada um deles deve ser ativado com Tails antes de poderem ser utilizados), além disso cada um deles requer uma combinação exata de elementos para a sua ativação, por exemplo: três esmeraldas verdes, dois elementos água e uma esmeralda sol.

Os veículos são: Wave Cyclone (uma espécie de jet-ski), o Ocean Tornado (um veleiro fortemente armado), o Aqua Blast (um hovercraft rápido e bem equipado) e para finalizar o Deep Typhoon (um submarino).

O mini-game do Wave Cyclone, permite que o Sonic colecione anéis e execute manobras radicais que alimentam uma barra de aceleração (uma espécie de turbo). Quando você utilize o turbo, o seu jet-ski recebe uma explosão de velocidade e torna-se temporariamente invulnerável.

O mini jogo do Ocean Tornado funciona de forma similar ao de uma galeria de tiro, sendo que o veleiro possui três tipos de munição, balas de alto calibre, balas de canhão e um lança chamas.

Para coletar os anéis basta acertá-los com um tiro, lembrando que cada tipo de munição apresenta pontos positivos e negativos. Enquanto as balas de alto calibre apresentam um tempo de recarga muito menor, estas causam pouco dano aos adversários.

A navegação no Aqua Blast é basicamente análoga ao controle do jet-ski Wave Cyclone, mas sem a presença de rampas para a execução de manobras arrojadas. Segurando a stylus na tela faz com que o veículo acelere, e no caso de Aqua Blast, também carrega uma espécie de canhão de energia, sendo que para dispará-lo basta remover a caneta da tela.

Já o Deep Typhoon utilize uma dinâmica de toques na tela similar ao do jogo rítmico Elite Beat Agents.

Truques na cartola

Sonic Rush Adventure promove o retorno do sistema de truques apresentado originalmente em Sonic Advance 2, no qual você deve executar acrobacias pressionando alternadamente os botões A, B e R (no caso do Nintendo DS) quanto saltando em determinados pontos de cenário.
Mega Man que se cuide.

Ao executar os truques, ou derrotando inimigos, você irá carregar a barra de tensão ou Tension Gauge. Quando a barra estiver totalmente carregada, Sonic poderá liberar um Super Boost, que vai acelerar o porco-espinho e torná-lo momentaneamente invulnerável.

Cada um dos setes níveis é dividido em dois atos diferentes, o primeiro é tudo o que você espera de um título estrelado pelo porco-espinho mais rápido do mundo. A jogabilidade patenteada de Sonic no melhor estilo plataforma 2D invade as duas telas do Nintendo DS (na realidade o cenários se estendem pelas duas telas).

Já o segundo ato consiste de uma batalha contra um grande chefe (os populares chefões de cada fase). Essas batalhas são fiéis a todo o design do jogo, mesmo que apresentadas no formato 3D sendo que a transição de ambientes é muito interessante e apenas acrescenta a diversão do jogo.

Matéria prima

A principal tarefa ao longo do jogo é a de coletar os diferentes materiais necessários para a construção de aprimoramento das embarcações criadas por Tails e Marine. A qualquer momento você pode visitar o seu grande amigo e inventor na casa de Marine, localizada no centro da Ilha do Sul.

Lá, você poderá conversar com a raposinha e pedir informações sobre quais os materiais exigidos para a construção de cada um dos veículos aquáticos.

A cada de Marine também serve como uma central do jogo, lá você pode encontrar Tails, conversar com Blaze, receber novas missões com a própria Marine ou acessar os modos multiplayer online.

Escondido, mas não esquecido

Escondido em uma porta lateral da casa de Marine, você encontrará uma sala com acesso direto aos modos multiplayer. Utilizando o DS Download Play através da Nintendo Wi-Fi Connection, você poderá correr contra outros jogadores utilizando o seu personagem em batalhas online.


Se você preferir também poderá embarcar em Ring Battles, nas quais o jogador deve coletar o maior número possível de anéis ao longo de todo o cenário. Já no modo Time Attack, os participantes poderão travar duelos para descobrir quem consegue terminar os níveis no menor tempo possível.

Sangue, suor e ouriço

O que seria do Sonic sem um Loop. O jogo é tão colorido quanto qualquer outro título da franquia Sonic, entretanto o grande destaque fica pela mescla inteligente de ambientes 3D e 2D, agradando em cheio aos fãs mais saudosistas e aqueles que anseiam por inovações na série.

Na realidade os gráficos não são nem um pouco elaborados, tirando vantagem da simplicidade e eficiência. Entretanto, assim que você começa a jogar todos os elementos do design se alinham, criando um ambiente envolvente e convidativo.

As falhas ainda estão evidentes, mas até mesmo os gráficos 3D — que causam grandes dificuldades para o hardware limitado do Nintendo DS — rodam com suavidade, sendo que a transição dos ambientes 2D para os 3D é tranqüila sem qualquer grande choque.

A trilha sonora de Sonic Rush Adventure também soa muito condizente com a franquia, mesmo que repleta de influências funk e hip hop. A música, como o resto do jogo consegue destoar da série sem se afastar dos elementos que transformaram a franquia em um sucesso.

A música realmente é atípica para um título da linha Sonic, entretanto o compositor Teruhiko Nakagawa — responsável pela direção e composição da trilha — conseguiu confeccionar faixas que soam condizentes com o universo de Sonic.

Bom, bonito e um barato

Sonic Rush Adventure realmente apresenta algumas arestas ásperas que aborrecem a maioria dos jogadores, mas no plano geral ele é definitivamente um título digno da franquia do porco-espinho da SEGA.

A jogabilidade acrescenta alguma profundidade ao seu grande nível de design, integrando as missões, que mais parecem recriações do clássico do Mega Drive, com batalhas e mini-games que se aproveitam das singularidades do Nintendo DS.

Depois de tantos tropeços não é nenhuma loucura utilizar Sonic Rush Adventure como um bom argumento de defesa do porco-espinho. A diversão está garantida e prova que a mascote da SEGA ainda tem muito fôlego.
79 ds
Bom