Até onde vai sua sede por poder?

Soul Sacrifice é o mais recente trabalho de Keiji Inafune (o famoso criador de franquias como Mega Man). O game foi lançado há alguns meses no Japão, onde já foi comprado por mais de 120 mil pessoas e cumpriu a sua principal proposta: adicionar com êxito jogos relevantes à pobrezinha biblioteca de opções do PlayStation Vita.

Isto posto, podemos começar a explanar um pouquinho da história por trás desse aguardado jogo da Sony Computer Entertainment Japão. Soul Sacrifice colocar os jogadores na pele de um garoto preso, prestes a ser executado por um poderosíssimo feiticeiro. Assim que o malvado lançador de feitiços vem buscar o último homem que estava em sua frente na fila de execuções, há um confronto que termina na eminente vitória de Magusar.

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Logo que ele vai embora, e você se dá conta de que é o próximo a ter que encarar o vilão, um misterioso livro falante aparece em sua frente. Libron, que é o nome do objeto animado de literatura, propõe prestar auxílio à sua causa praticamente perdida, ensinando encantamentos que vão deixá-lo muito poderoso, mas que vão mudar sua vida para todo sempre.

PS Vita: praticamente um leitor de e-book

Então, é justo quando você começa a interagir com Libron que a aventura começa. Basicamente, cada um dos capítulos da história conta a história de um rapaz bastante importante no decorrer do jogo. Esse jovem acabou se deixando levar pelas tentações perversas da feitiçaria demoníaca e acabou se tornando poderoso demais para que ele mesmo pudesse se controlar.

Seu objetivo, entretanto, não será uma pedida simples do tipo: “agora você precisa acabar com os planos malignos do malfeitor”. Ao contrário, seu papel em cada ínterim vai ficando cada vez mais complexo e suas emoções vão sendo cativadas pelos protagonistas do livro — até você descobrir que é um deles...

Sem mais delongas, será que Soul Sacrifice vai prestar? Vamos conferir.

Soul Sacrifice é um game que foi lançado no Japão um considerável período de tempo antes do que chegou ao resto do mundo. Com a açucarada receptividade da imprensa nipônica, as qualidades atribuídas ao título repercutiram mundo afora e contribuíram para que inevitavelmente muitas expectativas fossem criadas em relação à distribuição ocidental da produção de Keiji Inafune.

Assim, depois de uma longa jogatina de Soul Sacrifice, é possível afirmar que existe uma infinidade de conteúdo literário em suas páginas virtuais. A proposta do título também é um tanto curiosa, uma vez que não é sempre que vemos um livro falante, que recupera histórias da vida de um feiticeiro relativamente maligno, que troca alguma parte de seu corpo por poderes arcanos.

Não é muito difícil notar que a jogabilidade de Soul Sacrifice pode acabar ficando um tanto repetitiva, mesmo com a tonelada de histórias e conteúdo existente. As batalhas podem ser emocionantes e incríveis, mas se você escolher os parceiros e os equipamentos errados, elas certamente serão irritantes e muito difíceis. O sistema de “lacrimas” é muito interessante, assim como vários outros sacrifícios e a própria presença de Libron, criando momentos de pura gargalhada durante a sisuda aventura.

Em suma, o título não apresenta o andamento tão perfeito quanto gostaríamos tanto no que diz respeito ao modo campanha single, quanto à jogatina online. Mesmo assim, a divisão dos mundos em pequenos cenários de batalha não impede que o enredo carregue consigo uma profundidade digna de RPGs maiores (com a exceção da metade da história para o seu desfecho, onde há uma notável caída na intensidade).

Os elementos novos do game conseguem caminhar de mãos dadas com as características já conhecidas dos action role playing games, criando uma combinação com um acesso um pouco complexo, mas de fácil uso para qualquer jogador. O certo é que Soul Sacrifice é um dos jogos mais carismáticos e potentes de PlayStation Vita já lançados até hoje. Vale a pena, sem a menor sombra de dúvidas!

Decisões interessantes?

A primeira das qualidades notáveis de Soul Sacrifice é a quantidade de decisões diferenciadas que você precisa tomar em sua aventura. Tais escolhas influenciam de tal nível durante a jornada, que a história pode tomar rumos muito mais complicados ou menos difíceis, conforme você salve determinadas almas atormentadas e acolha aliados.

Fonte: Divulgação/YouTube
A personalização de itens e a preparação de seu protagonista antes de cada conflito também influenciam “vitalmente” no desenrolar da batalha. Tudo isso é melhor compreendido com a leitura dos tópicos apresentados em Librom, ou seja, quando você não está em uma pancadaria sanguinolenta dentro de Soul Sacrifice, invariavelmente você estará lendo toneladas de conteúdo.

Trabalho visual na construção dos monstros

Graficamente, Soul Sacrifice não é uma obra de arte tão vistosa quanto outros títulos que já tivemos contato no PlayStation Vita. No entanto, até pelo fato de se tratar de um jogo com uma “pegada tipicamente japonesa”, é notável que a equipe de design concentrou seus esforços na criação das monstruosas criaturas que você enfrenta.

Visual musical

A composição da trilha musical de Soul Sacrifice ficou a cargo de Yasunori Mitsuda e Wataru Hokoyama. Mesmo sendo este o primeiro trabalho deles em conjunto, podemos atribuir aos dois algumas produções “mais ou menos” consagradas, tal qual: Chrono Trigger, Chrono Cross, Xenogears, Resident Evil 5 e Kid Icarus: Uprising. O currículo de ambos é fenomenal e o trabalho foi da mesma maneira, lembrando que há várias vozes possíveis de serem escolhidas para seu personagem.

Além disso, o trabalho de gravação das músicas foi realizado no Scoring Stage, que é um moderno estúdio de som na Califórnia (EUA), pertencente a ninguém menos do que à Skywalker Sound (criada por George Lucas, mas que agora está em poder da Disney). É claro que uma orquestra inteira executou as belíssimas canções do game, que engrandecem muito a experiência de jogar Soul Sacrifice com fones de ouvido.

Histórias bem elaboras, narrativa ótima e personagens paralelos intrigantes

Uma característica que precisa ser mencionada é a quantidade de material existente em Soul Sacrifice, que permite que o jogador pratique muito a sua habilidade em leitura ao mesmo tempo em que descobre uma história intrigante. O protagonista do jogo vivencia aventuras que são narradas por uma voz onisciente, com algumas pequenas animações conceituais mostradas no fundo das páginas.

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Já que falamos em animações, vale ressaltar que praticamente não há cutscenes e cenas de computação gráfica durante o jogo — salvo raras exceções simples antes do começo de algumas fases, basicamente com um personagem falando alguma coisa. Isso significa que a magia por detrás dos acontecimentos está quase todo explicitado em histórias paralelas, (influenciando e sendo influenciadas diretamente) pelas escolhas que você faz.

A princípio a narrativa pode parecer um pouquinho confusa, mas vale continuar a jogatina para que os pontos principais sejam esclarecidos. A principal benesse adquirida da leitura do enredo são os companheiros que você consegue adicionar em sua equipe para auxiliar nas batalhas mais complicadas, além de trazer mais sentido ao que você está fazendo.

Curva de aprendizado

É preciso dizer que um dos principais pontos que podem atentar contra a jogatina em Soul Sacrifice é a complicada curva de aprendizado do game. Em outras palavras, não adianta ligar o game, ir passando as instruções rapidamente e começar a pancadaria com qualquer criatura que aparecer em sua frente.

A jogabilidade é muito boa e fluida, mas a combinação ideal de magias e o próprio uso delas são muito específicos. Assim, não adianta apenas criar um personagem “striker” (que sai descendo o sarrafo em todo mundo) que certamente haverá condições de lutas impossíveis de serem sobrepujadas.

Então, pode-se dizer que é complicado e difícil jogar Soul Sacrifice? Não exatamente. Trata-se de um jogo que exige bastante atenção, leitura e dedicação para que você consiga se dar bem em cada uma das missões. E é isso que define essa tal “curva de aprendizado” longa.

Desafios e missões repetitivas

Mesmo com uma tonelada e meia de informações, um enredo que trata de questões sentimentais e sobrenaturais incríveis, Soul Sacrifice pode se tornar repetitivo dentro de muito pouco tempo. E, como tudo que fica repetindo, pode ser que você crie alguma resistência a jogá-lo por muito tempo seguido, visto que seu trabalho será ler, preparar e ir para um cenário limitado fisicamente a fim de enfrentar alguma criatura.

Claro que isso não impede que o game seja excelente. Mas que ele é repetitivo, não há dúvidas.

Sistema de mira falho

A versão demonstrativa de Soul Sacrifice apresentou um sistema de mira que se mostrou ineficiente e próprio para atrapalhar suas batalhas em momentos decisivos. Ainda que exista a opção de escolher qual será o botão usado para ativar essa função, a versão definitiva do título trouxe exatamente o mesmo problema.

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A mira serve mais para localizar os inimigos no mapa do que para realmente acertar os ataques. Com exceção de projéteis disparados à distância, aos quais pode ser adicionado um boost de precisão com um item colocado no braço do protagonista, esse recurso vai ser esquecido.

Se você trava a visão em uma criatura e acaba com ela, a mira automaticamente muda para outro bicho. É exatamente aí que mora o problema, pois a troca é mais ou menos aleatória e a indicação de que a mira ainda está travada é muito discreta.

80 psvita
Ótimo