As forças espectrais ressurgem nos consoles de sétima geração.

Mesmo não sendo exatamente o primeiro título do gênero, Final Fantasy Tactics, estabeleceu os parâmetros do estilo RPG estratégico (aquele no qual os jogadores devem movimentar seus personagens sobre um tabuleiro quadriculado).

O título não apenas mostrou o poder do sistema de jogo, mas também desencadeou uma avalanche de outros jogos que tentaram seguir a sua trilha de sucesso. No entanto pouco realmente conseguiram se equiparar ao clássico; Shining Force, Dragon Force, Dark Wizard, Disgaea são alguns dos nomes mais lembrados em um mar jogos que pouco se diferenciam entre si.

Spectral Force foi mais uma dessas franquias que nunca realmente se destacou entre seus pares, não obstante conquistou fiéis seguidores ainda no PlayStation 2. Agora a franquia finalmente faz sua estreia nos consoles de sétima geração, e dessa vez com exclusividade para o Xbox 360.


A terra do nunca

Na verdade um dos piores aspectos do jogo é justamente a sua trama. Spectral Force 3 acompanha a derrota do exército maligno por três heróis, que com a sua valentia acabaram unificando os vários reinos do mundo de Neverland.

As guerras que assolam o mundo fantástico se apóiam quase que exclusivamente no uso de forças militares contratadas, mercenário. Entre os grupos de mercenários mais reconhecidos está o Norius Mercenaries (do qual você faz parte).


Depois que um atentado tira a vida do bom rei Flauster, o grupo se vê desempregado e em fuga. O líder do bando, Judo acaba morrendo durante a retirada do grupo, colocando Beginna (você) no comando da trupe. Assim começa a sua jornada para recrutar novos guerreiros e continuar a luta por justiça, paz e liberdade.

Familiar

A
jogabilidade é sem sombra de dúvida o melhor aspecto do jogo, mesmo que ainda seja falha e repleta de problemas. Como líder de um grupo de mercenário você deve aceitar missões (distribuídas nos diferentes reinos disponíveis no jogo), cada missão envolve m combate tático.

Ahh se o jogo fosse assim...Dentro das batalhas cada personagem recebe sete AP (pontos de ação), que podem ser utilizados para movimentar-se, conjurar feitiços, utilizar habilidades especiais, itens e assim por diante. Os ataques dividem-se em três potências, fracos, medianos e fortes. Sendo que esses utilizam um, dois ou três AP respectivamente.

Além disso, alguns ataques são capazes de mover seus inimigos, jogando-os para cima, ou forçando-os a recuar. Saber a dinâmica de cada ataque e de cada inimigo é essencial para se chegar à vitória. Como em todo SRPG (RPG de estratégia) equilibrar seus ataques e posicionar adequadamente os seus personagens dentro do tabuleiro de combate é uma arte recompensadora.

A dinâmica de combate também conta com algumas peculiaridades como o sistema de apoio e trabalho em equipe. Ativando essa opção os personagens vão encadear ataques em conjunto, causando mais dano ao seu oponente.

Vai trabalhar vagabundo!

A jogabilidade divide-se em dois segmentos, os trabalhos (work) e as missões (mission). Os trabalhos servem apenas para coletar itens e matar monstros para ganhar a XP nossa de cada dia, enquanto que as missões são as batalhas que efetivamente movem a trama do jogo.

Os trabalhos pagam mais do que as missões, via de regra, e você precisará de muitos fundos para pagar os tão necessários upgrades (melhorias) das suas armas e armaduras, bem como para adquirir novas técnicas, emblemas e acessórios.


Para incrementar seus itens e equipamentos você deve coletar uma série de materiais específicos, encontrados ao longo das batalhas. Esses materiais estão espalhados em baús e caixas presentes na grade de conflito.

Esse é sem sombra de dúvida um dos pontos mais irritantes de todo o esquema de jogo e depois de algum tempo você simplesmente irá desconsiderar essa coleta de matéria-prima, já que o conteúdo das caixas e baús é totalmente aleatório.Isaaaaaaaaaaaaaaa

No entanto fica aqui um alerta, pois mesmo que o sistema de batalha realmente seja interessante e bem elaborado não se trata de nada inovador. Você precisará engendrar e aplicar esquemas estratégicos para se sair bem nas lutas mais complicadas, mas nada que não também não seja exigido por qualquer outro título do gênero.

Bonito, até o jogo começar

Não há como desculpar os gráficos de Spectral Force 3. Tratando-se de um título lançado em 2006 é de se estranhar que os gráficos in-game (dentro de jogo) sejam reminiscentes da geração passada, algo saído diretamente dos primórdios do PS2.

Os modelos são hediondos e a paisagem é odiosa. Além disso, a geografia de Neverland tem uma estranha geomorfologia que parece repetir-se constantemente ao longo dos mapas, sendo que o mesmo se evidencia no quesito variedade de terrenos.

De bom mesmo somente as longas e belas sequências de animação, no melhor estilo japonês, que entregam a trama do jogo. Outra decepção são os efeitos sonoros e a música.

Caveat emptor

Se você é um fã do gênero e possui um Xbox 360, Spectral Force 3 pode ser uma boa escolha. Mesmo com todos os problemas o título é um dos poucos exemplares do estilo SRPG para o console da Microsoft e conta com alguns pontos positivos.

Além de uma jogabilidade interessante, o título também conta com um bom “custo-benefício”. Com a opção de aliar-se a qualquer uma das nações que lutam pelo controle de Neverland, o grande elenco de personagens (que varia de acordo com as suas escolhas ao longo do título) e a vasta estrutura de personalização dos heróis, Spectral Force 3 pode estender-se por várias horas.

62 xbox-360
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