O soldado do inferno traz uma leva de demônios para o PlayStation 2.

Em 1992 o já renomado quadrinista estadunidense Todd McFarlane — que na época já havia trabalhado em revistas do calibre de Homem-Aranha, Hulk e Batman — resolveu introduzir um novo personagem ao panteão da nova editora criada por ele mesmo, a Image Comics.
Por se tratar de uma editora independente os escritores e desenhistas gozavam de uma liberdade maior para explorar temas e imagens mais fortes. A personificação destas idéias se chamou Spawn.

O ex-agente da CIA, Al Simmons, que após ser morto em uma armadilha orquestrada pelo seu antigo chefe, vai parar no inferno, e ganha poderes místicos após negociar com o demônio Malebolgia.

Com uma história envolvente, repleta de mistérios, mitologia e muita violência, com pitadas de erotismo, a série de quadrinhos Spawn arrebanho uma fervorosa legião de fãs. Visto o sucesso do personagem os produtores não viam a hora de explorar a marca e logo veio uma trágica adaptação para os cinemas, uma magistral versão animada produzida pelo canal de televisão paga, HBO e, é claro, jogos de videogame.


Cria do inferno

A presença do soldado infernal nos videogames não nenhuma novidade, desde 1995, ainda no saudoso Super Nintendo (SNES) passando pelo icônico PlayStation original e até mesmo no mal explorado SEGA Dreamcast.

Spawn já soma com um currículo de mais de cinco título, contando com participações especiais em outras franquias, como a série de títulos de luta SoulCalibur — o personagem apareceu na versão para o Xbox original de SoulCalibur II.

Agora o anti-herói aporta pela primeira e única vez ao PlayStation 2 (Spawn: Armageddon também foi lançado para o Nintendo Game Cube e para o Xbox original), em um jogo que inspira-se diretamente na trama dos quadrinhos referentes as primeiras 99 edições da série, sendo que o próprio Todd McFarlane foi o diretor de produção do jogo.


Infelizmente o jogo acaba “morrendo na praia”, usando e abusando de elementos de outros jogos o título não consegue se autoafirmar. Quem possui um PS2 certamente irá reconhecer a jogabilidade patenteada da franquia Devil May Cry, enquanto os usuários do Xbox se lembrarão de Otogi: Myth of Demons.


Muito, muito, muito mais do mesmo


É verdade que Spawn: Armageddon não tem nenhum pretensão de ser algo além de mais um beat 'em up. Entretanto a ação desprovida de intelecto cansa rapidamente e nem mesmo a introdução de alguns quebra-cabeças ambientas (ação/plataforma) consegue garantir uma variedade na jogabilidade.

E pensar que o soldado do inferno não é a pior cria do sete pele Basicamente você vai ficar correndo através do níveis trocando sopapos com demônios e soldados até os inevitáveis confrontos com os gigantescos chefes de cada fase. Mas se é isso que você procura, Spawn: Armageddon pode ser uma boa pedida.

Uma vez que você aceite esse conceito de jogo, a aventura de Al Simmon pode realmente oferecer algum divertimento. Como Spawn, você poderá desmembrar infinitas hordas de demônios, robôs, anjos caídos e alguns soldados mal intencionados.

O vasto arsenal demoníaco de Spawn conta com armamento pesado, incluindo pistolas, metralhadoras, escopetas e alguns eventuais canhões mágicos. Seus poderes sobrenaturais também se sobressaem durante os combates (de mísseis de energia a uma espécie de bullet time do inferno).

Mas a escolha preferida do soldado do inferno é o seu bom e velho machado e a suas correntes. Para quem já leu o quadrinho a combinação é bem natural, já quem não conhece os incríveis poderes do Spawn, basta apenas dizer que as correntes possuem ganchos pontiagudos nas pontas e são controladas mentalmente por Al Simmons, quanto ao machado, bem digamos apenas que ele deixa um rastro de sangue pelo jogo (literalmente já que a cada golpe o instrumento vai se encharcando do fluído vital).

A evolução do mal

Como outros títulos do gênero, o jogo conta com um sistema de evolução no melhor estilo RPG. Ao longo dos combates você vai adquirindo pontos de experiência, que por sua vez podem ser trocados por melhorias das suas armas e dos seus atributos.


Quer sentir o gosto das chamas do inferno?Você pode incrementar a sua barra de vida e de necroplasma (o combustível dos seus poderes infernais). As armas recebem upgrades que melhoram o seu desempenho (causando mais dano e suportando pentes com mais munição).

Aprimorar seus atributos e equipamentos será essencial para encarar os inimigos mais poderosos presentes nos níveis mais avançados. Entretanto em nenhum momento do jogo a dificuldade é verdadeiramente elevada (o que pode ser um grande problema).

Semideus


Um dos piores aspectos de Spawn: Armageddon é o seu desafio. Em nenhum momento do jogo a dificuldade realmente desafia o jogador. O que torna a vida “útil” do jogo acaba se resumindo a umas seis no máximo oito horas de jogo, visto que os usuários mais experientes não encontraram nenhuma dificuldade em terminar o jogo.


Parte deste problema é causado por uma escolha equivocada de desenvolvimento, que privilegia quantidades abundantes de inimigos ao invés de investir na inteligência artificial dos mesmos.

Até mesmo as batalhas contra os chefes de cada fase são resolvidas com extrema facilidade, bastando apenas algumas repetições de golpes para dar cabo das gigantescas criaturas, que na maior parte do tempo se comportam de forma mecânica e pouco inteligente. 


Dá pra ver minha casa daqui O sistema de combate não ajuda em nada, com a sua simplicidade e combos pouco desenvolvidos. Você poderá atravessar todos os níveis pressionando sempre o mesmo botão sem nunca precisar aprender as técnicas mais avançadas, ou explorar o potencial das suas magias.

Mal até o osso

O traço inconfundível do genial Todd McFarlane e a rica (e incrivelmente sombria) mitologia de Spawn o transformaram em um herói bem malencarado. Os designers do jogo parecem ter conseguido capturar todo os “estilo” sinistro originalmente pensado por McFarlane.

Seus movimentos são fluídos e seus ataques são furiosos. A ação é veloz e intensa, mesmo que confinada as limitações técnicas do PlayStation 2. Convenhamos, o console de sexta geração até consegue se equiparar ao Nintendo Wii, por vezes até o supera, entretanto não há como deixar de lado as comparações com os gráficos de última geração.

Mesmo assim o jogo não faz feio, principalmente se não incorrermos em tão injusta comparação. Levando em conta somente seus parceiros de sexta geração, Spawn: Armageddon oferece bons gráficos.

A paleta de cores é variada e muito bem utilizada criando efeitos que muitas vezes ofuscam a jogabilidade pouco inspirada. Além disso, o jogo também oferece suporte total para aparelhos HDTV, contando com scan progressivo e widescreen 16:9.

Mas nem tudo são maravilhas, devemos lembrar alguns problemas de câmera que realmente prejudicam a experiência de jogo. O ângulo de câmera pretende acompanhar Spawn, mas frequentemente deve ser ajustada por não se posicionar de forma adequada.

O que acaba revelando outro defeito do sistema, a falta de refinamento do controle de visão. Os movimentos são bruscos e não podem ser ajustados com a devida fineza. Observar o cenário em busca de elementos escondidos é uma das partes mais desafiadoras do jogo.

E a versão de Spawn: Armageddon para o PlayStation 2 sofre com alguns problemas bem particulares, como a instabilidade da taxa de quadros por segundo e alguns glitches, como cenários recortados e texturas ausentes.

Garganta do Diabo

Se você gosta de um acid rock, a trilha sonora do jogo certamente soará muito bem aos seus ouvidos. Entretanto a maioria dos jogadores pode achar pouco interessante ouvir a mesma faixa por horas a fio. Fãs do Marilyn Manson podem até se derreter enquanto jogam, mas você agradecerá a Deus pelo fato de poder baixar o volume da música enquanto decepa a cabeça das legiões do mal.

Issa!!!!!!!!! Os efeitos sonoros não são muito variados, mas condizem com os propósitos do títulos. Machadadas, sangue respingando, gritos e urros compõem os sons do ambiente, sendo que todas as armas contam com o vasto uso da mixagem Dolby Pro Logic II.

Infelizmente a história é pouco explorada e você não tem a oportunidade de visualizar muitas animações, entretanto sempre que elas aparecem os jogadores podem conferir o belo trabalho de voz dos dubladores.

Morto ao chegar

No final das contas, Spawn: Armageddon é mais um título que não consegue explorar a franquia de forma interessante. O potencial do soldado do inferno é óbvio, entretanto nenhuma das suas incursões nos videogames foi condizente com o seu sucesso nos quadrinhos.

O desafio é patético e mesmo no nível mais difícil os jogadores menos experientes devem terminar a campanha em seis ou oito horas. O que até pode valer uma locação, mas de forma alguma compensa uma compra.

Spawn: Armageddon pode ser considerado um bom jogo de ação, com um apelo todo especial para fãs de Devil May Cry. Quem também pode se interessar pelo título são os leitores dos quadrinhos de Spawn, ou de qualquer outro romance de horror gótico.
62 ps2
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